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Localize prepara captação de FIDC de ‘distressed debts’ de R$ 300 milhões

28-06-2017 - 16:46:36

 

A empresa de investigação e recuperação de ativos Localize deve iniciar nas próximas semanas, em parceria com uma gestora, roadshow para captação de um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC) de R$ 300 milhões, que irá comprar ‘créditos podres’ no mercado, os chamados ‘distressed debts’. O foco do fundo serão dívidas de grande monta, que giram na casa dos R$ 20 milhões a R$ 30 milhões, que é o nicho de atuação da empresa. Por questões contratuais o nome da gestora ainda não pode ser divulgado. “Com os recursos que pretendemos levantar com o fundo vamos comprar alguns bilhões em dívidas”, afirma Rafael Nogueira, CEO da Localize, com passagens por BNP Paribas e Kondor. O executivo conta que familys offices já sinalizaram interesse em entrar no fundo. “Vamos falar também com os estrangeiros, se não conseguirmos fechar o fundo no Brasil”.

A Localize geralmente atua como prestadora de serviços para gestoras e bancos que, após ajuizarem dívidas sem obterem retornos, procuram a empresa para tentar recuperar parte dos recursos. Entre os clientes que costumam contratar os serviços da Localize estão as principais gestoras do mercado que atuam no segmento de créditos podres, além dos grandes bancos comerciais privados do país. Um diferencial da casa, responsável pelo crescimento de 300% em 2016, é o índice de recuperação obtido – de cada R$ 1, a companhia consegue em média uma recuperação de R$ 0,53, contra R$ 0,23 dos grandes bancos, conta Lucas Gouvêa, sócio diretor da companhia. Ele atribui à metodologia de investigação da Localize o índice de recuperação mais alto na comparação com a média do mercado. Como base de comparação, Gouvêa cita que nos Estados Unidos o índice de recuperação é de R$ 0,75 para cada R$ 1, pela maior eficiência do mercado americano, e também por questões jurídicas brasileiras que impedem uma atuação mais incisiva das recuperadoras junto aos devedores.

O CEO da Localize explica que o custo de investigação dos ativos gira entre R$ 40 mil a R$ 50 mil, com prazo de 45 a 60 dias para que o trabalho esteja concluído. Por isso geralmente são mandatos acima de R$ 5 milhões os assumidos pela companhia, para que o custo da operação faça sentido para as partes. “Esse ano chegaram tickets expressivos, três ou quatro na casa dos R$ 500 milhões. Tivemos vários próximos de R$ 200 milhões, principalmente entre o fim do ano passado e o começo desse ano”, afirma Nogueira. Os especialistas contam que o processo de venda de carteiras podres dos bancos comerciais teve seu ritmo reduzido nos últimos meses, com as instituições financeiras começando a fazer uma análise mais minuciosa de suas carteiras inadimplentes para tentar obter algum retorno. Esse movimento por parte dos bancos se refletiu no crescimento recente da Localize, que foi mais procurada pelas instituições para trabalhar na recuperação de carteiras inadimplentes. No ano passado, de R$ 6 bilhões em mandatos recebidos de bancos e gestoras, a Localize encontrou R$ 7,2 bilhões, dos quais R$ 3,5 bilhões eram de fácil recuperação, com ativos de boa qualidade.

Fundações – A Localize também recebe dos bancos, e das gestoras principalmente, demandas relacionadas às carteiras de fundos de pensão. Nos últimos anos a empresa assumiu cerca de R$ 2,5 bilhões em mandatos de fundações. No entanto, no universo institucional, o índice de recuperação da Localize cai para algo entre 10% a 15%. Os sócios afirmam que entre as carteiras dos fundos de pensão é muito comum se deparar com operações fraudulentas, o que dificulta a recuperação dos ativos. Hoje a Localize atua com as fundações por meio de ‘intermediários’, que são as gestoras e bancos que repassam para a empresa as carteiras das entidades sob sua gestão. A empresa tem a intenção de estreitar o relacionamento com as fundações para passar a fazer o trabalho de recuperação de ativos diretamente para as entidades. “Já temos um relacionamento bom com a Petros, eles já conhecem nosso serviço”, pondera Gouvêa.

Leia a matéria completa na edição nº 294, de julho, da revista Investidor Institucional


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