Mainnav

Anbima inaugura canal no Telegram

A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) inaugurou hoje (28/05) um canal no aplicativo Telegram. O objetivo é estreitar a comunicação com as instituições que seguem seus códigos de autorregulação. Segundo a associação, os inscritos receberão textos curtos com as principais novidades do mercado, as últimas estatísticas, informações de eventos, novidades da autorregulação, entre outros assuntos.

O Telegram se junta às ferramentas digitais WhatsApp e ao Workplace para levar informações da Anbima para o mercado. Os dois últimos são exclusivos para associados, com notas sobre iniciativas e discussões que ainda estão em curso; o Telegram será aberto a todos e divulgará as  conclusões após o final das discussões.

Segundo a Anbima, o uso das plataformas digitais de comunicação vem crescendo durante a pandemia de Covid-19, na medida em que a entidade ampliou a divulgação de informações pelos canais para quem está em home office conseguir ficar atualizado.

 “Os associados quase dobraram sua participação nos canais criados exclusivamente para eles”, afirma Zeca Doherty,  superintendente-geral da Anbima. “Diante da multiplicidade de informações relacionadas à pandemia nesse momento, selecionamos aquelas que teriam impacto direto no dia a dia das instituições”, explica.

Pandemia aumenta demanda nas redes sociais dos fundos de pensão

redes sociaisO isolamento social, que inviabilizou o atendimento presencial nas entidades de previdência complementar, intensificou o acesso dos participantes a canais digitais em busca de informações. Muitas fundações relatam casos em que dobrou e até quadruplicou a demanda em seus portais, aplicativos de celulares, Whatsapp, Facebook, Youtube e Instagram. As principais razoes são duas: as pessoas estão mais preocupadas com seus investimentos e recebimentos de benefícios, e sem atendimento presencial e com os telefônicos congestionados, restou a internet.
Na Valia, a transformação digital já estava em curso mas foi intensificada para o atendimento da nova demanda. “Nosso chatbot, a LIA – robô de inteligência artificial- está tendo trabalho quase dobrado: os acessos aumentaram 80%. Nosso call center, o Disk Valia, já estava na nuvem – e a procura aumentou 57%, com a ampliação do horário de atendimento e a possibilidade de ligar de graça pelo celular (antes, o 0800 somente recebia telefonemas vindos da rede fixa)”, relata o presidente da entidade, Edécio Brasil. Segundo ele, a procura pelo Fale Conosco, atendimento por e-mail, aumentou 90%.
Já na Postalis, um aplicativo com diversas facilidades e serviços digitais será disponibilizado aos participantes nos próximos meses para ser utilizado via smartphones. Ele terá comunicados, serviços, atendimento, empréstimos e conteúdos diversos. O aplicativo se encontra em fase de desenvolvimento pela própria equipe de tecnologia da entidade. “E em breve passaremos a utilizar também o Whatsapp”, antecipa Marco Aurélio Weyne, gerente de comunicação e relacionamento do Postalis. Segundo ele, o telefone 0800 continua funcionando normalmente na Central de Atendimento, com os 43 atendentes trabalhando em home office.
Para o presidente do Sebrae Previdência, Edjair de Siqueira Alves, “os participantes estão com mais tempo livre e também mais ansiosos em relação ao seu futuro e aos seus investimentos no instituto. Por isso, duplicou a demanda via todos os canais que já utilizávamos”. Ele relaciona que o Sebrae Previdência foi o terceiro fundo de pensão a entrar no Facebook e o primeiro a ter um canal de podcast no Spotfy, além de ter um programa no Instagram. “Estamos postando muitos vídeos na conta do Youtube, para levar mensagens aos participantes”, diz Alves.

Valia promove maratona de desenvolvimento tecnológico

A Fundação Valia, em parceria com a Microsoft e Brasoftware, realizou nos dias 25 e 26 de outubro seu primeiro Hackathon, com a participação de quatro startups. O Hackathon é um evento que reúne programadores e outros profissionais ligados ao desenvolvimento de softwares em uma maratona de trabalho com o objetivo de criar soluções específicas para desafios apresentados.

Durante quase 48 horas ininterruptas, as equipes trabalharam na busca de soluções viáveis para os desafios da Valia, que incluem entre outros a aceleração do desenvolvimento e implantação de novas ideias para geração de valor aos stakeholders. O primeiro lugar ficou para a startup Electric Dreams.

“Espero que tenhamos outras oportunidades como essa, pois não tenho dúvida de que esse é um caminho muito promissor. Temos uma oportunidade enorme de tanto encontrar soluções inovadoras para nossos desafios como de integrar, ter uma cultura mais participativa, mais próxima e menos hierárquica”, disse Edécio Brasil, diretor-superintendente da Valia.

