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Títulos públicos registram ligeira reação em abril

Os títulos públicos federais apresentaram retornos positivos em abril com a redução da volatilidade no mercado, após os fortes ajustes nos preços dos ativos em março. De acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o IMA-Geral, índice que representa esses papéis, teve rentabilidade de 0,86%, o que diminuiu a perda acumulada no ano para 0,14%.
Os ativos de longo prazo tiveram os melhores resultados do mês. O IMA-B5+, que reflete o comportamento das Notas do Tesouro Nacional da série B (NTN-Bs) com prazos maiores do que cinco anos, teve ganho de 2,01% em abril, depois de registrar queda de 10,93% no mês anterior. Com o resultado positivo de abril, a queda acumulada no ano diminuiu de 10,62% para 8,82%. O IRF-M1+, que acompanha as Letras do Tesouro Nacional (LTNs) e NTNs acima de um ano, apresentou retorno de 1,5% e soma rentabilidade de 2,96% em 2020.
Os papéis com prazos mais curtos também tiveram desempenho positivo em abril. O IMA-B5, que acompanha títulos de até cinco anos, avançou 0,49% no mês, mas ainda mantém variação negativa no ano de 0,09%. O IRF-M1, que reflete ativos com prazo até um ano, rendeu 0,45%, acumulando rentabilidade de 1,88% em 2020. O IMA-S, que segue a trajetória da Selic com os títulos pós-fixados, avançou 0,27% no mês e 1,26% neste ano.
Entre os títulos de dívidas corporativas, o destaque ficou com as debêntures incentivadas com vencimentos mais longos. O IDA-IPCA Infraestrutura, que acompanha esses ativos, rendeu 1,99% em abril, recuperando-se do recuo de 6,04% em março. No ano, o índice acumula queda de 2,61%. O IDA-Geral, que representa todas as debêntures, teve retorno de 0,88%, reduzindo a perda no ano para 3,28%.

IMA-B 5+ cai 2,15% desde confirmação de 1° caso do coronavírus no país

Entre o dia 26 de fevereiro, quando foi confirmado o primeiro caso do coronavírus no Brasil, até o meio dia desta sexta-feira (6), o IMA-B 5+, indicador que expressa a carteira de NTN-Bs com vencimentos acima de cinco anos, acumula perda de 2,15%.

“As incertezas quanto ao efeito do Coronavírus na economia brasileira têm provocado impactos nas rentabilidades dos títulos públicos de longo prazo”, informa a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), em comunicado.

Segund a associação, por apresentarem prazos mais extensos, é maior a exposição desses papéis às indefinições do atual cenário e de seus efeitos na economia nos próximos meses, o que reflete na queda de seus preços no mercado secundário, mesmo com as novas expectativas de cortes na Selic (o que, em tese, poderia valorizá-los).

Títulos públicos de médio prazo lideram retornos em janeiro

Os títulos públicos federais que refletem o cenário de médio prazo tiveram os melhores retornos no mês de janeiro. De acordo com relatório da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) o Índice de Renda Fixa do Mercado (IRF-M) 1+, que contempla títulos prefixados com vencimento superior a um ano, e o Índice de Mercado Anbima (IMA-B) 5, que mede o comportamento das Notas Financeiras do Tesouro da Série B (NTN-Bs) com vencimento até cinco anos, tiveram o melhor desempenho no período, com 1,11% e 0,56%, respectivamente. O IMA-Geral, que espelha a carteira de títulos da dívida pública, encerrou o primeiro mês do ano com rentabilidade de 0,56%.

“No começo do ano, os papéis foram impactados, principalmente, pelo cenário externo volátil e incertezas por conta dos impactos globais do coronavírus. No Brasil, os efeitos foram a atividade econômica um pouco mais fraca, que resultaram em novo corte da taxa Selic”, afirma Hilton Notini, gerente de Preços e Índices da Anbima. 

Os títulos de prazo mais longo, como o IMA-B 5+, que tem carteira composta por NTN-Bs com vencimento acima de cinco anos, foram os que mais sofreram os efeitos da incerteza no cenário internacional. Em janeiro, o preço quase não variou em relação ao mês anterior e apresentou rentabilidade de apenas 0,03%.

Os demais subíndices que compõem o IMA-Geral, por terem vencimentos mais curtos, não foram tão impactados pela volatilidade do mercado. O IRF-M 1, que traz títulos prefixados com vencimento de até um ano, teve ganho de 0,44% no mês e o IMA-S, título com menor exposição ao risco por ser pós-fixado, 0,38%.

