Eleitorado em expansão

Edição 278

Cresce em 70% o número de instituições que participaram da votação; disputa é acirrada entre vencedor e segundo lugar em várias categorias

A tradicional votação promovida pela revista Investidor Institucional, que elege os melhores profissionais do ano para receber o Troféu Benchmark, teve nesta edição número recorde de votantes. No total, 982 instituições espalhadas por todo o território nacional deram seus votos para eleger os 18 melhores profissionais do mercado em 2015. Em comparação com o número de votantes do ano passado, que foram 578, houve o expressivo crescimento de 70%.
Outro fato que marcou a recente eleição foi a pequena margem que separou o vencedor do segundo e até mesmo do terceiro colocado, em algumas categorias. Ou seja, a disputa no segundo turno da eleição foi bastante acirrada entre os três concorrentes. Desde o ano passado, a eleição ocorre em sistema de dois turnos, no qual, na primeira etapa não há uma lista prévia de nomes. Os eleitores podem escolher qualquer profissional do mercado, basta que ele atue na categoria específica.
Passam para o segundo turno os três profissionais que receberam as maiores votações da primeira rodada. A forte concorrência e o lobby que, no Troféu Benchmark, consideramos legítimo, elevou o número de instituições participantes, com destaque para o crescimento de regimes próprios de previdência (RPPS) e consultorias especializadas.
Os RPPS cresceram em 108% da última edição do troféu para a atual, enquanto o número de consultorias aumentou 64%. O número de fundos de pensão e assets, ainda que em menor ritmo, também cresceram 17% e 16%, respectivamente.
Cabe ressaltar que a eleição adota um sistema de pesos de votos de acordo ao tamanho da instituição – grande, médio e pequeno portes. Além disso, o sistema também adota um fator de representatividade para cada segmento – assets, fundos de pensão, RPPS e consultorias. O sistema tem o objetivo de equilibrar o peso do voto de acordo com a representatividade das instituições e, desta forma, evitar distorções no resultado final.

Sobre o Troféu Benchmark
A eleição para o troféu Benchmark é feita em dois turnos, compondo com os nomes dos profissionais mais votados em primeiro turno uma lista tríplice que vai à votação em segundo turno. Dessa, o mais votado em cada categoria recebe o troféu Benchmark e os outros dois recebem menções honrosas.
Podem votar, tanto no primeiro quanto no segundo turno, todos os fundos de pensão, rpps, consultorias e assets management. O voto de uma instituição é liberado para votar apenas em profissionais que não sejam do seu próprio segmento e em áreas junto às quais tenha atuação. Assim, as assets só votam em profissionais de fundos de pensão, rpps e consultorias/advogados; os fundos de pensão só votam em assets e consultorias/advogados que atendem o segmento; os rpps só votam em assets e consultorias/advogados que atendem rpps; os consultores/advogados de fundos de pensão só votam em assets e fundos de pensão; e os consultores/advogados de rpps só votam em assets e rpps.
Cada instituição tem direito a um voto, cujo peso varia segundo seu tamanho, com peso 5 para grandes, peso 3,5 para as médias e peso 2,5 para as pequenas.
As indicações, no segundo turno, para para 1º, 2º e 3º lugar resultam para os indicados em 5 pontos, 2 pontos e 1 ponto, respectivamente. Além disso, cada segmento tem mil pontos que são divididos pelo número de votantes para chegar a um fator de voto. Nessa eleição, votaram no 2º turno 114 assets, o que resultou para elas num voto com fator de multiplicação 8,77; 162 fundos de pensão, o que deu a eles um fator de multiplicação 6,17; 683 rpps, o que resultou num fator de 1,46; e 23 consultorias/advogados, resultando num fator de 4,3 (nesse caso a divisão foi por 100 e não por mil).
Através do cruzamento desses vários critérios buscamos dar à eleição um caráter mais equânime, evitar distorções e premiar os mais representativos em cada categoria.

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Pequenas (peso 1)
Assets - Até R$ 1 bilhão
Fundos de Pensão - Até R$ 200 milhões
RPPS - Até R$ 20 milhões

Médias (peso 2)
Assets - R$ 1 bilhão/10 bilhões
Fundos de Pensão - R$ 200 milhões/R$ 2 bilhões
RPPS - R$ 20 milhões/R$ 200 milhões

Grandes (peso 3)
Assets - Acima de R$ 10 bilhões
Fundos de Pensão - Acima de R$ 2 bilhões
RPPS - Acima de R$ 200 milhões

 

Gilberto Kfouri  {modal images/ii_278/Kfouri,Gilberto(BNP)-14abr-01.jpg|title=Gilberto Kfouri, da BNP Paribas Asset - Melhor Estrategísta para Renda Fixa}(ver foto){/modal}
Melhor Estrategista para Renda Fixa
Muitos gestores têm se referido a 2015 como o ano da renda fixa. Porém, poderia ser mais apropriado referir-se ao ano passado como o ano da inflação. “Foi um ano muito complicado, que ficou marcado com a surpresa da inflação”, diz Gilberto Kfouri Jr, diretor de renda fixa e multimercados da asset do BNP Paribas. Vencedor do Troféu Benchmark na categoria de melhor gestor de Renda Fixa, o profissional ressalta o impacto da alta taxa de inflação sobre o mercado de gestão de recursos. A pressão inflacionária foi provocada, segundo o gestor, pela forte correção dos preços administrados, dos alimentos e secundariamente, pela valorização do Dólar ante o Real.
Além da inflação alta, o mercado também foi marcado pelo aumento do risco proveniente do cenário político. “O cenário político foi muito complicado no ano passado e continua muito difícil. Não tem como antecipar os fatos e previsões. A solução é andar mais recolhido e adotar uma postura mais conservadora”, diz Kfouri Jr. O problema da imprevisibilidade dos acontecimentos políticos faz com que o gestor prefira adotar uma gestão mais tática no curto prazo ao invés de apostar em estratégias mais longas.
Em 2016, a postura continua a mesma, com posições e estratégias mais cautelosas, tanto no risco de crédito quanto no de mercado. “Acredito que em 2016 teremos um nível de juros reais mais interessante que o ano passado”, prevê o gestor do BNP Paribas. Por isso, a renda fixa continua como a vedete na gestão dos recursos, pelo menos no primeiro semestre. A gestão, porém, precisa ser cada vez mais ativa, com maior giro nos ativos e nas curvas de juros. “Estamos preferindo neste momento os papeis com prazos intermediários, com vencimentos entre oito a dez anos”, revela Kfouri Jr.
Apesar do conservadorismo, o gestor explica que é necessário buscar algum risco para alcançar um alfa na gestão dos fundos e carteiras de renda fixa. “Sempre estamos garimpando algum prêmio, sempre com ênfase em uma postura conservadora, mas é preciso continuar gerando algum alfa”. O diretor da asset do BNP Paribas ressalta a importância do trabalho da área de risco da instituição. Embora segregada da área de gestão, o controle de risco cumpre um papel fundamental no trabalho da equipe de gestores.
A área de risco atua na análise da concentração dos ativos, na liquidez e na precificação dos papeis. “Como há baixa liquidez dos ativos de crédito privado no mercado secundário, é fundamental o trabalho de precificação dos papeis”, diz Kfouri Jr. O gestor diz que o BNP Paribas tem recebido o reconhecimento do mercado como uma casa especialista em crédito privado com um modelo robusto de controle de risco.
Por ser uma asset global, o BNP Paribas tem aumentado a captação junto a clientes que buscam empresas de maior porte com presença nos principais mercados mundiais. Ele acrescenta ainda que a saída ou as dificuldades enfrentadas por alguns concorrentes diretos têm beneficiado a ascensão do BNP Paribas na captação de novos clientes. As principais mudanças no mercado no ano passado foram a compra do HSBC pelo Bradesco e as dificuldades enfrentadas pelo BTG Pactual após a prisão de seu principal controlador na época, André Esteves.
Kfouri Jr começou a carreira em 1991 no CCF onde era o responsável pela gestão de renda fixa. Em 2001, quando o banco foi vendido para o BNP Paribas, o profissional continuou na equipe, tendo chegado ao cargo de CIO (chief investment officer) na asset. Ele deixou o BNP Paribas em 2011 e foi para a Schroders, onde ficou por dois anos como responsável pela área de renda fixa. Retornou para o BNP Paribas em 2013 para integrar a equipe comandada pelo atual presidente da asset Luiz Sorge. 