O big data bate à porta | Tecnologia de processamento de grandes bases de dados entram de vez nas agendas de gestoras e de analistas do mercado de capitais

A queda dos juros oferecidos pelos títulos públicos federais, campeões da preferência dos aplicadores no cenário doméstico por décadas a fio, vem despertando de forma crescente o interesse de profissionais da área de investimentos pelos chamados indicadores alternativos e proprietários para a definição de estratégias de diversificação de alocação em ativos. O leque de opções é vasto. Inclui de informações com toques de serviços secretos e de inteligência – como fotos aéreas de estacionamentos de shopping centers e de florestas voltadas ao abastecimento de linhas de produção de celulose – a índices formatados a partir de diferentes fontes de dados que permitem, ao menos em tese, a identificação de tendências macroeconômicas e setoriais com maior grau de precisão e/ou antecedência do que as ferramentas convencionais.
“É uma tendência de caráter internacional que agora começa a se manifestar no Brasil. O processamento de grandes bancos de dados, mais conhecido como big data, veio para ficar no universo dos investimentos”, comenta Lucy Sousa, presidente da seccional paulista da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec-SP).
Atenta ao movimento, a Apimec-SP planeja para o primeiro semestre do próximo ano, em data ainda a ser definida, a abertura das inscrições de um novo curso, “Inteligência artificial – Data science and business analytics para o mercado de capitais”. Com 16 horas de duração, a iniciativa, que abordará temas complexos, como estruturas de bancos de dados para a estimação de modelos preditivos e regressão logística binária e multinomial, foi aprovada em seu primeiro “test drive”, realizado em setembro sob encomenda de uma empresa. “Boa parte do programa curricular aborda softwares para tratamento de dados disponíveis na praça”, diz Lucy.
Além da entidade, outros nomes do mercado já estão de olho no filão. Um dos mais renomados é a norte-americana Bloomberg, que garantiu o acesso de seus assinantes, em fevereiro, a uma plataforma eletrônica abastecida por mais de 20 fornecedores de dados alternativos. Outro, ainda não tão famoso, é a Montvero Consultoria e Treinamento, responsável pela concepção e os conteúdos do curso da Apimec. Criada em 2007 por um grupo de acadêmicos ligados, em sua maioria, à Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), a empresa paulista ostenta a privilegiada condição de prestadora de serviços diferenciados para gigantes das finanças e de seguros, casos de Itaú, Bradesco e Sul América.
“Os mercados financeiro e segurador, que sempre dedicaram muita atenção às tecnologias de processamento de dados, respondem por cerca de 50% das nossas atividades”, revela o sócio-fundador Luiz Paulo Fávero, que é professor titular de data science e business analytics da FEA-USP. “A demanda desses setores vem crescendo de forma perene e intensa. É um claro indício de que os centavos já fazem diferença com o fim do berço esplêndido de juros estratosféricos.”
Referência na área, como atesta o lançamento, há pouco mais de um ano, de sua plataforma de inteligência artificial de relacionamento com clientes, o Bradesco também vem lançando mão de expedientes digitais na área de investimentos. Um exemplo é a linha de fundos Allocation, apresentada em agosto do último ano, que incorpora estratégias de gestão quantitativas. “Esses produtos, que captaram um total de cerca de R$ 16 bilhões, são dotados de tecnologias desenvolvidas por nossos técnicos que permitem processamentos de dados em larga escala”, diz Marcelo Nantes, CIO de renda variável da Bradesco Asset Management. “A ideia é seguir investindo em veículos do gênero, pois o potencial dessa faixa de mercado é muito grande.”
Com forte tradição no desenvolvimento de indicadores proprietários, a Bram vem trabalhando para expandir essa expertise internamente. Hoje, todas as equipes da gestora contam com profissionais capazes de captar e modelar bases de dados. O padrão se estende até mesmo a áreas que, tradicionalmente, não tinham tanto contato com esses processos, como a comercial. “Nos últimos anos, os treinamentos para capacitar e atualizar o pessoal no uso de softwares de programação vêm se tornando mais e mais frequentes”, diz o CIO de renda fixa Marcelo Toledo.

Planejamento estratégico da CVM cita Blockchain e ICOs

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) lançou no início deste mês o Caderno Planejamento Estratégico - Construindo a CVM de 2023, no qual cita o uso da Blockchain e dos ICOs (Initial Coin Offerings).

De acordo com o presidente da autarquia, Marcelo Barbosa, a inovação tecnológica tem apresentado um papel cada vez mais importante no mercado de capitais. Ele diz que, dentre os objetivos da CVM, está o de “aumentar a eficiência da supervisão com uso de inteligência e novas tecnologias”.

Ainda de acordo com Barbosa, “o crescimento de produtos como os Initial Coin Offerings (ICOs), uso do Blockchain, entre outros, impõe aos reguladores um desafio constante de atualização”.

Cardápio generoso para fundos de pensão | Controlada pela Abrapp, a Conecta amplia o leque de serviços ao sistema fechado de previdência