Estoque de títulos na B3 cresce 27,8% em 2019 para R$ 627 bilhões

 

O estoque de títulos de renda fixa corporativos na B3 cresceu 27,8% em 2019, alcançando R$ 627 bilhões. Estão entre os títulos as debêntures, os Certificados de Recebíveis Agrícolas (CRA), os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e as notas comerciais. Com crescimeto de 46,3%, para R$ 30,9 bilhões, as notas comerciais tiveram a maior expansão no período. Também registraram evolução as debêntures (de 34,1%, para R$ 476,6 bilhões) e os CRAs (de 18,7%, para R$ 42,7 bilhões), enquanto os CRIs recuaram 1,8%, para R$ 77,1 bilhões.

Os produtos de captação bancária também apresentaram aumento de estoque, porém com crescimento mais modesto, de 5,22%, para R$ 2 trilhões.
A Letra Imobiliária Garantida (LIG) apresentou um aumento expressivo de 456,32%; o percentual, contudo, precisa ser analisado considerando que se trata do primeiro ano de circulação do título, que começou a ser emitido em novembro de 2018 – seu estoque em dezembro passado chegou a R$ 11,2 bilhões.
Os CDBs cresceram 8,92%, para R$ 953,3 bilhões, e as Letras Financeiras, 18,15%, para R$ 357 bilhões. Já as Letras de Crédito Imobiliário recuram 9,4%, para R$ 141,8 bilhões.

Mais espaço para fundos de crédito de empresas menores

A aprovação da reforma da Previdência pelo Senador Federal na última terça-feira (22/10) abre novas possibilidades para fundos de créditos de empresas menores, na avaliação de Alexandre Muller, sócio e gestor de fundos de crédito da JGP Asset Management. Isto porque, avalia o executivo, a melhora das contas do governo acelera a velocidade de queda dos juros básicos da economia, a Selic, que está em 5,5% ao ano.

“Acreditamos que há espaço para fundos de crédito de empresas menores”, afirmou o gestor da JGP Asset Management. Segundo ele, isso não descarta os fundos de crédito "high grade", que mantém em carteira papéis como Petrobras e outros.

“O fato é que todo este movimento de reformas, como a da Previdência e as que estão por vir, faz com que você possa trabalhar com uma curva de juro de médio e longo prazo mais baixa, viabilizando novas alternativas de investimentos”, concluiu.

Para Icatu, crédito privado com gestão ativa está no foco dos investidores

Engana-se quem acha que a migração da renda fixa para a renda variável é a única estratégia no horizonte dos investidores. Segundo o sócio e CEO da Icatu Vanguarda, Bernardo Schneider Oliveira, também o crédito privado com gestão ativa está no foco dos investidores.

“Trata-se, dentro da renda fixa, de uma migração de produtos mais conservadores para produtos mais sofisticados. Falo de fundos de crédito privado com gestão ativa, por exemplo”, diz o executivo, que tem sob a sua batuta R$ 26 bilhões de ativos para gerir dos mais variados clientes.

Ele explica que uma fundação pode solicitar a troca de uma posição de NTN-B com vencimento em 2024 por papéis com remuneração 1% acima do título original. “O que fazemos é buscar ativos de crédito privado como debêntures, FDICS, notas promissórias, entre outros, que possam garantir este ganho a mais solicitado”, acrescenta.

Além de Bernardo Schneider, o time empregado pela Icatu para fazer essa análise conta com nove profissionais qualificados, com dedicação exclusiva. “Temos 17 anos de vida e fizemos um investimento grande nesta área, avaliamos cerca de 150 emissores de crédito privado em média”. Para ele, o segredo está em uma equipe dedicada, “análise e crédito é em última instância homem hora trabalho, até porque nossos critérios são muito rigorosos”.