 

José Zitelmann {modal images/ii_278/Zitelmann,Jose(BTGPactual)-14dez-02(Divulgacao-BTGPactual).jpg|title=José Zitelmann, da BTG Pactual - Melhor Estrategista para Renda Variável}(ver foto){/modal}
Melhor Estrategista para Renda Variável
Diante dos fracos resultados que o Ibovespa tem entregue aos investidores nos últimos anos, em linha com o próprio desempenho do PIB doméstico, está cada vez mais difícil de encontrar boas opções de investimento no mercado de ações. Essa é a visão do gestor José Zitelmann, diretor de renda variável da BTG Pactual Asset Management, que no momento mantém um percentual maior que o usual em caixa, e um portfólio bastante concentrado em poucas ações, à espera de uma melhora nas perspectivas.
“O cenário para a bolsa brasileira em 2016 é bastante difícil, assim como foi em 2015. Será um ano bem complicado, após um ano que também já foi muito complexo”, pontua o especialista. Diante dessa expectativa pouco animadora para o mercado acionário, Zitelmann entende que não há espaço para adoção de novas estratégias; a filosofia na asset continua a de focar não em segmentos que podem se favorecer do ambiente macroeconômico, mas de empresas que, independentemente de seu setor de atuação e do cenário turbulento, conseguem navegar com certa resiliência durante a tempestade. 
“Focamos em empresas muito bem administradas, com um management competente, e que são líderes de mercado em seus nichos”, pondera o gestor da asset do BTG Pactual. “Essa filosofia se reforça ainda mais no atual ambiente, e mesmo assim está cada vez mais difícil encontrar companhias que reúnam essas qualidades”, diz.
Em 2016, Zitelmann completa 18 anos no BTG Pactual, onde entrou como estagiário quando cursava administração de empresas na FGV. Passou pela área de finanças corporativas do banco, e desde 2003 está na área de renda variável. Até 2009, trabalhava na equipe de tesouraria do banco, quando migrou para a asset, onde o gestor permanece até hoje.

 

Luis Stuhlberger {modal images/ii_278/Stulberger,Luis(VerdeAsset)-14jul((CreditoSilviaCostantiValorFolhapress).jpg|title=Luis Stulberger, da Verde Asset - Melhor Estrategista para Multimercados}(ver foto){/modal}
Melhor Estrategista para Multimercados
Um dos mais reconhecidos e respeitados gestores do mercado brasileiro, Luis Stuhlberger, responsável pelo fundo multimercado Verde, que nasceu em 1997, e que desde 2015 também dá nome à asset resultante da cisão com o Credit Suisse Hedging-Griffo, começa a ver oportunidades de entrada na bolsa brasileira. Diante do atual patamar no qual se encontra, próxima aos 40 mil pontos, após anos seguidos de perdas, o gestor volta a analisar oportunidades em empresas específicas.
“A queda na bolsa brasileira permite lentamente acumular posições em empresas de qualidade a múltiplos atrativos”, diz o relatório de gestão do fundo Verde de dezembro de 2015, publicado na segunda semana de janeiro. Ainda assim, na visão dos gestores do fundo, dado os fundamentos econômicos no Brasil, “não resta dúvida de que ainda estamos numa situação muito delicada, e que provavelmente não melhorará facilmente.
Somos muito negativos com o Brasil pelo fundamento. Entretanto, nosso portfólio não está tão pessimista assim”, aponta o relatório do Verde, que cita como razões para sua visão em relação ao país o fato de muitos ativos já estarem com preços atraentes, e a visão construtiva de estrangeiros sobre a região. O risco de impeachment, e um eventual ‘bull market’ em função disso também foi citado no relatório de novembro, mas em dezembro, a regulação do rito pelo Supremo Tribunal Federal “ajudou a reduzir a probabilidade efetiva deste”.
Além das oportunidades na bolsa, e nos juros reais, no cenário doméstico, o multimercado gerido por Stuhlberger, fechado para novas aplicações pelo tamanho alcançado – seu PL soma aproximadamente R$ 1,5 bilhão – também mantinha no fim do ano passado posições em dólar contra o real, o euro e o renminbi, a moeda chinesa. E uma exposição um pouco menor que o padrão recente em ações globais. Em 2015, o fundo Verde atingiu uma rentabilidade de 28,67%, contra 13,23% do CDI.
Conhecido desde a década de 80, quando ganhou fama como um importante player no mercado de ouro, Stuhlberger também tem como uma de suas características ser pouco afeito à exposição pública, o que o leva a falar muito pouco com os veículos de comunicação.
Lauro Araújo, consultor da LAS Consultoria, se recorda da época em que era gerente técnico e educacional da BM&F, entre 1994 e 1996, antes da fusão das bolsas, quando Stuhlberger era conselheiro da bolsa de futuros e participava com frequência de comitês da companhia. “O Stuhlberger tem um controle emocional muito bom, na época da BM&F tivemos alguns problemas de mercado, e ele sempre agiu de maneira muito analítica, muito calmo”, lembra Araújo. “Outra característica que recordo dele é a facilidade muito grande que tinha de guardar e juntar informações, além de ser workaholic. E também é uma boa pessoa, sempre positivo, diferentemente do perfil médio do profissional do mercado financeiro. Sem dúvida é uma personalidade muito adequada para a função dele”.
Stuhlberger iniciou sua carreira no mercado financeiro em 1981, quando operava o mercado futuro e de commodities na corretora Hedging-Griffo, da qual se tornou diretor em 1985. Em 1992 estruturou e implementou a área de gestão de fundos, quando nasceu a Hedging-Griffo Asset Management, que em 2001 atingiu seu primeiro bilhão de patrimônio sob gestão.
Em 2005 o montante gerido pela asset já havia saltado para R$ 10 bilhões, o que despertou o interesse de grandes grupos estrangeiros, e em 2007 o Credit Suisse comprou o controle da instituição. Em 2015, Stuhlberger decidiu deixar o CSHG e montar a Verde Asset, da qual é o principal sócio controlador, e que tem o banco suiço como um dos minoritários. Stuhlberger é formado em Engenharia Civil pela POLI – USP e possui mestrado em Administração pela EAESP – FGV.

