Oportunidades no pós-reforma | Faeces quer ser a principal opção para os 78 municípios capixabas que terão de criar planos de previdência

O Estado do Espírito Santo tem quatro grandes fundos de pensão – a Funssest, dos funcionários da ArcelorMittal, a Baneses, dos bancários do Banestes, a Preves, dos servidores públicos estaduais, e a Faeces, dos trabalhadores na empresa de saneamento Cesan. Dada as características de cada uma, o presidente da Faeces, Luiz Carlos Cotta, enxerga a oportunidade de crescer o tamanho do fundo de pensão que preside de maneira relevante dentro do Estado nos próximos anos.
Com a aprovação da reforma da Previdência, municípios e Estados sem o porte necessário para criar sua própria EFPC que abrigue os servidores com salário acima do teto do INSS terão de se vincular a alguma entidade de previdência. E Cotta acredita que, dos 78 municípios capixabas, boa parte deles terá a Faeces como a melhor alternativa para administrar seu plano de benefício previdenciário.
“A Funssest é um fundo de pensão de uma empresa privada e já sinalizou que não quer administrar planos que não sejam deles ou dos familiares de seus empregados”, afirma Cotta. “Já a Baneses é a fundação do Banestes, e como o banco vende PGBL e VGBL, a entidade não pode concorrer dentro de um mesmo mercado com o patrocinador”, analisa o presidente da Faeces.
Por fim, no caso da Preves, o último dos potenciais concorrentes no Estado para disputar novos instituidores, o dirigente reconhece que, para os municípios em que os prefeitos têm uma proximidade maior com o governador, pode mesmo ser mais fácil para a EFPC dos servidores ganhar o mandato. “Mas para aqueles municípios que não tem tanta proximidade com o governador, até por uma questão de conflito político que é normal dentro de uma democracia, podemos ser a opção”, afirma Cotta, que aguarda apenas a aprovação pelo órgão regulador do novo estatuto da entidade para iniciar as visitas e oferecer os serviços de administração dos planos de previdência.
A aposta de que a Faeces será, nos próximos anos, além da fundação dos funcionários da Cesan também de uma série de municípios do Espírito Santo, já tem provocado mudanças dentro da entidade. Para o próximo dia 25 de abril, quando serão comemorados os 25 anos da fundação, está sendo preparado um grande evento em que serão anunciadas a nova logomarca e o novo nome do fundo de pensão. “Não seremos mais a EFPC somente da Cesan, por isso entendemos que é importante a adoção de uma nova marca”, afirma Cotta.
Além dos planos instituídos de municípios e de entidades e sindicatos de classe regionais, a Faeces também prepara para abril o lançamento de um plano voltado aos familiares até o quarto grau de parentesco de seus segurados. “Nossas estimativas indicam que ao menos 50% da nossa base de 1,7 mil participantes têm a intenção de trazer parentes para os planos”. Cotta diz também que, pelas experiências de outras entidades, é comum observar entre os dependentes dos participantes que entram no plano família a portabilidade dos recursos em planos de previdência aberta. “O plano família da Fundação Copel, por exemplo, já está com quase R$ 50 milhões de patrimônio, em grande parte devido às portabilidades”.

Segundo o presidente da Faeces, o retorno consistente da carteira de investimentos irá servir como chamariz para atrair novos participantes. Em 2019, os investimentos na carteira da entidade tiveram um rendimento médio próximo de 17%, ante uma meta de 9%. Para manter o bom desempenho em 2020 diante de uma Selic na mínima histórica de 4,25%, está nos planos da Faeces aumentar de 15% para 20% sua posição em renda variável, além de fazer sua estreia no mercado global. A meta é chegar em dezembro com cerca de 8% do portfólio alocado em ativos fora do país, promovendo uma redução da parcela de renda fixa da carteira.
A Faeces tem também uma posição importante no segmento de FIPs, que representam cerca de 12% do total dos recursos da entidade. Em 2019, a fundação obteve um retorno de 18,57% com os fundos de participações no portfólio, que investem em ativos florestais e de infraestrutura. “Dado o bom desempenho, a entidade planeja aumentar a alocação nos FIPs da Lacan que investem em florestas de eucalipto”, afirma Cotta.