Itaú Asset lança IMA 11 | Novo ETF de renda fixa, que captou R$ 2 bilhões no primeiro mês, pode se tornar um divisor de águas na gestão de investimentos de baixo risco

Com uma captação final de pouco mais de R$ 2 bilhões em sua oferta inicial (IPO), em maio, o ETF IMAB11, estruturado pelo Itaú Asset Management, superou as expectativas de seus idealizadores e apoiadores, que incluem além do Itaú também a Secretaria do Tesouro Nacional e o Banco Mundial. A colocação mínima estipulada pelo edital do Tesouro era de R$ 300 milhões, sendo que a oferta inicial atraiu um grande interesse de investidores, alcançando cerca de R$ 2,3 bilhões. “O ETF de Renda Fixa deve ser um novo marco no mercado, como foi o BOVA11”, avalia uma fonte do mercado financeiro. “Esse produto vai exigir uma gestão mais ativa nos portfólios de renda fixa, já que a grande maioria das carteiras desse tipo gera pouco alfa em relação aos benchmarks.”
O IMAB11 replica a carteira do IMA-B, índice calculado pela Anbima, que reflete a carteira teórica dos títulos públicos brasileiros indexados ao IPCA (NTN-B). As cotas do ETF são negociadas na B3 de forma semelhante às ações. Adquirindo cotas, o investidor, indiretamente, passa a deter todos os papéis que compõem a carteira. A taxa de administração é de 0,25% ao ano e a alíquota de imposto de renda é de 15%, com retenção na fonte no momento da venda. Não há incidência do chamado “come-cotas” e de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
“A família de ETFs do Itaú é fruto de uma estratégia de longo prazo que começou em 2004, com o PIBB [que reflete o índice IBrX50], o primeiro do mercado”, conta Arlindo Penteado, superintendente de distribuição na Itaú Asset Management. “É um veículo de investimento democrático, transparente, eficiente e com diversificação de ativos”, destaca o executivo, ressaltando que o lançamento de novos produtos no segmento são parte de “uma perspectiva de longo prazo para conseguirmos uma grade completa de produtos”, acrescenta.
As características de transparência, eficiência, flexibilidade e baixo custo do ETF IMAB11 poderão provocar uma mudança na gestão de investimentos em renda fixa no Brasil. “Esse ETF vai trazer uma pressão aos gestores para separar a gestão ativa da passiva em renda fixa”, afirma fonte do mercado financeiro, lembrando o que já ocorreu com os investimentos em renda variável, há alguns anos. “Se for para o investidor pagar por uma gestão ativa, o gestor vai ter que entregar um retorno acima do benchmark, senão tem aí o ETF IMAB11 como opção barata, líquida e transparente de acompanhar e controlar os riscos”, explica.

Início – Para o gerente de distribuição na Itaú Asset Management, Stefano Dorlhac Catinella, embora o Brasil tenha convivido por muitos anos com taxas de juros altas, isso não impediu que o processo de desenvolvimento da indústria de ETFs começasse aqui pela renda variável, reproduzindo em condições diferentes o que ocorreu no resto do mundo, onde foi impulsionado por taxas de juros baixas. Hoje, essa indústria tem localmente Patrimônio Líquido de R$ 17 bilhões, dos quais R$ 9,5 bilhões na família IT Now do Itaú, com nove produtos listados no Brasil e um no Chile.
“O ETF de renda fixa vai trazer para o mercado um instrumento muito mais aderente ao perfil do investidor tradicional brasileiro”, afirma Marcos Skistymas, superintende de Produtos Listados na B3. “A dinâmica de investimentos no Brasil, com alta taxa de juros, proporcionava alto rendimento com baixo risco. O investidor brasileiro acostumou-se a ter investimentos mais seguros, com destaque para renda fixa e até poupança, sem se preocupar em diversificar sua carteira”, diz. Segundo ele, a queda na taxa de juros está levando o investidor a procurar opções com rentabilidade maior.
ETFs listados na B3 - A B3 têm 13 ETFs lastreados em ações de empresas nacionais, além de dois em ações do mercado externo e, agora, dois de renda fixa. O primeiro ETF de renda fixa foi o Fixa11, da Mirae Asset, lançado em setembro do ano passado, referenciado numa carteira hipotética composta por contratos de juros futuros de três anos, apurados pela S&P.
Segundo Skistymas, além do Itaú também Banco do Brasil, Caixa, BlackRock e Mirae atuam hoje no mercado local de ETFs. Esse cenário, segundo ele, pode mudar em breve com a incorporação de novos players. “Alguns gestores têm procurado a B3 para entender como funciona o produto”, relata Skistymas. “Podemos ter novos players no mercado em breve.”
O Itaú também prepara novidades. “Temos projetos de novos ETFs baseados nos vértices de risco do mercado doméstico e externo”, afirma Arlindo Penteado. “A Anbima tem outros índices que podem ser usados como benchmark de ETFs, assim como outras instituições também. E novos índices podem ser criados”, explica.
Ele comemora a liquidez do recém lançado IMAB11, com 500 novos cotistas e movimentação de mais de R$ 50 milhões apenas na primeira semana de negociações. No dia 4 de junho, dez pregões após o IPO, o volume chegou a R$ 30 milhões. Ainda é pouco em relação ao ETF mais líquido da B3, o BOVA11 da BlackRock, que movimenta diariamente um volume médio de R$ 2 bilhões, mas já é motivo de comemoração nesse mercado que valoriza muito a liquidez.