 

Bruno Stein {modal images/ii_278/Stein,Bruno(BlackRock)-16jan-01.jpg|title=Bruno Stein, ex-BlackRock - Melhor Estrategista para Mercados Externos}(ver foto){/modal}
Melhor Estrategista para Mercados Externos
O investimento no exterior foi uma das aplicações que mais rendeu nas carteiras dos fundos de pensão no ano passado, apesar de representar uma parcela ainda pequena dentro do patrimônio total das entidades. Os ganhos dos fundos decorreram tanto da desvalorização cambial quanto da própria performance positiva das bolsas globais, principalmente dos Estados Unidos. Para 2016, no entanto, as perspectivas dos analistas do mercado não indicam que a moeda americana seguirá o ritmo de apreciação ante o real na mesma intensidade que foi nos meses anteriores, e tampouco a bolsa americana deve apresentar a performance positiva que teve nos últimos anos.
Ainda assim, Bruno Stein, que foi o diretor responsável pelas operações da BlackRock no Brasil nos últimos cinco anos, entende que o apelo pela renda variável internacional segue em alta entre os investidores locais. Ele deixou a asset no início de 2016. “O desempenho futuro dos fundos de investimento no exterior é incerto, mas se compararmos com o cenário que temos previsto para a renda variável no Brasil, é claro que as bolsas globais devem ter um desempenho bem superior”, destaca o especialista. “Pode não ser melhor do que foi nos últimos dois anos, mas certamente continua sendo melhor do que aqui”, acrescenta.
O executivo alerta que uma alternativa com a qual é necessário ficar atento e que segundo ele começa a surgir cada vez mais no mercado doméstico, e notadamente entre o público fundo de pensão, são os fundos no exterior que investem em ativos de renda fixa. “Tem de se tomar um certo cuidado”, ressalta o especialista. Ele comenta que para uma fundação brasileira, que tem seu passivo em reais, e a meta atuarial em inflação Brasil mais juros, as oportunidades locais de investir em títulos que pagam mais do que o suficiente para o cumprimento das suas obrigações devem ser aproveitadas neste momento. “Não faz sentido investir em renda fixa no exterior”, pondera.
Stein nota que o número de fundos de pensão que iniciaram as aplicações no exterior aconteceu em uma velocidade maior do que ele imaginava – quando deixou a BlackRock, em meados de janeiro, eram 23 fundações que tinham aproximadamente R$ 500 milhões alocados no exterior. No entanto, o percentual alocado por cada entidade, que em muitos casos ainda fica próximo de 1% do PL, deixou a desejar. “O percentual alocado ainda é pequeno justamente em função das oportunidades no mercado local de renda fixa. Faz todo sentido aproveitar as NTN-Bs agora, eu faria a mesma coisa”, fala o executivo. Ele lembra que no Chile, onde as fundações começaram a investir no exterior há cerca de vinte anos, foram necessários quase cinco anos para o percentual de alocação global superar 1,5%. Hoje os fundos de pensão chilenos tem quase 40% de seu patrimônio em outros países.
Embora a regulamentação que rege os fundos de pensão ainda dificulte a ampliação em maior velocidade dos investimentos globais, por conta do limite de 25% por fundo, Stein lembra que mudanças na regulamentação introduzidas pela CVM tendem a estimular o segmento.
Sobre sua saída da BlackRock, o executivo diz que decorreu de sua vontande de buscar novos desafios para sua carreira, que foi toda construída dentro de assets management. “Quero continuar presente nesse mercado. Vou buscar uma estrutura onde consiga entregar aos clientes produtos montados e customizados para o investidor brasileiro”, diz Stein. Antes da BlackRock, o especialista acumulou passagens pela Unibanco Asset, onde ficou de 2003 a 2010, e pela Dresdner, gestora do grupo Alliance, na qual foi o responsável pela estruturação das operações no país, de 1995 a 2001.

 

Arturo Profili {modal images/ii_278/Profili,Arturo(Capitania)-15jul-13(BrunaNishihata).jpg|title=Arturo Profili, da Capitania - Melhor Estrategista para FIDCs}(ver foto){/modal}
Melhor Estrategista para FIDCs
Com poucos segmentos do mercado de capitais com apelo suficiente para rivalizar atualmente com a rentabilidade dos títulos públicos federais, uma das poucas opções que ainda atrai a atenção dos institucionais são os FIDCs. Ainda que tenham um risco mais elevado que o dos títulos públicos, eles garantem uma rentabilidade também superior à paga pelos papéis do governo ao investidor, que encontra no segmento uma alternativa para não concentrar excessivamente sua carteira em apenas um nicho do mercado.
“A rentabilidade de um FIDC fica de 1,5% a 3,5% ao ano superior a das NTN-Bs, com um risco bem aceitável se o ativo for bem selecionado”, diz Arturo Profili, sócio-fundador da Capitânia S/A, que destaca que o próprio ambiente macroeconômico favorece as emissões de fundos de direitos creditórios, já que a retração dos grandes bancos na aprovação de crédito força as empresas a circularem mais pelo mercado de capitais em busca de fontes alternativas de financiamento. Ainda assim, ele admite que mais recentemente houve uma diminuição no número de emissões. “Houve uma seleção natural dos emissores que estão no mercado, mas temos tido consultas, por parte de bancos e estruturadores, sobre quando vamos trazer novos FIDCs ao mercado”.
Desde o segundo semestre de 2015, fala o executivo, a Capitânia alterou sua filosofia de investimentos; antes focada principalmente no mercado primário, a asset passou a olhar com mais atenção para as oportunidades que começaram a chamar a atenção no mercado secundário. “Com a piora dos mercados, os preços no secundário ficaram mais atrativos”, explica Profili. Por conta disso, a gestora realizou um trabalho interno de garimpo, em busca de transações que já haviam sido emitidas à venda no mercado. “Isso é um pouco diferente do nosso histórico, foi uma calibragem que fizemos nos últimos meses diante do ambiente macroeconômico”, pondera o especialista.
Além da abertura dos prêmios, o especialista aponta como outra vantagem em operar o mercado secundário o fato de serem papéis que já foram “testados” pelo mercado anteriormente. “Quando são emissores novos, é preciso verificar se o ativo vai de fato funcionar ou não”. FIDCs já emitidos, que logo após seu lançamento tinham carência e ainda não estavam em fase de amortização, e que agora estão no momento de quitar as dívidas também estão no radar da asset. “Com isso o dinheiro volta rápido para nosso caixa, é um fator importante em nossa avaliação”.
Apesar da mudança recente de foco, Profili ressalta que a Capitânia segue atenta a todas as emissões que vem ao mercado, mas com o olhar um pouco mais voltado para os setores de energia elétrica – nesse caso para as geradoras e as distribuidoras – e de água e saneamento. “E de forma mais seletiva, também temos analisado algumas operações nas áreas de factoring e CDC de veículos, e mesmo na de crédito educacional”. Ele lembra que as duas captações mais recentes de FIDCs que ocorreram foram da Ideal Invest, empresa que tem entre seus sócios Itaú Unibanco, Banco Mundial e IFC, que atua por meio de seu programa de financiamento estudantil Pravaler, e da Celg Distribuição, da área de energia elétrica.
Profili é um dos sócios fundadores da Capitânia, onde está desde o início das operações da asset em 2003. Ele trabalhou no Bank of America, de 1999 até 2003, e antes disso, no ING Barings Bank, de 1996 a 1999, nas áreas de venda e distribuição de produtos estruturados. Nos dois bancos de investimento trabalhou junto com Ricardo Quintero, presidente da Capitânia. Profili é formado em administração de empresas pela FGV.