Bons retornos permitem reversão de déficit | Infraprev e FIPECq saem do vermelho com retorno dos investimentos em 2019

A política econômica do ministro Paulo Guedes e companhia impactou positivamente os preços dos ativos no mercado financeiro. Mesmo com um PIB que não deve ter crescido muito mais do que 1% em 2019, a percepção dos investidores sobre o trabalho em curso na área econômica resultou em uma valorização de 31,5% do Ibovespa e de 12,8% do IMA-Geral. O bom desempenho da bolsa e da renda fixa deixou os investidores bastante satisfeitos, e os fundos de pensão mais ainda. Isso porque fundações que até então vinham amargando déficits em seus planos conseguiram revertê-los graças aos resultados obtidos no mercado.
A FIPECq, EFPC da FINEP, IPEA, CNPq, INPE e INPA, chegou a ter um déficit de R$ 263 milhões em 2015 no seu plano de Benefício Definido (BD) de R$ 1,5 bilhão. Em 2018, o rombo havia diminuído para R$ 29,1 milhões. Em dezembro passado, fechou no azul em R$ 55,5 milhões após uma rentabilidade do portfólio de 15,45% ante uma meta atuarial de 9,17%.
No Infraprev o pico do déficit foi em 2016, quando as contas fecharam no vermelho em R$ 154 milhões no plano de Contribuição Variável (CV) de R$ 3,6 bilhões. Em 2018, o déficit havia caído para R$ 47 milhões. Em 2019, o plano fechou com superávit de R$ 37 milhões após um rendimento da carteira de 15,66%, o maior desde 2009, frente a meta de 9,05%.
A superintendente interina do Infraprev, Juliana Koehler, afirma que o superávit teria sido ainda maior se não fosse a redução da meta atuarial de 5,50% para 5,30% promovida para o exercício de 2020. “Tivemos de diminuir a meta para nos adequar à realidade do mercado, o que acaba gerando um incremento do passivo”, diz Juliana. “Sem isso, o superávit teria sido de R$ 100 milhões”.
Para reverter o quadro de desequilíbrio financeiro encontrado em 2016 a estratégia foi aumentar a diversificação da carteira, porém com uma atenção redobrada em governança e controles de riscos, afirma a superintendente. O Infraprev aderiu recentemente ao código de autorregulação em governança de investimentos da Abrapp e se prepara para obter o selo. Uma das razões para o déficit nos anos anteriores foram aplicações em Fundos de Investimento em Participações (FIPs) que não performaram conforme o esperado.
Preparado para assumir mais riscos, o Infraprev aumentou ao longo de 2019 de 11% para 19% sua exposição em renda variável, com um mix entre gestão própria e terceirizada. “O ALM indicava uma exposição menor em ações, mas entendemos que seria preciso um pouco mais para superar a meta”, diz Juliana. “Após o período de maior incerteza quando das discussões sobre a reforma da Previdência, começamos a aumentar a parcela em bolsa”, complementa. A decisão não poderia ter sido mais acertada – a rentabilidade da carteira de ações do Infraprev foi de 35,5% no ano passado, superando em quatro pontos percentuais o Ibovespa.
A fatia de 10% aplicados em estruturados foi outro destaque positivo, ao render 24% em 2019. Nesse caso, contribuiram os multimercados e os FIPs, com investimentos em infraestrutura, florestas e educação. Também com um bom desempenho, o investimento no exterior subiu 34,8%, mas representa menos de 1% do portfólio.
Com o objetivo de ampliar o superávit conquistado, o fundo de pensão planeja aumentar a alocação em multimercados estruturados e no exterior. “Iniciamos a alocação global via ETF como forma de aprendizado e agora vamos buscar fundos de gestão ativa”, diz Juliana. Para aumentar a exposição a ativos de maior risco, a renda fixa seguirá perdendo espaço – saiu de 70% em 2018 para os atuais 62% e deve chegar em 60% até dezembro.
A EFPC da Infraero também vai reestruturar sua carteira imobiliária, com a alienação de imóveis e o redirecionamento para fundos imobiliários. “Temos uma concentração de imóveis no Rio de Janeiro, onde a vacância ainda é alta”, afirma a superintendente. Já a alocação em bolsa não deve ultrapassar o patamar atual, considerado adequado pela fundação. “Vamos buscar a superação da meta, mas controlando bem o risco”, diz Juliana. “Nosso plano já é maduro e não traremos volatilidade excessiva para a carteira”.