A Conecta Soluções Associativas, criada há dois anos pela Abrapp, tem ampliado extraordinariamente seu leque de atividades, que inicialmente se resumia a gerir as dependências da universidade corporativa da entidade, a UniAbrapp. Hoje, além dessa missão original, a Conecta passou a atuar na área de seguros e consultoria imobiliária, na Escrituração Fiscal Digital (EFD), organização de eventos, comunicação e até mesmo comércio eletrônico.
“A ideia é oferecer serviços a custos mais razoáveis, repassando ganhos de escala aos fundos de pensão”, comenta a superintendente executiva da Conecta, Claudia Janesko. Vinda da Fundação de Previdência do Instituto Emater-PR (FAPA), entidade com ativos ao redor de R$ 456 milhões, a executiva iniciou as negociações com a Abrapp em setembro de 2018, bateu o martelo em novembro e assumiu o comando da operação há apenas três meses. “A Abrapp queria alguém que conhecesse bem a realidade e as necessidades de entidades menores, o que pesou a meu favor no processo de escolha”, diz a ex-presidente da FAPA.
Sob nova gestão, a Conecta vem ampliando o seu menu. Em atividade desde 2018, a plataforma de seguros, pilotada pela corretora Apoena, especializada em investidores institucionais, já atende oito fundações em diversas frentes, exceto na contratação de apólices de D&O, para executivos, tarefa a cargo do Sindicato Nacional as Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Sindapp). “Uma das novidades na área é um produto com garantias em relação à Lei de Proteção de Dados Pessoais, que entrará em vigor em 2020”, assinala Claudia.
Na seara imobiliária, a parceria com o braço local da consultoria norte-americana Binswanger também está ganhando diversidade. Voltado, de início, à avaliação de edificações e terrenos, o trabalho conjunto passa a contemplar a elaboração de projetos de desimobilização, pegando carona na Resolução 4.661 do Conselho Monetário Nacional (CMN), de maio de 2018, que determinou o término dos investimentos diretos dos fundos de pensão em imóveis até 2030.
“Mais sofisticado, o novo serviço começa a ser oferecido às fundações, que têm necessidades distintas a respeito. O prazo de 12 anos estabelecido pelo CMN tomou por base a duração média dos planos de previdência, mas há entidades que terão de alienar seus imóveis muito antes da data limite para fazer frente a pagamentos de benefícios”, observa a superintendente executiva.
O trunfo mais recente da central de serviços é o Clube de Benefícios, que oferece descontos à população atendida por fundos de pensão, inclusive funcionários destes, na aquisição de cerca de 15 mil itens de oito categorias, incluindo saúde, decoração, moda, viagens e automotivo. Desde fevereiro, sete entidades aderiram à iniciativa – casos de Sistel, BRF Previdência e Fundação Viva – e pelo menos outras 20 tendem a engrossar o cordão nos próximos meses.
“A meta é contar com 40 fundações até o início de 2020”, diz Claudia, que também promete reforços na rede credenciada. “Restaurantes e lojas de artigos eletrônicos e perfumaria figuram entre as principais prioridades, que estão sendo mapeadas junto aos usuários do Clube.”

Mar aberto – A plataforma de comércio eletrônico, na avaliação da executiva, atende interesses estratégicos de todo o sistema. Isto porque permitirá um grau maior de fidelização do público-alvo das entidades, que se encontra em processo de forte expansão, com o surgimento de produtos instituídos de natureza setorial e voltados a parentes e dependentes dos participantes de planos previdenciários patrocinados. “Se antes as fundações atuavam estritamente no esquema pesque e pague, ou seja, atreladas aos departamentos de recursos humanos dos patrocinadores, agora terão de pescar em mar aberto, concorrendo, inclusive, com planos oferecidos por bancos e seguradoras. Para ter sucesso nessa investida, é essencial estreitar os vínculos de dependentes e familiares dos participantes com as entidades”, diz Claudia.
De olho nesses novos horizontes do setor, a Conecta já faz projetos para ampliar a sua grade de serviços. A intenção é oferecer, já nos próximos meses, consultoria e produtos a fundos de pensão em áreas como marketing eletrônico, vendas e processos. Além de acompanhar atentamente o trabalho das startups ancoradas no Hubble do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (ver reportagem nesta edição), em Belo Horizonte, que estão empenhadas em criar ferramentas específicas para o ramo de previdência complementar, a empresa dá os últimos retoques em duas propostas inovadoras.
“Estamos trabalhando na modelagem de uma solução para a captação e controle da arrecadação dos planos instituídos que estão surgindo e, também, em um sistema de contas digitais, o Conecta Banking. Nossa intenção é apresentar as novidades no próximo Congresso da Abrapp, em outubro, em São Paulo”, informa Claudia.

Associação Brasileira de Bancos lança núcleo de inovação

A Associação Brasileira de Bancos (ABBC) anunciou o lançamento de seu núcleo de inovação. “O objetivo da iniciativa é conectar as instituições associadas às fintechs, que são as impulsionadoras de inovação tecnológica do setor”, diz o comunicado da ABBA. Com isso, prossegue a associação, “cria-se a possibilidade de aperfeiçoar a experiência do usuário de serviços financeiro, ampliar a competividade e aplicar a inteligência na análise de dados para ofertar produtos cada vez mais alinhados às necessidades dos clientes”. O primeiro projeto será o Prêmio Idei@ ABBC, premiação que reconhece cases inovadores de fintechs, com período de inscrição até 1º de outubro.

Games atraem millennials | Fundos de pensão europeus incluem jogos eletrônicos nas estratégias de conquista de participantes para seus planos de benefícios