 

Alexandre Saigh {modal images/ii_278/Saigh,Alexandre(Patria)-10jun.jpg|title=Alexandre Saigh, da Patria Investimentos - Melhor Estrategista para FIPs}(ver foto){/modal}
Melhor Estrategista para FIPs
Apesar de o mercado de fundos de participações ter sido um dos que mais obteve captação de recursos em 2015 – os FIPs registraram ingressos líquidos da ordem de R$ 23,6 bilhões no ano passado, contra um saldo positivo de apenas R$ 500 milhões da indústria de fundos como um todo – Alexandre Saigh, co-fundador do Pátria Investimentos e responsável pela área de private equity da asset, entende que os próximos meses podem não ser muito positivos para o segmento, diante do atual ambiente doméstico.
“As perspectivas para investimentos em 2016 são piores do que as de 2015”, afirma Saigh. De acordo com o executivo, 2016 começa com mais incertezas do que o ano anterior, sem perspectivas de melhoras no horizonte de curto prazo. “A crise política se agravou e não parece existir, até este momento, uma solução. Com isso, a situação econômica se agrava ainda mais, com o consenso de que a economia diminuirá em mais 3/4 em 2016”, pondera o gestor.
Assim como já ocorreu nos últimos meses, os estrangeiros, na visão do especialista, seguem como investidores em potencial para alocar em ativos da economia real, diante da desvalorização do real frente ao dólar, e da própria depreciação no preço dos projetos em função da recessão que o país atravessa. “Os estrangeiros, com visão de longo prazo, devem continuar interessados em investir no Brasil”, destaca o sócio do Pátria.
O executivo iniciou sua trajetória no Pátria em 1994, quando entrou no Banco Patrimônio, já como sócio responsável pelo desenvolvimento e pela execução das atividades de private equity, quando foi realizada a primeira compra da asset no segmento, da rede de farmácias Drogasil. Saigh atuou como diretor financeiro e presidente da Drogasil de 1994 a 1997. Antes do Banco Patrimônio, o executivo foi vice-presidente do banco de investimento JPMorgan de 1989 a 1994.

 

Reinaldo Lacerda {modal images/ii_278/Lacerda,Reinaldo(Votorantim)-16jan-04.jpg|title=Reinaldo Lacerda, da Votorantim Asset - Melhor Estrategista para Ativos Imobiliários}(ver foto){/modal}
Melhor Estrategista para Ativos Imobiliários
Assim como já tem ocorrido nos últimos anos, as perspectivas para o mercado imobiliário em 2016, diante do cenário macroeconômico que se apresenta, não são muito animadoras para os investidores. O país em recessão, e uma taxa de juros que, se não está no momento em trajetória ascendente, permanece estável em patamar elevado, são ingredientes ruins para o setor de imóveis de um modo geral, destaca Reinaldo Lacerda, diretor de fundos estruturados da Votorantim Asset Management. “O que fez esse mercado subir de 2009 a 2011, que foram os juros em queda e o PIB em alta, são variáveis que hoje fazem as previsões apontarem para um ano ruim para o setor imobiliário. As perspectivas não são boas para o segmento”, ressalta o especialista.
Na avaliação de Lacerda, o mercado imobiliário não chegou ainda no final do atual ciclo, já que as ofertas seguem superando a demanda dos compradores. “Com os lançamentos em menor quantidade que tem ocorrido tanto no comercial como no residencial, uma hora essa curva vai mudar de direção”, prevê o diretor da asset. No entanto, ele espera que essa mudança de direção comece a dar seus primeiros sinais apenas no final de 2017. “É difícil estimar um prazo, mas é quando enxergo uma virada dos preços, com os estoques abaixo do necessário”.
Apesar do prognóstico pessimista para o mercado imobiliário como um todo, Lacerda nota que existem alguns subsetores dentro do segmento com potencial para terem uma performance mais positiva nos próximos meses. Ele lembra que uma das possibilidades avaliadas pelo governo na tentativa de reaquecer a economia é por meio do estímulo ao setor imobiliário residencial de baixa renda. “Operações com incorporadoras em imóveis mais baratos, entre R$ 200 mil e R$ 300 mil, alguns dentro do programa Minha Casa Minha Vida, podem continuar se desenvolvendo bem”, pondera o executivo.
Lacerda cita ainda os projetos conhecidos como ‘built to suit’, que são empreendimentos como centros de distribuição voltados para grandes empresas, feitos dentro de um determinado padrão para o locador, com contratos de aluguel garantidos no longo prazo. “É um tipo de operação que continua mesmo em alguns segmentos do varejo. Apesar da queda nas vendas, existem algumas companhias de grande porte que tem suas estratégias de crescimento e não vão interrompe-las”, afirma o diretor da gestora da Votorantim.
Além de nichos específicos dentro do mercado imobiliário que podem gerar algumas oportunidades aos investidores ainda em 2016, Lacerda entende que o apetite dos estrangeiros por ativos reais do segmento, dada a desvalorização cambial e a própria queda dos preços, é um outro fator que tende a mantê-lo relativamente aquecido. “Talvez essa volatilidade do dólar esteja impedindo o estrangeiro de aportar mais recursos, mas já vemos algumas entradas, e com a redução da volatilidade isso deve aumentar”.
De olho nesses investidores em potencial, e nos subsetores com boas oportunidades, a Votorantim Asset tem no forno fundos imobiliários que devem ser lançados no mercado ainda durante o primeiro semestre de 2016. “Apesar do mercado estar ruim, existem algumas boas oportunidades”, pontua Lacerda. Por estarem em análise pela CVM, o executivo não pode passar mais informações sobre os fundos devido ao período de silêncio.
Se os estrangeiros tem demonstrado apetite por ativos imobiliários, o mesmo não se repete entre os institucionais, que atualmente estão quase que completamente voltados para as oportunidades na renda fixa, diz o diretor, que está na Votorantim desde 2005. Engenheiro de formação pela Poli-USP, com especialização em finanças pela FGV, Lacerda trabalhou em sua área de formação na Argentina e Venezuela antes de entrar no mercado financeiro. Já no mercado, passou pelas áreas de crédito, tesouraria, mercado de capitais e wealth management, e por fim na de gestão de fundos estruturados. Trabalhou no Itaú, Banco Noroeste, Santander, e no Bank Boston nos Estados Unidos.

