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Sara Marques assume gerência de previdência da Luz

A atuária Sara Marques assumiu a gerência de previdência da Luz Soluções Financeiras, em substituição ao CEO Edivar Queiroz, que respondia interinamente pela área. Na Luz desde 2016, a profissional anteriormente ocupava a posição de coordenadora da área atuarial da companhia. Sara também acumula passagens por entidades abertas de previdência complementar, além de consultorias atuariais na área de saúde.

Mercer inicia alocação estratégica global | Serviço disponibiliza aos brasileiros implementação de estratégias no exterior

A Mercer, empresa que já presta consultoria atuarial e de investimentos aos fundos de pensão brasileiros há várias décadas, vai passar a oferecer também o serviço de implementação efetiva das estratégias de investimento no exterior.A Mercer, empresa que já presta consultoria atuarial e de investimentos aos fundos de pensão brasileiros há várias décadas, vai passar a oferecer também o serviço de implementação efetiva das estratégias de investimento no exterior.
Segundo o CEO da Mercer no Brasil, Eduardo Marchiori, a decisão de trazer o serviço para o Brasil neste momento decorre da crescente demanda dos investidores por ativos no exterior diante da queda dos prêmios na renda fixa local. Além disso, pesou na decisão a regulamentação mais amigável após as mudanças promovidas pelos órgãos competentes no início de 2018 – em janeiro o Conselho Monetário Nacional (CMN) editou uma nova norma que facilitou o processo de alocação no exterior por parte dos institucionais, derrubando a exigência de que cada entidade poderia ter no máximo 25% do feeder local que fazia as alocações externas; com as novas regras as fundações podem estruturar seus próprios fundos exclusivos e fazer, por meio deles, a alocação diretamente nos produtos globais que mais lhe agradam.
Marchiori afirma que esse serviço já é oferecido há algum tempo em países desenvolvidos e é, segundo ele, o que tem apresentado maior crescimento junto aos clientes institucionais, totalizando cerca de US$ 240 bilhões em ativos sob gestão.
O executivo ressalta que a Mercer não irá atuar como uma gestora de recursos na nova atividade, já que não será ela quem irá comprar ou vender os ativos globais. “Vamos fazer a seleção e o aporte de recursos nos melhores gestores, de acordo com o mandato de cada cliente, atuando como uma gestora de fundos”, explica o especialista. Segundo ele, a Mercer receberá uma taxa das gestoras escolhidas, “com total transparência para o cliente”.
Ainda de acordo com o executivo, por conta dos volumes alocados pelos clientes globais nesse produto, os investidores brasileiros terão o benefício do ganho de escala, com taxas possivelmente menores do que se fossem fazer a alocação de maneira individual.
Nos mercados desenvolvidos, prossegue Marchiori, a empresa estruturou há alguns anos uma classificação de ratings que indica as assets que tem maior consistência na geração de alpha no decorrer do tempo, o que ele acredita que deve facilitar aos clientes brasileiros uma análise relativamente simplificada das inúmeras opções de fundos no exterior. De acordo com o CEO da Mercer, são cerca de 2,7 mil estratégias globais diferentes mapeadas pela empresa à disposição dos investidores. Essa classificação de ratings, inclusive, deve ser lançada no mercado brasileiro nos próximos meses.
Marchiori diz também que a implementação das estratégias vai se limitar, num primeiro momento, aos investimentos no exterior, mas deve estender-se à gestão de ativos locais no futuro. O executivo diz ainda que o Brasil é um dos cinco mercados prioritários da empresa para o desenvolvimento dessa estratégia de implementação de alocação global, junto com México, China, África do Sul e Japão, países onde os investidores também tem aumentado a procura por oportunidades além de suas fronteiras.
Segundo Marchiori, a Mercer ainda não implementou a nova estratégia de investimento no exterior para nenhum cliente no país, mas espera que isso possa ocorrer até o final do ano. “Acreditamos que o potencial para a expansão do produto no Brasil é muito grande, uma vez que a participação do investimento no exterior na carteira dos institucionais ainda é incipiente”, pontua o especialista.
Além dos fundos de pensão, family offices e mesmo gestoras de recursos também estão no radar da Mercer como potenciais clientes que podem vir a fazer uso do serviço.
O CEO da Mercer comenta também que, como inicialmente o serviço é voltado apenas para os investimentos no exterior, e levando em consideração que a empresa tem cerca de 2,2 mil profissionais capacitados para fazer a implementação do produto espalhados em 21 países, não foi necessária a contratação de pessoal no Brasil por conta do lançamento.

Ex-analistas da Empiricus lançam nova casa de research

Formada por ex-analistas da Empiricus, como Bruce Barbosa, Luiz Felippo, Marilia Fontes, Ricardo Schweitzer e Renato Breia, foi lançada no início de agosto no mercado a Nord, nova casa de research independente. “A partir de análises direcionadas a investimentos em bolsa, renda fixa e outros ativos, o empreendimento surge para apoiar todos os perfis de investidor”, diz o comunicado divulgado pela empresa.

“Agregamos, à experiência em análise de investimentos, conhecimento em gestão de patrimônio. Sabemos que ainda há muito espaço no mercado e decidimos nos lançar como empreendedores bastante comprometidos com recomendações responsáveis”, afirma a sócia da Nord Marilia Fontes. “Entendemos que a economia brasileira está diante de um novo momento, no qual uma postura mais ativa na gestão de investimentos será preponderante para se garantir um futuro melhor”, acrescenta o sócio Ricardo Schweitzer.

