Presidente da Faeces defende fundos florestais na carteira

Os fundos florestais podem ajudar os institucionais a bater suas metas atuariais, avalia o presidente da Fundação Assistencial dos Empregados da Companhia de Saneamento do Espírito Santo (Faeces), Luiz Carlos Cotta, ele próprio um entusiasta dessa classe de ativos.

“Sou entusiasta dos fundos florestais porque acredito ser uma oportunidade única de se fazer um casamento com os passivos da fundação”, revela Cotta, cuja Fundação possui um patrimônio líquido de R$ 400 milhões. Segundo ele, embora os retornos sejam a longo prazo em geral são compensadores. “Hoje um fundo florestal pode garantir uma rentabilidade do IPCA mais uma taxa de oito a dez por cento ao ano”, diz.

Cotta diz que o investidor num fundo florestal deve estar preparado para aguardar o retorno a longo prazo. “No caso específico de uma floresta, você tem que pegar uma fazenda, preparar a terra para o plantio do eucalipto ou do pinus, escolher as mudas, os clones. No início só há despesa, o retorno só começa a aparecer a partir do quarto ou quinto ano”, explica. “A partir desse ponto da curva J (quando o investimento matura e o processo de retorno começa), os resultados compensam”.

FGV traz competição sobre gestão de venture capital ao Brasil

A FGVnest, núcleo da FGV carioca voltado à estudos em startups, venture capital e private equity, está trazendo para o Brasil o Venture Capital Investment Competition (VCIC), programa que promove uma competição entre equipes de potenciais gestores de fundos de venture capital para escolher as mais assertivas em avaliar e investir em negócios reais. Os juízes da competição serão profissionais experientes das principais gestoras de venture capital que observarão e darão notas para as equipes baseado em suas capacidades de analisarem, negociarem e investirem em startups.

Criado em 1998 no MBA da Kenan-Flager Business School da University of North Carolina, atualmente o VCIC conta com a participação de mais de 80 universidades em 15 países, incluindo os mais renomados programas de MBA do mundo. Todos os anos, o programa envolve cerca de 1.500 alunos, 150 gestores de Venture Capital e 100 empreendedores, em diversas competições regionais ao redor do mundo.

É a primeira vez que o VCIC chega à uma universidade da América Latina. "Estamos muito animados em trabalhar em parceria com a FGV para trazer o VCIC para a América Latina. Com a participação do Brasil teremos competições regionais do VCIC em quatro continentes", diz Patrick Vernon, Diretor do VCIC e Clinical Associate Professor of Strategy and Entrepreneurship da UNC Kenan-Flager.

Estarão habilitados a participar do VCIC os alunos dos MBA da Fundação Getúlio Vargas que tiverem cursado a disciplina Private Equity e Venture Capital, inclusive dos que forem cursar o futuro curso de MBA em private equity, venture capital e investimentos em startups da FGV.

"Trazer o VCIC para o Brasil é uma grande honra. Este é um imenso e maravilhoso desafio que vai ao encontro do objetivo do FGVnest de ser um 'hub' de conhecimento de ponta em novação e startups, promovendo, estimulando e agregando iniciativas relevantes para a indústria", descreve o coordenador do FGVnest, professor Caio Ramalho.

Demanda por verdes supera oferta | Mesmo com as emissões se aproximando de volumes recordes, falta diversificação de papéis

Os títulos verdes continuam sendo um segmento minúsculo do mercado de renda fixa, apesar do crescente número de investidores institucionais buscando esses investimentos. A principal explicação para a carência de emissões são as expectativas dos investidores sobre como os recursos devem ser investidos, o que desencoraja muitas as emissões verdes.
“Atualmente, o preço reflete principalmente a demanda, que é muito maior do que a oferta”, disse Magnus Billing, CEO da Alecta Pensions, de Estocolmo, com 35 bilhões de coroas suecas investidas em títulos verdes.
Grandes investidores globais, como o Fundo de Investimento em Previdência do Governo Japonês, a holandesa PKA e as dimarquesas Hellerup e Hilleroed, já tem pequenas parcelas de suas alocações investidas em títulos verdes. Mas os desafios associados à falta de variedade e liquidez do emissor impedem que o mercado se torne mais popular, analisam fontes ouvidas pela publicação Pension & Investment.
Atualmente, há US$ 389 bilhões de títulos verdes em circulação, segundo dados da organização sem fins lucrativos Climate Bonds Initiative. Comparado aos mais de US$ 92,3 trilhões de títulos de dívida em geral, contabilizados na data de 31 de dezembro pelo Bank for International Settlements, ainda é um mercado muito pequeno.
Algumas fontes acham que os padrões dos títulos verdes da União Européia servirão como parâmetros às novas emissões. “Um dos problemas é o greenwashing (produtos poluentes mascarados com conceitos de sustentabilidade )”, diz Mikael Bek, chefe de meio ambiente, social e governança da PenSam, um plano de contribuição definida de 140 bilhões de coroas dinamarquesas.
“Estamos considerando investir nesses títulos verdes”, disse Bek. Ele diz que o plano considera aumentar para 10% sua alocação estratégica em investimentos verdes até 2025. “Mas precisamos de um mercado maior. Os padrões da UE ajudarão a esclarecer os parâmetros para o produto. Esperamos que o mercado aumente.”