 

Eduardo Yuki {modal images/ii_278/Yuki,Eduardo(BNP)-14nov-04(RaquelDiniz).jpg|title=Eduardo Yuki, da BNP Paribas Asset - Melhor Economista de Asset}(ver foto){/modal}
Melhor Economista de Asset
A visão do mercado para o cenário doméstico já é bastante negativa, com expectativa de forte retração do PIB e inflação novamente acima do teto da meta. As previsões da asset do BNP Paribas, do economista-chefe Eduardo Yuki, no entanto, são ainda piores que o consenso de mercado – a gestora do banco prevê uma retração de 4% da economia brasileira em 2016 (no Focus os economistas esperam uma queda ao redor de 3%). Para 2017, a equipe da asset estima uma nova retração, de 0,5%, enquanto os economistas ouvidos pelo BC para o Focus projetam crescimento ao redor de 1%.
Por conta das previsões para o crescimento, mais pessimistas que a média, Yuki estima consequências nefastas no mercado de trabalho. A projeção da asset para a taxa de desemprego, que encerrou dezembro de 2015 em 6,9%, é que ela salte para 12,5% no início de 2017. “Pode ser o pico, mas se a atividade piorar acima do esperado o desemprego pode subir ainda mais”, prevê o especialista. Ele ressalta que nos últimos meses tem notado um fenômeno, que ganhou força mais recentemente, que é a grande dificuldade das empresas em conseguirem obter lucro. A lucratividade média das companhias, diz Yuki, chega a ficar abaixo da taxa básica de juros. 
“Nesse cenário é natural que o empresário invista menos, e mantenha um processo de demissões”. O ciclo de demissões para recompor o lucro do empresariado, explica o especialista, resulta em piora do poder de compra, com novas quedas do consumo, e mais retração da atividade econômica.
Devido à projeção de queda do PIB acima da média do mercado, a BNP Paribas Asset prevê também uma desaceleração mais forte da inflação do que o consenso – enquanto os economistas ouvidos pelo Focus esperam uma inflação superior aos 7% em 2016, a gestora aposta que o IPCA encerre o ano em 6%. Para 2017, a estimativa da asset para o índice de preços é de 4,5% (ante 5,5% no Focus). Yuki explica que a recuperação da atividade econômica tem forte relação com o processo desinflacionário que o país terá de atravessar nos próximos meses, com redução de custos por parte dos empresários, com demissões e queda no ritmo de crescimento do salário nominal. “Quando isso acontencer, podemos ter um ciclo de afrouxamento monetário, que levaria a uma recuperação da atividade”.
Embora a retração esperada para o PIB já fosse suficiente para desacelerar de maneira expressiva o avanço inflacionário, a asset do BNP Paribas, assim como boa parte do mercado, projetava três altas de 0,50 ponto percentual na Selic em 2016. 
Isso até a primeira reunião do Copom no ano, que pegou o mercado no contra-pé, após sinalizações ambíguas da autoridade monetária, que optou por manter estável a taxa básica de juros. “Existe hoje um nível de incerteza importante sobre os passos de curto prazo da autoridade monetária”, pondera Yuki.
Além das previsões piores que o consenso para o Brasil, a leitura da BNP Paribas Asset para o cenário global também é mais conservadora do que a média geral do mercado, tanto para Estados Unidos, quanto para Europa e Ásia. No caso americano, Yuki nota que a valorização do dólar tem reduzido as exportações das empresas da região, que já tem demonstrado certa estabilização dos lucros nos últimos trimestres. “Mas a Ásia é nosso principal foco de preocupação. Apesar do PIB chinês ter crescido 7% em 2015, indicadores setoriais tem nos causado grande preocupação em relação à economia chinesa e asiática como um todo”, pondera o economista-chefe da gestora. “Nossa maior preocupação com o cenário externo que a visão consensual é outro fator que suporta um cenário de recessão no Brasil mais intenso que o consenso”.
Economista formado pela Unicamp, Yuki completa dez anos na asset do BNP Paribas em 2016. De 2004 a 2006 atuou como economista no ABN-Amro, instituição que posteriormente foi adquirida pelo Santander. De 2005 a 2012 também foi professor de economia na FAAP. O economista acumulou ainda uma passagem pelo Unibanco, antes de uma pausa na carreira para fazer seu mestrado no departamento de economia da USP.

 

Fábio Masetti {modal images/ii_278/Masetti,Fabio(Bram)-16jan.jpg|title=Fábio Masetti, da Bradesco Asset - Melhor Atendimento a Fundos de Pensão}(ver foto){/modal}
Melhor Atendimento a Fundos de Pensão
O superintendente comercial da Bradesco Asset Management (Bram), Fábio Masetti, prevê que 2016 será um ano turbulento, mas que as fundações começarão a se abrir mais para investimentos no exterior. O executivo analisa que em 2015, a parcela da renda variável passou por um processo de forte redução na carteira das fundações, bem como a de multimercados devido à forte volatilidade dos mercados. O momento turbulento da economia, com a alta da inflação, não ajudou as fundações a baterem as metas atuariais. 
Em 2016, os fundos de pensão, no geral, têm mantido a estratégia do ano passado, reduzindo risco, com mandatos híbridos com IMA-S, IMA-B e estratégias de curto prazo. “Ao mesmo tempo, temos recebido a permissão para aumentar a alocação no exterior, dentro da linha que se iniciou desde o ano passado”, diz Masetti. O executivo destaca que há uma tendência de entidades procurarem fundos fora dos Estados Unidos, como estratégias focadas na Europa e na Ásia. “A fundação que já iniciou essa etapa de investimento, que já aloca em fundos globais ou nos Estados Unidos, já busca alternativa, e há uma crescente busca por Europa. Além do alfa que é gerado por esse investimento”, avalia.
“Os fundos de pensão vêm procurando um ou outro investimento em uma linha de diversificação, e exterior tem o diferencial do câmbio. Mesmo sendo investimentos pequenos, reduz exposição à bolsa local, é uma migração, ainda de forma tímida”, destaca. Ainda assim, com a mudança de expectativas de alta de taxa de juros, Masetti ainda espera uma consolidação do movimento de maior conservadorismo. “O preço das NTN-Bs continua atraindo movimento de aquisição em uma estratégia de imunização de carteiras”, salienta.
Fábio Masetti atua na Bram desde sua constituição. Hoje responsável pelo segmento previdenciário, o profissional trabalha diretamente com fundo de pensão e seguradoras, e de forma indireta com empresas da previdência aberta e regimes próprios de previdência (RPPS).