“Ao que tudo indica, há chances de convivermos com um cenário de baixas taxas de juros por muito tempo, o que exigirá que investidores incorram em maiores riscos para rentabilizar suas carteiras. Diante da multiplicidade de produtos financeiros disponíveis no mercado, queremos servir ao público investidor no sentido de evitar que este tome riscos desnecessários em investimentos que não ofereçam retornos adequados”, pontua o sócio Renato Breia.

Mercer passa a oferecer implementação da estratégia de investimento no exterior

A Mercer passou a oferecer no país a partir do segundo semestre para fundos de pensão, familys offices e gestores de recursos o serviço de implementação da estratégia de investimento no exterior. O CEO da Mercer no Brasil, Eduardo Marchiori, explica que a empresa não vai atuar como uma gestora de recursos, já que não será ela quem irá fazer a compra dos ativos, mas sim como uma gestora de fundos. “Vamos oferecer aos clientes uma análise dos melhores fundos globais e fazer a alocação para eles”, explica o executivo, que cita a regulação mais amigável e o aumento da demanda dos investidores por ativos no exterior para justificar o lançamento do serviço neste momento.

O CEO da Mercer comenta também que como o serviço é voltado apenas para os investimentos no exterior, e levando em consideração que a empresa tem espalhados em 21 países cerca de 2,2 mil profissionais capacitados para fazer a implementação do produto, não foi necessária a contratação de pessoal no Brasil por conta do lançamento.

Leia mais sobre a nova atuação da Mercer no mercado brasileiro na edição 306 de agosto da Investidor Institucional

Aditus desfaz contrato com RiskOffice | Denúncias contra o ex-proprietário, Arthur Pinheiro Machado, foram o motivo

A Aditus Consultoria Financeira, empresa que em meados de 2016 adquiriu a RiskOffice da sua controladora RO Participações, do empresário carioca Arthur Pinheiro Machado, está denunciando o contrato. Com isso, os clientes que já passaram para a base da Aditus Consultoria continuam com ela e aqueles que ainda permaneciam ligados à antiga empresa, que representam cerca de vinte fundos de pensão, terão três meses para abrir licitação e escolher uma nova consultoria. Durante esse período continuam sendo atendidos pela Aditus.
A denúncia é baseada em uma cláusula do contrato de compra de 2016 que prevê, em caso de envolvimento de qualquer das partes com operações ilícitas, a possibilidade de pedido de anulação do contrato por parte da outra parte. A prisão de Arthur Pinheiro Machado e Patrícia Iriarte no âmbito da Operação Rizoma, deflagrada em abril pela Força-Tarefa da Lava-Jato do Rio de Janeiro, foi o motivo do pedido de distrato por parte da Aditus Consultoria, segundo o consultor da empresa, Guilherme Benites.
O escritório Machado Leite e Bueno Advogados, que cuida dos interesses de Arthur Pinheiro Machado e Patrícia Iriarte para assuntos societários, disse que seu cliente não iria se manifestar sobre o pedido. “Nós temos ciência da solicitação do Distrato mas não vamos comentar neste momento pois ainda estamos avaliando a melhor forma de conduzir o assunto”, afirmou por email o advogado Leonardo Pimentel Bueno, do Machado Leite e Bueno Advogados.
Arthur e Patrícia chegaram a ser presos mas ambos conseguiram mandatos de segurança para responder aos processos em liberdade. Patrícia Iridarte era diretora financeira da RiskOffice, que em setembro do ano passado passou a chamar-se Aditus Assessoria e Sistemas, continuando nessa empresa como responsável por administrar o recebimento dos pagamentos feitos pela Aditus Consultoria. Também fazem parte da diretoria dessa empresa Leonardo Bortoloto e Roberto Masaishi, da Aditus Consultoria.
Segundo Benites, a Aditus Sistemas é uma empresa cuja única finalidade era receber os fluxos de pagamentos feitos pela Aditus Consultoria, relativos à compra de 2016. Esses pagamentos estavam programados para acontecer ao longo de três anos e à medida em que fossem sendo feitos a primeira iria transferindo para a segunda os contratos dos clientes. No limite, quando os pagamentos estivessem totalmente concluídos, a Aditus Sistemas teria transferido todos os clientes e deixaria de existir. A participação de Patrícia Iridarte no cargo de diretora financeira era uma forma de garantir que esses fluxos financeiros seriam efetivamente transferidos de uma para a outra, diz Benites.
“O negócio foi feito com o objetivo de migrar, em três anos, todos os clientes da RiskOffice para a Aditus”, explica Benites. “Os pagamentos estavam sendo feitos normalmente, mas o que houve prejudicou bastante a imagem da RiskOffice e achamos por bem encerrar o negócio”. Ainda de acordo com ele, “nunca tivemos nenhum vínculo societário nem com a RiskOffice nem com seus controladores, mas apenas um vínculo comercial com ambos”.
De acordo com ele, dos cerca de 50 fundos de pensão que vieram para a Aditus Consultoria com a compra da RiskOffice em 2016, cerca de 60% já foram efetivamente transferidos até o presente e restam cerca de 40% ainda vinculados à Aditus Sistemas. Esses 40% dos contratos, que correspondem a aproximadamente 20 clientes, não serão transferidos. “Esses clientes não virão mais para nós porque suspendemos os pagamentos para a Aditus Sistemas após a denúncia do contrato, então também não estamos cobrando pagamentos deles. Mas mesmo sem cobrar continuamos a atendê-los, não podemos deixá-los na mão, porém demos um prazo de três meses para eles realizarem licitação e escolherem uma nova consultoria”, explica Benites.
A Aditus Consultoria, segundo Benites, irá participar das concorrências a serem abertas por esses clientes ainda vinculados à Aditus Sistemas, ex RiskOffice. A consultoria acredita que pode ganhar uma boa parte desses clientes, principalmente fundos de pensão. “Temos excelente relacionamento com todos eles”, explica Benites.
Segundo ele, a denúncia do contrato com a RO Participações já foi formalizada e inclusive comunicada à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que regula as atividades das consultorias. Na opinião de Benites, o parecer da CVM deve sair durante o mês de junho.

