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Centrus aposta em fundos globais
Entidade se prepara para redirecionar sua carteira de investimentos no exterior, com a troca de ETFs por fundos exclusivos globais multiestratégia

Edição 339

A Centrus, fundação dos servidores do Banco Central (BC), está redirecionando seus investimentos no exterior alocados atualmente em EFTs para um novo veículo, o fundo exclusivo global multiestratégia. A carteira, de R$ 400 milhões, representa o equivalente a cerca de 5,7% dos recursos garantidores da fundação.
Ainda não está definido se a fundação usará um ou dois fundos exclusivos nessa nova configuração. Se a opção for por concentrar a carteira em apenas um fundo, a gestão ficará com a M Square ou a Schroders, mas se a opção for por dividir a carteira em dois fundos ambas as gestoras serão contempladas. A mudança, que terá início, de forma gradual, até o fim do ano, já foi aprovada pelo conselho deliberativo da entidade, diz o presidente da Centrus, Altamir Lopes.
Além da mudança na carteira de exterior, a entidade deve promover também uma alteração na carteira de renda variável, agregando Brazilian Depositary Receipts (BDRs), que são recibos de ativos internacionais negociados no Brasil.
Para Lopes, “os fundos exclusivos globais permitirão uma maior diversificação dos investimentos no cenário externo, inclusive geográfica, já que os ETFs com os quais operamos são centrados no mercado norte-americano”. Ainda de acordo com o presidente da Centrus, “o benchmark dessa carteira continuará a ser o índice S&P 500.”
Os investimentos no exterior, que garantiram retornos de até 52,4% no exercício passado, estão presentes em todos os planos de benefícios administrados pela Centrus, incluindo um instituído (Prev+), um CD (PCD), dois BDs (PBB e PBDC) e um de gestão administrativa (PGA). Os BDs e o Prev+ têm entre 4,5% e 8,7% de seus recursos alocados em mercados externos, enquanto o PCD e o PGA ultrapassaram de forma passiva o limite de 10%, devendo executar ajustes para se enquadrarem.
“Nossos BDs, que são planos maduros e superavitários, não necessitam de maiores exposições a aplicações de risco”, diz Lopes. “Já com relação ao PCD, ao Prev+ e ao PGA, a ideia é manter as alocações no exterior perto do limite máximo. Se o limite subir para 20%, como vem pleiteando o sistema, estaríamos perto disso.”

Entretanto, como até o momento o CMN ainda não se pronunciou sobre a proposta de elevação do teto dos investimentos no exterior para as EFPCs, a Centrus decidiu recorrer aos BDRs como um “atalho” para ter acesso a mais aplicações lastreadas em ativos estrangeiros. A diretoria da entidade só aguarda o sinal verde do conselho deliberativo, previsto para este mês, para fazer sua estreia no novo segmento.
“O objetivo, com os BDRs, é aproveitar o bom momento da economia global e garantir alguma proteção em relação ao cenário interno, assumindo riscos cambiais”, diz Lopes. “Fundos de investimento no exterior e BDRs são hedges perfeitos para esse fim, pois, sempre que o mercado acionário doméstico cai, o dólar sobe, valorizando as aplicações em ativos internacionais.”
Assim como ocorreu com os ETFs, a Centrus não pretende ir com demasiada sede ao pote dos BDRs. De início, a intenção é destinar a esses títulos 5% do PCD e do Prev+ para ir analisando aos poucos os resultados alcançados. “Se a opção corresponder às expectativas, poderemos elevar de forma gradual essas aplicações”, diz Lopes.

Com patrimônio de R$ 7,1 bilhões e cerca de 2 mil participantes ativos e assistidos, a Centrus superou sem sustos o traumático ano de 2020 e vem apresentando indicadores consistentes no atual exercício. No ano passado, os dois maiores planos da casa, o PBB e o PBDC (R$ 5,9 bilhões e 567,6 milhões de ativos), apuraram retornos de 11,36% e 10,76% e elevaram seus superávits acumulados para R$ 1,33 bilhão e R$ 120,7 milhões, respectivamente.
“Os bons resultados alcançados pelos BDs são frutos, entre outros fatores, de suas expressivas posições em Notas do Tesouro Nacional da Série B, NTN-Bs, com vencimentos longos e taxas elevadas”, destaca Lopes. “Essa estratégia começou a ser implementada em meados dos anos 2000 e garantiu ao PBB, por exemplo, uma participação de 76% em seu portfólio de NTN-Bs longas com retornos de 6,14% ao ano, dois pontos percentuais acima da meta atuarial do plano.”
A grade da planos da entidade ganhou, no ano passado, o reforço do Prev+, que tem como instituidores associações de aposentados do BC e a própria Centrus. Com um ano de atividades, o plano ainda apresenta indicadores tímidos, como patrimônio de R$ 8 milhões e 340 adesões. A fundação, no entanto, acredita muito no potencial do novo produto. “O Prev+ tem um tíquete médio de R$ 740, bem acima da média de mercado, e vem registrando um forte volume de captação de portabilidades”, assinala Lopes. “Acreditamos que ele tem condições de chegar ao fim do ano com cerca de 500 participantes e um volume de recursos ao redor de R$ 8,5 milhões. Já as projeções para daqui a duas décadas são de 10 mil participantes e patrimônio de R$ 3 bilhões.”