 

Ismail Moutinho {modal images/ii_278/Moutinho,Ismail(InfraAsset)-16jan-05.jpg|title=Ismail Moutinho, da Infra Asset - Melhor Profissional de Atendimento a RPPS}(ver foto){/modal}
Melhor Profissional de Atendimento a RPPS
A recuperação da economia não veio no ano passado e dificilmente virá em 2016. O cenário de juros altos e inflação mais forte deve persistir na maior parte do ano. Porém, em algum momento a economia deve começar a recuperação. “Não é possível, a economia não vai continuar andando para trás para sempre”, diz Ismail Moutinho, profissional da Infra Asset. Considerado o melhor profissional de atendimento a regimes próprios (RPPS), o executivo acredita que 2016 ainda será um ano muito difícil, mas que a retomada virá a partir do próximo ano. “Não vamos ver uma grande mudança de perspectiva em 2016, os juros ainda devem se elevar um pouco, para depois começar a cair a partir do quarto trimestre”, prevê. Com um novo ciclo de redução dos juros, Moutinho espera que a recuperação econômica do país volte no médio prazo, a partir de 2017. Ele admite que o cenário de juros nominais mais altos prejudica a demanda dos investidores por produtos estruturados. Neste sentido, o mercado de assets fica mais retraído para lançar novos fundos de participações (FIPs) e imobiliários (FIIs). “Realmente sentimos menor procura por estruturados, mas continuamos analisando as oportunidades para oferecer produtos com boas perspectivas”, diz.
O executivo acredita que setores como o de saneamento e do agronegócio são alguns dos exemplos mais promissores para os investidores. Por enquanto, é natural que os investidores institucionais privilegiem os títulos públicos e a renda fixa em geral, como forma de buscar suas metas atuariais.
Moutinho ressalta ainda o processo de profissionalização dos dirigentes e gestores de regimes próprios. “A profissionalização do segmento de RPPS está acontecendo de maneira acelerada. Lembro que é um processo parecido com o dos fundos de pensão há vinte anos”, diz o profissional. O executivo atua na indústria de institucionais há 36 anos, tendo trabalhado por 15 anos na Fundação Cosipa (Femco), onde atuou em praticamente todas as funções de investimentos e de planejamento estratégico. Depois fundou uma consultoria própria a ISM e mais recentemente começou a atuar em parceria com a Infra Asset. Há um ano e meio desenvolve um trabalho dentro da asset mais direcionado para os RPPS.

 

Guilherme Benites {modal images/ii_278/Benites,Guilherme(Aditus)-14out-04(RaquelDiniz).jpg|title=Guilherme Benites, da Aditus Consultoria - Melhor Consultor de Investimentos para Fundos de Pensão}(ver foto){/modal}
Melhor Consultor de Investimentos para Fundos de Pensão
O consultor da Aditus, Guilherme Benites, avalia que 2016 inicia com um cenário complicado. Com o final do ano passado mais turbulento, 2016 inicia com uma incerteza maior, com investidores mais arredios e avessos a risco. “Vimos uma certa apatia em geral no mercado. Se o fundo de pensão adota uma carteira mais conservadora, não é seguro que vai bater a meta. Por isso, gestores e investidores esperam para tomar decisões”, analisa.
Segundo o consultor, os fundos de pensão continuam focados na compra de NTN-Bs e que, apesar de ainda existirem oportunidades, já não há mais tanto espaço para esse tipo de compra. “Temos visto presença enorme dos fundos de pensão na renda fixa. Uma parcela muito significativa tem aumentado, normalmente de maneira passiva. Enquanto a renda fixa rende, a bolsa vai para baixo e notamos uma diminuição cada vez mais drástica da renda variável nas carteiras”, destaca Benites. 
Apesar de ver poucas perspectivas na renda variável, Benites diz que manter uma parcela no segmento não é de todo ruim. “O engessamento muito grande da carteira me dá um receio de que, se em algum momento o mercado melhorar, ninguém vai capturar essa melhora”. 
Outra ponto que preocupa o consultor é o cenário de crédito, bastante incerto não só pela questão econômica atual, mas pela liquidez de mercado. “Um grande player do mercado se feriu muito, que foi o BTG Pactual, com grandes resgates”, diz Benites. O consultor diz ainda que investimento no exterior é um segmento em que ele aposta, mas que atualmente existe a volatilidade do câmbio. “Acredito que fundações que já começaram a investir tenham espaço. Quem quer começar a investir agora, não sei se será tão bom entrar com o dólar muito alto”.

 

Felinto Sernache {modal images/ii_278/Sernache,Felinto(TowersWatson)-11jun-01(LaisaBeatris).jpg|title=Felinto Sernache, da Willis Towers Watson - Melhor Consultor Atuarial para Fundos de Pensão}(ver foto){/modal}
Melhor Consultor Atuarial para Fundos de Pensão
Ao fazer a retrospectiva de 2015, o consultor atuarial da Willis Towers Watson, Felinto Sernache, avalia que o ano passado foi um período de transição para fundos de pensão. “Foi um ano que se apresentou de forma mais severa e difícil do que o previsto. Em janeiro, poucos profissionais tinham essa intuição de que 2015 seria um ano tão difícil”. O consultor explica que o retrospecto do ano passado faz com que se abra uma perspectiva bastante cautelosa para 2016.
“O prolongamento da recessão que estamos vivenciando deverá adiar a recuperação da economia somente para 2018. Então, cautela é a palavra de ordem que devemos ter em todo pensamento estratégico”, diz. Com este cenário, o especialista ressalta que a comunicação do fundo de pensão com o participante deve se intensificar. “A rentabilidade não está boa, então essa comunicação precisa ser cada vez maior e melhor”, salienta.
Para o consultor, um dos maiores desafios para os fundos de pensão em 2016, sob o ponto de vista atuarial, será calibrar as contribuições das patrocinadoras. Sernache destaca que hoje, os fundos de pensão e as patrocinadoras estão vivendo um momento difícil, o que desestimula abertura de novos planos. “Minha contribuição como consultor é tentar olhar de forma mais estratégica o que está por vir. Ao fazer esse exercício, sem pessimismo exagerado, temos que travar esse diálogo com o cliente para que ele possa fazer essa travessia. É uma discussão que estou abrindo com meus clientes em relação a como atravessar 2016 e 2017, para chegar em 2018 com uma situação mais estável”, destaca Felinto.
Outra linha de atuação para este ano é pensar em um novo desenho de planos de aposentadorias. “Desenhos de planos de contribuição definida permitem calibrar o aporte dos patrocinadores, as estratégias de investimentos e recompor políticas diante desse cenário”. O consultor é importante fazer uma revisão do desenho do plano de modo a reduzir custo para as patrocinadoras e estimular a perman^ncia do funcionário na empresa por mais tempo. “Por exemplo, se a empresa contribui com contrapartida igual para todos os funcionário e o empresário identificar um funcionário mais jovem, ele pode calibrar a contribuição de acordo com a faixa etária das pessoas, contribuindo menos para o funcionário mais jovem e aumentado ao longo do tempo conforme a permanência do funcionário na empresa. Seria uma contrapartida escalonada de acordo com idade e tempo de serviço. Isso é uma forma de gastar menos e de forma mais eficiente”, destaca.
Eleito pelo segundo ano consecutivo como melhor consultor atuarial para fundos de pensão pelo Troféu Bechmark, Felinto destaca que 2015 foi um ano importante de preparação para o anúncio da fusão do Willis Group com a Towers Watson, hoje já operando como Willis Towers Watson.
“A preparação interna das atividades relacionadas à fusão dominou boa parte do meu tempo, e estamos felizes com a fusão. A operação não poderia ter vindo em momento melhor. Vamos operar de forma integrada. Nossos associados receberam bem essa notícia e agora estamos nos preparando para crescer muito mais. Estou otimista”, salienta Felinto.