Estrutura de mercado – Para Billing, da Alecta, os desafios de investir em títulos verdes não estão na falta de regulamentação mas na escassez de veículos de investimento escaláveis e capazes de incluir emissões verdes locais. A Alecta começou a investir em títulos verdes em 2014. No mês passado, investiu uma quantia adicional não divulgada com o agregador de títulos Kommuninvest, da Suécia, que financia projetos municipais suecos em energia renovável, construções verdes, transporte público e gerenciamento de água.
Outras fontes também dizem que as oportunidades para os investidores institucionais absorverem títulos verdes atualmente são limitadas. Jean-Jacques Barberis, diretor de cobertura de clientes institucionais e corporativos da Amundi, de Paris, disse que as pequenas e médias empresas precisam de assistência para acessar os compradores de títulos verdes.
“Precisamos de mais diversificação para a securitização verde, high yelds verdes e crédito privado verde”, disse Barberis. Por essa razão, Amundi desenvolveu um programa em conjunto com o Banco Europeu de Investimento para permitir que empresas européias obtenham empréstimos para acelerar sua transição para longe dos combustíveis fósseis. Anunciado em 9 de julho último, o Green Credit Continuum - a segunda iniciativa da Amundi, após o fundo Planet Emerging Green One lançado em parceria com o Grupo Banco Mundial em 2018 - fornecerá € 1 bilhão para o desenvolvimento de financiamento verde.

Verificação aprimorada – Investidores de títulos verdes dizem que a evolução da estrutura do mercado pode ajudar os investidores na verificação de como os recursos dos títulos verdes estão sendo investidos por corporações e governos locais. A escassez de processos de verificação afeta a diversificação e o tamanho do mercado, disseram fontes. “Ainda vemos algumas emissões feitas sem verificação de terceiros e isso é uma preocupação”, disse Colin Purdie, diretor de investimentos de crédito da Aviva Investors, de Londres.
“A maioria dos administradores não têm meios de checar como os recursos estão sendo gastos, e isso pode levar alguns deles a evitar os títulos verdes. Alguém tem que fazer essa verificação durante a securitização”, disse Purdie.
Francis Condon, analista de pesquisa de investimento sustentável e de impacto do UBS Asset Management, de Londres, acrescentou que organizações multilaterais, como o Banco Europeu de Investimento, podem apoiar a emissão de títulos verdes respondendo pela verificação dos resultados.
Fontes disseram que uma maior diversificação, incluindo títulos de duração mais curta, também poderia ajudar a liquidez do mercado. “Gostaríamos de receber vencimentos mais curtos porque a mais recente emissão soberana holandesa, (divulgada pelo governo da Holanda pela primeira vez em abril), com vencimento em 2040, aumentou a duração do índice em 0,4”, disse Arnaud-Guilhem Lamy, co-head de renda fixa do BNP Paribas Asset Management.

Fundos de private equity e venture capital com maior equilíbrio de gêneros no board têm performance 20% superior

Levantamento feito pela consultoria Oliver Wyman indica que fundos de investimentos de economias emergentes com mais equidade de gênero nas posições de lideranças têm um desempenho 20% superior na comparação com os demais sem práticas semelhantes.

O levantamento foi realizado junto a 40 administradores de fundos de private equity e venture capital e especialistas em equidade de gênero em economias emergentes, em parceria com a RockCreek, empresa de gerenciamento de investimentos, e com a IFC (International Finance Corporation), instituição do Banco Mundial dedicada à promoção do desenvolvimento econômico. Foram ouvidos 550 profissionais atuantes em empresas do segmento em países emergentes e desenvolvidos.

O relatório também mostra que 62% dos entrevistados acreditam que aumentar a diversidade das lideranças seniores potencializa o retorno para as empresas. Isso ocorre porque, para 86% deles, há uma melhora na tomada de decisões, e para 61% há um aprimoramento da gestão. Já 60% acreditam que a diversidade de lideranças potencializa o atendimento aos diversos perfis de clientes.

