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Plano BD do Postalis acumula retorno de 5,43% no ano, até maio

Alexandre Dias Miguel Postalis

Apesar da forte volatilidade do mercado de ações, com quedas acentuadas nos meses de fevereiro e março e recuperação espantosa nos meses de abril e maio, algumas fundações estão conseguindo bons resultados em suas carteiras de investimento. É o caso do Postalis, o fundo de pensão dos funcionários dos Correios, que acumulava crescimento de 5,43% no ano, até maio, em seu plano de Benefício Definido (BD).
Segundo o diretor interino de investimentos da fundação, Alexandre Dias Miguel, a carteira de renda variável do BD, com patrimônio de R$ 3,22 bilhões, apresentou retorno de 38% em dois meses, entre o fim de março e o final de maio. “Esse desempenho contribuiu de forma decisiva para que o plano superasse a sua meta atuarial no acumulado do ano em 3,54 percentuais”, diz.
O resultado positivo do plano reflete decisão tomada em dezembro passado, durante a elaboração do estudo de ALM (casamento de ativos e passivo), de aumentar as alocações em renda variável, que à época correspondiam a apenas 1% dos recursos garantidores do plano. A ideia era aproveitar a esperada realização de lucros pelo mercado, uma vez que na época o Ibovespa acabara de romper a barreira de 110 mil pontos e seguia em curva ascendente, para realizar aportes em fundos de ações em condições mais favoráveis. O momento escolhido coincidiu com o ponto de maior baixa do Ibovespa em 2020, entre os dias 20 e 23 de março. “Saímos comprando quando o Ibovespa atingiu o seu menor patamar no ano, na faixa de 63 mil a 67 mil pontos. Investimos R$ 200 milhões nos fundos, o equivalente a 8% do patrimônio líquido do plano”, observa Miguel.
Os gestores de fundos de ações selecionados pela fundação seguem estratégias fundamentalistas, comprando ações principalmente de bancos, empresas de energia e companhias com receitas dolarizadas. A participação da carteira de renda variável nos ativos totais do plano BD, graças à valorização do mercado acionário, subiu de 8% para 9,54%, entre o fim de março e maio. Desde então, o Postalis não mais realizou aportes em fundos de ações. No momento, sua diretoria aguarda a conclusão de um novo ALM para definir novas estratégias em meio a cenários econômicos e sanitários ainda bem nebulosos. “Não pensamos em realizar lucros em renda variável”, diz Miguel. “Estamos, sim, estudando a adoção de mecanismos de hedge para travar os ganhos obtidos no mercado acionário.”