 

Fábio Junqueira {modal images/ii_278/Junqueira,Fabio(Junqueira_CarvalhoMurgel)-16jan.jpg|title=Fábio Junqueira, da Junqueira, Murgel e Brito - Melhor Advogado Previdenciário para Fundos de Pensão}(ver foto){/modal}
Melhor Advogado Previdenciário para Fundos de Pensão
O advogado do JCMB Advogados Fábio Junqueira avalia que 2016 será um ano muito delicado para o sistema. Um dos temas que o advogado julga ser dos mais importantes é a atuação da Previc enquanto órgão fiscalizador. “Estamos debatendo há algum tempo a questão da fiscalização baseada em risco e da forma que a Previc vem colocando novas obrigações para o sistema”, destaca. Junqueira avalia que o excesso de exigências por parte do órgão pode afastar empresas do setor. “A Previc vem exigindo muito de entidades em um mercado que é de crise, podendo haver um processo mais duro de encerramento de fundos e planos com migração para a previdência aberta, que não tem a quantidade de obrigações que o mercado de previdência fechada tem”, opina.
Junqueira diz que o escritório já se antecipou em abrir uma área voltada para previdência aberta para ampliar sua atuação no setor. “Existe uma crise efetiva no mercado e temos muitas fundações querendo rever planos e estruturas de custeio”, salienta. O advogado diz que com a entrada de José Roberto Ferreira à frente da Previc, as esperanças se renovam. “Como o superintendente da Previc mudou, temos uma nova expectativa”, destaca o advogado, que relembra que quando Carlos de Paula assumiu o comando da Previc em 2014, houve uma perspectiva de implementação de pautas importantes para o sistema, mas que o ex-superintendente da autarquia não conseguiu cumprir. “Agora com José Roberto temos uma nova esperança nesse sentido, mas é muito importante que ele tome iniciativas lembrando que existe uma crise efetiva no mercado”, salienta.
Atuando desde 1998, Junqueira atribui o prêmio à boa estruturação de sua equipe multidisciplinar, que atende cerca de 150 clientes do mercado de capitais, cuidando também da parte regulatória e da parte contenciosa das entidades. Junqueira é sócio responsável pela área de previdência complementar, setor para o qual ele começou a focar em 2004. “Nossa abrangência permitiu maior visibilidade”, destaca.

 

Jorge Simino {modal images/ii_278/Simino,Jorge(Funcesp)-13jun-(ATavares)%20(4).jpg|title=Jorge Simino, da Fundação Cesp - Melhor Profissional de Investimentos de Fundo de Pensão}(ver foto){/modal}
Melhor Profissional de Investimentos de Fundo de Pensão
Pelo segundo ano consecutivo, Jorge Simino, diretor de investimentos da Fundação Cesp, foi eleito melhor profissional de investimentos para fundo de pensão pelo Troféu Benchmak. Simino atua na fundação desde 2005 e nos últimos anos tem apostado em uma estratégia conservadora para o fundo de pensão, reduzindo exposição à renda variável e ampliando em renda fixa. No ano passado, Simino diz que o mercado se deparou com a dificuldade da alta da inflação, que elevou a meta atuarial, sendo difícil encontrar investimentos que cobrissem essa alta.
“Foi um ano difícil, muito por conta da meta. No nosso caso, a meta indexada ao IGP-DI foi de 16,65%. Quem tinha meta baseado no INPC ou IPCA sofreu mais ainda. E se pegarmos o conjunto dos ativos financeiros, nenhum cobre essa meta tão alta”, diz Simino. O único segmento que teve rendimento bem acima da meta, segundo o executivo, foram as aplicações no exterior, com rentabilidade de 45%. “Foi o único que rendeu acima da meta, mas temos menos de 2% do patrimônio alocados nesse segmento, então não foi o suficiente para reverter o problema no seu conjunto”, salienta.
Para investir mais nesse segmento, contudo, precisaria de uma mudança na regulação, hoje regida pela Resolução nº 3.792 do Conselho Monetário Nacional (CMN), que permite que a entidade aplique em apenas 25% do feeder fund (fundo local). “O fundo local é um veículo, ele acessa o fundo no exterior. Seria interessante que o fundo que fosse referência para a limitação fosse o fundo no exterior, até pelo seu tamanho”, destaca Simino.
Para 2016, as expectativas não são tão positivas na visão do diretor de investimentos da Funcesp. Por conta desse cenário, o executivo não vê motivos para uma maior tomada de risco no momento. “Nossa postura tem sido conservadora e vai continuar assim. Vamos tentar encontrar ativos que tenham uma performance pelo menos próxima à meta atuarial”.

 

Fábio Mazzeo {modal images/ii_278/Mazzeo,Fabio(Metrus)-14nov-10(BrunaNishihata).jpg|title=Fábio Mazzeo, ex-Fundação Metrus - Melhor Profissional de Comunicação com Participantes de Fundo de Pensão}(ver foto){/modal}
Melhor Profissional de Comunicação com Participantes de Fundo de Pensão
Pelo segundo ano consecutivo, Fábio Mazzeo foi eleito o melhor profissional de comunicação com participantes de fundos de pensão. Na presidência do Metrus desde 1995, Mazzeo deixou a fundação este ano e destaca que o reconhecimento pelo seu trabalho se deve a constante atualização e contato com os participantes por meio de palestras, mensagens via vídeo e envolvimento de todos os dirigentes na comunicação. “Fazer contato com o participante é primordial para o bom funcionamento de um fundo de pensão. Fizemos um programa de educação financeira e previdenciária em que aproveitamos para falar da nossa carteira de investimentos e de outros temas”, diz.
Fora do Metrus e de volta à patrocinadora, Mazzeo destaca que futuramente pode começar a atuar como consultor na área de gestão de saúde e previdência, tratando diretamente com o participante. “Agora pretendo atuar no setor de saúde, pois o sistema de saúde precisa passar por uma reformulação”, destaca Mazzeo.
O executivo diz que entre os pontos fortes de seu trabalho no Metrus está sua primeira avaliação atuarial, realizada em 1996, no qual a decisão foi ampliar as contribuições dos participantes. “Na época, realizei 200 palestras explicando como funcionava essa questão”.
Mazzeo destaca que em 2015, o desafio foi manter a imagem da fundação apesar das denúncias de irregularidades nos investimentos da entidade. “Não ficamos escondendo do participante nenhum tipo de decisão. E a confiança do participante foi mantida, já que tivemos mais de 60% de aumento nas contribuições básicas dos nossos planos”, salienta.
Fábio Mazzeo é economista e atua há mais de 27 anos como funcionário do metrô de São Paulo. Mazzeo participou da elaboração das leis 108 e 109 do sistema de previdência complementar fechada e propôs a mudança de estatuto do Metrus. O executivo também implantou o plano de saúde que atende o metroviário e é administrado pelo Metrus.