Preocupados com a queda da adesão dos novos funcionários das empresas aos planos previdenciários, os fundos de pensão começam a recorrer a jogos eletrônicos com o objetivo de atrair novos participantes e intensificar o relacionamento com os atuais. O foco principal dessa iniciativa de caráter lúdico, cujo epicentro se encontra na Europa, são os chamados millennials, ou seja, a geração nascida a partir de 1980 e que, com grande peso na força de trabalho global, se mostra reticente em relação à necessidade de formação de poupança previdenciária. Pesquisa realizada há um ano pela consultoria Willis Towers Watson (WTW), com mais de 30 mil entrevistas em 22 países, revelou que, no caso dos brasileiros, pés de meia para a velhice ocupam apenas a oitava posição entre as prioridades na faixa de 20 a 29 anos.Preocupados com a queda da adesão dos novos funcionários das empresas aos planos previdenciários, os fundos de pensão começam a recorrer a jogos eletrônicos com o objetivo de atrair novos participantes e intensificar o relacionamento com os atuais. O foco principal dessa iniciativa de caráter lúdico, cujo epicentro se encontra na Europa, são os chamados millennials, ou seja, a geração nascida a partir de 1980 e que, com grande peso na força de trabalho global, se mostra reticente em relação à necessidade de formação de poupança previdenciária. Pesquisa realizada há um ano pela consultoria Willis Towers Watson (WTW), com mais de 30 mil entrevistas em 22 países, revelou que, no caso dos brasileiros, pés de meia para a velhice ocupam apenas a oitava posição entre as prioridades na faixa de 20 a 29 anos.
“Os millennials estão mais preocupados em economizar para atender seu estilo de vida, o que inclui lazer e viagens, do que para garantir uma boa aposentadoria. Têm, enfim, visão de curto prazo”, diz Felinto Sernache, líder da área de consultoria e soluções em previdência para a América Latina da WTW. “Para atraí-los, serão necessários planos de benefícios mais flexíveis e estratégias de abordagem baseadas em jogos eletrônicos, que é o canal de comunicação que ‘fala’ com essa geração. O caminho da previdência fechada é a ‘gamificação’”, destaca Sernache.
Duas das principais referências nessa área são os projetos desenvolvidos no Reino Unido, desde a primeira metade da década, pelos fundos de pensão do banco Barclays e da Kingfisher, que soma cerca de 1.300 lojas de material de construção, bricolage, ferramentas e utensílios para jardinagem em dez países europeus. A holding varejista se lançou ao desafio em 2013 com a encomenda à agência de comunicação Teamspirit, de Londres, de uma solução para preparar os seus 35 mil funcionários, dos quais 75% com até 30 anos, para drásticas mudanças na legislação previdenciária que estavam prestes a ser implantadas. “A inscrição automática iria entrar em vigor. Era preciso, portanto, informar boa parte desse público, que não tinha aderido aos planos de benefícios, de que as contribuições passariam a ser deduzidas de seus salários e, claro, apresentar as vantagens do fundo de pensão”, conta a gerente sênior de conta Elinor Griffiths.
A fórmula apresentada pela Teamspirit foi o game para smartphones e tablets “Bolt to The Finish” (Apertando até o final, numa livre tradução), que tem como protagonistas uma família de parafusos – tudo a ver com os negócios do patrocinador. O modus operandi é simples: os jogadores escolhem um dos membros do clã Bolt e, correndo contra o cronômetro, têm de coletar o máximo possível de moedas, evitando os obstáculos do percurso e uma noz estraga-prazeres. “Além do jogo, desenvolvemos um programa de treinamento para educar e influenciar os funcionários. Cada um deles recebia um pacote por ano com vídeos animados e folhetos impressos, que os informavam sobre as suas pensões e opções”, lembra Elinor.
Os resultados alcançados impressionam. Se antes somente 1% do quadro da Kingfisher dava a devida importância aos planos de complementação de aposentadoria oferecidos pelo patrão, após o lançamento da campanha 75% dos empregados passaram a valorizá-los. De quebra, houve uma alta voluntária de 44% nas contribuições e 20% dos participantes elevaram seus aportes ao máximo permitido. “O Bolt to the Finish cumpriu papel decisivo nesse processo”, assinala a gerente. “Nada menos que 78% dos jogadores reconheceram que o game os encorajou a pensar na formação de poupança para a velhice e falaram sobre o aplicativo ou até o compartilharam com amigos e parentes.”
O trabalho rendeu visibilidade, prestígio e negócios à agência londrina. Além de vários prêmios, como o European Pension Awards e o Pension Scheme Awards, os criadores da família Bolt receberam demandas e consultas de outros provedores de benefícios previdenciários. Na avaliação de Elinor, o grande mérito da estratégia da Teamspirit foi a escolha da ferramenta adequada, ou seja, o game. “O aplicativo para aparelhos móveis era a forma ideal para atingirmos os empregados mais jovens da Kingfisher”, diz ela. “Em primeiro lugar, porque eles trabalham, em sua maioria, em lojas, o que dificultaria abordagens tradicionais por e-mail ou marketing interno. E, além disso, porque os millennials se sentem completamente à vontade com smartphones e jogos eletrônicos.”
Um pouco mais conservador, o Barclays recorreu a um game para desktops e notebooks, o “Pension Jungle”, disponível no site www.yourpensionjourney.com. Lançado há seis anos, o programa foi desenvolvido pela agência Landscape, também de Londres, e tem por objetivo apresentar aos 20 mil empregados do banco os dois planos de contribuições definidas (CDs) oferecidos pelo fundo de pensão da casa. “Eles recebem um código e podem escolher um entre cinco avatares – bióloga, aventureira, professor, nerd e um arqueólogo à la Indiana Jones – que vai levá-lo em uma jornada através de uma selva, com a orientação de um gênio, que apresenta e explica as escolhas a serem feitas”, observa Ryan Sales, cofundador e diretor de criação da Landscape.
Passadas três semanas da sua apresentação, o Pension Jungle havia sido conferido por 36% dos funcionários da instituição. Doze meses depois, 45% do quadro de pessoal havia tomado decisões sobre os planos de benefícios a partir dos ensinamentos proporcionados pelo passatempo educativo. “Os dados coletados permitiram identificar quais grupos estavam mais engajados e quais precisavam de orientação adicional”, diz Sales. 
A experiência com o Barclays abriu as portas do ramo previdenciário para a agência. Nos últimos anos, a Landscape elaborou projetos digitais para o HSBC, tarefa que resultou em uma ampla plataforma interna de educação financeira, e o fundo de pensão do Bank of England. Sales e sua equipe perceberam em suas investidas na seara o valor da gamificação, especialmente em relação aos mais jovens, para a apresentação de um tema complexo. “O estilo visual, a linguagem, a personalização e os vários elementos interativos contribuíram para um engajamento acima da média”, observa. “Estamos adotando essas técnicas, com abordagens leves e divertidas, em quase todos nossos trabalhos.” 