Aluguel – Segundo Catinella, o IMAB11 irá disponibilizar no terceiro trimestre do ano o aluguel das NTN-Bs e no último trimestre o aluguel das cotas. De acordo com o executivo, o aluguel dos papéis e das cotas trará uma rentabilidade adicional ao índice que poderá, em algumas situações, até compensar a taxa de administração. Além disso, como o cupom de cada papel é reinvestido automaticamente no próprio instrumento, isso gera redução de custo operacional.
Para Penteado, “quando começar a fase de aluguel, os gestores de recursos também passarão a ser um público potencial”. Segundo ele, “muitos assets já usam ETFs como vértice de alocação e os gestores poderão fazer posições vendidas de uma maneira rápida.”
De acordo com o executivo, o ETF é bastante usado por institucionais para alocar recursos temporariamente entre a saída de uma posição e o investimento em outra, aguardando o melhor momento de comprar, e também na gestão de caixa, com estratégias de arbitragem entre a cota e os papéis que compõem o produto.
“Os investidores institucionais tiveram um papel importante na adoção e no crescimento dos ETFs nos Estados Unidos, Europa, e também na América Latina”, relata Rodrigo Araújo, diretor da BlackRock Brasil. De acordo com Estudo Anual sobre Fundos Negociados em Bolsa (ETFs) na América Latina, promovido pela Greenwich Associates, a adoção de ETFs pelas fundações latino-americanas continua atingindo níveis de alocação recordes. Em 2018, 18% dos ativos totais foram alocados em ETFs. Essa porcentagem foi de 13% em 2017 e de apenas 8% em 2016.

 

Carteiras com mais crédito | Decididas a diversificar as suas aplicações, investidores quebram a cabeça para montar posições no segmento

A progressiva queda da taxa Selic e da remuneração oferecida pelos títulos públicos federais, a partir do final do segundo semestre de 2016, despertou o apetite dos investidores institucionais por títulos de crédito privado e fundos lastreados nesses papéis. Antes pouco valorizadas pela maioria das entidades fechadas de previdência complementar (EFPCs), tais opções passaram a ganhar destaque nas políticas de investimento do sistema, fazendo jus, inclusive, a fatias de dois dígitos nos portfólios de alguns fundos de pensão. A manutenção dessas apostas, entretanto, está dando trabalho aos gestores das fundações de previdência, apesar do expressivo crescimento das emissões de debêntures não incentivadas – títulos mais demandados pelo setor –, que somaram R$ 129,1 bilhões em 2018, um crescimento de 47,54% em relação a 2017.
“A oferta de debêntures apresentou, de fato, forte crescimento, mas ficou bem aquém da demanda, o que acabou por comprimir os prêmios”, comenta Guilherme Benites, sócio da Aditus, consultoria voltada ao atendimento de EFPCs. “Além da remuneração pouco atraente para as entidades, que têm metas atuariais a cumprir, boa parte dos títulos que vêm chegando à praça embutem riscos maiores de crédito, pois estão atrelados a equacionamentos de dívidas e não a projetos de expansão, o que contribui para torná-los ainda menos interessantes.”
A combinação desses dois fatores adversos vem provocando revisões de alguns planos de voo. Uma das maiores fundações do país, a Funcesp, em entrevista à Investidor Institucional há dois meses disse que tinha reduzido as suas alocações em crédito privado em dois terços ao longo dos últimos anos, para R$ 900 milhões, sem planos de rever a decisão tão cedo. A maioria das entidades, no entanto, segue em busca de opções e soluções.

