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FRG quer diversificar carteiras
Fundos multimercados e exterior tendem a ganhar espaço na carteira da entidade

A Fundação Real Grandeza (FRG), dos funcionários de Furnas e da Eletrobras Termonuclear, se prepara para um novo ciclo de diversificação de investimentos no próximo ano. Ditada pela queda da Selic, a estratégia prevê uma maior exposição a ativos de risco, entre os quais fundos multimercados, exterior e até, em estudo, fundos imobiliários.
A gradual redução da participação da renda fixa no portfólio da entidade – sobretudo de NTNs, que cairam de 81,5% para 74,5% no Plano de Benefício Definido e de 81,1% para 74,1% no Plano de Contribuição Definida – teve início no primeiro semestre de 2019.
“As NTNs, especialmente as da Série B com prazos de vencimento mais longos, foram por anos a fio, generosas vaquinhas leiteiras. Hoje, contudo, a sua remuneração, na faixa de 4,3% ao ano, garante apenas o cumprimento de pouco mais de 50% das metas atuariais”, comenta o presidente Sergio Wilson Ferraz Fontes. “Teremos, portanto, de abrir o leque de aplicações.”
As alocações exatas serão definidas em novembro, com a conclusão do ALM da entidade. A tarefa, que em condições normais já deveria estar praticamente finalizada, teve o seu início postergado neste ano em virtude da pandemia da Covid-19, que criou um ambiente macroeconômico confuso.
“Não fazia sentido começarmos a traçar o ALM para 2021 há dois meses, quando as estimativas sobre a retração do PIB brasileiro oscilavam entre -4% e -9% para este ano”, assinala Fontes.
Hoje 94% da carteira da fundação estão alocados em renda fixa e renda variável, sendo 74,5% no primeiro e 19,5% no segundo. A entidade pretende reduzir a renda fixa para abrir mais espaço aos fundos multimercados, além de exterior e talvez ampliar alocação em fundos imobiliários. O único veto que consta em sua política de investimentos diz respeito a fundos de investimento em participações (FIPs), segmento no qual detém cotas de seis produtos, que respondem por cerca de 1% dos ativos totais. “Não tivemos, de um modo geral, boas experiências na área”, resume Fontes. “Os FIPs são instrumentos importantes em estratégias de investidores institucionais em todo o mundo, mas ainda carecem de alguns aperfeiçoamentos no Brasil.”
Também há previsão de aumento de alocação na classe de renda variável, que entre 2018 e 2019 dobrou a sua participação para cerca de 20%, contribuindo com 29,5% na rentabilidade de 19,73% apurada no ano passado.
“As carteiras própria e terceirizada de renda variável não vêm apresentando, nos últimos meses, retornos consistentes. Em razão disso, resolvemos preparar um novo manual para a seleção de gestores externos e planejamos, inclusive, mudanças na distribuição dos recursos”, diz Fontes. “A tendência é que a carteira própria (77% do total), ceda espaço para gestores externos com os quais começamos a operar há cerca de cinco anos.”
Com patrimônio ao redor de R$ 17,5 bilhões, no mês de setembro a entidade teve perdas de 0,35% no BD e de 1,1% no CD, mas iniciou outubro no azul. Até o dia 14, registrava ganhos de 1,25% e 1,35% no BD e no CD.
No acumulado do ano até meados de outubro, o BD estava positivo em 2,45,% e o CD negativo em 2,10%. Para tranquilizar os participantes do CD, o único produto da casa que permanece aberto a adesões, Ferraz encomendou à sua equipe um estudo comparando a rentabilidade do plano, lançado em 2003, com referenciais e produtos de mercado. “O levantamento mostrou que o desempenho do CD supera em 20,5% o retorno médio garantido no período por fundos multimercados”, diz.