Expansão dos negócios com nova parceria | Rodarte Nogueira firma sociedade com José Roberto Ferreira e abre unidade em Brasília

Edição 291

 

A saída de José Roberto Ferreira do comando da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) no ano passado levou à consultoria Rodarte Nogueira a oportunidade de ter um profissional renomado e experiente em previdência complementar em sua equipe. No final de março deste ano, a consultoria firmou uma sociedade com Ferreira, que expandirá a atuação da companhia em Brasília. Com a formação da nova unidade denominada Rodarte Nogueira & Ferreira, a consultoria espera levar à capital federal serviços mais focados no desenvolvimento de estratégias para a solução de problemas das entidades fechadas de previdência complementar.
Experiente nesse mercado, José Roberto Ferreira é funcionário de carreira do Banco do Brasil desde 1983, onde passou por diversas áreas, entre elas a de gerente executivo na unidade de gestão previdenciária. O executivo ganhou ainda mais experiência no setor quando, em 1997, foi para a BB Previdência, onde alcançou a posição de diretor de investimentos. Na Previc, o executivo começou em 2010, à frente da coordenação-geral de patrimônio e logística, tendo passado pela chefia de gabinete e a diretoria de análise técnica, se tornando superintendente.
Com a saída da autarquia, Ferreira aguardou o período de quarentena de quatro meses até assumir o novo projeto. “Por impedimento da quarentena, não foi possível avançar antes. Mas nossos princípios e valores fez com que houvesse uma sinergia para iniciarmos esse trabalho por meio da criação da nova empresa, com um novo portfólio de produtos e serviços a serem oferecidos aos clientes”, destaca.
A parte atuarial e de estatística, que é a especialidade da Rodarte Nogueira, continuará sendo feita pela empresa em sua sede, localizada em Belo Horizonte (MG). Já a empresa fruto da sociedade com José Roberto Ferreira atuará mais especificamente em Brasília, expandindo a atuação geográfica da consultoria e facilitando a proximidade com órgãos de Estado que integram o sistema. “Além disso, vamos oferecer um trabalho de soluções em previdência que não estão somente ligadas à questão atuarial. A experiência que tenho de mais de 25 anos no setor me permitem auxiliar na natureza estratégica dos clientes e apresentar soluções para os fundos de pensão”, salienta Ferreira.
Atualmente com 30 fundos de pensão como clientes, a consultoria espera aumentar esse número, apesar do universo pequeno que o sistema tem. “Com 300 entidades no sistema, praticamente metade nem sempre demanda o serviço de consultoria”, diz João Rodarte, diretor geral da Rodarte Nogueira. Um novo grupo que a consultoria espera alcançar são estados e municípios que devem implementar a previdência complementar do servidor público. “A reforma da previdência exigirá transformações desses entes, que terão um prazo de seis meses para instituir seu próprio modelo de previdência básica ou deverão se adequar às regras definidas na reforma pelo Governo. Com isso, existe um leque novo de oportunidades em que a Rodarte Nogueira nunca atuou”, destaca.

Serviços – O foco principal do negócio da unidade de Brasília será o desenvolvimento de estratégia para os mais diversos tipos de necessidade que os clientes têm, desde o mapeamento de risco, até estratégia para resolução de déficit. “O escritório dará suporte às diretorias e aos conselhos das fundações, terá participação efetiva em grupos de trabalho no sentido mais institucional e vai auxiliar no fomento no sistema”, explica João Rodarte.
O consultor diz ainda que a equipe da unidade de Brasília ainda está em formação. “Até o momento, a equipe de Belo Horizonte dará o suporte a Ferreira. A questão mais estratégica da consultoria está sendo desenvolvida por meio dessa parceria e novas contratações advirão em um processo natural”, salienta.