Crédito estruturado - Já a Fundação Copel, com 10% de seu portfólio alocado no segmento, o equivalente a R$ 1,1 bilhão, recorreu a novos gestores da área. Há dois anos, a Capitânia foi encarregada de pilotar um fundo de crédito estruturado, lastreado com certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) e cotas de fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) e imobiliários (FIIs), entre outros, que conta hoje com um patrimônio líquido de R$ 350 milhões. Em 2018, outras assets passaram a gerir fundos ancorados em papéis com ratings maiores e prêmios menores.
“Ou seja, primeiro contemplamos a gestão ativa, depois a solidez”, assinala o diretor de investimentos José Carlos Lakoski. “Acertamos no timing e na escolha dos gestores, que têm grande expertise em estratégias de crédito mais sofisticadas. O fundo gerido pela Capitânia, por exemplo, vem compensando a sua maior exposição ao risco com retornos excelentes.”
O desafio da EFPC será implantar o mesmo padrão na carteira sob gestão da casa. A tarefa inclui uma maior diversificação de emissores, a exemplo do que fizeram as assets contratadas desde 2017, além, claro, de spreads pelo menos equivalentes aos dos títulos que se aproximam do vencimento. “A intenção é manter a participação do crédito privado no portfólio ao redor de 10%, mas não está sendo nada fácil cumprir tal meta”, observa Lakoski. “Como reflexo da multiplicação de fundos de crédito nas plataformas de investimento, grande parte das debêntures não incentivadas garantem remuneração pouco superior à variação do CDI.”
Situação ainda mais complexa é enfrentada pela Fundação Banrisul. Com patrimônio líquido de cerca de R$ 4,9 bilhões, a entidade gaúcha pretende elevar para 12% a participação do crédito privado em seu portfólio, que caiu recentemente para 8,97% em razão dos vencimentos de vários lotes de títulos ocorridos no fim do primeiro quadrimestre. “Como as debêntures das novas safras acenam com juros insatisfatórios, planejamos recorrer ao mercado secundário, ou seja, comprar papéis já em andamento”, conta o diretor financeiro Álvaro de Borba Kafruni. “Vai dar mais trabalho, pois teremos de analisar com muito critério o rating e os fluxos de pagamento, mas é uma solução de curto prazo ditada pela realidade do mercado primário.”
Embora não seja inédito, o recurso ao mercado secundário é algo raro na trajetória da EFPC, que, de qualquer forma, acumula grande experiência em títulos de crédito. No fim da década passada, esses ativos chegaram a responder por 32% das aplicações da Fundação, com forte concentração em papéis do setor financeiro. Tal bagagem servirá de referência para outra opção de aplicação em estudo. “Também estamos de olho em letras financeiras com vencimentos em até sete anos e prêmios razoáveis. Títulos com prazos mais longos, de uma forma geral, não nos interessam, já que a incerteza do cenário econômico ainda é muito grande”, diz Kafruni.

Diversificação – Fruto direto da necessidade de diversificação dos portfólios, imposta pela perda de gás da renda fixa tradicional, o crédito privado já começa a entrar no radar de entidades sem quilometragem na área. É o caso da Fundação Promon de Previdência Social (FPPS), decana entre as EFPCs privadas. Com um patrimônio líquido de R$ 1,6 bilhão, a FPPS começou a cogitar a hipótese no fim do ano retrasado, durante a elaboração de sua política de aplicações para o exercício seguinte. O primeiro ensaio ocorreu na segunda metade de 2018, com uma pequena alocação em um FIDC de crédito estruturado lastreado por papéis originados pelo próprio gestor. “O próximo passo será o debate, em nosso comitê de investimentos, dessa nova opção, o que deve ocorrer no segundo semestre”, diz o diretor de investimentos André Natali Schonert.
Se a proposta prosperar, a sua implementação se dará, provavelmente, por meio da constituição de um veículo exclusivo a cargo de uma asset especializada. A mesma diretriz, diga-se, foi adotada recentemente nos mandatos dos fundos estruturados e de renda fixa. Os gestores encarregados foram orientados a focar as suas operações em juros, moeda e inflação, e a deixar o crédito privado de lado. “Definimos assim, com boa antecedência, a necessidade de contar com um fundo puro sangue no segmento sob a administração de experts. Só assim será possível encontrar alternativas que garantam boas taxas de risco e retorno”, observa o executivo.
A ampliação do leque de aplicações dos institucionais vem se traduzindo, como era previsível, em bons negócios para assets tradicionais e até mesmo de menor porte. Quinta maior gestora de recursos de fundos de pensão, com ativos de R$ 51,63 bilhões em dezembro, a Santander Asset Management registra um crescimento expressivo da procura por fundos exclusivos concentrados em crédito privado, multimercados e ações. “O crédito vem ganhando corpo de forma consistente, do varejo ao atacado, desde 2016. Uma maior demanda dos institucionais, contudo, dependerá de um salto nas emissões, o que só será possível com a retomada do crescimento econômico”, comenta o superintendente de gestão de fundos Cal Constantino.

