Fundações ampliam investimentos estruturados

Edição 263

De acordo com estatísticas da Abrapp, os investimentos estruturados realizados pelos fundos de pensão brasileiros deram um salto nos últimos anos, chegando a R$ 20,3 bilhões em março deste ano e representando 3,1% do total do patrimônio das entidades. A Abrapp também divulgou dados da Fundação Getúlio Vargas que indicam que os cinco maiores fundos de pensão brasileiros já trabalham com uma meta de alocação de 7% a 8% de seus recursos em private equity. Até o final do ano passado, o desembolso foi de aproximadamente 2,5%.

Sebraeprev estuda investimentos no exterior

Edição 262

Após receber autorização dos conselheiros, em janeiro, para investir no exterior, o Sebrae Previdência analisa o cenário econômico atual para definir se já começará a fazer esse tipo de aplicação. Com assessoria da consultoria Aditus, o fundo estuda se o momento atual é propício para as alocações no exterior e, caso a conclusão seja a favor dos investimentos, iniciará anda este ano a seleção de fundos para investir.
“Investir no exterior, além de ter o risco do ativo, agrega o risco cambial”, explica George Mota, diretor de investimentos da fundação. “Em contrapartida, aqui no Brasil é possível ter uma rentabilidade acima de 10% ao ano investindo em títulos públicos. Ou seja, para investir no exterior valer a pena, tem que partir de um retorno acima dessa taxa”.
O executivo salienta que o mercado de investimentos no exterior para os fundos de pensão brasileiros ainda é incipiente. “Mesmo as grandes fundações ainda estão começando. Em decorrência da abertura das taxas de juros e do câmbio sendo mantido em torno de R$ 2,20, temos que pesar”. Mota diz que até o início de setembro a fundação já terá a definição sobre alocar ou não em fundos no exterior.
Em decorrência da volatilidade do mercado no ano passado, o Sebraeprev não fez nenhum tipo de alteração em sua política de investimento, apenas aumentando, dentro de renda variável, a parte de gestão ativa, para poder tirar um pouco da gestão atrelada a índices. “Nossa política desse ano é a mesma, até porque, devido à volatilidade da renda fixa, que foi maior que a da renda variável, não tínhamos um cenário claro”.

Postalis perde em fundo de dívida externa

Edição 262

O fundo de pensão dos Correios, Postalis, registrou uma perda de R$ 190 milhões com investimentos em um fundo que tem títulos ligados à dívida Argentina. Os investimentos do Postalis no Brasil Sovereign II Fundo de Investimento de Dívida Externa (Fidex), operado pelo BNY Mellon, somavam R$ 370 milhões,mas tiveram forte desvalorização após o conflito do país vizinho com a Justiça e os gestores americanos.
“O investimento previa a aplicação de pelo menos 80% do valor em títulos da dívida pública externa brasileira. Os títulos foram trocados por outros ligados à dívida Argentina à revelia do instituto e contra o regulamento do fundo”, disse o Postalis em comunicado, afirmando que contratou escritórios de advocacia no Brasil e nos EUA para adoção de medidas jurídicas.
O BNY Mellon explicou, em fato relevante divulgado ao mercado, que em 2011 a antiga gestora do fundo, do tipo Fidex (fundo de dívida externa), a Atlântica Administração de Recursos, realizou dois investimentos em títulos de dívida privados. O valor pago pelo fundo para a aquisição dos títulos foi acima do valor da dívida em aproximadamente US$ 79 milhões.
Além disso, em virtude da suspensão do pagamento dos títulos de dívida externa emitidos pela Argentina, o patrimônio do Fidex sofreu perdas de 51,48%. O ponto principal do caso é que os investimentos realizados pelo fundo, além de não cumprir com seu regulamento, foram atípicos.
Nathan Batista, sócio consultor da Aditus, explica que a situação macro da Argentina, que acabou em condição de default, piora no que se refere a sua própria percepção no mercado mundial. O consultor analisa que o maior impacto será para quem realmente tiver uma exposição muito grande à Argentina. “O procedimento de alocação de qualquer classe de ativo deve ter muito bem definida essa regra de mitigação de riscos e de limites de concentração para gerar diversificação”, completa Bastista.

Previ vende ações da Oi após problema na Portugal Telecom

Edição 261

A Previ se viu envolvida em uma polêmica na fusão entre Oi e Portugal Telecom, anunciada em outubro do ano passado, que criou a gigante do setor de telecomunicações CorpCo. O fundo de pensão do Banco do Brasil faz parte do grupo de controladores da Oi e vendeu em junho ações da companhia brasileira após o aumento de capital de R$ 13,2 bilhões realizado em abril passado. Contudo, pelo prospecto da oferta de ações da Oi, qualquer integrante do grupo controlador não poderia se desfazer de papéis da companhia três meses após a oferta. Procurada, a fundação não se manifestou sobre o tema. No prospecto definitivo divulgado pela Oi no fim de abril, a participação da Previ era de 1,64%, mas ela deve ser diluída, já que novos aportes por parte da entidade não estão previstos. A Petros e a Funcef também têm fatia na empresa, de 0,58% e 0,34%, respectivamente.
A venda realizada pela Previ pode ter sido motivada pelo fato de a Portugal Telecom ter feito um empréstimo de 897 milhões de euros à Rioforte, empresa do Grupo Espírito Santo que tem no guarda-chuva o Banco Espiríto Santo (BES), instituição que tem passado por problemas financeiros e anunciou uma reestruturação de sua diretoria. A dívida da Rioforte, após a fusão, ficou com as subsidiárias da Oi. Como o empréstimo não foi pago no prazo, as empresas acordaram que a Oi vai entregar à Portugal Telecom os títulos da Rioforte a 100% do seu valor de face, e em troca receberá o mesmo montante em suas ações, que representam 16,6% do capital votante e total. Além disso, a fatia da Portugal Telecom na CorpCo foi reduzida de 37,4% para 25,6%.