No caso da FIPECq, quando o déficit alcançou o pico de R$ 263 milhões em 2015, foi o momento em que a página começou a ser virada. Ao se deparar com o tamanho do desafio, a direção da entidade entendeu que era chegada a hora de profissionalizar a gestão da EFPC, encerrando com a tradição de ter membros da diretoria vinculados aos patrocinadores ou aos participantes. Para isso, uma empresa de headhunter foi contratada para buscar profissionais qualificados no mercado.
No mesmo ano Claudio Munhoz assumiu a presidência da FIPECq. O profissional é graduado em Economia pela Universidade de Brasília (UnB) com pós-graduação em previdência privada pela University of Pennsylvania Wharton School. Ele atuou na criação da BrasilPrev e foi diretor administrativo da BB Previdência e da Previ, além de ter sido superintendente de saúde e diretor de seguridade da Sistel.
Assim que chegou, Munhoz identificou a necessidade de reduzir os custos administrativos da entidade – de 32 funcionários em 2015 o número passou para 13, com boa parte das tarefas operacionais sendo terceirizadas. “Tínhamos profissionais com salários acima da média do mercado”, diz o dirigente. Após o trabalho de enxugamento, os custos caíram aproximadamente 50%. “O objetivo ao reduzir as despesas era permitir uma rentabilidade maior, já que a fundação se financia através dos recursos garantidores”, afirma Munhoz.

Além da austeridade fiscal, a busca de rentabilidade também foi priorizada com a contratação de reforços, começando com o convite a Claudinei Perez para ocupar a diretoria de investimentos em 2017. Com cerca de 30 anos de experiência no mercado, Perez tem passagens por BB-BI e Maxblue Investimentos (instituição criada em parceria entre BB e Deutsche Bank para clientes de alta renda), além de ter sido diretor financeiro dos frigoríficos Minerva e Mercosul.
“Quando cheguei a fundação possuía uma carteira própria de renda variável que sequer superava o Ibovespa”, afirma Perez. A decisão então foi vender essa carteira e, com o auxílio da Aditus, desenhar um novo modelo para identificar os melhores fundos de ações, com retornos superiores ao benchmark e menor volatilidade.
Sob os cuidados dos gestores selecionados, o portfólio de renda variável da FIPECq rentabilizou 45% em 2019; a carteira própria, a título de comparação, se fosse mantida teria rendido 21%. “A carteira própria tinha uma exposição grande em Vale, que teve um desempenho ruim”, diz o diretor de investimentos. Assim como os fundos de bolsa, os multimercados também passaram por uma renovação com o mesmo intuito de alcançar maiores retornos com menos risco. No ano passado, a carteira de multimercados da EFPC rendeu 8,96%; o portfólio anterior teria rendido 5,93%.
O FIP da Crescera (antiga Bozano Investimentos) foi outra contribuição importante. A carteira de estruturados do fundo de pensão teve um retorno de 35,7% em 2019, em grande medida devido ao IPO de US$ 300 milhões na bolsa americana Nasdaq em julho da empresa de educação médica Afya, uma das investidas do fundo.
“Para 2020 estruturamos um fundo exclusivo junto à i9, que vai tornar mais ágil as trocas dos fundos em nossa carteira”, diz o presidente da FIPECq. “Dado o cenário desafiador previsto para este ano, sentimos que seria preciso reforçar a estrutura para fazer as mudanças na velocidade necessária”, afirma Munhoz.

Lutando por espaço | Próximo de completar o primeiro aniversário, fundo de pensão batalha para conseguir novas adesões e oferece seguro de morte e invalidez como atrativo

