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Funpresp-jud quer novos gestores
Fundação inicia processo de seleção para três fundos exclusivos e até 34 fundos abertos de renda fixa, ações, multimercados e investimentos no exterior

Após a licitação da Funpresp-Exe (servidores públicos do Executivo e Legislativo federais) no final do ano passado, que resultou na seleção de 13 fundos abertos voltados aos seus quatro perfis de investimento, agora é a vez da Funpresp-Jud (servidores públicos do Judiciário e Ministério Público da União) selecionar, no próximo mês, gestores para três fundos exclusivos e outros 34 fundos abertos incluindo renda fixa, ações, multimercados e investimentos no exterior.
A fundação possui hoje quatro fundos exclusivos, sendo um com gestão própria e três com gestores externos (BB DTVM, Sul América e BNP Paribas). Dos três fundos exclusivos que serão licitados a partir do próximo mês, dois destinam-se a substituir os da BB DTVM e da Sul América, cuja performance ficou abaixo do benchmark, e o terceiro será agregado ao time. O exclusivo tocado pelo BNP Paribas não terá alterações, assim como o fundo próprio.
BB DTVM e Sul América, que perderam a gestão dos dois exclusivos, terão de cumprir uma quarentena de 18 meses antes de poderem se candidatar novamente à prestação de serviços de gestão à Funpresp-Jud.
Os três exclusivos licitados contarão com aportes de, no mínimo, R$ 65 milhões cada. O Funpresp-Jud Athena, conduzido pela equipe da entidade, possuia patrimônio líquido, em janeiro, de R$ 257,02 milhões, enquanto o BNP Mafdet contava com R$ 65,93 milhões.
“Isso corresponde ao total do portfólio. Além dos novos, vamos substituir alguns fundos que não estão atingindo os benchmarks estabelecidos”, comenta o diretor de investimentos da Funpresp-Jud, Ronnie Gonzaga Tavares, no posto desde janeiro de 2014.
No grupo de fundos abertos, composto por 25 produtos, estão previstas alterações ainda mais profundas. A Funpresp-Jud pretende trocar pelo menos oito fundos que vêm apresentando baixos retornos e elegerá outras 26 opções, seguindo novas diretrizes estabelecidas pela sua política de investimentos. O leque será reforçado, entre outros, com fundos de ações indexados, de renda fixa e multimercados voltados ao mercado internacional e veículos “domésticos” de renda variável, crédito privado e multimercados lastreados em títulos de baixa liquidez.
“Também estamos interessados em fundos imobiliários, que ganharam recentemente espaço em nossa política de investimentos, com um teto de até 4% do patrimônio líquido”, observa o executivo. “Devemos iniciar as aplicações ainda neste primeiro semestre. Se os fundos escolhidos forem listados em bolsa, não teremos de realizar processo de credenciamento.”

Os ajustes em curso devem afetar bastante os resultados da entidade, hoje com um patrimônio total ao redor de R$ 770,95 milhões. Nos próximos quatro anos a Funpresp-Jud deve elevar as participações da renda variável e de fundos multimercados dos atuais 16,5% e 8% para 35% e 12% do bolo. Em paralelo, a renda fixa cai de 73,6% para 41%.
“Com a queda da taxa Selic, resolvemos acelerar o processo de diversificação do portfólio”, diz o diretor de investimentos. “Como a renda fixa não garante mais retornos satisfatórios, teremos, daqui por diante, de buscar ganhos adicionais em outros segmentos do mercado.”
A redução dos juros básicos para os menores patamares da história, além dos solavancos sofridos pelo mercado ao longo da década, não comprometeram as performances da Funpresp-Jud. Em operação desde 14 de outubro de 2013, a entidade cresceu a uma média de 11,59% ao ano entre 2014 e 2019. No exercício de 2019, a rentabilidade foi de 12,15% e superou em 3,41 pontos percentuais o benchmark (IPCA).

Com 98 patrocinadores, a entidade também faz projetos em relação aos seus cerca de 19.650 participantes, dos quais 64% são vinculados à justiça comum e trabalhista e ao Ministério Público da União. O pacote inclui a criação de um plano instituído para os familiares da população hoje atendida pela casa, ainda sem cronograma definido, e a oferta, seguindo o exemplo do Funpresp-Exe, de perfis de investimento. Já aprovada, a proposta deve ser anunciada no próximo ano, após a definição da quantidade e das características dos perfis e de ajustes no sistema de processamento de dados.
“O modelo dos perfis será o data-alvo, já utilizado por alguns fundos de pensão no Brasil, que, em linhas gerais, reduz a exposição ao risco à medida que os participantes se aproximam das suas aposentadorias”, explica Tavares. “Migrações para perfis não recomendados, de maior ou menor risco, só serão permitidas mediante a assinatura de documentos pelos participantes.”

Johnson terá seleção de gestor para fundo exclusivo
Em atividade há 35 anos, o fundo de pensão do grupo Johnson & Johnson está empenhado em reforçar o seu time de gestores externos, hoje composto por duas instituições. Com o auxílio da consultoria PPS - Porftfolio Performance, a entidade deu início, no último mês, ao processo de seleção de uma gestora, estabelecendo como pré-requisitos o montante de R$ 5 bilhões em ativos de terceiros, dos quais pelo menos R$ 1 bilhão em ações. Ao escolhido caberá a condução de um fundo exclusivo de renda variável, a ser constituído com um patrimônio líquido ao redor de R$ 76 milhões. O montante corresponde, em grande parte, ao total de recursos que serão resgatados com o vencimento, em agosto, de aplicações em Notas do Tesouro Nacional (NTNs). A troca de posições elevará para 12% a fatia das ações no patrimônio líquido da fundação, hoje concentrado em cerca de 90% em títulos de renda fixa.
“Temos uma sólida carteira de renda fixa composta, sobretudo, por NTNs com vencimentos até 2055, que proporcionam ganhos de 7,5% ao ano, mais do que suficientes para garantir o cumprimento da meta atuarial do nosso plano BD, de 5,47% além da variação do INPC”, comenta a gerente da fundação, Julianna Semedo.
A decisão de contratar um novo gestor foi fruto, além da queda da remuneração dos títulos públicos, do retorno insatisfatório oferecido por um dos gestores. Esse gestor de renda variável não será afastado, mas terá de ceder parte dos seus recursos para a asset que cuidará do fundo exclusivo”, diz o analista da fundação, Lincoln Guabajara Santos.
A entidade teve retornos na faixa de 11% a 12% nos últimos três anos. Embora incursões em novos segmentos não estejam descartadas, a prioridade do momento é a diversificação em renda variável. “Nossa política de investimentos garante acesso a todas as opções previstas na Resolução 4.661 do Conselho Monetário Nacional, de maio de 2018. Isso não significa, contudo, que iremos direcionar recursos para todas elas”, observa Santos.
Com um patrimônio líquido de R$ 1,9 bilhão, a fundação da Johnson & Johnson soma 6,8 mil participantes ativos e 1.012 assistidos. Além de um plano de benefício definido (BD) de caráter não contributivo, o fundo de pensão oferece ao seu público um plano gerador de benefício livre (PGBL) para o qual os patrocinadores contribuem com 50% dos aportes.
“A situação é confortável, mas em razão da queda da Selic demos início a estudos para a fusão do BD com o PGBL”, diz Julianna.