Fusan refaz ALM para alterar aplicações

RAUEN: conclusão em agostoEdição 239

Fundação avalia que estudos serão cada vez mais constantes; novo contingente de aposentados está no foco da reavaliação

Motivada pelas mudanças no cenário da economia brasileira e mundial, a direção da Fundação Sanepar (Fusan) decidiu elaborar, em conjunto com sua consultoria atuarial, a Aditus, um novo estudo de Asset Liability Management (ALM). A ideia é priorizar o estudo para iniciar rapidamente uma completa reformulação de sua política de investimentos. “A motivação todo mundo já sabe, é o surgimento de uma nova realidade de mercado, com os juros reais em queda e maior dificuldade para bater metas atuariais. Precisamos mudar o mais rápido possível”, revela o presidente da fundação, José Luiz Rauen. O novo estudo de ALM deve valer já a partir de agosto.

Além das mudanças de cenário da economia, a Fundação Sanepar tem no foco um novo contingente de aposentados nos próximos 24 meses. “Temos uma população-alvo com idade média avançada e também avaliamos o impacto das aposentadorias nos próximos dois anos”, conta o diretor de seguridade da Fusan, Marcos César Todeschi. O fundo de pensão conta com 2.200 participantes assistidos e patrimônio total de R$ 830 milhões, dos quais 48% (cerca de R$ 400 milhões) são relativos às reservas de assistidos. O restante refere-se às reservas de participantes ativos.

Avaliação constante – As mudanças tanto no mercado financeiro quanto no perfil do passivo levaram a direção da fundação a trabalhar com um conceito mais dinâmico de ALM. O fundo realizou estudo semelhante em setembro de 2011, mas se sentiu obrigado a refazer a análise em função das aceleradas alteraç ões dos cenários para o mercado financeiro. “Antes projetávamos juro real de 12% e agora temos projeções de 3%, abaixo da meta atuarial. Não podemos ficar parados”, avalia Todeschi.

O diretor de seguridade acredita que os estudos de ALM deverão ser refeitos com maior frequência daqui para frente. “Vamos trabalhar com uma análise dinâmica da mudança do perfil de nosso passivo. Temos um conjunto com idade média avançada e precisamos avaliar constantemente nossas necessidades relacionadas ao fluxo de pagamento dos benefícios”, explica.

Ativos – Antes mesmo da elaboração do ALM, a Fusan já buscava maior diversificação nas aplicações. “A tendência é sair cada vez mais da renda fixa tradicional em direção a outros segmentos, como investimentos estruturados e infraestrutura”, revela o diretor administrativo e financeiro da Fusan, Marcos César Todeschi. O movimento realizado até o momento ainda é pequeno em comparação com o tamanho do patrimônio da fundação, mas aponta nesta direção. A Fusan investiu recentemente em dois fundos de participações em empresas – o FIP Rio Bravo Energia I e o Pátria Special Opportunities I. Os dois FIPs receberam até agora 1,25% do patrimônio da fundação. Com o total de recursos compromissados, a carteira de estruturados da Fusan deve chegar a 3,8% de seu patrimônio.

“Estamos bastante satisfeitos com as novas aplicações. O desempenho do fundo de energia da Rio Bravo é bastante satisfatório. Já o fundo do Pátria é voltado ao segmento de shopping centers, que oferece boas perspectivas de retorno”, explica o diretor administrativo e financeiro. Outra aplicação da fundação no segmento de infraestrutura ocorreu em um fundo sob gestão da Vinci Partners. “Estamos atentos a novas oportunidades no segmento de estruturados, com foco especial para os fundos imobiliários”, revela Silva. A fundação também analisa oportunidades de fundos de empresas que distribuem dividendos.