Tendência – De forma tardia, a gamificação já começa a despertar interesse também no Brasil. Formada por 14 fundos de pensão públicos e privados, a Associação Catarinense das Entidades de Previdência Complementar (ASCPrev) pretende introduzir novas tecnologias em seu programa A Escolha Certa, referência nacional em educação financeira e previdenciária. Lançada há dez anos, a iniciativa recorre de forma usual a ferramentas de comunicação lúdicas, como tiras de quadrinhos, quiz eletrônicos, palavras cruzadas e vídeos com o robô KPrev 13, encarregado de ministrar aulas de educação financeira e previdenciária.
“Teremos, no entanto, de ser mais ousados, pois essas opções não atraem os millennials”, diz Vivian Awad, assessora de comunicação e marketing da Fundação Elos e coordenadora do programa educacional, que, em consenso com os representantes dos demais associados, planeja recorrer ao mesmo expediente utilizado pela fundação de previdência da Kingfisher. “O orçamento para 2019 deverá destinar recursos à criação de um game para smartphones.”
Um dos principais candidatos a fornecedor do aplicativo é o projeto Santa Catarina Games e Entretenimento Digital, o SC Games, mantido pelo Centro de Informática e Automação do Estado de Santa Catarina (Ciasc) e bem conhecido e respeitado pela equipe do A Escolha Certa. Há nove anos em atividade, o SC Games contabiliza o atendimento a cerca de mil crianças e jovens, na faixa de 9 a 16 anos, que receberam capacitação para desenvolver aplicativos e jogos eletrônicos em cursos com duração de até 11 meses. O programa recebe apoio de grandes nomes do segmento doméstico de games, casos de Hoplon e Palm Soft, mantém boas relações com o meio corporativo e, por coincidência, se vê às voltas, no momento, com princípios e fundamentos de educação financeira. 
“Nossos alunos estão desenvolvendo um jogo infantil educativo para uma concorrência promovida pela Associação Comercial e Industrial de Florianópolis, a Acif. Planejamos até contar com a assessoria de funcionários aposentados do Banco do Brasil na empreitada”, conta Márcia Regina Battistella, coordenadora do SC Games. “A educação financeira vem ganhando importância, como comprova a sua recente inclusão na Base Nacional Comum Curricular, a BNCC. Há um grande potencial de negócios nessa área, especialmente com bancos, que já andam nos sondando a respeito, e entidades de previdência.”

O buraco negro das criptomoedas | As criptomoedas movem um exército de entusiastas no país, mas ainda não são acessíveis aos investidores institucionais brasileiros

Edição 300

 

O mercado das criptomoedas, que tem hoje a bitcoin como sua principal referência, tem despertado o interesse de uma série de agentes do mercado global e também do Brasil. Parte da crescente procura por esses novos ativos, que começaram a surgir após a crise de 2008, se deve à sua valorização ano após ano e que no caso do bitcoin chegou a alcançar 1.500% em 2017, quando atingiu o pico de US$ 20 mil. Entretanto, uma forte correção verificou-se em janeiro deste ano, com o bitcoin recuando abaixo dos US$ 10 mil, uma queda superior a 50% em relação ao pico.
Por conta dessa movimentação e dos valores envolvidos, assim como o surgimento de vários novos negócios relacionados como a criação de exchanges, que são as corretoras que negociam a compra e venda de criptomoedas, o interesse de assets em estruturar produtos com esses ativos e a criação das primeiras criptomoedas brasileiras, a CVM divulgou no início de janeiro um ofício no qual informou que os fundos regulados pela Instrução 555 não tem permissão para investir em criptomoedas, já que elas não constam na listagem dos ativos financeiros previstos na legislação brasileira.
Os fundos de pensão locais têm acompanhado o assunto com curiosidade, mas até por conta da regulação do sistema financeiro local não existe no momento a possibilidade de investimento dos institucionais brasileiros em criptomoedas.

Exchange – A maior exchange do mercado brasileiro é a FoxBit, que respondeu por cerca de 40% das operações de compra e venda de bitcoin ao longo de 2017, operações essas que movimentaram um total de aproximadamente R$ 8,3 bilhões, evolução de mais de 2.000% frente aos R$ 366,24 milhões registrados em 2016. Ainda que se trate de montante significativo, em termos comparativos o volume corresponde apenas à negociação média diária das ações na Bovespa.
Segundo o sócio advisor da FoxBit, Marcos Henrique, investidores que fizeram aportes em bitcoins de maneira proporcional ao seu perfil de risco e ao seu capital total, sabendo que uma queda poderia ocorrer após a forte valorização do ano passado, tem reagido com naturalidade à significativa queda na cotação da criptomoeda neste ano. “São investidores com perfil de longo prazo que agora aguardam o mercado se recuperar”.
Henrique pondera, contudo, que nem todos os 400 mil clientes cadastrados na FoxBit tem esse mesmo perfil. “Quem mais tem sofrido com a desvalorização recente da bitcoin são as pessoas sem uma educação financeira adequada e que investiram valores além do recomendado para o seu perfil de risco. Tivemos casos de pessoas que pegaram empréstimo bancário ou venderam o carro e investiram tudo em bitcoin, esperando por uma valorização que às vezes não vem no momento em que elas precisam”. O número de clientes cadastrados na FoxBit cresceu cerca de 15 vezes ao longo de 2017.
O sócio da exchange diz que o segmento aguarda a tramitação do Projeto de Lei 2.303/2015, que prevê a regulamentação das criptomoedas, e espera que essa não venha “extremamente severa ou punitiva”. De acordo com ele, “se houver alguma regulamentação esperamos que seja pró-inovação, pró-emprego, adequada à realidade das empresas ainda pequenas do setor”. Os deputados Aureo, autor do PL, e Expedito Netto, relator, procurados pela revista para falar sobre o projeto em tramitação em Brasília não responderam aos pedidos de entrevista.