Aposta no conceito de research independente | Ex–sócio e idealizador da Empiricus, Marcos Elias funda nova empresa de assessoria para assets

Edição 290

 

Com longa trajetória no mercado financeiro, Marcos Eduardo Elias acaba de fundar uma nova empresa de research. Ele e outros três sócios fundaram em janeiro a Modena Capital, que começa a operar efetivamente a partir de março. Com escritório em São Paulo, a empresa atuará como uma assessoria financeira independente, focada em atender investidores institucionais domésticos e estrangeiros, principalmente assets, grupos empresariais e family offices.
A empresa atua no ramo de research independente, que ainda é pouco desenvolvido e regulado no Brasil. Marcos Elias é uma figura que ficou conhecida do mercado por ter fundado e idealizado a principal assessoria da atualidade, a Empiricus. O executivo fundou a empresa em 2009 e, nos anos seguintes, estabeleceu uma linha de atuação que seria responsável por dar notoriedade à assessoria, mesmo após sua saída em 2013.
Na Empiricus, Elias foi um dos autores de um relatório sobre a Marfrig Alimentos em 2012, que utilizava linguagem agressiva e atacava os executivos do frigorífico, segundo avaliação e advertência da Apimec. Apesar da linguagem inapropriada, a Apimec não questionou o conteúdo do relatório que apontava inconsistências no balanço da Marfrig. Posteriormente, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) indicou correções no balanço da empresa do ramo frigorífico.
Já após a saída de Marcos Elias, que vendeu sua participação para outros dois sócios, Rodolfo Amstalden e Roberto Altenhofen Pereira, a Empiricus ganhou grande expressão com o relatório “O Fim do Brasil”, divulgado antes das eleições de 2014, e que antecipava o agravamento da crise política e econômica do país caso Dilma Rousseff fosse reeleita. A saída de Elias ocorreu no momento de entrada do novo sócio, a holding americana Agora.
Na época em que atuou na Empiricus, Elias enviou propostas para a CVM para defender a atividade de análise independente de ações e de mercado. Segundo o profissional, o mercado brasileiro carecia de empresas não ligadas aos bancos de investimentos para atuar na atividade de research de ativos financeiros. Ao que parece, as propostas foram engavetadas e até hoje atividades de empresas como a Empiricus ainda carecem de uma categoria de legislação do mercado financeiro.

Linguagem mais serena – Marcos Elias esclarece, porém, que o perfil da nova empresa, a Modena Capital, será bastante diferenciado em relação à Empiricus. “A Modena terá uma atuação voltada para o investidor institucional, com foco em assets domésticas e americanas, por isso requer um outro tipo de linguagem, com maior profundidade nas pesquisas”, explica o executivo. “Será uma linguagem mais serena, sem muita retórica, não terá nenhuma semelhança na linguagem em comparação com a Empiricus”, esclarece.
Além do research, a Modena terá como foco “a revisão de carteiras de investimento e projetos especiais. Outro foco será concentrado em consultoria e governança, oferecendo assessoria em operações de fusões e aquisições, captação de recursos e parcerias estratégicas”, diz comunicado da empresa. A preparação para IPO e participação em conselhos de administração também estão entre os serviços disponibilizados pela área de advisory. Atualmente, a equipe de análise cobre os seguintes setores: elétrico, bens de capital, óleo & gás, financeiro, infraestrutura e varejo.

Trajetória como gestor – Além de sua experiência na Empiricus, Marcos Elias atuou no mercado como gestor de recursos. Fundou a Gas Investimentos e dirigiu a asset entre 2001 e 2004, quando foi incorporada pela Vinci Partners. Em seguida atuou como sócio da Link Investimentos, em 2005, e permaneceu na empresa até dezembro de 2006, quando foi vendida para a Quest. Em 2006 fundou a Galleas Capital Partners, onde permaneceu durante quatro anos.
Com formação em Engenharia pela Escola Politécnica da USP e MBA pela Universidade de Pittsburgh, Marcos Elias começou sua carreira como auditor na Ernst & Young. Entrou para o mercado financeiro como analista do Banco Brascan e depois atuou na área de research do BNP Paribas. Os demais sócios são Rafael Beran Bruno, com passagens pelo Bradesco BBI, Santander e Brascan; Wagner Drabek, sócio-diretor da MW Engenharia; e Sidney Uejima, ex-Abn Amro e ex-Santander Asset. A empresa conta ainda com a participação de Nicholas Vincent, atual presidente do conselho de administração e ex-CEO da Brookfield Incorporações. Vincent participa como membro do conselho da Modena Capital.

Novo desenho do mercado | Mais pulverizado, conjunto de consultorias de risco e investimentos para fundos de pensão tende à especialização e customização

Edição 288

 