Apesar da diversidade de gênero ser importante ou prioridade para 65% dos acionistas (Limited Partners - LPs) dos fundos de private equity e venture capital, apenas 30% dos acionistas e administradores (General Partners - GPs) experimentam essas práticas em suas respectivas empresas. As profissionais ocupam somente 11% das cadeiras executivas dessas empresas atuantes em economias emergentes da China, Leste e Sul da Ásia e América Latina.

De acordo com o relatório, a presença de mulheres em cargos executivos é menor em mercados emergentes do Sul da Ásia, Oriente Médio e Norte da África – MENA (7%) e América Latina (8%). Em outras industrias dessas regiões, a presença das mulheres em cargos executivos é superior, chegando a 28%. "Por ter ganhado força na era digital, era de se imaginar que neste segmento a desigualdade não fosse tão relevante, mas ele se comporta do mesmo jeito que o mercado financeiro tradicional, avalia Ana Carla Abrão, sócia e Market Leader da Oliver Wyman no Brasil. "E o Brasil está um passo atrás na questão da equidade de gênero no mercado financeiro se comprado a países mais desenvolvidos", afirma

Oportunidades na florestais | Fundações que investem em fundos florestais contam como usam esses ativos vinculados à economia real para reduzir a volatilidade das carteiras

Os fundos florestais surgem como uma das opções promissoras de diversificação em cenário de juros mais baixos para as carteiras das EFPC. O apetite tem tudo para crescer, uma vez que essa classe de ativos tem alta correlação com as metas das fundações e é fortemente descorrelacionada com outras classes que sofrem mais os efeitos da volatilidade, como bolsas e multimercados, entre outros. “O fundo florestal é estreitamente vinculado à economia real e uma alternativa muito saudável para abrir a cabeça dos gestores das entidades em relação a investir em FIPs”, pondera o diretor da PreviEricsson, Rogério Tatulli.
Ele lembra que, no passado recente, alguns gestores cometeram equívocos de avaliação na gestão dos FIPs, “depois veio a crise que afetou toda a economia, montando um “combo” de problemas que abalou a reputação de toda uma classe de ativos embora a maior parte desses produtos tenha boas performances”.
Na PreviEricsson, dos 15 FIPs investidos, três são florestais com diversificação de gestores e que representam 32% dos recursos aplicados em FIPs. O setor reflete agora, no Brasil, o início de uma transformação que já ocorreu nos EUA na década de 1990. Lá, as grandes companhias consumidoras de madeira, papel e celulose eram também as donas das florestas, mas isso começou a mudar quando perceberam que poderiam passar a gestão das florestas para os investidores.
Ainda há resistências educacionais, avalia Tatulli. “As pessoas receiam incêndios na floresta, por exemplo, mas ignoram que o maior risco ali é a formiga e não o fogo, então cabe aos gestores disseminar informação, assim como cabe ao investidor sair do escritório e ir conhecer as equipes responsáveis pelo manejo florestal”. Os fundos florestais da PreviEricsson tem florestas em SP, MG, PR e Três Lagoas, no MS, que é o maior polo produtor de celulose do mundo. Lá, a distância média entre a floresta e a fábrica compradora da matéria-prima é de no máximo 200 quilômetros. A distância ideal é de 100 quilômetros, que garante boa cobertura logística para escoar a produção.

Mapitoba – Os gestores estão começando a abrir novas fronteiras para esses projetos no Brasil, na área definida por uma sigla conhecida como Mapitoba - Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia. “Aí vejo um problema de logística e de água, entre outros, porque as novas fronteiras precisam assegurar estrutura logística e pluviometria adequadas”, diz Tatulli. Todos os fundos florestais investidos pela fundação trabalham com processos de certificação da madeira. O retorno é de IPCA mais 8% ou 9% ao ano, frente a uma meta atuarial de IPCA mais 5% ao ano. “É um ativo resiliente, de longo prazo e adequado às metas atuariais”.
O apetite pelos fundos florestais hoje é maior para carteiras com menor risco e ativos em regiões já consolidadas, sublinha o diretor operacional da Claritas Investimentos, Cassiano Morelli. “Esses fundos já tem tomadores de papel e celulose ou da siderurgia na própria região, as novas fronteiras, por sua vez, podem ter maior potencial de retorno mas também trazem maior incerteza”, destaca Morelli. De todo modo, ele reforça o momento favorável a esse produto por conta do cenário de juros menores.
A Claritas atua em regiões já consolidadas de MS, MG, BA e também em Tocantins, uma das novas fronteiras, onde há volume de terra considerável para plantio. A gestora mantém três fundos com duas estratégias diferenciadas e um retorno próximo de 10% ao ano além da inflação. “O feedback dos institucionais é positivo apesar dos riscos que enxergam para investir em FIPs, pois a estratégia em florestais trouxe resultados satisfatórios e faz sentido em cenário com tendência à estabilidade econômica”, ressalta Morelli. A Claritas está estruturando novo fundo cujo desenho estará finalizado em junho, com características de menor risco e mapeamento relevante de tomadores da produção florestal. “Nesse caso é uma nova fronteira em termos de produto e rentabilidade ficará em torno de 11% mais inflação”.

