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As reformas vão andar?

Edição 332

No ano passado, nesta mesma época, em meados de dezembro, estávamos envolvidos com o fechamento da última edição do ano que, assim como esta, também trazia uma série de artigos escritos por lideranças das áreas de previdência fechada e investimentos analisando as perspectivas para o ano seguinte. Mas que diferença entre o sentimento que então expressavam aquelas lideranças e o que presentemente expressam.
Há um ano tudo parecia um mar de rosas, para usar uma figura de linguagem já em desuso. Estávamos com Inflação controlada, juros baixos, reservas internacionais elevadas, reforma da previdência aprovada e outras reformas andando no Congresso. Além disso, o déficit primário do setor público, por conta da reforma da previdência e de outras medidas encaminhadas pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, parecia caminhar para o equilíbrio e posterior superávit. As assets que responderam nossa pesquisa para aquela edição projetavam um déficit primário do setor público de -0,99 do PIB ao final de 2020.
A realidade veio bem diferente. A partir de janeiro deste ano as notícias sobre o agravamento da pandemia do coronavírius na China e o contágio de outros países na Europa começaram a pipocar. A partir de fevereiro ficou claro que não só o Brasil não ficaria fora dessa onda de contágios, como inicialmente se cogitou, mas inclusive empunharia o nada honroso título de 2º País com o maior número de vítimas fatais pela doença.
Assim como outros países, o Brasil foi obrigado a lançar mão de uma série de medidas emergenciais de auxílio à populações mais carentes e empresas mais afetadas assim como de estímulo à economia. Por conta disso, o déficit primário do setor público está fechando este ano na casa dos 12% do PIB, com encolhimento do produto interno da ordem de 4% a 4,5%.
As projeções para o ano que vem, no entanto, não são catastróficas. Partindo do fundo do poço, só temos como subir. Mas analistas insistem que a continuidade das reformas é fundamental para termos crescimento sustentável, e acesso à parte da liquidez internacional que inunda o mundo. Mas será que elas vão andar?