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André e os mercados globais

Edição 346

O segmento de custódia sentiu fortemente os reflexos do aumento da Selic, que começou em meados de março do ano passado, quando o Copom elevou a taxa em 0,75 pontos percentuais, de 2% para 2,75% ao ano. A partir do segundo semestre do ano passado os efeitos da alta nos juros começou a chegar aos investidores, que começaram a migrar grandes posições de renda variável e multimercado para a renda fixa, colocando à prova a solidez das estruturas e a agilidade dos serviços prestados na área de custódia. Segundo executivos de empresas com atuação relevante nesse mercado, foram os investimentos em tecnologia feitos pelo setor nos últimos anos que asseguraram transferências de posições de uma classe de investimentos para outra de forma segura, ágil e flexível.
As posições de liderança não mudaram do ano passado para este. No ranking geral o Bradesco mantém a liderança, com R$ 2,1 bilhões, assim como no ranking do mercado doméstico, com R$ 1,75 bilhão. No ranking do mercado externo a liderança é do Citibank, com R$ 1,1 bilhão. É um segmento muito estável, os clientes não costumam mudar de um custodiante para outro apenas por “x” basis point de taxa de remuneração. Por isso as alterações de posições nesse mercado são poucas.
Além do especial de custódia, essa edição de investidor Institucional traz uma entrevista ping-pong com o novo presidente da Anbima, Carlos André, que tomou posse na segunda semana de maio. Na entrevista ele fala sobre a importância de ampliar os limites para atuação dos investidores brasileiros no exterior, sejam eles de varejo, qualificados ou institucionais. “Defendemos uma majoração dos limites gerais, que hoje são de 20% (varejo) e 40% (qualificado) para, respectivamente 40% e 60%”, diz. Além disso, André pontua que também seria importante eliminar “várias assimetrias de tributação de imposto em investimentos na mesma categoria, para alocações no Brasil e no exterior, tanto na renda fixa como na variável.”
Outra reportagem relevante desta edição fala sobre a audiência pública promovida pela Anbima para discutir novos critérios de classificação dos fundos ASG (Ambientais, Sociais e de Governança), tanto para aqueles que tem o ASG como estratégia principal quanto para aqueles que tangenciam o conceito. Isso para evitar o que muitos investidores temem, o “greenwashing”, ou seja, investimentos que têm apenas uma aparência de verdes sem de fato serem. Nos Estados Unidos a SEC, órgão que regula o mercado de capitais deles, também está promovendo audiências públicas para aprovar novas regras para o uso do termo ESG no nome dos fundos de investimento. Boa leitura.