Interesse – O interesse das EFPC por informações desse segmento tem aumentado expressivamente, afirma o responsável pela área de Investimentos Alternativos da Lacan, Guilherme Ferreira. A casa gestora, com 29 fundos de pensão entre seus investidores, tem atualmente um fundo florestal iniciando a fase de amortização e um segundo produto já com 80% do capital endereçados. O primeiro deles foi levantado no auge da crise de 2016 e assim mesmo ficou 10% acima da captação esperada. Seu retorno real é de dois dígitos. O segundo encerrou a captação e está em fase de maturação, pagando IPCA mais 8% e com upside. Ambos tem seus projetos florestais em Três Lagoas, voltados apenas para o fornecimento de celulose e dos R$ 800 milhões dessas carteiras, cerca de 70% pertencem a fundos de pensão.
Esses resultados foram na contramão da crise brasileira e também na contramão de alguns FIPs, observa o responsável pela área comercial da Lacan, Guilherme Monteiro. A gestora estrutura agora um terceiro produto, que deverá iniciar a captação até o final de maio e terá estratégia diferenciada, com foco em florestas de celulose mas também em biomassa e pinus, mercado voltado para a madeira sólida usada no mercado imobiliário.

Longo prazo e sustentabilidade – A demanda pela classe de ativos florestais permanece alta em um amplo espectro de investidores institucionais, avalia Tim Cayen, diretor sênior da Hancock Natural Resource Group (HNRG), baseado em Boston. Ele observa que a incerteza e a volatilidade crescentes nos mercados de ações e renda fixa têm chamado a atenção para as áreas florestais, cujos resultados históricos, a nível global, mostram volatilidade relativamente baixa, com retornos competitivos ajustados ao risco e um com um fluxo de caixa confiável. “A natureza de longo prazo dos ativos florestais, aliada à capacidade de projetar o crescimento da madeira, produção e geração de receita, também é uma excelente combinação para atender as obrigações de longo prazo dos fundos de pensão”, ressalta Cayen.
Além disso, os investidores estão reconhecendo a capacidade dos investimentos florestais de contribuir para os objetivos ambientais, sociais e de governança (ESG). O diretor da Hancock pondera que as florestas geridas de forma sustentável podem capturar CO2, ajudar a mitigar as alterações climáticas e ter impactos positivos na qualidade da água, nos habitats da vida selvagem e nas comunidades rurais.
Com base no desempenho histórico, os investimentos em madeira nos EUA proporcionaram retornos reais totais (descontado a inflação) de 4% a 10% e retornos nominais de 7% a 13%, informa Cayen. Nos últimos 25 anos, as taxas históricas de retorno em investimentos florestais nos EUA mostraram uma correlação muito baixa com os ativos financeiros tradicionais - S&P 500, ações internacionais e títulos corporativos dos EUA - acrescentando uma diversificação significativa a uma carteira de ativos mistos. Essas taxas correlacionam-se positivamente com a inflação americana nos últimos 25 anos, proporcionando ao investidor alguma proteção de períodos de inflação moderada a alta.

Pesos-pesados sobem ao ringue | Grandes assets começam a marcar presença no nicho de fundos incentivados de infraestrutura, antes dominado por casas de menor porte

