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Previ quer voltar ao Conselho do PRI
Fundação tenta recuperar espaço no conselho da organização que estimula investimentos responsáveis, da qual é um dos fundadores

A Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, quer retomar o cargo que manteve por anos no Conselho do Principles for Responsible Investment (PRI), comunidade global voltada à definição e à implantação de conceitos e práticas de investimentos sustentáveis. A fundação lançou a candidatura do gerente executivo de controles internos Rafael Soares Ribeiro de Castro para as eleições que apontarão o(a) substituto(a), no board da organização internacional, de Renosi Mokate, presidenta do conselho de curadores do Government Employees Pension Fund (GEPF), da África do Sul. A disputa ocorrerá entre 21 de outubro e 4 de dezembro.
A posição no Conselho do PRI foi perdida em agosto de 2018 com a renúncia do ex-diretor de planejamento da Previ, Marcus Madureira, que tinha tomado posse em janeiro daquele ano. O PRI reúne 3.380 membros, com cerca de US$ 110 trilhões em ativos sob gestão.
“Buscarei contribuir com essa perspectiva de diversidade em minha participação no board do PRI, onde hoje é baixa a representatividade dos mercados emergentes”, diz Castro, que tenta se eleger pela segunda vez em 12 meses. 
Formado em direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com pós-graduação em negócios sustentáveis pela Universidade de Cambridge, da Inglaterra, o executivo atua no PRI desde 2008, quando ajudou a organizar encontros de signatários brasileiros do movimento.Também integrou os comitês técnicos de relatórios e de avaliação do organismo internacional. “Além disso, participei por cerca de sete anos das reuniões do board do PRI, em conjunto com a representação da Previ”, conta Castro.
O candidato defende ações sistêmicas do organismo voltadas à disseminação do conceito de investimentos sustentáveis. A prática, segundo ele, vem ganhando escala no Brasil graças a iniciativas como o Grupo de Trabalho de Políticas de Integridade nos Negócios, formado por signatários brasileiros do PRI, caso da Previ, que vêm atuando em conjunto na “catequese” de 19 empresas listadas em bolsa. “A Previ tem um grande histórico de engajamento, não apenas em ações diretas com empresas, mas também liderando iniciativas de engajamento coletivo. É uma experiência que pode servir de referência para a implantação de ações semelhantes em outros mercados”, diz o executivo.
Especialistas do segmento consideram, no entanto, que a candidatura da Previ é dificultada pela redução da influência dos signatários brasileiros no PRI. No início da década o país era o sexto maior contingente de adesões, hoje ocupa a 13ª posição, com 68 filiados, apenas quatro a mais do que em 2014.
“Entre 2015 e 2018, vários fundos de pensão e assets brasileiros deixaram o PRI. Só há pouco as adesões voltaram a reagir”, comenta Gustavo Pimentel, sócio da consultoria Sitawi, filiada há sete anos ao movimento na categoria de provedora de serviços. “O Brasil perdeu espaço, inclusive, na esfera regional. Hoje, os demais países da América Latina, que tinham participação irrelevante há dez anos, somam cerca de 70 signatários do PRI e contam até com um líder na Colômbia.”
Na avaliação do consultor, Castro é o melhor nome que a Previ poderia indicar para a disputa. O candidato, no entanto, é prejudicado por não ter envolvimento direto com a área de investimentos e por sua “baixa patente”, que contrasta com os elevados cargos ocupados pelos membros do conselho do PRI.