Em março de 2019, na esteira das discussões em torno da reforma da Previdência, a Previc autorizou a criação da Fundação de Previdência Complementar dos Servidores do Distrito Federal (DF-Previcom). Desde então, os novos servidores do DF que recebem acima do teto do INSS, de R$ 6.101,06 em 2020, tem o fundo de pensão como alternativa para garantir seu pé de meia. Antes disso, a única opção era o RPPS da região (Iprev-DF), que assim como praticamente todos os pares enfrenta déficits recorrentes e limitações que impedem um crescimento sustentável.
Com pouco menos de um ano de existência, tendo iniciado as arrecadações em abril do ano passado, a EFPC ainda apresenta números tímidos – são cerca de 70 participantes (dos quais 20 migrados do RPPS) que acumulam uma reserva de aproximadamente R$ 400 mil. “O ano de 2019 foi o primeiro do novo governo e não houve muitas contratações de novos servidores”, afirma a presidente da DF-Previcom, Regina Dias. No entanto, ela está confiante de que até dezembro esses números terão uma evolução significativa, com a esperada retomada das contratações – as projeções indicam que ao fim de 2020 a entidade terá cerca de três mil segurados e R$ 2 milhões de patrimônio.
A estimativa considera apenas os novos servidores que devem tomar posse de seus cargos ao longo dos próximos meses. Atualmente são patrocinadores do fundo de pensão o governo do Distrito Federal, representado pela Secretaria de Estado de Fazenda, a Câmara Legislativa, a Defensoria Pública e o Tribunal de Contas. “Se tivermos uma migração importante de servidores do RPPS, esses números podem ser maiores”, diz a presidente da DF-Previcom, que antes de assumir o cargo foi diretora de investimentos do Iprev-DF e da Funpresp-Exe. Quando ainda estava no RPPS, Regina passou a liderar a comissão de implementação da DF-Previcom e acabou nomeada a primeira presidente do fundo de pensão.
Segundo ela, nas visitas quase diárias que tem feito aos cerca de cem órgãos públicos do Distrito Federal para palestrar sobre a EFPC em busca de patrocínio, o interesse é notório, mas nem sempre acompanhado da tomada de decisão. “Há discussões sobre a possibilidade de uma nova abertura para a migração”.

O prazo para os que querem mudar do RPPS para o DF-Previcom se encerra no dia 24 de fevereiro. Regina, pela experiência prévia que teve na Funpresp, acredita em uma aceleração no ritmo das migrações na reta final do prazo. “Temos investido bastante na comunicação, com um trabalho intenso nas redes sociais, com vídeos educativos para atrair o interesse dos servidores”, afirma a dirigente.
Como chamariz para conseguir um número maior de adesões, em dezembro a EFPC iniciou a oferta do seguro de morte e invalidez. Após processo licitatório, quem venceu a disputa foi a Too Seguros, novo nome da seguradora do Banco Pan, que tem a Caixa e o BTG Pactual como controladores. “Até então, esse era um nicho concentrado nas mãos de Icatu e Mongeral e trouxemos mais um player para esse mercado”, afirma a dirigente. Ela diz que a oferta do seguro foi pensada com vistas a dar conforto ao servidor interessado em migrar para o regime de capitalização – já que o plano da fundação é de Contribuição Definida (CD) – e que tinha receio de falecer pouco tempo depois, com um saldo ainda muito baixo, deixando a família desprotegida.
Outra estratégia da DF-Previcom para ganhar escala será oferecer a administração de planos previdenciários para municípios do Distrito Federal e até para alguns de Goiás próximos da fronteira entre os Estados. “Existem pequenos municípios goianos com uma quantidade relevante de moradores que vem trabalhar no DF, e temos eles no nosso radar também”, afirma Regina.

Economus toma mais risco | Fundação contrata três fundos multimercados, em processo que envolveu 40 gestores, mas não revela os nomes dos fundos escolhidos

O Economus, fundo de pensão dos funcionários da antiga Nossa Caixa, incorporada pelo Banco do Brasil (BB) em 2009, é conhecido por suas fortes posições em títulos públicos federais. Os papéis da União respondem por cerca de 55% de seu portfólio de investimentos, 38,5 pontos percentuais acima da média do sistema fechado de previdência complementar.
Quando esses ativos garantiam ganhos que chegavam a corresponder ao dobro das metas atuariais, tudo ia bem. Nos últimos anos, entretanto, essa realidade vem mudando, já que os títulos públicos não estão mais pagando o suficiente para custear as aposentadorias. Para se livrar da armadilha representada pelo volumoso estoque de papéis da dívida federal, 60% do qual vencerão nos próximos dez anos, a nova direção do Economus, que começou a mudar em abril de 2019 com a nomeação de Júlio Cezar Tozzo Mendes Pereira para a diretoria de investimentos, aprovou a contratação de três fundos multimercados.
O processo de escolha dos gestores começou logo após a chegada de Pereira à casa, com a formação de um time multidisciplinar composto por profissionais das áreas de investimentos, risco e jurídica, além de consultores externos. Cerca de 40 gestores foram submetidos a escrutínio, com base em critérios de rentabilidade, performance e risco. “Batemos o martelo em outubro, com a definição de três fundos abertos, de gestores distintos, nos quais estamos prestes a realizar as primeiras aplicações”, conta o executivo. “Os veículos dão boas opções de diversificação, pois contam com carteiras macro e ancoradas mais fortemente em ações.”
A fundação não quis revelar o nome das assets escolhidas, justificando ser estratégico. De qualquer forma, elas terão como meta gerar ao plano PrevMais, único produto previdenciário da fundação aberto a adesões, uma rentabilidade anual equivalente a 125,50% da variação da taxa Selic, conforme definido pela política de investimentos. “Acreditamos que, nos dois primeiros anos de operações, os multimercados responderão por algo entre 1% e 2% do patrimônio da fundação”, diz Pereira.