A disputa no segmento de fundos lastreados em debêntures incentivadas de infraestrutura começa a ganhar novos contornos. Antes domínio quase que exclusivo de assets pequenas e médias, o filão já figura nos planos de voo dos grandes nomes do mercado de capitais em decorrência da Instrução 606 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), de 25 de março último, que regulamentou os fundos incentivados de investimento em infraestrutura (FIs-Infra) e flexibilizou as regras de montagem de carteiras do gênero. As alterações mais importantes em relação ao marco regulatório anterior, a Instrução 555, de 2014, foram a expansão do teto de concentração por emissor de títulos, de 5% para 20% do patrimônio líquido, e a derrubada do limite de 20% antes imposto às debêntures de companhias de capital fechado.
“Não era nada simples montar um fundo incentivado. Os gestores tinham de selecionar papéis de pelo menos 14 emissores só nos seis primeiros meses, para atender o mínimo de 66,6% de concentração estabelecido para o período, e não podiam recorrer, como desejavam, a títulos de empresas fechadas, que respondem por 70% do estoque existente”, observa Cristiano Cury, membro do comitê de finanças corporativas da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), que iniciou entendimentos com a CVM em 2016 para rever as regras. “Estas e outras dificuldades mantiveram afastados do segmento os principais nomes do mercado, tendência que só agora começa a mudar.”
A fila de casas interessadas no produto não para de crescer. A BB DTVM, a maior asset do país, acaba de reforçar a sua grade com dois fundos incentivados de renda fixa. Segue, dessa forma, os passos do BTG Pactual, que lançou em dezembro dois similares, hoje com patrimônio total por volta de R$ 165 milhões, e do Santander, que apresentou, em março, uma dupla de incentivados. “Ficamos surpresos. A captação total dos dois fundos atingiu R$ 470 milhões e tivemos de cerrar as portas a novos ingressos passados apenas oito dias úteis do início das operações”, conta Gabriel Esteca, especialista em infraestrutura da Santander Asset Management. “A captação deve ser retomada mais à frente, sem prazos definidos. Tudo vai depender da dinâmica do mercado primário, que vem apresentando um fluxo interessante de emissões, mas com prêmios reduzidos.”
Com dezenas de operações de lançamento de debêntures incentivadas em seu currículo, o executivo, recrutado em dezembro junto à divisão de projetos de financiamento do Banco Santander, planeja aperfeiçoamentos para os dois produtos. Uma das suas prioridades é aumentar a diversidade das carteiras, hoje reduzida, para algo em torno de 40 a 50 papéis, em até dois anos. Além disso, ele já está às voltas com projetos de novos incentivados e de fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) focados em infraestrutura. “Vamos transformar os produtos lançados há pouco, ambos desenhados com base na Instrução 555, em FIs-Infra, tendência que, com certeza, será seguida pela maioria dos demais gestores atuantes na área, e ampliar o nosso portfólio”, diz Esteca. “Fundos são, sem dúvida, a melhor opção para os investidores pessoas físicas interessadas em aplicar recursos em infraestrutura, que é um ramo dos mais complexos. Eles podem até abrir mão de analistas e gestores qualificados para comprar, por exemplo, debêntures de infraestrutura de uma empresa como a Petrobras, mas a coisa muda radicalmente de figura se o papel em vista diz respeito ao projeto de um parque eólico ou solar de uma sociedade de propósito específico.”

Atrair os institucionais – O maior desafio das assets, na avaliação de Esteca, será atrair para a praia dos FIs-Infra os investidores institucionais, que cumprem, nas economias desenvolvidas, papel central no fornecimento de funding para empreendimentos de longa maturação em infraestrutura. Como o apelo tributário das debêntures incentivadas não faz sentido para as fundações da previdência complementar locais, que gozam de isenções no recolhimento de impostos, a solução será oferecer pacotes mais elaborados e específicos para esse público. “Estamos conversando com vários institucionais para medir o seu apetite por fundos incentivados”, diz Esteca. “Temos a intenção de desenvolver produtos que atendam os seus parâmetros de rentabilidade, governança e socioambientais. Há espaço para isso, em razão da necessidade de diversificação das aplicações desses investidores como forma de compensar a queda da remuneração dos títulos públicos.”
Controlada desde 2016 pelo grupo japonês Orix Corporation, a RB Capital corre contra o relógio para sair na frente na abordagem desse cobiçado filão do mercado. A asset, que já conta com dois produtos incentivados para pessoas físicas, com patrimônio total ao redor de R$ 500 milhões, prepara para junho, o mais tardar julho, o lançamento de um FI-Infra ancorado em papéis com taxas de retorno condizentes com as metas atuariais e políticas de investimento de entidades fechadas de previdência complementar (EFPCs).
A carteira do novo FI-Infra da RB Capital, que deverá carregar entre dez e 15 títulos, teve por base uma minuciosa e exaustiva análise das emissões de debêntures incentivadas em 2018. Conduzido pela equipe de infraestrutura da casa, comandada pelo gestor Thiago Lima, o trabalho constatou que 25% dos títulos em questão acenavam com prêmios entre 1,5 e 3 pontos percentuais ao ano acima do chamado risco soberano, ou seja, a remuneração oferecida pelas Notas do Tesouro Nacional da série B, as NTNs-B. “Debêntures incentivadas de parques eólicos e solares, por exemplo, estão entre as mais rentáveis. São excelentes opções para os institucionais”, observa Lima, que, a exemplo de Esteca, acumula grande vivência em projetos de financiamento, tendo atuado, na Vale, na estruturação de várias operações na área de logística.
Hoje responsável pela gestão de cerca de R$ 1,8 bilhão, a RB Capital faz planos ousados para o seu trunfo prestes a sair do forno. A meta é captar R$ 500 milhões junto a um grupo de 25 EFPCs, que serão submetidas a um trabalho de catequese, com o intuito de derrubar eventuais preconceitos em relação às debêntures incentivadas. “O cenário atual, com os juros em patamares reduzidos, favorece a apresentação do produto. Há quatro anos, com a Selic por volta de 14% ao ano, nosso universo de prospecção se resumiria, no máximo, a quatro entidades”, assinala o sócio-diretor Adalbero Cavalcanti, que destaca o potencial de geração de ativos para fundos de infraestrutura. “Há uma enorme carência por investimentos na área. Basta dizer que metade da população brasileira não tem acesso a saneamento básico.”