Da expertise no aconselhamento a fundos de pensão na área de investimentos e riscos, as consultorias passaram por uma reconfiguração na última década, fortalecendo a oferta de serviços com o auxílio da tecnologia. Trata-se de um mercado que, em mais de uma década, era concentrado em cinco casas - Risk Office, Mercer, Towers, Luz Soluções Financeiras e PPS – e que agora está muito mais pulverizado. O resultado é que o número de empresas mais do que dobrou nos últimos anos.
Pode-se dizer até que as consultorias são novas, mas os profissionais não são necessariamente novos. É que a maioria delas foi aberta por profissionais que saíram de casas mais antigas e criaram novas, como Aditus, i9 Advisory e Manage Risk. O perfil das novas consultorias é voltado para a especialização, enquanto as pioneiras e multinacionais, com estrutura mais ampla, oferecem um trabalho integrado com a parte atuarial. No segmento das consultorias globais, a novidade é a entrada da Lockton, que contratou recentemente o experiente consultor Lauro Araújo.
Entre todas as consultorias, destaca-se a Aditus em termos de market share. Depois de crescer nos últimos anos, a Aditus acabou comprando a própria Risk Office em meados deste ano, consultoria de onde saíram seus principais sócios. Com a aquisição, a consultoria pretende ampliar o foco em tecnologia, segundo Guilherme Benites, sócio da Aditus. “Sempre entregamos relatórios e estudos, mas não tínhamos a entrega de ferramentas. O que mudou é que poderemos atender o cliente que quer apenas o sistema de risco e não a análise, que não quer o estudo de ALM, mas a ferramenta para realizá-lo”, afirma.
A Aditus passa a ter uma equipe de 80 profissionais, o dobro da estrutura que tinha anteriormente. Atualmente, a consultoria atende 125 fundos de pensão, que somam cerca de R$ 200 bilhões em ativos. Para Benites, a configuração de mercado, mais pulverizado, deve caminhar para a especialização e o atendimento personalizado, principalmente no serviço oferecido pelas empresas menores. Desta forma, as novas consultorias devem se concentrar em um número limitado de clientes.
Para reter talentos e evitar a dissolução de equipe, a Aditus, que tem hoje 12 sócios, pratica um modelo similar ao de assets independentes, no qual a partir de determinados critérios, a meritocracia torna o profissional um sócio da empresa. Apesar da relevância dos softwares, Benites destaca a importância do atendimento integrado, voltado para a revisão da política de investimentos, estudo de alocação de ativos e passivos, sem dissociá-los dos recursos tecnológicos.
“O serviço de sistemas é componente relevante da consultoria, de atendimento à legislação até a parte mais sofisticada de aconselhamento. Há uma integração muito forte. Se entrego tudo o que atende a legislação, já conheço a carteira e o estudo de ALM, o que facilita muito na hora de falar sobre investimentos”, afirma.
De fato, a tecnologia converteu-se em um filão para as novas consultorias. E observando essa demanda, alinhada às exigências dos reguladores por controle e compliance nas fundações, que nasceu a Manage Risk, outro filhote da Risk Office.
As atividades começaram em agosto, inicialmente com três consultores técnicos para prestação de serviços focados na gestão de riscos e controles internos, operacionais, sistêmicos e atuariais, segundo explica Herbert Higashi, sócio da Manage Risk junto com Roberta Carvalho (ambos ex-Risk Office). “Hoje temos dois clientes fundos de pensão e a tecnologia é um diferencial em um momento no qual o mercado passa por uma avalanche de novidades nessa área, com fintechs e uberização. O mercado de fundos de pensão também está sendo impactado”, diz.
Ele explica que o escopo do serviço é a auditoria do sistema previdenciário e ferramentas de monitoramento de compliance e gestão, de pagamento de benefícios, além de análise de cadastros para a construção de banco de dados. A Manage Risk não presta consultoria de investimentos, apenas gestão de risco e controles internos, o que abrange o risco financeiro, por meio de mapeamento dos investimentos, boas práticas e controles de ambiente, governança e compliance.
Apesar da relevância da tecnologia, o trabalho da consultoria de investimentos não deve ser confundido com o de controladoria, segundo Everaldo França, sócio da PPS Consultoria, que está há 20 anos no mercado e trabalha atualmente com uma equipe de 15 profissionais.
“Somos a mais antiga, com exceção da Mercer, e nesses anos nos concentramos em vender inteligência e orientação de investimentos baseados em softwares de ALM”, afirma França. O escopo de trabalho da consultoria, segundo ele, é a avaliação de performance e construção de estratégias, política de investimentos e análise de cenários econômicos e de carteiras administradas.
O endurecimento da legislação a partir de 2001 acelerou a demanda por serviços de controladoria, especialmente em relação ao enquadramento de carteiras aos limites estabelecidos, além de cálculo de VaR (Value at Risk), o que levou a PPS também a executar esse serviço por meio de softwares externos. França diz que todos os consultores atendem os clientes e, em alguns deles, participam também como membros de comitês de investimento.