Com patrimônio líquido de R$ 6,8 bilhões, o Economus tem cerca de R$ 4,5 bilhões abrigados no plano BD e R$ 2,06 bilhões no PrevMais, de contribuição variável (CV). O primeiro está às voltas com três equacionamentos de déficits – o mais recente, de R$ 1,5 bilhão, apurado em 2017 –, mas vem apresentando rentabilidades consistentes. Entre 2017 e 2019, rendeu 8,93%, 17,85% e 16,62%, superando as metas atuariais em 1,64, 8,21 e 5,90 pontos percentuais. Já o CV encerrou 2019 com rentabilidade de 8,33%, 0,48 ponto acima da meta estabelecida.
Em dezembro passado, o BD contabilizava 79,8% de seus recursos em renda fixa e 10,8% em renda variável, opções que renderam retornos de 14,54% e 30,95%, respectivamente. O restante estava aplicado em imóveis (4,3%), operações com participantes (1,8%), e investimentos estruturados (3,35%). Já o CD, tinha 87% alocados em renda fixa, basicamente títulos pós e prefixados, que contribuíram com um ganho de 7,13%, além de 6,7% em empréstimos aos participantes, 6% em renda variável e 0,3% em fundos estruturados.
Além de iniciar a reestruturação do portfólio, contratando gestores multimercados e mudando o perfil de investimentos, a fundação vem aplicando um rígido programa de controle de gastos. O aperto de cintos ganhou intensidade a partir de 2018, em razão do déficit apurado no exercício anterior. “O processo de reestruturação foi intenso. O quadro de pessoal, por exemplo, teve uma redução de 21%, para 144 funcionários, em 2018”, comenta o diretor-superintendente Amauri Aguiar de Vasconcelos, que assumiu o posto em novembro.
O corte gerou uma economia de R$ 5 milhões, equivalente a 15% da folha de pagamentos em 2016. Além disso, a fundação, entre outros ajustes, terceirizou o processamento de dados, desfez-se de dois veículos e de uma equipe de motoristas, e renegociou contratos com fornecedores, conseguindo reduzir os pagamentos, no caso das operadoras telefônicas, em até 70%. “Enxugamos as despesas, no total, em R$ 11,6 milhões ao ano”, observa Vasconcelos.

O déficit mais recente no plano BD é resultado da somatória de diversos fatores, entre eles um programa de incentivo às aposentadorias do BB, revisões de benefícios decorrentes de ações judiciais e a rentabilidades abaixo das metas atuariais no passado. A conta, a ser dividida entre patrocinador (50%) e participantes, aposentados e pensionistas (os outros 50%), começou a ser paga há dez meses e levará 17 anos para ser completamente equacionada.
Para evitar novos desequilíbrios, a cúpula do Economus tomou duas providências recentemente: reduziu a meta atuarial do BD, de 5,85% para 5,5% além da variação anual do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), e tirou de cena a antiga Tábua de Entrada em Aposentadoria, cujos parâmetros levavam em conta a postergação dos pedidos de aposentadoria por parte dos participantes do plano, hábito que caíra em desuso há um bom tempo. “A nova tabela prevê a disponibilidade de 100% dos recursos capitalizados tão logo o participante preencha os requisitos de elegibilidade dos benefícios previdenciários. Não corremos mais riscos em razão de aposentadorias intempestivas”, assinala Pereira.

