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Duration dos passivos será desafio das fundações, diz consultora

Sara Marques LUZ 2Acompanhar de perto as carteiras e monitorar os riscos são, neste momento, as principais preocupações dos fundos de pensão. Mas Sara Marques, diretora de Previdência da Luz Soluções Financeiras, alerta para outro desafio que logo mais baterá à porta das entidades: a duration dos passivos. “Mais beneficiários vão precisar das aposentadorias e pensões mais cedo do que o projetado, devido à alta taxa de mortalidade do coronavírus entre os mais idosos”, lembra a consultora. Segundo ela, as primeiras más notícias nesse sentido já começaram a chegar a entidades às quais a Luz presta serviços.

Sara acredita que haverá uma mudança na estimativa de mortalidade pós-Covid19, com impacto sobre a liquidez. “Quem tinha títulos com determinada taxa de juros poderá precisar marcar o papel a mercado e não mais na curva, com perda de rentabilidade”, explica.  “As estimativas precisarão ser revistas pois com mais benefícios a pagar, provavelmente essas taxas não serão mais fiéis à realidade da entidade”. 

Em relação aos ativos, ela revela que todos os clientes da consultoria estão perguntando o que fazer para lidar com a alta volatilidade e com a mudança na relação entre risco e retorno, sobre onde investir depois de uma queda de mais de 30% da Bolsa em 15 dias.  “Antes do Carnaval, achávamos que a Bolsa já estava precificada para o novo coronavírus, mas logo depois descobrimos que não estava”, afirma. Se, de um lado, resgatar agora não faz sentido para as fundações, que são investidores de longo prazo, por outro a volatilidade alterou o perfil de risco de algumas carteiras e será preciso se adequar, informa.

A executiva acrescenta que os gestores estão todos no limite dos riscos, mas ninguém sabe ainda direito o que fazer, portanto também não devem sair e entrar dos fundos de forma abrupta, “afinal a volatilidade verificada nas últimas duas semanas não é normal”.  A oportunidade de investir em títulos corporativos é outra incógnita, uma vez que a recessão em curso deve impor graves prejuízos a maioria das empresas.

 

NTNBs - Para Sara, porém, a melhor receita ainda é a diversificação. Ela também vê algumas oportunidades – e pelo menos um ponto positivo nesse cenário caótico gerado pela pandemia Covid-19. Segundo Sara, o lado bom é que as NTN-B já começam a ficar atraentes de novo: “Os juros estão subindo rapidamente e já fizemos algumas simulações. Quando chegarem a 5,5% - meta atuarial da maioria das fundações – pode ser uma boa hora para comprar”, diz a consultora.

O ponto positivo, segundo Sara, é a Resolução CMN nº 4.661. “Quando foi editada, o setor chiou – ninguém gosta de regulação, não é?”, diz. Mas as exigências da regra ajudaram as entidades a entender, agora, qual é a real situação das carteiras onde aplicam: “Podem estar tranquilos ou apavorados, mas estão conscientes”, diz.