Agência – Entre as primeiras iniciativas do país que combinam o mercado de criptomoedas com ativos reais está o Bitcoin Banco, uma agência física sediada em Curitiba inaugurada em dezembro de 2017 e que promove investimentos com bitcoins. “Disponibilizamos investimentos fazendo trade e arbitragem com bitcoins para remunerar o cliente”, explica Adriana Siliprandi Hishida, diretora comercial do Bitcoin Banco. “A agência do BitCoin Banco conta com profissionais da área de finanças, que atuavam no mercado convencional e vieram para agregar conhecimento ao mercado de criptomoedas”. Segundo ela, trata-se da primeira agência física da América Latina para negociação de bitcoins. A diretora afirma que a intenção é ter até o final do ano 13 agências físicas espalhadas pelas principais capitais do país.
Outra iniciativa a testar o vigor desse mercado são as ICOs, ofertas iniciais de criptomoedas, como a da niobium, lançada por fundação de empresários austro-brasileiros de mesmo nome que atua com pesquisa e inovação e que utilizará os recursos obtidos com a oferta para criar a Bomesp, a Bolsa de Moedas Virtuais Empresariais de São Paulo. Empresas brasileiras e estrangeiras que venham a lançar suas próprias criptomoedas terão a plataforma da Bomesp para negociar seus ativos. A expectativa é que a plataforma esteja pronta no terceiro trimestre de 2018.
A niobium teve a pré-oferta de seu ICO no final do ano passado e abriu o período oficial de captação em janeiro, com o encerramento previsto para 21 de fevereiro. A niobium foi estruturada na plataforma ethereum, que é também a segunda criptomoeda mais negociada do globo, e que adota o blockchain com o modelo de arquitetura aberta, no qual programadores que tem conhecimento sobre os códigos daquele ambiente virtual tem liberdade para estruturar seus próprios projetos a partir dela.
Para dar liquidez à plataforma, as criptomoedas que as empresas vieram a lançar poderão ser negociadas na Bomesp por outras quatro criptomoedas já existentes – bitcoin, ethereum, ripple e niobium.
Segundo Fernando Barrueco, responsável jurídico da Fundação Niobium e diretor da Bomesp, a expectativa é que as niobiuns captem R$ 5 milhões com o ICO.
Sobre os riscos de as criptomoedas estarem sendo utilizadas para lavagem de dinheiro ou para outras atividades ilícitas, o diretor da Bomesp afirma que não se deve criminalizar o objeto, mas sim o agente que faz uso dele de maneira indevida. “Não é porque duas pessoas combinam um crime pelo telefone que vai se acabar com o telefone”, compara.
Barrueco explica que é difícil afirmar que a niobium é a primeira criptomoeda do mercado brasileiro, até pela própria falta de regulação e controle desse mercado ainda nascente. “No entanto, é possível afirmar que a niobium foi a primeira criptomoeda que teve um parecer técnico elaborado pela Superintendência de Registro de Valores Mobiliários da CVM”. O parecer técnico da autarquia considerou a niobium um ativo não financeiro, pelo fato da criptomoeda ser da categoria ‘utility token’.
Para explicar o conceito das ‘utilitie tokens’ Barrueco faz a analogia com uma festa de quermesse. “Você precisa das fichas da festa para comprar bebidas, comidas ou qualquer outra coisa lá dentro, mas não é possível usar essa fichas fora da festa. É a mesma coisa com as ‘utilities tokens’ como a niobium, que não podem ser consideradas ativos financeiros e podem apenas ser usadas na plataforma da Bomesp”, conta o especialista.

CVM – No início de janeiro a CVM divulgou um ofício no qual informou que os fundos regulados pela Instrução 555 não tem permissão para investir em criptomoedas, já que elas não constam na listagem dos ativos financeiros previstos na legislação brasileira.
Daniel Maeda, superintendente de relações com investidores institucionais da CVM, ressalta que o ofício foi apenas um lembrete aos investidores de que as criptomoedas não estão previstas como uma alternativa no regulamento que rege os fundos de investimento, e, portanto, não são elegíveis para compor a carteira desses veículos. “Se trata de um investimento que ainda não está disponível para os fundos. Estamos estudando e avaliando os riscos, e há riscos que realmente nos preocupam”, destaca o superintendente.
Maeda ressalta que, pela falta de órgãos reguladores que atuem e coíbam práticas indesejadas, como insider trading ou formação artificial de preços, as “criptomoedas fazem parte de um mercado ainda selvagem, com baixa visibilidade, possivelmente utilizado para lavagem de dinheiro devido à falta de transparência sobre quem as está negociando”. O especialista ressalta que “não queremos direcionar uma indústria de R$ 4 trilhões para um segmento onde podem estar sendo praticadas atividades ilícitas”.
Maeda explica que a CVM costuma publicar ofícios somente quando já tem um posicionamento formal sobre determinado tema, mas no caso das criptomoedas foi aberta uma exceção à essa regra por conta do elevado número de questionamentos que recebeu nos últimos meses de gestores de recursos interessados em estruturar produtos a partir das criptomoedas.