Visão otimista – Detentor da maior carteira do gênero no país, com cerca de R$ 130 bilhões em títulos privados, o grupo Itaú Unibanco também tem uma visão otimista do segmento a médio e longo prazos, com um cenário macroeconômico mais favorável. César Ming, diretor comercial para investidores institucionais do Itaú BBA, destaca a forte expansão desse nicho de mercado, refletida, entre outros indicadores, pela multiplicação de emissores. “As empresas não financeiras, que respondiam há alguns anos por algo em torno de 5% a 10% dos papéis, ganharam muito espaço e detêm hoje uma participação de 40% em nossas carteiras, chegando até a 80% em portfólios de maior risco”, observa ele, que percebe uma certa cautela dos institucionais nas apostas dos institucionais. “A preferência é maior por títulos com ratings mais elevados e remuneração pouco acima da variação do CDI. É uma opção que reflete uma maior consciência dos profissionais das fundações de previdência em relação ao risco.”
Com um ano de mercado, a paulista Devant Asset, surgida de desmembramento da consultoria de investimentos RTSC, começa a marcar presença na praia dos institucionais. Seu trunfo é o Solidus Cash, um fundo de renda fixa baseado em crédito privado que, com patrimônio líquido por volta de R$ 140 milhões, teve o regulamento modificado, há seis meses, para atender às diretrizes da Resolução 4.661 do Conselho Monetário Nacional (CMN), de maio de 2018. O ajuste já atraiu um fundo de pensão privado para o time de cotistas e garantiu contatos e negociações com outros oito. “Os juros em queda facilitam a abordagem das EFPCs, que estão em busca de especialistas em estratégias de maior valor agregado”, diz o sócio Bruno Eiras. “Como o Solidus Cash ainda tem muito potencial de captação, vamos intensificar a prospecção de outras fundações. A meta até dezembro é contar com quatro novos cotistas institucionais.”

Fundos de investimentos alocam mais em FIDCs

Levantamento realizado pela empresa ComDinheiro mostra que o volume de recursos alocados em FIDCs pelos fundos de investimento cresceu 23,26% entre janeiro de 2018 e abril de 2019.  Em janeiro de 2018 os fundos de investimento tinham R$ 25,45 bilhões alocados em FIDCs, volume que subiu para R$ 31,37 bilhões em abril último.

No mesmo período de 15 meses, os gestores responsáveis pelas alocações nos FIDCs diminuíram de 211 para 176. Já os FIDCs alocados e os gestores desses FIDCs aumentaram, respectivamente de 295 para 338 e de 95 para 98. Veja tabela abaixo:

Data Valor Alocado
pelos Fundos em
FIDCs (R$ bi)
Número de
Alocações
Gestores
Alocadores
FIDCs
alocados
Gestores de
FIDCs alocados
jan/18 25,45 5.579 211 295 95
fev/18 25,75 5.612 210 299 96
mar/18 26,64 5.789 214 309 98
abr/18 27 5.723 213 318 100
mai/18 27,25 5.914 214 325 99
jun/18 29,51 6.330 216 332 99
jul/18 29,56 6.284 219 336 99
ago/18 30,23 6.404 217 342 101
set/18 30,86 6.448 217 349 102
out/18 32,23 6.386 217 351 103
nov/18 33,33 6.421 217 360 103
dez/18 34,73 6.500 215 373 106
jan/19 40,98 6.691 219 384 105
fev/19 26,23 3.812 179 321 99
mar/19 25,74 3.816 184 332 97
abr/19 31,37 3.697 176 338 98

Duratex conclui captação de R$ 1,2 bi com emissão de debêntures simples

A Duratex informou, há pouco, que concluiu a captação de R$ 1,2 bilhão em sua segunda emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, distribuídas esforços restritos. A remuneração paga aos investidores será de 108% da variação acumulada das taxas médias diárias dos DI – Depósitos Interfinanceiros de um dia, “over extra-grupo”, base 252 dias úteis.
A empresa utilizará R$ 554,2 milhões para resgate antecipado das notas promissórias comerciais da primeira emissão.