De qualquer forma, as maiores mudanças no plano de investimentos vão depender do resultado do estudo de ALM. O fundo de pensão ainda concentra a maior parte do patrimônio na renda fixa – 76,20% (posição em junho deste ano). “Uma das mudanças será a redução da carteira de renda fixa tradicional, com consequente aumento dos fundos indexados ao IMA-B (Índice de Mercado Anbima, que mede a rentabilidade dos títulos públicos com juros prefixados e correção pelo IPCA. O tamanho da migração também vai depender da nova análise”, destaca o diretor administrativo e financeiro. Ele explica que os fundos IMA-B estão mais adaptados neste momento à meta atuarial do plano de benefícios. Ainda não há perspectiva imediata de mudança da carteira de renda variável, que atualmente representa apenas 13,72% do patrimônio do fundo de pensão.

Divergência adia regra para retirada de patrocínio

Edição 239

A aprovação das novas regras de retirada de patrocínio de fundos de pensão foi adiada mais uma vez. A expectativa era que a nova regulamentação fosse aprovada na última reunião do Conselho de Gestão de Previdência Complementar (CGPC) realizada no final de junho. Após um processo de consulta pública, que recebeu mais de 2.400 sugestões, a revista Investidor Institucional apurou que foram ampliadas divergências na comissão de trabalho que elabora a proposta.

 

Um dos pontos que cria divergências gira em torno da permissão para a retirada do patrocínio. Os representantes dos participantes defendem que essa possibilidade somente seja permitida em casos extremos, como a liquidação ou a falência da patrocinadora. Já os representantes dos patrocinadores e dos administradores, pensam que a legislação deveria promover uma maior flexibilidade de regras.

 

Outro tema polêmico e relevante é sobre os critérios para a utilização de superávits ao longo do tempo, além das obrigações dos patrocinadores na cobertura de eventuais déficits. Os representantes dos participantes se opõem à possibilidade de que eventuais superávits ou fundos de contingência sejam utilizados para saldar obrigações de patrocinadores com os planos.

 

Divergências também foram observadas em relação ao momento em que é cessada a obrigatoriedade para a patrocinadora continuar promovendo contribuições para os planos de benefícios. Representantes das empresas defendem que as patrocinadoras tenham o direito de cessar as contribuições no momento em que decidirem realizar a retirada. Já os participantes acreditam que as contribuições deveriam ser exigidas até que haja aprovação da retirada pelo órgão fiscalizador.

 

Segundo uma fonte ligada ao governo, dentre as sugestões recebidas, as cerca de 65 consideradas mais pertinentes estão em análise. Entre os envolvidos, há expectativa de que a regulamentação sobre a retirada do patrocínio possa ser discutida novamente no encontro da CGPC de agosto. É incerto, porém, se haverá acordo para elaboração de um texto final para a votação.

Previsão é que pagamento da dívida da CBTU ainda demora

Eluis Alves de MatosEdição 239

Embora já tenha sido atestada sua “certeza, liquidez e exatidão” pela Controladoria Geral da União (CGU), a renegociação da dívida de R$ 1,2 bilhão da CBTU e outras quatro estatais ferroviárias com a Fundação Refer está parada nos órgãos de controle do governo federal.

Instituto de Marília tem problemas com repasses

Edição 239

O regime próprio dos servidores municipais de Marília (SP) calcula uma dívida superior a R$ 16 milhões gerada pela falta de repasse de recursos por parte da Prefeitura. Somente durante os meses de abril, maio e junho deste ano, a dívida acumulada atingiu R$ 5,8 milhões. Os problemas se acumulam desde o ano passado, quando a Prefeitura deixou de repassar R$ 10,6 milhões. Por conta dos problemas, o Instituto de Previdência de Marília não conseguiu a renovação do certificado de regularidade previdenciária (CRP) junto ao Ministério da Previdência Social (MPS).

Seminário discute cenários para institutos

Edição 239

A redução dos juros, a portaria 170 do Ministério da Previdência Social, a criação do Funpresp e os novos cenários para os fundos de previdência estaduais e municipais são temas de seminário que será realizado no Rio de Janeiro, no próximo dia 17 de agosto. O evento conta com apoio da Associação Brasileira das Instituições de Previdência Estaduais e Municipais (Abipem) e da Associação das Entidades de Previdência dos Municípios do Estado do Rio de Janeiro (Aepremerj).