XP – Em meio às discussões sobre o tema, a XP contratou em novembro do ano passado Fernando Ulrich, especialista em blockchain e criptomoedas e autor do livro ‘Bitcoin: a moeda na era digital’. O especialista ressalta, no entanto, que no momento não há nada de concreto sobre uma eventual atuação da XP no mercado de criptomoedas. “Meu trabalho tem sido trazer informações confiáveis e de qualidade sobre esse mercado para os clientes interessados”, afirma Ulrich.
Já a Atom Participações, primeira mesa proprietária de traders com ações negociadas na Bovespa, anunciou, também em novembro de 2017, a constituição de uma empresa com atividades relacionadas ao desenvolvimento de novas tecnologias para o mercado financeiro, com a criação de estruturas de blockchain e de criptomoedas. “A operação irá demarcar, para a companhia, os primeiros passos de consolidação de uma fintech disruptiva, inovadora e de grande geração de valor”, diz o fato relevante da empresa.
Carol Paiffer, diretora de relações com investidores da Atom Participações, explica que após o oficio da CVM a empresa recebeu uma enxurrada de ligações de gestores de fundos interessados no novo negócio do grupo. “Como somos hoje a única empresa listada na Bovespa com negócios legais envolvendo criptomoedas e blockchain, o ofício da CVM aumentou muito o interesse pelas ações da empresa”, pondera a executiva.

Institucionais – Renato Follador, presidente do Fundo Paraná, diz que o tema das criptomoedas tem de fato agitado o mercado financeiro, global e também o brasileiro. “No entanto, acho que se trata de um negócio que ainda é muito prematuro e muito arriscado do ponto de vista dos fundos de pensão”, pondera o especialista, que acrescenta que ofertas de produtos envolvendo as criptomoedas ainda não chegaram à entidade. Por também atuar como consultor financeiro, Follador tem discutido sobre o tema com uma série de pessoas, mas considera ser esse um negócio excessivamente instável, que ainda gera muita desconfiança.
“Vejo o interesse dos mercados sobre as criptomoedas como um modismo”, pondera o diretor financeiro de um grande fundo de pensão que preferiu não se identificar. Ele acrescenta que “muitos dos nossos participantes se incomodam com a volatilidade dos títulos públicos, imagina com essas criptomoedas”.
Guilherme Benites, consultor da Aditus, ressalta que é difícil ficar alheio ao assunto por conta de sua popularidade recente, mas que, até pela ausência de regulação, ainda são poucos os que de fato investem no novo negócio. “Alguns family offices poderiam entrar nesse mercado, mas acho que tem pouca gente que tem feito algo efetivamente”, diz Benites. “Os fundos de pensão não tem nem considerado porque na prática não é viável. As conversas estão mais no nível da curiosidade mesmo do que qualquer outra coisa”.


As criptomoedas no Brasil

– Exchanges movimentaram R$ 8,3 bilhões em bitcoins em 2017
– Em 2016 giro das exchanges com bitcoins foi de R$ 366,24 milhões
– Niobium, primeira criptomoeda brasileira, pretende captar R$ 5 milhões para estruturar a Bomesp (bolsa de criptomoedas)
– Começam a surgir no país primeiras iniciativas envolvendo criptomoedas e ativos reais, como o Bitcoin Banco

Blockchain entra nos bancos | Citi, Itaú, Santander e grupo de trabalho da Febraban se dedicam à entender a nova tecnologia para implementá–la em suas operações 

Edição 300

 