Integração – O potencial de mercado para as consultorias de investimentos, por enquanto, é maior até mesmo do que a demanda em razão do ambiente macroeconômico pouco propício a estratégias mais sofisticadas. Assim, as pioneiras e maiores optam por oferecer um serviço integrado, aliando estudos atuariais com a consultoria de investimentos.
Quanto mais a economia se desenvolver, o mercado de consultoria tenderá a crescer na opinião de Arthur Lencastre, líder de investimentos da Willis Towers Watson. Segundo ele, o que também ajudou a pulverizar o número de consultorias no mercado foi o aumento da complexidade da regulamentação, o que aumentou as responsabilidades das entidades. “O papel das consultorias é auxiliar as entidades a atender as obrigações exigidas pelos reguladores”, afirma.
Lencastre diz que a pulverização das consultorias no mercado também nasce de oportunidades existentes e a tendência é que elas se posicionem de forma especializada em determinada prestação de serviço.
Ele avalia que são poucas as empresas que conseguem atender as fundações em todas as demandas e oferecer um leque mais completo de serviços. Nesse contexto, diz que a Willis Towers Watson desenvolve desde projetos específicos e individuais, que podem abranger estudos de gestão de ativos e passivos de forma simples ou complexa, ou seja, combinado ou não com a análise e avaliação de resultados de diferentes alocações de ativos sobre o resultado final do plano de previdência em prazo mais longo.
Já a Mercer incentiva a consultoria de investimentos e riscos de maneira integrada, com avaliação completa dos fundos de pensão, abrangendo a parte atuarial, de seguridade e contabilidade, segundo Raphael Santoro, consultor sênior responsável pela área de investimentos no Brasil da Mercer Consultoria.
Segundo ele, a Mercer atende cerca de 100 projetos esporádicos na área de investimentos, mas nos serviços contínuos são 60 fundos de pensão. “O enfoque é olhar para o investimento junto com o estudo atuarial, com ativo e passivo juntos, além de desenho do plano, características dos participantes. Esse tem sido o foco agora, até porque não adianta a entidade tomar uma decisão de investimento que choca com o desenho do plano ou com a parte atuarial. Procuramos atender dessa forma, mas serviços podem ser separados”, afirma. Santoro diz que a consultoria participa de comitês de investimentos, com o intuito de oferecer suporte às decisões e não como membro opinante. A ideia é a que a própria entidade decida a partir do trabalho de consultoria.
Conforme o país entra em um patamar econômico mais estável, o valor do consultor de investimentos tende a ficar mais claro, na opinião de Lauro Araújo, diretor de consultoria de investimentos da Lockton. Segundo ele, que antes passou por carreira solo na LAS, é importante hoje oferecer esse serviço com o suporte de diversos especialistas, algo que encontrou na Lockton, cuja atuação principal é a consultoria atuarial, pela qual atende 50 clientes, entre entidades abertas e fechadas. Araújo diz que a equipe de 18 pessoas trabalha em conjunto e é formada por especialistas nas áreas jurídica, de investimentos e atuarial.
“O mais importante é prestar um serviço de consultoria de investimentos que justifique manter o contrato ativo. Por isso, temos um conhecimento profundo do cliente, com um serviço integrado entre a parte atuarial e a política de investimentos. Participamos da vida do cliente como se fôssemos membro da equipe”, afirma.

Papel fiduciário – Araújo explica que a consultoria está presente no comitê de investimentos das fundações, seguindo o modelo praticado nos Estados Unidos, no qual o consultor atua como fiduciário, e isso vem ganhando relevância em tempos de Lava Jato. Ele avalia que o consultor, quando atua como fiduciário, assume a responsabilidade junto com o fundo de pensão pelos riscos, pois participa de todas as reuniões, tem de ler todas as atas e conversar com o gestor todo mês.
“Só topa esse risco quem sabe avaliar, monitorar e gerenciar esse risco. Esse é um movimento muito maior. Por isso não queremos muitos clientes, por ser um trabalho que demanda muito conhecimento e envolvimento. Para atuar dessa forma, é difícil para um consultor atender mais do que 15 clientes ao mesmo tempo”, afirma.
Quem também aposta na figura do consultor como um fiduciário é a i9 Advisory, que iniciou as atividades em dezembro de 2015, composta por sete sócios, dos quais seis também saíram da Risk Office.
Um deles é Relton Rodrigues, diretor-comercial da i9 Advisory. Ele diz que a equipe estudou o mercado de consultoria a fundos de pensão em Nova York e Londres para adaptar o modelo ao Brasil.
“O papel do advisory no exterior é mais amplo porque ele é parte integrante e membro consultivo do comitê de investimentos dos fundos de pensão”, afirma. Hoje com 24 clientes, que somam cerca de R$ 40 bilhões em ativos, a i9 tem consultores em comitês de dez entidades, com mandatos registrados e duração de dois anos.
De acordo com Rodrigues, esse trabalho mais próximo possibilita uma discussão estratégica do âmbito atuarial, que determina a solvência do fundo de pensão no médio e longo prazos. Assim, a estratégia da consultoria é oferecer um serviço de maior valor agregado e intensivo na figura do consultor, principalmente em um mercado no qual os dirigentes de fundações evoluíram muito em termos de capacitação técnica, por meio de treinamentos promovidos pelos órgãos reguladores.
“Eles são mais exigentes em relação ao serviço de consultoria e o profissional que pisava na fundação uma vez a cada seis meses para aconselhar na área de compliance já não atende a demanda”, afirma.
Enquanto a taxa de juros mantém-se em patamar elevado, o que ganhou espaço nas consultorias foi o atendimento à demanda por compliance e governança nos investimentos para que as fundações estejam em linha com as exigências dos reguladores.
Atento a essa necessidade, Fabio Punsuvo, consultor e proprietário da F8A Consult, que atua de maneira independente há 12 anos, se dedica hoje à governança de investimentos. “Uma boa governança, com bons contratos, custódia, mandatos estruturados com gestor, entre outros fatores, estão associados a resultados satisfatórios e à prevenção de perdas e ao desenquadramento”, afirma.
Para Punsuvo, o mais importante é a estratégia e a experiência do consultor do que propriamente a oferta de sistemas, embora eles sejam importantes ferramentas para a execução do trabalho. “Invisto bastante em tecnologia, mas meu foco é estratégia e a experiência no mercado. Para trabalhar de forma isenta e independente, uso elementos de prestadores de fundo de pensão para fazer a leitura de indicadores e ações recomendáveis”, diz o consultor.