FIs-Infra puros-sangues – Três outras gestoras de porte ouvidas pela Investidor Institucional fazem planos, a curto e médio prazos, de lançar FIs-Infra puros-sangues. Ainda sem opções incentivadas em sua grade de produtos, embora contabilize operações de cerca de R$ 10 bilhões em crédito privado, a Western Asset, pretende analisar, sem pressa, todas as implicações da Instrução 606 e acompanhar a oferta de papéis antes de bater o martelo, informa o gerente de produtos Mauricio Lima. Já A BNP Paribas Asset Management considera a hipótese de lançar um fundo no novo formato no próximo ano. “Tudo vai depender da demanda, que, por sinal, anda muito forte. O patrimônio líquido de nosso principal multimercado de debêntures incentivadas cresceu 40% em 2018 só por conta da captação, e segue em alta, devido ao fechamento de veículos de investimento do gênero de outras gestoras“, diz o head de renda fixa e multimercados Gilberto Kfouri.
Com forte tradição em produtos alternativos, a Vinci Partners prepara novidades na seara incentivada em duas frentes, fundos lastreados em equity e títulos de crédito, que devem ser apresentadas neste ano. O head de infraestrutura da casa, José Guilherme Souza, avalia que ainda será necessário buscar formas para despertar o interesse de investidores estrangeiros pelos FIs-Infra, mas considera positivo o esforço da CVM para alavancar os investimentos em infraestrutura. “A Instrução 606 abre novas perspectivas para o financiamento de projetos por intermédio de veículos de crédito. A CVM também deveria tomar providências nesse sentido em relação aos fundos de investimento em participações, os FIPs”, diz Souza.

Disciplina é crucial em private equity | Projetos de longo prazo não devem ser sacrificados por conjunturas de curto prazo

Programas de investimento em Private Equity voltam a ser discutidos pelos fundos de pensão como uma alternativa para diversificar suas carteiras, ainda que de modo preliminar. Experiências bem sucedidas das fundações que já apostam em fundos de PE/FIPs há algum tempo podem ser referenciais importantes.
Na Fundação Copel, que tem um programa de alternativos desde 2012/2013, os investimentos continuam em alta. Adotar uma visão de gestão de portfolio e ter disciplina na hora de seguir premissas estabelecidas – ciclos econômicos, estágios dos projetos, setores, etc – são fundamentais para obter bons resultados, comenta o diretor financeiro da fundação, José Carlos Lakoski. “Desde o início, à exceção de 2014 investimos todos os anos e não quebramos os ciclos de investimento e desinvestimento”, comemora Lakoski.
A dinâmica das taxas de juros deve ser referencial e não um fator determinante, ou seja, os projetos de longo prazo de PE não podem ser abandonados nos momentos de alta dos juros. “Se o investidor fizer isso e voltar depois, estará criando buracos nos ciclos e vai penalizar uma geração de participantes de maneira quase irreparável porque isso prejudica o alinhamento da estratégia”, observa Lakoski. Na Copel, o investimento em fundos de PE equivale a recursos de R$ 120 milhões por ano. São 12 fundos com desenhos distintos para zerar o efeito da curva J, o que significa que a combinação de características permite beneficiar de imediato os participantes.
Há fundos com desenho de investimento florestal, fundos de infraestrutura, fundos de fundos de PE, estratégias com diferentes níveis de risco na operação dos projetos e na saída do investimento. Ao todo, são R$ 390 milhões já comprometidos e cerca de R$ 200 milhões aportados. Neste ano já foram aprovados dois fundos, um deles com safra de 2018. E a fundação está analisando outro, de infraestrutura.
Um dos fundos PE tem estratégia fundo de fundos nos mercados primário, secundário e de coinvestimentos, tudo na mesma carteira, o que ajuda no equilíbrio na curva J sem penalizar a atual geração de participantes”, informa Lakoski.

