PF faz buscas no gabinete de deputado que atuou na CPI dos Fundos de Pensão

O gabinete do deputado Sérgio Souza (MD-PR), relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos fundos de pensão que funcionou na Câmara dos Deputados nos anos de 2015 e 2016, foi alvo de buscas da Polícia Federal na manhã de hoje (21/10). O deputado está sendo investigado na operação Grand Bazar, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, por suspeitas de receber propinas para acobertar desvios em investimentos dos fundos de pensão na época da CPI.

A CPI funcionou durante oito meses e investigou a atuação dos maiores fundos de pensão entre os anos de 2003 a 2015. Foram investigados quatro fundos, todos ligados à estatais federais: Previ (Banco do Brasil); Funcef (Caixa Econômica Federal), Petros (Petrobras) e Postalis (Correios). A suspeita da Polícia Federal é que Souza teria recebido R$ 3,25 milhões em propinas para evitar o indiciamento de ex-dirigentes de fundos de pensão, entre eles Wagner Pinheiro, da Petros, e Antonio Carlos Conquista, da Postalis.

O ministro Celso de Melo também decretou o bloqueio e sequestro de bens do deputado Sérgio Souza, dos ex-dirigentes Wagner Pinheiro e Antonio Carlos Conquista, do empresário Arthur Pinheiro Machado, do lobista Milton de Oliveira Lyra Filho e do advogado Marcos Joaquim Gonçalves Alves.

Em nota, o deputado Sérgio de Souza afirmou que “foi tomado de surpresa em relação à operação”, acrescentando que “está tranquilo e se coloca inteiramente à disposição da Justiça para elucidar qualquer fato que seja necessário”. A nota diz ainda que, “a partir deste trabalho Parlamentar, foram identificados desvios bilionários dos fundos de pensão e proposto o indiciamento de mais de 300 pessoas físicas e jurídicas”.

O caso – Durante os oito meses da CPI os parlamentares detectaram irregularidades nas quatro fundações investigadas, com prejuízos que segundo o relatório de Sérgio de Souza na época, chegavam a R$ 6,6 bilhões. O relatório sugeriu o indiciamento na área penal de 146 pessoas suspeitas de envolvimento em esquemas de corrupção, além de outros 155 indiciamentos na área civil e 52 na área administrativa. Alguns desses indiciamentos referem-se à mesma pessoa, em áreas diferentes.


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