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Fundação Ford busca alternativas
A FPP diz que saída da montadora não altera as suas operações, mas não descarta opções por “outros modelos de fundos de pensão”

Edição 333

A decisão da Ford, anunciada na primeira quinzena de janeiro, de colocar um ponto final em sua produção no Brasil, iniciada em 1957, e demitir 5 mil funcionários no país lança interrogações sobre o futuro da Ford Previdência Privada (FPP), o fundo de pensão patrocinado pela montadora. Em breve comunicado enviado aos 7,1 mil participantes ativos e cerca de 900 assistidos, a entidade disse que o fechamento das fábricas de Camaçari (BA), Taubaté (SP) e Horizonte (CE) não altera as suas operações, mas observou que “outros modelos de fundos de pensão podem ser avaliados futuramente”. Procurada pela Investidor Institucional, a FPP repassou a demanda à montadora que declarou que nada tinha a acrescentar ao comunicado.
O Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari disse que ainda não teve informações sobre “outros modelos” que a FPP poderá adotar em relação ao seu Plano de Aposentadoria de Contribuição Variável (CV). O presidente da organização, Júlio Bonfim, têm se reunido com representantes diplomáticos da China, Índia e Coreia do Sul na tentativa de encontrar candidatos a assumir a operação da Ford no complexo automotivo de Camaçari, onde a empresa se instalou há 20 anos, com direito a um generoso pacote de incentivos tributários municipais, estaduais e federais.
“Estas negociações, no entanto, demandarão alguns anos para surtir efeitos práticos”, comenta Bonfim. “Em meio ao atual cenário, nossas maiores prioridades, claro, são as lutas para a manutenção de empregos e pagamentos de indenizações justas. A previdência privada da Ford, que conta com garantias contratuais para participantes e assistidos, figura em segundo plano.”

A FPP surgiu a partir da Volkswagen Previdência Privada (VWPP). Constituída em 1984 pela montadora alemã, a VWPP também respondeu, durante sete anos, pela administração de planos de complementação de aposentadorias dos funcionários da Ford, que formou com a Volks, na época, a joint-venture Autolatina. Com o fim da parceria, em 1996, a Ford criou a sua própria fundação de previdência e o Plano de Aposentadoria. A carteira de investimentos, atualmente, tem cerca de R$ 1,4 bilhão, e tende a encolher na avaliação de consultores e dirigentes de fundos de pensão.
“Como o corte nos quadros da principal patrocinadora será profundo, é pouco provável que a entidade siga em operação. O caminho lógico, em razão de custos, seria a transferência da administração das suas reservas para um fundo de pensão multipatrocinado”, comenta o dirigente de uma entidade que pediu para ter seu nome preservado. “Retiradas de patrocínio também não podem ser descartadas. Nesse caso, os participantes e assistidos do plano resgatariam as suas poupanças previdenciárias em parcela única.”
Neste caso, a população atendida pela FPP teria ainda condições de aderir a um plano instituído, como estabelece a Resolução 11 do Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC), de maio de 2013. As opções seriam criar um novo plano com esse objetivo específico ou aderir a um multi-instituído já disponível no sistema.
A Associação Nacional dos Participantes de Previdência Complementar e de Autogestão em Saúde (Anapar), que dispõe do plano instituído AnaparPrev, já se prepara para oferecer essas duas alternativas ao Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari e outras representações dos funcionários da Ford.
“Sindicatos e associações de trabalhadores têm condições de instituir planos para seus associados, que são muito mais vantajosos do que os PGBLs e VGBLs oferecidos por bancos e seguradoras”, diz o presidente da entidade, Antônio Bráulio de Carvalho. “Já temos experiências do gênero. Cerca de 20% dos 3,5 mil participantes do AnaparPrev aderiram ao plano em razão da suspensão das contribuições de um grande patrocinador, há cerca de 15 anos.”