Um modelo alternativo de consultoria

Um outro modelo que ainda tenta encontrar espaço no mercado de fundos de pensão é o de consultoria estratégica ligada à asset. É o caso da TAG Investimentos, que contratou a consultora Francisca Albuquerque Brasileiro como responsável da área de gestão estratégica de recursos de institucionais. A profissional atuou nos últimos oito anos na Willis Towers Watson (antiga Towers Watson) na área de consultoria de investimentos para fundos de pensão. Ela tem passagem também pela Luz Soluções Financeiras onde atuou como analista financeira.
“É um novo modelo de consultoria que inclui um olhar integrado da carteira como um todo e inclui uma gestão estratégica, inclusive com seleção de gestores”, explica Francisca Brasileiro. A consultora afirma ainda que o fato de contar com um equipe de gestão, a asset tem uma vantagem de contar com estrategistas de mercado em comparação com as atuais consultorias do mercado. Francisca ressalta ainda que não há conflito de interesses, pois a TAG não distribuirá fundos próprios para os fundos de pensão. Aliás, a asset não realiza gestão de fundos próprios, apenas atua como gestor de fundos de fundos, com a maioria de clientes composta por family offices e private.

Sob nova direção... | Uma das principais consultorias de risco e investimentos, Risk Office muda de controle duas vezes em um período de um mês

Edição 285

 

Não deu nem tempo do empresário Arthur Pinheiro Machado assumir a direção ou nomear novos diretores para a Risk Office. Passado menos de um mês do acordo em que sua empresa, a RO Participações, adquiriu o controle da consultoria do antigo dono, Marcos Jacobsen, o empresário passou o negócio para frente. Agora, quem comprou e assumiu de fato a direção da empresa foram os cinco sócios da Aditus Consultoria, Guilherme Benites, Leonardo Bortoloto, Nathan Batista, Mauricyo Sforcin e José Suaid. Os valores e termos dos negócios não foram divulgados.
Com a aquisição, a Aditus se projeta como uma das maiores consultorias do mercado financeiro do segmento de investidores institucionais. A Aditus já tinha cerca de 70 a 80 clientes fundos de pensão e agora, passa a deter uma carteira de cerca de 130 fundações. Além disso, recebe mais um grupo de clientes corporate, seguradoras e regimes próprios de previdência, que estavam na Risk Office, que se somam ao restante da carteira da Aditus, formada por family offices e outros investidores.
Os sócios da Aditus assumiram de imediato, a partir do início de setembro, a direção da empresa adquirida com o objetivo de evitar a perda de clientes. “Hoje mesmo começamos a conversar com os clientes da Risk Office. A rapidez é essencial para manter todos os clientes”, disse Guilherme Benites em entrevista exclusiva para a Investidor Institucional no próprio dia 1 de setembro às 8h30 da manhã, primeiro dia a frente da empresa adquirida.
Ironicamente, os compradores nasceram profissionalmente na própria Risk Office, onde atuaram até 2011, quando deixaram a empresa para fundar a Aditus. Eles eram remanescentes da época em que a consultoria era comandada por Marcelo Rabbat e Fernando Lovisotto, que venderam a empresa em 2007 para a canadense Algorithmics. Questionado se havia um sabor especial comprar uma empresa em que havia trabalhado antes, Benites desconversa. “Não tem nenhum revanchismo, o que vimos na aquisição foi uma oportunidade única de adquirir uma empresa com uma base complementar de clientes e sistemas”, disse. Ele explica que o mais importante foi a oportunidade de forte expansão da base de clientes, que era algo muito difícil de ser realizado pelo crescimento orgânico por se tratar de um mercado altamente consolidado.
Além dos clientes, o segundo ponto importante de ganho de sinergia é a incorporação de sistemas, tecnologias e processos. “A Risk Office tem uma área de sistemas bastante desenvolvida que pode se integrar ao nosso banco de dados. Essa integração vai permitir a ampliação do leque de serviços e produtos que poderemos oferecer ao mercado”, falou Benites. Ele acredita que o aumento do porte da empresa permitirá um ganho de capacidade para oferecer soluções mais completas para as organizações.
A integração de sistemas e processos deve durar pelo menos seis meses e deve ser concluído apenas no primeiro semestre de 2017. Mais rápida será a incorporação da estrutura física das duas empresas, que devem ficar na sede da Aditus, em São Paulo. O mesmo deve ocorrer com o nome das empresas, que ficará apenas com a denominação da Aditus. Ou seja, a marca Risk Office será descontinuada.
Benites descartou algumas versões que surgiram a respeito de o negócio ter sido feito com o objetivo de apoderar-se do caixa da empresa. O caixa ficou, segundo ele, com os antigos donos. “Nós pegamos a empresa com o caixa zerado”, explicou.

Sem tempo a perder – Ainda de acordo com ele, a Aditus assumiu a empresa imediatamente uma vez que os antigos diretores, Alberto Jacobsen, Gustavo Melo e outros, já tinham deixado a consultoria e apenas o quadro operacional mantinha as atividades. À esse quadro, de 50 profissionais no momento da aquisição, somaram-se os 40 funcionários e sócios da Aditus.
No início do ano, a Risk Office já tinha perdido seis profissionais, que deixaram a consultoria para montar a I9, uma concorrente no mesmo segmento. Então, não é por acaso que o pessoal da Aditus se apressou para assumir a direção e tomar contato com os clientes da Risk.
Ainda não foram definidos alguns pontos da atuação da consultoria adquirida. Um desses pontos de dúvida é o atendimento aos clientes regimes próprios de previdência. “Ainda não sabemos se vamos assumir o atendimento aos regimes próprios, estamos avaliando a viabilidade dessa carteira”, revelou Benites. A Aditus não tem histórico de atuação com os institutos de previdência estaduais e municipais.
O que está mais certo é que a Aditus não vai atuar no projeto de criação de uma nova bolsa de valores brasileira, que vem sendo desenvolvido por empresas ligadas a Arthur Pinheiro Machado (ver Box).

