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General fala de seus planos para a Postalis
Oficial da reserva, Paulo Humberto Cesar de Oliveira quer recuperar imagem desgastada da entidade usando a credibilidade do Exército

Em janeiro de 2020 o general da reserva Paulo Humberto Cesar de Oliveira, que chegou a ocupar o posto de chefe do Estado-Maior do Exército, foi destacado para assumir a presidência do Postalis, fundo de pensão dos Correios. A EFPC havia acabado de sair do processo de intervenção no qual estava desde 2017 por investimentos em fundos que não performaram conforme o esperado, seja por condições adversas do mercado ou má fé e indícios de corrupção.
Em grande parte devido a esses investimentos problemáticos, além de valores não repassados pela patrocinadora ao Postalis, o déficit do seu plano de Benefício Definido (BD) soma atualmente cerca de R$ 12 bilhões, para um patrimônio próximo de R$ 3 bilhões desse plano. De acordo com Oliveira, sua chegada à fundação, após anos em cargo de liderança em uma das instituições de maior credibilidade junto à sociedade brasileira, segundo palavras do próprio dirigente, irá contribuir para a recuperação da imagem do Postalis junto aos participantes e o mercado. Ele avalia que esse processo já está em curso. “Minha nomeação na presidência da fundação passa o recado de que a administração será feita de forma séria, buscando realmente trazer algo de bom para os participantes”.
A princípio, o general assumiu a presidência da EFPC em um mandato tampão que deve se estender até junho. “Meu trabalho será consolidar as boas práticas que foram elaboradas, mas não totalmente implementadas, durante o período de intervenção, que foi muito importante ao impor um freio de arrumação, e até mais do isso, colocou a casa em ordem”, afirma o presidente do fundo de pensão. Ele ressalta, contudo, que ainda não há uma definição sobre como será a composição da diretoria executiva a partir do segundo semestre. “A depender de como forem as conversas com os Correios, posso ficar na presidência do Postalis por mais tempo”, diz Oliveira.
A consolidação em desenvolvimento da governança da fundação, afirma o dirigente, impede que as práticas espúrias que levaram ao déficit atual voltem a ocorrer. Inclusive, entre as prioridades elencadas pelo presidente do Postalis está a recuperação de valores perdidos por condições adversas do mercado, mas principalmente por gestão temerária, seja de ex-dirigentes do próprio fundo de pensão ou de agentes do mercado.
“Estamos com uma série de processos na Justiça na tentativa de recuperar os valores que foram tirados de dentro da fundação”, afirma Oliveira. Apenas contra o BNY Mellon, responsável pela administração de fundos que drenaram recursos do Postalis, são sete processos. “O BNY Mellon foi um dos que mais causou prejuízos ao fundo de pensão”, diz o general. De acordo com ele, que prefere não fazer uma estimativa do valor em potencial a ser recuperado por ainda estar em negociação com as partes, esse trabalho tem sido feito em parceria com o Ministério Público Federal, que tem uma força-tarefa destinada a investigar investimentos feitos pela fundação. Procurado, o banco não se manifestou.

Além da recuperação de investimentos, a criação de um novo plano, possivelmente na modalidade de Contribuição Definida (CD), para tentar solucionar ou ao menos minimizar o rombo do plano BD, é outra prioridade apontada por Oliveira. “Estamos conversando com as associações dos participantes para tentar encontrar a melhor saída, e a criação de um novo plano é uma possibilidade, mas não descartamos outras alternativas”. Em março, o Postalis assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Previc que estabelece um prazo de 24 meses para a definição de uma estratégia para a reversão do déficit. “A Previc tem sido um importante apoio no trabalho que temos realizado no Postalis, mesmo porque é também do interesse dela que a situação anterior na EFPC não volte a se repetir”, afirma o dirigente.

Em relação aos investimentos da EFPC em 2020 em um cenário de juros baixos e alta volatilidade por conta do coronavírus, Oliveira, mais do que acostumado ao enfrentamento de situações adversas em seus mais de 40 anos à frente de batalhões das Forças Armadas, demonstra tranquilidade ante o alarmismo do mercado. “Nosso horizonte de investimento é de longo prazo e toda a queda do mercado pode até representar oportunidades para o Postalis, mas o momento exige cautela”, diz o dirigente, que demonstra ter rapidamente absorvido ao perfil militar uma visão um pouco mais próxima à dos gestores de mercado.