Elas trazem resultados | Trio de executivas à frente do fundo de pensão dos metroviários paulistanos enxuga despesas, diversifica aplicações e colhe retornos na casa de dois dígitos

O Metrus, o fundo de pensão dos funcionários do Metrô de São Paulo, se tornou, há pouco mais de um ano, um ponto fora da curva no conservador sistema fechado de previdência complementar nacional. Sua cúpula executiva é 100% composta por mulheres: a diretora-presidente Alexandra Leonello Granado, que assumiu o comando em dezembro de 2018, a diretora de investimentos e previdência Keite Bianconi, no posto desde maio de 2018, e Cícera Simoneide Figueiredo Carvalho, titular da área de saúde há 13 meses. As nomeações pelo conselho deliberativo, segundo Alexandra, não tomaram como referência qualquer política de diversificação de gênero, atendo-se, única e exclusivamente, aos critérios de qualificação profissional.
“Ficamos muito contentes, claro, pelo fato de as mulheres estarem ocupando espaços de destaque na sociedade em geral, mas no caso específico do Metrus a mudança foi fruto exclusivo de critérios profissionais. Foi uma feliz coincidência resultante da conjuntura da entidade”, diz Alexandra, que antes de se presidente do Metrus foi presidente do conselho deliberativo da fundação, de 2015 a 2018, e diretora do Metrô, de 2012 a 2013, onde respondeu pela área de assuntos corporativos.
Diversos estudos realizados pelo meio acadêmico, consultorias e instituições internacionais atestam que o talento feminino agrega valor a empresas e organizações em escala significativa. O relatório “Conclusões sobre gênero”, publicado em 2013 pela International Finance Corporation (IFC), braço do Banco Mundial voltado ao setor privado, revela, por exemplo, que a remoção de obstáculos à atuação das mulheres em setores e ocupações dominados por homens, caso dos fundos de pensão, gera ganhos de produtividade na faixa de 13% a 25%.
A maioria da população atendida pelo Metrus – composta por 12.130 participantes ativos e aposentados na previdência e 72 mil vidas nos planos de saúde – pode até ignorar essas conclusões, mas parece confiar no trabalho da equipe feminina. Tanto que as contribuições espontâneas ao Plano II, de contribuição variável (CV), e ao instituído Metrus Família, de contribuição definida (CD), atingiram a marca recorde de R$ 2,43 milhões em 2019, valor 131,77% acima do pico anterior, registrado em 2018. “Os participantes reconheceram os benefícios resultantes dos ajustes efetuados na entidade”, comenta a presidente.
A nova diretoria tem apostado em cortes de custos e busca de retornos fortes para as aplicações. Em abril de 2019, com a revisão e a unificação dos equacionamentos dos déficits apurados em 2008, 2011 e 2015 no Plano I (BD), as contribuições extraordinárias dos participantes ativos pode cair entre 35% e 2.771,19% e a dos assistidos 26,71%.
Os riscos de novos desequilíbrios do Plano I, constituído há 27 anos, poderão ser eliminados de vez. O Metrus se prepara para dar início à análise de um projeto de substituição do BD por até dois planos, de CV e CD. A proposta será objeto de detalhados estudos atuariais e negociações com as partes envolvidas – patrocinadores, participantes e assistidos. “A iniciativa atende a uma demanda apresentada pela própria população do Plano I, que em boa parte se arrependeu de não ter migrado para o Plano II, criado em 1999”, observa Alexandra.
Além da redução das contribuições extraordinárias do BD, a fundação também cortou na carne, enxugando o quadro de pessoal e os níveis hierárquicos, incluindo as extinções de uma diretoria e algumas gerências, a renegociação de contratos com fornecedores, entre outros itens, que permitiram uma economia de cerca de 30% em 2019. O rearranjo contemplou, ainda, a desocupação de um dos quatro conjuntos comerciais utilizados pela entidade, que será alugado ou transformado em ambulatório. “Ganhamos em eficiência e repassamos essas conquistas aos nossos participantes e assistidos na forma de uma redução nas taxas administrativas: de 0,66% para 0,56% dos recursos garantidores”, diz Alexandra.

Na mesma linha, as carteiras de investimentos foram submetidas, nas palavras da executiva, a uma “operação pente fino”. A entidade realizou uma análise de todos os ativos de seus planos e passou a cobrar mais frequente e intensamente os 56 gestores externos. A regra se aplica até mesmo aos responsáveis por fundos DI, voltados a aplicações de recursos em caixa com remunerações alinhadas ou mesmo abaixo do CDI. “Cobramos retorno, qualquer que seja a classe do veículo. Um de nossos fundos DI, por exemplo, entregou 115% do CDI em 2019”, destaca.
A elevação da régua levou, no entanto, a poucos desinvestimentos. A fundação encerrou aplicações em apenas dois fundos imobiliários, que eram lastreados em três edifícios corporativos de São Paulo. “Estamos muito atento a oportunidades no segmento de fundos imobiliários”, diz Alexandra. “Mas nosso foco está voltado para veículos que estejam realizando novas chamadas de capital e que tenham vários ativos em carteira. Só um ativo, ou poucos, nem pensar.”