Questão fiscal – A atratividade do PE para os investidores institucionais brasileiros deve crescer a partir do momento em que houver definição mais clara sobre a questão fiscal e o cenário macroeconômico, avalia o sócio da Vision Brazil Investments, Amaury Fonseca Jr. “A expectativa de um arcabouço de maior liberalidade econômica pode ampliar o interesse dos investidores nacionais e estrangeiros. Voltada a uma base composta hoje por institucionais estrangeiros, a Vision identifica interesse principalmente em setores como o de energia, rodovias, ferrovias, portos e saneamento. “O interesse é amplo, inclusive na área agrícola, mas ainda há preocupação com o marco jurídico-regulatório dos projetos, tema que preocupa mais do que a taxa de retorno dos investimentos. “O risco de eventuais mudanças nos contratos acaba freando interesse por investimentos de médio e longo prazo no país”, diz Amaury.
Na Fachesf, que mantém atualmente dez FIPs, os investimentos regulares são feitos desde 2007 e de forma contínua, e devem crescer novamente. “É importante ter diversas safras e estratégias não concentradas para minimizar o impacto da curva J”, explica o gerente de Investimentos da entidade, Clidenor Lima Jr. A carteira atual, que equivale a 1,5% do patrimônio total, inclui dois FIPs na região NE do país, com projetos florestais e de alimentos, alguns fundos de fundos, projetos que investem no setor sucroalcooleiro, em energias renováveis, tecnologia e outros. A alocação estratégica da fundação aponta para um percentual maior de FIPs, entre 6% e 15% dos ativos a depender do plano e da qualidade dos produtos analisados. Mas a expectativa é chegar ao final do ano com 4% a 5% dos ativos alocados em FIPs. Em relação aos retornos, Lima Jr. observa que quanto mais recente a janela de tempo observada, melhores e mais consistentes são os resultados.

Liberdade econômica – De acordo com Alexandre Pierantoni, diretor da assessoria Duff & Phelps no Brasil, as definições contidas na MP nº 881, editada em abril deste ano e conhecida como a “MP da liberdade econômica”, dão mais atratividade aos fundos de PE. Entre outras coisas, a MP limita a responsabilidade dos cotistas, segrega responsabilidades entre prestadores de serviços fiduciários, eliminando a solidariedade entre eles, e desconsidera a personalidade jurídica, o que está alinhado à regulação internacional. “Esse alinhamento à regulação global ajuda muito”, avalia Pierantoni.

BC rolará US$ 10,1 bilhões em contratos de swap cambial a partir de 2 de maio

O Banco Central informou que dará início, em 2 de maio, à renegociação dos 201.785 contratos de swap cambial com vencimento em 1º de julho, que totalizam US$ 10,1 bilhões. Em comunicado, o BC acrescenta que "a medida prevê a realização de ofertas diárias de swaps nos meses de maio e junho, com a ressalva de que os montantes poderão ser revistos sempre que necessário". Atualmente, o estoque de contratos de swap cambial do Banco Central equivale a US$ 68,9 bilhões.

Kinea compra participação minoritária na Wiser Educação

A Kinea Investimentos adquiriu participação minoritária na Wiser Educação, que reúne as marcas WiseUp, NumberOne, meuSucesso.com e Buzz Editora. O aporte da Kinea é de R$ 200 milhões, ainda sujeito à aprovação de órgãos reguladores.

Com a transação, a companhia continua sob o controle do fundador da WiseUp, Flávio Augusto da Silva, que assume a Presidência do Conselho de Administração e vai indicar três outros conselheiros: um representante da Wiser, Charles Martins, um representante do Kinea e um conselheiro independente.

Principal marca da Wiser, a WiseUp, conta com 300 unidades em todo o Brasil atendendo mais de 95 mil alunos. A NumberOne, rede mineira fundada em 1972 e adquirida pela Wiser em junho de 2017, tem 120 escolas e 25 mil alunos. Nos últimos 18 meses, só a divisão de escolas de inglês inaugurou 60 novas escolas no Brasil.

Hora de desinvestir | Equipes mais técnicas dentro das fundações enxergam oportunidade de desinvestimentos de suas carteiras de participações