Embora investimentos em criptomoedas não estejam encontrando eco nas grandes instituições financeiras, ao menos aparentemente, a utilização do conceito do blockchain está fazendo esses agentes do mercado se movimentarem para entender como funciona a nova tecnologia e como ela poderia ser inserida dentro de suas operações.
Entre os grandes bancos que têm investido em conhecimento e desenvolvimento do blockchain está o Citi, que conta com três laboratórios de inovação, em Dublin, Tel Aviv e Cingapura, todos trabalhando no desenvolvimento de novas tecnologias e em como aplicá-las nas operações do banco. O blockchain e as criptomoedas fazem parte desse escopo desde 2013.
Com base no conhecimento obtido nesses anos de estudos, em maio de 2017 o Citi deu início a um projeto piloto com a Nasdaq, ainda em desenvolvimento, no qual, por meio da uma plataforma que já existia no banco, mas que agora faz uso da tecnologia blockchain, a bolsa americana faz remessas internacionais de câmbio que envolvam ‘moedas exóticas’ aos seus colaboradores. São consideradas ‘moedas exóticas’ todas aquelas que não se enquadram como moedas fortes, como por exemplo o dólar e o euro.
“Começamos a construir infraestruturas tecnológicas que visam alavancar nosso negócio com base no blockchain”, explica Rocio Velarde, head da área de ‘treasury and trade solutions (TTS)’ do Citi. Ela acrescenta que, por falta de escala, já que se trata no momento apenas de um projeto piloto, ainda não é possível mensurar potenciais ganhos de eficiência e redução de custos por meio da utilização do blockchain. “Ainda assim, tudo leva a crer que, se o blockchain vier a ser utilizado em larga escala, esses ganhos devem ser alcançados”, observa Mário Rocha, diretor de canais eletrônicos, serviços corporativos e inovação do Citi Brasil, que estima um prazo de cinco a dez anos até que a nova tecnologia esteja completamente integrada ao dia a dia do banco.
Rocha conta que, dentro do processo de estudos internos sobre o blockchain, a instituição financeira chegou a criar sua própria criptomoeda, a ‘Citi Coin’. A criptomoeda, no entanto, foi criada internamente em laboratório somente para que o banco entendesse seu funcionamento e possíveis aplicações, sem ter sido distribuída para terceiros. “Temos hoje grande conhecimento sobre o blockchain e também sobre as criptomoedas, e com base nesse conhecimento decidimos priorizar a adoção do blockchain em nossas operações”, explica Rocha.
Rocio destaca também que, além do blockchain, os laboratórios de inovação do Citi tem se debruçado sobre outra tecnologia também potencialmente disruptiva, que é a inteligência artificial e suas potenciais aplicabilidades. “A inteligência artificial é inclusive mais fácil de ser implementada dentro de diversas operações do banco, principalmente na interação com os clientes, do que o próprio blockchain”, pondera Rocio, que cita como exemplo de possível aplicação da inteligência artificial os canais de atendimento digitais.

Garantias – O Itaú, por sua vez, lançou no início de 2018 seu primeiro projeto que faz o uso da tecnologia blockchain, de acertos de garantias entre o banco e outras instituições financeiras, atividade também conhecida no mercado como tomada de margem. A atividade de tomada de margem é antiga dentro do banco, e a novidade é que agora ela utiliza o blockchain para permitir maior agilidade e segurança nas transações, explica Igor Freitas, superintendente de tecnologia do Itaú.
O processo de tomada de garantias com o uso do blockchain não será aberto ao grande público; ele estará restrito, em um primeiro momento, à uma parceria do Itaú com outras duas instituições financeiras que ainda não podem ter o nome divulgado. Freitas explica que a adoção do blockchain só traz ganhos relevantes quando há um compartilhamento de seu serviço entre duas ou mais partes. “Se utilizado de maneira isolada por um banco apenas os ganhos obtidos com o blockchain são muito menores”, pondera o especialista, que acrescenta que, sendo bem sucedida, a operação logo estará aberta para que outras instituições financeiras também possam fazer uso da mesma.
O executivo do Itaú destaca que a atividade de tomada de garantias conta hoje com uma série de processos manuais, que deixarão de existir com a adoção do blockchain. Em linha com seus pares do Citi, Freitas ressalta que, por se tratar de um projeto que está no momento em sua fase inicial, ainda não é possível estimar o quanto exatamente será possível obter com ganhos de eficiência após a adoção da tecnologia no processamento. “Nosso maior objetivo agora é criar uma rede de parcerias e começar a experimentar a tecnologia de maneira mais produtiva, mas claro que com o objetivo final de reduzir custos e melhor a qualidade do processo”, pontua o superintendente.

Transferências – Já o Santander, explica Richard Flavio da Silva, superintendente de tecnologia do banco, também tem investido em tecnologia blockchain, tanto no mercado financeiro nacional quanto em outros países em que o banco também tem operação.
No Reino Unido, por exemplo, já está disponível desde 2016 um aplicativo do Santander que realiza transferências internacionais que utilizam a tecnologia blockchain. Os usuários são funcionários do Santander que podem transferir valores para outros países europeus e também aos Estados Unidos (com câmbios entre dólar, libra e euro), com benefício de um tempo muito menor para efetivação do crédito no destino (prazos de um dia contra durações usuais de até cinco dias pelos meios padrão a todos os bancos) e sem restrição de horário para lançarem os pedidos de transferência.
No Brasil, inspirado na experiência do Reino Unido, o banco iniciou em 2017 o desenvolvimento de solução para transferências internacionais com a plataforma Ripple, com previsão de “piloto” neste primeiro semestre de 2018. “Neste projeto brasileiro vamos oferecer a solução aos nossos clientes correntistas, sejam funcionários ou não. Os objetivos incluem entregar experiência de um tempo de liquidação de até um dia e capacidade de solicitar suas transferências a qualquer momento”, afirma Silva.
O superintendente de tecnologia do banco diz também que, para 2018, a principal prioridade, além de viabilizar a nova solução de transferências internacionais, é seguir colaborando no grupo de trabalho de blockchain na Febraban, iniciado em agosto de 2016, do qual também fazem parte Citi e Itaú, em um total de 17 instituições financeiras, incluindo B3 e representantes do Banco Central.
O grupo de trabalho já testou diferentes tecnologias de blockchain e chegou a lançar um projeto experimental denominado “DNA”, com potenciais benefícios como proporcionar melhorias à experiência do cliente, com menos esforço para iniciar relacionamento com uma nova instituição, benefício de informações cadastrais atualizadas em tempo real entre as instituições financeiras participantes da rede e também redução de custos operacionais pelo lado das instituições. “Nos próximos meses deste ano, o grupo de trabalho na Febraban quer fechar uma solução de negócio sobre a tecnologia blockchain, visando até o final do ano a implantação de um ‘piloto’ em ambiente real entre as instituições participantes”, comenta o especialista do Santander.