 

Giovanna Dutra {modal images/ii_278/Dutra,Giovanna(TrinusCapital)-16jan.jpg|title=Giovanna Ferreira Dutra, da Trinus Capital - Melhor Consultora de Investimentos para RPPS}(ver foto){/modal}
Melhor Consultora de Investimentos para RPPS
No começo de 2015, as previsões da consultora Giovanna Dutra, da Trinus Capital, para a economia do país eram positivas. “Estávamos esperançosos com o início do segundo mandato de Dilma e com a nova equipe econômica”, diz a consultora. A esperança durou pouco e antes do final do primeiro trimestre, houve forte agravamento de cenário com o atraso da divulgação do balanço da Petrobras e a perspectiva de novas altas de juros.
Diante do ambiente macroeconômico, Giovanna passou a recomendar duas atitudes básicas para as equipes de investimentos dos regimes próprios que são seus clientes. A primeira foi o aumento da indexação à Selic e a outra, foi a redução da duration das carteiras. Outra recomendação foi zerar as posições em renda variável.
“Com as estratégias mais conservadores, sabíamos que poucos ou nenhum regime próprio bateria a meta atuarial, mas pelo menos, não teria resultado muito ruim”, diz Giovanna. Para 2016, a consultora continua recomendando uma postura conservadora. “Para este ano, a postura deve ser ainda mais conservadora, pois além do cenário de crise econômica, temos também as eleições municipais”. A disputa pelas prefeituras costuma aumentar a busca de irregularidades e críticas aos RPPS com maiores dificuldades.
A meta atuarial para 2016 deve ficar um pouco abaixo do ano passado, mas continua em patamares difíceis de ser batidos. A consultora trabalha com a previsão de IPCA em torno de 7% para este ano. Sobre mudanças na regulamentação dos investimentos dos RPPS (Resolução 3922), Giovanna defende maior aprimoração, porém, diz que é necessário avançar com a profissionalização dos dirigentes dos institutos antes de conceder maiores limites em algumas classes de ativos, como por exemplo, os fundos estruturados.
A Trinus Capital atende atualmente 96 RPPS da região Centro-Oeste. Giovanna tem formação em relações públicas e economia e especialização em finanças na Universidade da Carolina do Norte.

 

Mauro André Branquinho Ferreira {modal images/ii_278/Ferreira,MauroAndreBranquinho(advRPPS)-16jan.jpg|title=Mauro A. Branquinho Ferreira, da RPPS Brasil - Melhor Advogado Previdenciário para RPPS}(ver foto){/modal}
Melhor Advogado Previdenciário para RPPS
Depois de um período de melhoria e de avanços, o setor de regimes próprios de previdência voltou a enfrentar dificuldades mais sérias em 2015, principalmente na questão da obtenção do Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP). O maior problema foi a crise fiscal que atingiu grande parte dos municípios do país no ano passado e que mantém a tendência em 2016. “Vários municípios que tinham conseguido recuperar o CRP nos últimos anos, voltaram a perder a certificação no ano passado devido ao problema na queda da arrecadação e consequente falta de recursos”, diz Mauro André Branquinho Ferreira, advogado especialista em RPPS.
O problema, segundo o advogado, em grande parte dos municípios, não é causado por culpa do prefeito, mas sim, devido à crise econômica que afeta o país. Outro fator que ajuda a agravar a situação é o atraso nos repasses de recursos para obras por parte da União ou do governo estadual. Com os atrasos, as prefeituras são impelidas da aportar recursos não previstos com o objetivo de não paralisar obras em andamento. 
Atuando pelo escritório RPPS Brasil, o advogado presta serviços fixos para cerca de 40 regimes próprios, a maior parte concentrada no estado de Goiás. O profissional tem atuado também na capacitação dos gestores dos institutos e prefeituras, além de técnicos do tribunal de contas. O advogado atua através de um convênio firmado com a Ordem dos Advogados do Brasil de Goiás, Tribunal de Contas do Estado e a Associação Goiana dos RPPS criado para dar cursos e seminários para os interessados na área. “Já capacitamos cerca de 400 gestores de RPPS e técnicos do tribunal de contas. Ainda assim, vemos uma deficiência de pessoas capacitadas em diversos municípios”, comenta o especialista. O advogado ressalta que o setor tem passado por maior profissionalização nos últimos anos. O especialista destaca ainda a importância, neste ano eleitoral, de que os prefeitos não deixem pendências nos RPPS, com o risco de perderem o mandato, caso sejam reeleitos. “Presenciamos vários casos de prefeitos reeleitos que perderam o mandato por causa de pendências na questão da previdência”, conta Ferreira.

 

Sérgio Miers {modal images/ii_278/Miers,Sergio(Ipreville)-16jan-02.jpg|title=Sergio Luiz Miers, do Instituto Ipreville - Melhor Profissional de Investimentos de RPPS}(ver foto){/modal}
Melhor Profissional de Investimentos de RPPS
Não muito diferente da maioria dos profissionais de investimentos de regimes próprios, o coordenador da área financeira do Instituto de Previdência de Joinville (SC), Sérgio Miers privilegiou a renda fixa em 2015. O seu diferencial e de sua equipe, porém, foi a busca de uma gestão mais ativa na renda fixa com o objetivo de buscar a meta atuarial ou pelo menos não ficar tão distante dela. A gestão mais ativa é possível devido a uma gestão compartilhada de carteiras administradas que envolve a equipe do regime próprio e os gestores terceirizados.
“Buscamos uma gestão mais ativa através de carteiras administradas. É uma pena que a legislação não permita a marcação dos ativos na curva, por isso, nós buscamos maior movimentação de compra e venda dos títulos públicos das carteiras”, diz Miers.
O maior problema do ano passado foi o alto índice de inflação. “Foi um ano muito difícil em que quase ninguém conseguiu bater a meta atuarial, que ficou ao redor de 17%”, comenta o coordenador de investimentos do Ipreville.
O profissional prevê que as dificuldades devem continuar em 2016. “Será outro ano difícil, pois existe uma crise generalizada de confiança em relação ao governo e à equipe econômica, que não tem conseguido realizar as correções necessárias na economia”, diz Miers. A saída para evitar maiores perdas em relação à meta atuarial é a adoção de uma política mais conservadora. Desde o ano passado, a equipe do Ipreville tem privilegiado fundos e ativos públicos com menor duration. A maior parte da carteira do RPPS é composta atualmente por títulos públicos com vencimento de no máximo até 2024. “Estamos privilegiando ativos mais curtos, pois o risco dos títulos mais longos é muito maior”, analisa Miers.
Sérgio Miers é servidor público e ingressou no regime próprio em 2009. Antes de entrar para o serviço público, o profissionais teve passagens pelo antigo Banco Nacional e na área de previdência complementar do Bradesco (fundo multipatrocinado). Ele acredita que o prêmio se deve, além de sua atuação no RPPS, ao trabalho conjunto de sua equipe.