Ajustes em planos, cortes de custos e uma maior exposição à renda variável – na contramão do ALM (Asset Liability Management), que recomendava apostas mais firmes em renda fixa – trouxeram bons resultados. O Plano I, com patrimônio líquido de R$ 1,37 bilhão, fechou 2019 com rentabilidade de dois dígitos pelo segundo ano consecutivo: 12,35%, superando a meta atuarial em 2,38 pontos percentuais. Já o Plano II, com volume de R$ 1,33 bilhão, colheu o maior retorno dos últimos seis exercícios: 15,81%, acima do alvo em 6,32 pontos percentuais.
“No Plano I, que é maduro e está fechado para adesões, aumentamos a parcela de renda variável de 1,1% para 4,48% atendendo inclusive a pedidos dos próprios participantes. Deu certo, pois a renda variável garantiu um retorno de 38% em 2019”, conta Keiti Bianconi. “O mesmo ocorreu no Plano II: a fatia de renda variável cresceu de 11% para 17,4%, gerando um ganho de 41%.”
Outro destaque foram os investimentos no exterior, que representam pouco mais de 4% das carteiras dos planos BD e CV, cerca de 0,5% acima do registrado há um ano. Pilotados por gestores distintos, os sete fundos de investimentos no exterior com os quais opera, todos abertos (três de renda variável e quatro macros), renderam 24,6% em 2019. Segundo Keiti, essa classe tende a ganhar espaço nas aplicações da fundação, em razão dos bons retornos alcançados. “Pretendemos constituir dois novos fundos exclusivos para investimentos externos, um para cada plano”, revela Keiti. “Eles permitirão alocações em mercados e ativos diferentes daqueles contemplados nos fundos abertos que aplicamos.”
Além disso, o portfólio da entidade elevou seu nível de risco no exercício passado. A renda variável aumentou de 5,95% para 10,84% e os investimentos estruturados, centrados em multimercados, saltaram de 7,61% para 10,42%. Já a renda fixa declinou de 72,18% para 66,73%, embora tenda a ganhar gás neste ano com aplicações em crédito privado (ver reportagem nesta edição).
“A diversificação é o melhor seguro de risco”, diz Alexandra, que além dos FIIs com poucos ativos em carteira decidiu vetar, assim que assumiu a presidência da fundação, também aplicações em fundos de investimento em participações (FIPs). “Não é possível descartar a possibilidade de novas incursões em FIPs, em razão da queda dos juros, mas por conta de algumas más experiências que tivemos nessa área esses fundos não figuram em nosso planejamento.”
A carteira de imóveis encolheu em 2019, com a venda da participação no Plaza Sul Shopping, em São Paulo. A diretoria da entidade, entretanto, não tem pressa alguma em alienar ou transferir para fundos os ativos remanescentes – cotas dos shoppings Metrô Itaquera e Boulevard Tatuapé, duas torres residenciais e quatro salas comerciais – para se enquadrar à Resolução 4.661, que estabeleceu a zeragem dos investimentos diretos dos fundos de pensão em imóveis até 2030.
“Só vendemos a participação no Plaza Sul porque recebemos uma boa oferta”, diz Alexandra, que, a exemplo de outros dirigentes do sistema, acredita em uma revisão, ainda que parcial, da exigência imposta pela Resolução 4.661. “Tudo bem em proibir as fundações de não comprar novos imóveis, mas não faz sentido exigir que se livrem do estoque, inclusive de suas sedes, pois resultará na elevação dos gastos administrativas já que elas terão de alugar imóveis.”

Eletros lança canal para participantes denunciarem irregularidades

A Eletros, EFPC da Eletrobrás, lançou o canal de comunicação denominado ‘Integridade Eletros’, para que participantes possam denunciar, de forma anônima e confidencial, a ocorrência de irregularidades ou de qualquer tipo de situação que atente contra um ambiente de trabalho saudável, íntegro e ético.

São consideradas irregularidades fraudes econômico-financeiras; entrega de informação confidencial da empresa; conflito de interesses; descuido ou utilização inapropriada dos bens da organização; uso inapropriado do nome, logo e marcas da empresa; assédio moral ou maus tratos.

