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Cardápio generoso para fundos de pensão
Controlada pela Abrapp, a Conecta amplia o leque de serviços ao sistema fechado de previdência

A Conecta Soluções Associativas, criada há dois anos pela Abrapp, tem ampliado extraordinariamente seu leque de atividades, que inicialmente se resumia a gerir as dependências da universidade corporativa da entidade, a UniAbrapp. Hoje, além dessa missão original, a Conecta passou a atuar na área de seguros e consultoria imobiliária, na Escrituração Fiscal Digital (EFD), organização de eventos, comunicação e até mesmo comércio eletrônico.
“A ideia é oferecer serviços a custos mais razoáveis, repassando ganhos de escala aos fundos de pensão”, comenta a superintendente executiva da Conecta, Claudia Janesko. Vinda da Fundação de Previdência do Instituto Emater-PR (FAPA), entidade com ativos ao redor de R$ 456 milhões, a executiva iniciou as negociações com a Abrapp em setembro de 2018, bateu o martelo em novembro e assumiu o comando da operação há apenas três meses. “A Abrapp queria alguém que conhecesse bem a realidade e as necessidades de entidades menores, o que pesou a meu favor no processo de escolha”, diz a ex-presidente da FAPA.
Sob nova gestão, a Conecta vem ampliando o seu menu. Em atividade desde 2018, a plataforma de seguros, pilotada pela corretora Apoena, especializada em investidores institucionais, já atende oito fundações em diversas frentes, exceto na contratação de apólices de D&O, para executivos, tarefa a cargo do Sindicato Nacional as Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Sindapp). “Uma das novidades na área é um produto com garantias em relação à Lei de Proteção de Dados Pessoais, que entrará em vigor em 2020”, assinala Claudia.
Na seara imobiliária, a parceria com o braço local da consultoria norte-americana Binswanger também está ganhando diversidade. Voltado, de início, à avaliação de edificações e terrenos, o trabalho conjunto passa a contemplar a elaboração de projetos de desimobilização, pegando carona na Resolução 4.661 do Conselho Monetário Nacional (CMN), de maio de 2018, que determinou o término dos investimentos diretos dos fundos de pensão em imóveis até 2030.
“Mais sofisticado, o novo serviço começa a ser oferecido às fundações, que têm necessidades distintas a respeito. O prazo de 12 anos estabelecido pelo CMN tomou por base a duração média dos planos de previdência, mas há entidades que terão de alienar seus imóveis muito antes da data limite para fazer frente a pagamentos de benefícios”, observa a superintendente executiva.
O trunfo mais recente da central de serviços é o Clube de Benefícios, que oferece descontos à população atendida por fundos de pensão, inclusive funcionários destes, na aquisição de cerca de 15 mil itens de oito categorias, incluindo saúde, decoração, moda, viagens e automotivo. Desde fevereiro, sete entidades aderiram à iniciativa – casos de Sistel, BRF Previdência e Fundação Viva – e pelo menos outras 20 tendem a engrossar o cordão nos próximos meses.
“A meta é contar com 40 fundações até o início de 2020”, diz Claudia, que também promete reforços na rede credenciada. “Restaurantes e lojas de artigos eletrônicos e perfumaria figuram entre as principais prioridades, que estão sendo mapeadas junto aos usuários do Clube.”

Mar aberto – A plataforma de comércio eletrônico, na avaliação da executiva, atende interesses estratégicos de todo o sistema. Isto porque permitirá um grau maior de fidelização do público-alvo das entidades, que se encontra em processo de forte expansão, com o surgimento de produtos instituídos de natureza setorial e voltados a parentes e dependentes dos participantes de planos previdenciários patrocinados. “Se antes as fundações atuavam estritamente no esquema pesque e pague, ou seja, atreladas aos departamentos de recursos humanos dos patrocinadores, agora terão de pescar em mar aberto, concorrendo, inclusive, com planos oferecidos por bancos e seguradoras. Para ter sucesso nessa investida, é essencial estreitar os vínculos de dependentes e familiares dos participantes com as entidades”, diz Claudia.
De olho nesses novos horizontes do setor, a Conecta já faz projetos para ampliar a sua grade de serviços. A intenção é oferecer, já nos próximos meses, consultoria e produtos a fundos de pensão em áreas como marketing eletrônico, vendas e processos. Além de acompanhar atentamente o trabalho das startups ancoradas no Hubble do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (ver reportagem nesta edição), em Belo Horizonte, que estão empenhadas em criar ferramentas específicas para o ramo de previdência complementar, a empresa dá os últimos retoques em duas propostas inovadoras.
“Estamos trabalhando na modelagem de uma solução para a captação e controle da arrecadação dos planos instituídos que estão surgindo e, também, em um sistema de contas digitais, o Conecta Banking. Nossa intenção é apresentar as novidades no próximo Congresso da Abrapp, em outubro, em São Paulo”, informa Claudia.