Infraprev, Petros e Postalis anunciaram recentemente a intenção de iniciar o desinvestimento em Fundos de Investimento em Participações (FIPs) próximos do vencimento. A Infraprev, desde a posse da atual diretoria, há cerca de 1 ano e meio, busca diversificar seus investimentos com foco na liquidez dos ativos. “A gente entendia que seria o momento de reduzir exposição em ativos menos líquidos, entre eles FIPs, imóveis e crédito”, explica a diretora de administração e finanças do Infraprev, Juliana Koehler.
A diretora da Infraprev destaca que, apesar do Infraprev ser uma fundação de médio porte em termos de patrimônio, sempre foi ativa nesse tipo de operação, chegando a ter 16% dos recursos alocados em FIP. Atualmente, o segmento representa de 4% carteira. “Tínhamos 12 FIPs, mas era um portfólio grande demais para dar um mínimo de controle e monitoramento que esse tipo de investimento exige”, explica Juliana. “Por isso, selecionamos alguns para uma primeira rodada de desinvestimentos”, complementa.
A diretora do Infraprev explica os critérios de seleção dos FIPs que serão vendidos. “São fundos atrativos para o mercado, que já entregaram resultado, ou que ainda não entregaram, mas não estamos dispostos a esperar”, explica. “Dos 12 fundos, quatro ou cinco são os que gostaríamos de vender, pois acreditamos que é importante e inevitável manter alguma posição em FIPs em cenário macroeconômico com uma taxa de juros tão baixa”.
A Infraprev já concluiu a venda de um deles no mercado secundário. “Foi um desinvestimento financeiro em dinheiro, com depósito à vista em troca das cotas do fundo”, diz Juliana. Ela não informa o deságio, mas explica que a entidade fez uma análise de benchmark com o que se pratica em termos de deságio no exterior para esse tipo de ativo. “Foi um movimento feito com cautela e transparência, mapeando todos os tipos de risco”, ressalta Juliana.
Ainda segundo a diretora da Infraprev, no momento, a entidade não tem planos de investir novamente nesse tipo de veículo. “Os FIPs são muito importantes para a diversificação da carteira, mas nossa política de investimentos atual não permite novas aplicações no segmento. Caso isso ocorra no futuro, o processo de seleção e de monitoramento dos gestores e dos fundos vai ter que ser melhorado”, destaca.

Petros e Postalis – A Petros informou, por meio de comunicado, que sua diretoria executiva aprovou a venda do primeiro FIP da entidade no mercado secundário em julho do ano passado. “O processo de liquidação dessa primeira operação está em fase final”, diz o comunicado. Além dessa operação, a fundação também está negociando a alienação de cerca de um terço de sua carteira de FIPs. “A estratégia de desinvestimento dos FIPs segue as diretrizes das políticas de investimentos da Petros e vem atraindo a atenção de outras entidades, que têm buscado a fundação para conhecer o processo”, afirma a nota da Petros.
Segundo a entidade, a motivação para a venda é a busca da remuneração adequada pelos riscos incorridos. “Nesse sentido, os FIPs, como os demais ativos, estão disponíveis para venda pelo preço que os times técnicos definirem como atrativos, tendo em vista as projeções de desempenho, o efeito que a negociação cause e as condições do passivo dos planos envolvidos”, complementa a nota.
Já o Postalis, atualmente sob intervenção da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), pretende se desfazer de dois FIPs que correspondem a cerca de 10% dos estruturados de sua carteira. O fundo de pensão já reduziu pela metade, ao longo dos últimos meses, a carteira ilíquida em investimentos estruturados. “Já contratamos empresas que farão o roadshow em busca de interessados”, diz o gerente de investimentos do Postalis, Hugo Lancarter.
De acordo com Lancarter, a intenção é vender ao menos um dos FIPs neste ano. Como o time de intervenção tem adotado uma postura conservadora, Lancarter acredita que poderá conseguir um valor acima do precificado pela administração. Por uma questão estratégica de negociação, ele não nomina os fundos que foram colocados à venda.

Oportunidade – Empresas como a Hamilton Lane estão aproveitando a conjuntura para tentar fazer bons negócios no mercado secundário com a compra das cotas dos FIPs dos fundos de pensão. Conhecida mundialmente pela sua atuação no mercado secundário, a casa tem ainda pouca participação nesse tipo de negociação no Brasil por dificuldades em encontrar fundações com real interesse em vender - ou com ativos de qualidade em suas carteiras. “Abrimos escritório no Brasil em 2011 e, desde então, recebemos fundações interessadas em que a gente analisasse seus ativos, mas na hora de concretizar a venda, o negócio não andava por questões internas às próprias entidades, ou porque pedíamos um desconto muito grande na pecificação”, conta o responsável pelas operações da Hamilton Lane no Brasil, Ricardo Fernandez.
Apesar de não haver números concretos sobre o crescimento dessas negociações por serem, em sua maioria, confidenciais, Fernandez avalia que há cada vez mais fundos interessantes aparecendo, o que aumenta as oportunidades de negócios. “Temos que separar os Fundos de Investimento em Participações de um único ativo problemático, no qual não temos interesse, dos verdadeiros fundos de private equity, que temos interesse em olhar”, explica. “Tem muito fundo de private equity no portfólio de fundação que tem alto valor, até com prêmio, com ágio, então é interessante analisar empresa por empresa, ativo por ativo”.
Para Fernandez, o crescimento dos negócios de fundações no mercado secundário de FIPs está em linha com os times de gestão que assumiram as entidades de previdência complementar mais recentemente. “Na média, são equipes extremamente competentes e que veem o mecanismo de venda no mercado secundário como oportunidade de gerar liquidez”.