Após o contato, a informação será registrada por uma equipe especializada da Resguarda (que fica fora da Fundação), garantindo total independência e objetividade, e posteriormente é enviada a instâncias competentes para apuração dos fatos e suas implicações, bem como as medidas a serem tomadas.

Em janeiro, o Postalis havia anunciado iniciativa semelhante. 

 

 

Plano do Centrus ganha novos instituidores

Com lançamento previsto para o segundo trimestre, o CentrusPrev+, novo plano do Centrus, o fundo de pensão dos funcionários do Banco Central (BC), recebe reforços em seu time de instituidores. As três entidades de ex-funcionários que haviam endossado o produto em dezembro último acabam de ganhar a companhia da Associação Recifense de Antigos Funcionários do Banco Central (Arfab) e do próprio Centrus.

Portus segue sob intervenção da Previc

A Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) renovou por mais três meses, na última segunda-feira (17/02), a intervenção no Portus, o fundo de pensão dos trabalhadores do setor portuário. Sob a tutela da Previc desde 2011, a entidade, que acumulava em dezembro de 2018 um déficit de R$ 2 bilhões, deu prioridade em sua política de investimentos para 2020 a aplicações de extrema liquidez. “Esse cuidado é necessário tendo em vista a necessidade constante de utilização dos recursos investidos para pagamentos das folhas de suplementares e de benefícios, não havendo possibilidade de espera na maturação de investimentos de médio ou longo prazos, visto que o estoque de ativos é insuficiente para comportar tal maturação”, diz o documento.

Petros aprova novo plano de equacionamento de déficit

O Conselho Deliberativo da Petros aprovou nesta quinta-feira (20) o novo plano de equacionamento de déficit (PED), que visa reduzir o impacto financeiro das contribuições extraordinárias no orçamento mensal de grande parte dos participantes e oferecer sustentabilidade aos planos PPSP-R e PPSP-NR. O novo PED abrange os déficits de 2015 e 2018, além de incorporar o resultado de 2019.

O novo PED apresenta alíquota única de contribuição extraordinária, com variação segundo a situação do participante no plano (ativo ou assistido). “É importante ressaltar que, após a atualização dos cálculos, essas alíquotas de contribuição extraordinária ficaram menores do que aquelas apresentadas durante o período de negociação do novo PED, o que reduzirá ainda mais o impacto financeiro do equacionamento no orçamento dos participantes”, diz a EFPC, em comunicado. Segundo ela, isso foi possível diante do bom resultado dos investimentos ocorrido no ano de 2019.

O novo plano de equacionamento também estende o tempo de cobrança para vitalício ao invés de 18 anos e institui uma contribuição de 30% sobre o 13º benefício. Ainda de acordo com o fundo de pensão da Petrobras, algumas alterações — cálculo dos benefícios, desvinculação do INSS e reajuste pelo IPCA — só serão aplicadas a participantes sem direito adquirido, isto é, apenas os ativos que não estiverem aposentados pelo INSS até o dia anterior ao da aprovação das mudanças pela Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) e seus futuros pensionistas. O Novo PED segue agora os trâmites de aprovação das instâncias de governança dos patrocinadores; da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest), órgão supervisor da Petrobras; e da Previc.

Redução de meta atuarial – Além do novo PED, o Conselho Deliberativo também aprovou a redução das metas atuariais dos planos PPSP-R e PPSP-NR para 4,43% + IPCA e 4,37% + IPCA. “Tal medida foi apontada como necessária pelas áreas técnicas e é extremamente benéfica para os planos na medida em que reduz o risco de novos déficits”, informa a entidade.

Petros coloca imóveis à venda com até 30% de desconto

Como parte do plano de desinvestimento em imóveis para adequar os investimentos aos perfis das carteiras dos planos administrados, a Petros irá leiloar, no próximo dia 13 de março, salas comerciais e lojas de centros empresariais localizadas no Rio de Janeiro e em Brasília. Os imóveis serão oferecidos com descontos que variam de 20% a 30% e preços a partir de R$ 87,9 mil. “Isso não significa, porém, perda para o patrimônio da Fundação, uma vez que os imóveis, em sua maioria, estão vazios, gerando despesa de administração, além de não estarem adequados à carteira imobiliária de um investidor de grande porte como a Petros”, informa a EFPC, em comunicado.