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Calpers discute poder do CIO
Ex-CIO do Calpers, que renunciou em agosto, tinha investimentos em duas empresas de private equity com as quais o fundo tinha negócios

A renúncia no final de agosto do CIO do CalPERS, Ben Meng, após ele ter revelado que mantinha investimentos em dois gestores de private equity e numa empresa de desenvolvimento de negócios nos quais o fundo de pensão investia, acendeu um debate grande não apenas entre membros do Conselho de Administração do CalPERS, com US$ 417 bilhões em ativos, mas também em outras fundações e consultorias sobre política de governança na área de investimentos.
A CEO da Calpers, Marcie Frost, que tinha responsabilidade exclusiva pela contratação, demissão e supervisão do CIO, disse que havia informado apenas o presidente do conselho, Henry Jones, e dois presidentes de comitê sobre os resultados de uma investigação interna que revelara os investimentos de Meng. Ela disse que, normalmente, costuma informar todo o conselho quando uma investigação sobre um membro da equipe executiva é concluída.
Em reunião realizada no dia 15 de setembro o Conselho realizou mudanças significativas de governança, incluindo a volta da responsabilidade compartilhada do Conselho com o CEO, como existia até 2011, pela contratação, demissão e reavaliação do CIO, além de reverter uma decisão tomada no ano passado para que o comitê de investimentos do fundo de pensão volte a ser composto por todos os membros do Conselho.

O ex-CIO está sendo investigado pela Comissão de Práticas Políticas Justas sobre potenciais conflitos de interesse financeiro. O Calpers não é o único proprietário de ativos a enfrentar dilemas de governança na área de investimentos, sendo frequentes as reclamações por um aumento de poder de decisão aos funcionários para que esses possam tomar decisões táticas rapidamente, como co-investimentos e investimentos diretos em private equity.
No CalPERS, Meng e outros membros da sua equipe defenderam esse ponto de vista em reunião realizada em março de 2019, pedindo uma ampliação do poder de decisão dos funcionários.
Desde 2018, o CIO tem autoridade para comprometer até US$ 1 bilhão em investimento primário de private equity e até $ 1,7 bilhão em investimento secundário de private equity, sem limite no número de investimentos que o CIO pode fazer por ano.

No centro da questão está a forma como o conselho deve monitorar e supervisionar as decisões que estão sendo executadas pela equipe, sem ser negligente mas sem microgerenciamento. Há também uma questão de confiança entre o conselho e seus comitês e entre o conselho e os funcionários contratados para fazer negócios no dia a dia.
Segundo Rick Funston, sócio-gerente da empresa de consultoria em governança e gestão de risco Funston Advisory Services, o Conselho não existe para administrar, mas para definir a direção e garantir que a administração seja condizente com a visão do conselho. Ele acrescentou que pode ser uma violação do dever de prudência do conselho não delegar funções a especialistas.
Ainda de acordo com Funston, embora o CEO tenha autoridade para contratar, demitir e remunerar funcionários, a prática é que ele consulte o Conselho em vários momentos sobre esse tipo de decisão para que o Conselho não fique surpreso. “Esse é um diferencial importante para qualquer sistema “, disse ele.

“Uma responsabilidade compartilhada pela contratação e demissão do CIO é um equilíbrio adequado a ser alcançado”, disse a membro do conselho Lisa Middleton durante a reunião do comitê de governança de 15 de setembro. “Eu acho que é importante chegarmos a um lugar onde tenhamos alguma estabilidade.”
O CalPERS também está considerando a possibilidade de exigir que o próximo CIO venda ou coloque em um trust cego quaisquer títulos que possam potencialmente dar origem a um conflito sob as restrições relativamente estreitas da Lei de Reforma Política da Califórnia antes de ingressar no CalPERS.