Novas áreas – O aumento do tamanho da consultoria, propiciado pela incorporação da Risk Office, permitirá à empresa a atuação em novos segmentos. A Aditus pretende atender, por exemplo, investidores estrangeiros que aplicam recursos no Brasil. “Seremos uma consultoria de maior porte e temos a pretensão de atender novos segmentos, como por exemplo, os estrangeiros que estão investindo cada vez mais em ativos no Brasil”, disse Benites.
Outra frente de atuação são os investidores domésticos que investem no exterior, que é uma área que a Aditus já vinha ensaiando a entrada. A ideia é reforçar a consultoria e serviço de informações referentes aos investimentos fora do país.
Benites acredita que o aumento do porte da empresa faz com que as questões regulatórias e exigências dos órgãos fiscalizadores sejam atendidas com menor esforço. Com isso, sobra mais energia para abrir novas frentes. O consultor acredita que o mercado estará cada vez mais desafiador para as consultorias de pequeno porte, que terão que atender exigências e cobrir custos cada vez maiores para sobreviver.
Outra vantagem da nova situação da consultoria é a possibilidade de oferecer soluções mais completas para os clientes. O fenômeno é visto também no mercado de consultorias atuariais, que vem passando por processo de reestruturação. Algumas empresas locais de menor porte foram incorporadas por grandes consultorias globais. São os casos da Gama Consultores Associados, de Antônio Fernando Gazzoni, que foi comprada pela Mercer e da Consult Mais, Miguel Leôncio Pereira, que foi adquirida pela corretora Lockton. O mesmo movimento deve afetar o segmento de consultorias de risco e de investimentos.
Segundo Benites, a Aditus não está em busca de associação com parceiros globais, mas também não descarta a idéia. “No momento não temos nada de concreto, mas isso pode fazer sentido no futuro”, disse Benites. A entrada de novo sócio, seja global ou local, não foi necessária para a concretização da compra da Risk Office. Os valores da aquisição não foram divulgados. Em todo caso, o pagamento será realizado com base no fluxo de receita da empresa em um período “não muito longo”, disse Benites sem dar mais detalhes.
Foco em fundos de pensão – Apesar da ideia de expansão para outros segmentos, a Aditus pretende manter o foco principal de atuação junto aos fundos de pensão. Se por um lado, o mercado de previdência fechada encontra-se estagnado nos últimos anos, por outro, continua sendo um grande mercado. “É verdade, tem crescido pouco, mas temos que prever outras formas de crescimento, por exemplo, com os fundos multipatrocinados e com a previdência aberta”, analisa Benites.
Além disso, por se tratar de um mercado amplo, o novo ciclo de corte dos juros deve produzir um retorno da necessidade de controle de risco e de diversificação. “Mesmo que o mercado de fundos de pensão não cresça, um pequeno movimento de corte dos juros produzirá novamente um movimento de sofisticação das estratégias de investimentos, a exemplo do que ocorreu em 2011 e 2012”, disse Benites. Com tudo isso, o consultor acredita que ainda tem muito espaço para crescer no segmento de investidores institucionais.

RO Participações mantém foco na Nova Bolsa

A RO Participações vendeu toda a parte de consultoria e a base de clientes da Risk Office para a Aditus, mas ficou com os sistemas relacionados ao projeto da nova Bolsa. “A RO Participações ficou com a parte tecnológica que poderá ser agregada ao projeto de estruturação da plataforma de clearing que foi transferido para a Americas Clearing System (ACS)”, disse Arthur Pinheiro Machado, através de comunicado.
Aliás a motivação para a venda da Risk Office foi justamente a manutençãdo do foco da RO Participações e das empresas ligadas à Machado na continuidade do projeto de criação de outra bolsa de valores que seria concorrente da BM&FBovespa. “A motivação para o negócio [de venda da Risk Office] se encontra no fato do acionista do grupo querer estar dedicado à implementação e aprovação dos negócios relativos à nova bolsa que se encontra em estágio avançado”, diz o comunicado.
Machado vinha travando uma disputa pelos ativos e pelo controle da Risk Office com Marcos Jacobsen. A RO Participações tinha captado R$ 72 milhões em debêntures para investir no projeto. A captação foi realizada com recursos do fundo de pensão Postalis. A maior parte deste montante, cerca de R$ 60 milhões, foi investida para a capitalização da Risk Office, que era a parceira da RO no projeto. Porém, Machado e Jacobsen se desentenderam e começaram um litígio que foi parar em uma câmara de arbitragem. Os termos do acordo e o negócio de mudança de controle da Risk Office não foram divulgados.
O que se sabe é que a Risk Office ainda tinha um montante de R$ 35 milhões em caixa, segundo balanço de 2015, proveniente da capitalização para o projeto da nova Bolsa. A RO Participações informou ainda que quitou as debêntures que foram adquiridas pelo Postalis no primeiro semestre de 2015.