Garde diversifica com fundos de ações
Gestora comemorou sinal verde dado pela CVM para estrear sua nova área

Nascida em 2013 com foco em multimercados, a Garde Asset vem abrindo de forma lenta e gradual o seu leque de atuação. A diversificação teve início em agosto de 2018, com o lançamento de dois multimercados com viés previdenciário, os Aramis FIFE e Prev, que entre janeiro e novembro últimos acumulam rentabilidades de 11,86% e 8,81%, respectivamente. Agora, sem muito alarde, a gestora que contabiliza hoje R$ 4,3 bilhões sob gestão, faz os últimos ajustes para estrear no segmento de fundos de ações por meio da Garde Equities, que acaba de receber os sinais verdes da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
“Produtos lastreados em ações figuram em nossos planos desde o surgimento da Garde, no segundo semestre de 2013. O projeto começou a sair do papel em 2016, quando montamos uma equipe na área – incorporada inicialmente à gestão das estratégias D’Artagnan, de multimercados macro – e está se tornando realidade“, comenta o CEO Marcelo Giufrida.
Além de gerir os cerca de R$ 1,5 bilhão em ações presente nas carteiras D’Artagnan, a Garde Equities vai pilotar fundos de ações e também multimercados com estratégias focadas em títulos negociados em bolsas de valores. O gestor é o gestor William Pereira Leite, ex-Credit Suisse e SPX, comandando um time de quatro profissionais. Graduado em engenharia pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), assim como os sócios-fundadores do negócio – Carlos Calabresi, Marcio Georgetti e Rodrigo Pagnani, além de Giufrida –, Leite desembarcou na asset em maio de 2018 e contribuiu para o desenvolvimento e a apresentação ao mercado, há um ano, dos primeiros produtos centrados em ações, os multimercados Athos FIC e Master Long Biased.
“Realizamos um grande esforço para lançá-los ainda em 2018, com o intuito de que ambos pudessem constar em todos os rankings e estatísticas de desempenho de fundos nesta temporada, para a qual projetávamos um consistente desempenho”, conta Giufrida. “Deu tudo certo. E, de quebra, as nossas previsões para a bolsa se confirmaram.”
Ainda em processo de formação de musculatura, os dois multimercados já contabilizam patrimônios líquidos ao redor de R$ 26 milhões e vêm proporcionando bons ganhos aos cotistas. Até 4 de dezembro, o Athos FIC e o Master Long Biased apresentavam retornos acumulados de 21,68% e 28,56%, respectivamente, superando não apenas o CDI mas inclusive o Ibovespa, em 0,62 e 7,50 pontos percentuais.
“Nossa intenção, claro, não é restringir a atuação da nova empresa a essas duas carteiras”, observa Giufrida. “Novas estratégias baseadas em ações, assim como o reforço da equipe de renda variável, vão depender, contudo, da consolidação da linha Athos. À medida que esse processo for se confirmando, vamos começar a estudar a criação de outros fundos da classe.”
Carros-chefes da casa, os multimercados macro recuperaram de vez suas velocidades de cruzeiro, comprometidas no fim do primeiro semestre de 2018 por leituras equivocadas das tendências dos mercados de juros e moedas. Os cinco veículos do nicho apresentavam, até 4 de dezembro, rentabilidades acumuladas superiores a 108% do CDI, com destaque para o D’Artagnan Master com valorização de 110,02% do CDI. Com esses resultados, a gestora espera ampliar sua participação junto ao público institucional, hoje somando 35 clientes, dois deles conquistados neste ano.
“Com frequência, interrompemos a captação de nossos multimercados, mas sempre mantemos abertas as portas do fundo Dumas FIC aos investidores institucionais”, diz Giufrida. “Temos conversado com muitas fundações de previdência que, devido à queda dos juros, estão em busca de opções de investimento para cumprirem as suas metas atuariais.”
O quadro macreconômico para 2020, em sua visão, é bem promissor. A Garde projeta um crescimento do produto interno bruto (PIB) nacional de 2,5% e confia na manutenção dos juros em patamares reduzidos e na inflação sob controle, apesar da elevação dos índices de preços em novembro. “Foi um episódio isolado, causado pelo forte crescimento das exportações de carnes para a China. A inflação tende a seguir abaixo da meta”, observa Giufrida. “O único dado preocupante no cenário é o déficit de 3% na balança de pagamentos, recentemente detectado pelo Banco Central, que deve crescer, caso a economia se recupere.”