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Capef amplia o risco da carteira
FIPs e fundos de investimentos no exterior ganham espaço na entidade, que também planeja elevar volumes da carteira própria de renda variável

Edição 333

A Capef, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Nordeste do Brasil, fechou 2020 com retornos de 9,77% e 15,11% em seus planos CV I e BD, superando as metas atuariais em 0,03 e 3,86 pontos percentuais, respectivamente. As performances foram puxadas principalmente pelas aplicações em renda fixa, que respondem por 69% e 87% das aplicações do CV I e do BD, com valorizações na faixa de 14,25% e 17,28%. Mas contaram, também, com as contribuições de outras opções, como fundos de investimentos no exterior (FIEs), de participações (FIPs) e renda variável.
“Estamos colhendo os frutos da estratégia adotada por volta de 2006, quando iniciamos a montagem de uma carteira de Notas do Tesouro Nacional com retornos reais de até 9% ao ano, bem acima das nossas metas atuariais”, comenta o diretor-presidente da entidade, José Jurandir Bastos Mesquita. “Graças aos retornos propiciados por esse estoque de papéis de longo prazo e a uma maior exposição a ativos de risco – que seguirá em curso, especialmente no CV I –, conseguimos superar as dificuldades geradas pelo surto do novo coronavírus nos mercados em geral.”
Na renda variável, o leque de investimentos foi ampliado com as primeiras aplicações em fundos small caps e de índices (ETFs), além de mudanças na carteira própria de ações que passou a incluir além de papéis que oferecem bons dividendos também ações cujos preços caíram bastante na crise do Covid-19 e ofertas públicas iniciais (IPOs), como Rede D’Or. “Saímos às compras no momento mais agudo da crise, com o Ibovespa na casa de 67 mil pontos, e depois, sobretudo no segundo semestre, nos voltamos para os IPOs”, conta Mesquita. “O resultado foi muito positivo: em nove meses, a carteira própria obteve uma valorização de 53%.”

Tocada por três funcionários, a carteira própria de ações da Capef ganhou mais R$ 18 milhões e passou de 18% para 20% do patrimônio do CV I. Com isso, ampliou a exposição desse plano à renda variável, como definido na politica de investimentos para 2021. Já a gestão terceirizada sofrerá mudanças. “Dos oito gestores externos de renda variável, pelo menos dois devem ser trocados pois não vêm atingindo os benchmarks no segmento”, anuncia o executivo. Ele não especificou quais os nomes que serão retirados.
O processo de diversificação da carteira inclui ainda apostas em fundos de investimento no exterior e em participações (FIPs). No último trimestre de 2020 o Plano CV I realizou pequenos aportes em dois FIPs focados nas áreas de saúde, educação e tecnologia. “Tivemos boas experiências com FIPs no Plano BD, no início do século, e decidimos voltar a investir nessa classe de fundos”, assinala Mesquita. “Os problemas ocorridos com FIPs no passado não foram decorrentes das características desses veículos de investimento, e sim de alguns ‘motoristas’.
A retomada dos investimentos em FIPs segue diretrizes claras, como alocação apenas em fundos ligados a empresas em operação, vetando startups e negócios em estágio pré-operacional, além de estipular participação mínima de 5% dos gestores, dois pontos percentuais acima do exigido pela Resolução 4.661 do CMN. “Antes inseridos no grupo de estruturados, junto com os fundos multimercados, os FIPs ganharam menção específica na nova política de investimentos do CV I, com 3% do patrimônio do plano”, observa Mesquita. “Mas ainda estamos distantes desse teto”.
Também os fundos de investimentos no exterior (FIEs), que renderam 16,96% em 2020, vem conquistando mais espaço nas estratégias do CV I. Saltaram de 0,78% para 2,6% no último ano, graças a duas alocações em maio e uma terceira em agosto. “Há boas oportunidades nos mercados de renda variável dos Estados Unidos e da Ásia, podemos aproveitá-las por meio dos quatro fundos com os quais já trabalhamos ou, eventualmente, com a contratação de outros”, diz Mesquita.

A fundação já iniciou conversações com seu patrocinador sobre a criação de perfis de investimento para o CV I, através do modelo de Ciclo de Vida, cujos perfis de risco são definidos com base na idade e no tempo de contribuição. “A intenção é criar, neste ano, dois perfis: um para o pessoal na ativa e outro para os assistidos. Depois, poderemos oferecer mais opções”, diz Mesquita.
Outra novidade, prevista para breve, será o lançamento de um plano instituído. O produto, numa primeira etapa, será voltado para os familiares dos participantes ativos e assistidos. “A demanda é intensa, inclusive de participantes e assistidos dispostos a portar recursos hoje aplicados em PGBLs”, observa Mesquita.
Com o regulamento já pronto, o instituído da Capef pode vir a ser oferecido, no futuro, também a públicos externos. “Temos recebido consultas de empresas e entes federativos, interessados na nossa gestão de planos de benefícios. Mas para poder aceitar públicos externos, teríamos de modificar nosso estatuto, que não permite a prestação de serviços a terceiros.”