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Os planos da Petros para exterior
Fundação quer alocar em dois perfis de investimento, o primeiro de mais risco e o segundo mais defensivo, com trânsito dos recursos de um perfil

Edição 335

A Petros, o fundo de pensão dos funcionários do grupo Petrobras, se prepara para fazer a sua estreia em investimento no exterior. As primeiras alocações, em caráter experimental, estão previstas para o período entre o fim de maio e o início de junho em um fundo exclusivo que receberá, de início, aportes na faixa de R$ 50 milhões a R$ 100 milhões. Depois de cumprida a fase de testes operacionais e executados eventuais ajustes, a nova aposta da entidade tende a ganhar escala no segundo semestre, informa o diretor de investimentos Alexandre Mathias.
“Pretendemos encerrar o ano com até três fundos lastreados em ativos externos”, diz ele, assinalando que a participação dessa opção no portfólio total da casa dependerá das leituras dos cenários local e internacional. “Hoje, creio que o novo fundo poderia deter uma participação entre 2% e 4% dos ativos totais. O fato, contudo, é que, a partir do terceiro trimestre, estaremos aptos para ir de zero até o limite de 10%, de acordo com as projeções e estimativas de retorno.”
A estratégia definida pela Petros para aplicações em mercados externos contará com dois perfis de investimento: um com maior exposição ao risco, e outro de caráter mais defensivo, um multimercado ancorado em moedas, juros e bonds. “A ideia é permitir a migração de recursos entre os dois perfis, garantindo, dessa forma, a maximização de retornos no exterior”, assinala Mathias. “Nos últimos anos os fundos de pensão colheram ganhos expressivos nos mercados acionários externos, mas acreditamos que vale a pena dispor de uma opção de hedge no exterior.”
Com um patrimônio ao redor de R$ 116 bilhões, a entidade também pretende elevar suas apostas em gestão ativa própria, que vem apresentando resultados consistentes. Dois exemplos são os fundos de ações Petros Ativo e Petros Sal, ambos pilotados pela equipe da casa. Lançado em outubro de 2019, o primeiro apresentou um retorno de 11,84% em 2020, superando em 2,7 pontos percentuais o obtido em 2019. Já o Petros Sal, criado em 29 de dezembro último, acumulava até 20 de abril uma rentabilidade de 8,4%, 7,9 pontos acima da variação do Ibovespa no período.
“Como a experiência foi bem-sucedida, pretendemos constituir novos veículos de gestão ativa própria à medida que os fundos em operação forem atingindo a capacidade projetada”, diz Mathias. “Hoje com um patrimônio por volta de R$ 1,9 bilhão, o Petros Ativo está próximo do limite estabelecido, de cerca de R$ 2,5 bilhões. Já o Petros Sal, com um volume de R$ 1,3 bilhão, ainda tem muito que crescer até atingir a sua capacidade máxima, por volta de R$ 4,5 bilhões.”
Disposto a elevar a diversificação do portfólio da fundação, o executivo planeja retomar, inclusive, aplicações em fundos de participações (FIPs). A Petros, como se sabe, teve sérios problemas com fundos dessa classe na década passada, em particular com o FIP Sondas. Mathias, contudo, acredita que os ajustes prestes a serem anunciados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na regulamentação de fundos de investimento, para o enquadramento destes à Lei da Liberdade Econômica, reabilitarão de vez os FIPs como opção para os investidores institucionais.
Desde que assumiu a diretoria de investimentos da entidade, em 2019, o executivo, que acumula passagens pela Bradesco Asset Management (Bram) e a antiga Unibanco Asset Managament, tem buscado implantar na área padrões seguidos por gestoras de recursos e investidores institucionais de ponta, inclusive do exterior. Além de ter reforçado a equipe com cerca de 12 profissionais de mercado, com a ajuda de um head hunter, Mathias adotou fundos de pensão canadenses, caso do Canada Pension Plan Investment Board (CPPIB), como referências em governança e estratégias de investimento.
As medidas vêm surtindo efeito. Nos dois últimos anos, por exemplo, a Petros obteve uma rentabilidade acumulada próxima de 30%, e em 2020 só um de seus três principais planos de benefícios – o PP-2, de Contribuição Variável (CV) – não conseguiu cumprir a meta atuarial. “Como tem 40% de seus ativos marcados na curva, o PP-2 atingiu um retorno de 5,9%. Com 100% de marcação a mercado, a rentabilidade teria atingido 14% ou 15%”, observa Mathias.