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Os desafios do Serpros
Nova diretoria da entidade, que assumiu em outubro, tem como desafios tornar os processos mais eficientes e rentabilizar melhor os investimentos

Edição 361

A nova diretoria do Serpros, o fundo de pensão dos servidores do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), assumiu o comando da entidade no início de outubro tendo como principal desafio o ganho de eficiência em suas operações, desde a transformação digital que permite ampliar a capacidade analítica para a tomada de decisões até a melhoria da gestão das carteiras de investimentos. “A gente tem desafios de melhorar as rotinas da entidade e avançar na rentabilização das carteiras de investimento”, explica a nova presidente da fundação, Edilene Araújo.
Segundo ela, o desafio de melhorar a rentabilização das carteiras vale para todos os planos e não só para o PS-1, plano saldado de benefício definido que fechou o ano passado com um déficit de R$ 210 milhões. Na sua opinião, embora a superação do déficit do ano passado seja um dos focos da atual gestão, não é o único.
O plano PS-I representa 36% da carteira consolidada de investimentos da entidade, que somava R$ 8,1 bilhões ao final de outubro. Outros 64% dessa carteira consolidada estão no plano de Contribuição Variável PS-II, que fechou o ano passado no azul, com um superávit de R$ 139 milhões, enquanto uma pequena parcela de 0,16% estão no plano família Ser+, que embora tenha sido aprovado pela Previc no ano passado só começou a operar de fato neste ano. Para completar, tem 1,1% no Plano de Gestão Administrativa (PGA).
Neste ano, até setembro, a entidade reproduzia a situação de 2022, com o PS-I aquém da meta e o PS-II superando esse referencial. Nos primeiros nove meses do ano o plano BD acumula uma rentabilidade de 6,56% para uma meta atuarial de 7,43%, configurando um saldo negativo de 0,87 ponto percentual. Já o plano CV rendeu 7,52% no período, para uma meta de 7,43%, com um saldo positivo de 0,09 ponto percentual.
Segundo o diretor de investimentos da entidade, Leonardo Dias, o Serpros está trabalhando num novo estudo de Asset Liability Management (ALM) que deve ser usado para definir a política de investimentos de 2024. “O estudo está bem avançado, esperamos concluí-lo nas próximas semanas”, diz. “Ele é que vai nos dizer se há espaço nas carteiras para mais títulos públicos marcados na curva, se houver vamos comprar”.
Aliás, a entidade leva tão a sério os estudos de ALM que a partir do ano que vem fará dois estudos por ano e não mais apenas um. “O ALM ajuda a corrigir as rotas, então é melhor corrigir logo ao invés de ficar esperando um ano inteiro”, avalia o diretor de investimentos da entidade.

Mudanças para 2024 - Segundo ele, uma das principais mudanças já definidas para 2024 será a redefinição dos gestores que trabalham para a entidade. Atualmente, são 15 gestores que operam 24 fundos, dos quais 9 são exclusivos (6 com gestão própria e 3 com gestão terceirizada) e 15 fundos abertos (8 de ações e 7 multimercados). “Vamos fazer uma avaliação de toda a carteira de investimentos para entender se todos esses parceiros são, de fato, os mais adequados para os objetivos dos planos”, adianta Dias. “Mas já percebo que alguns ajustes serão necessários”.
Ele não dá detalhes sobre quais serão os ajustes envolvendo esses 15 gestores, adiantando apenas que a permanência ou a substituição de alguns deles dependerá dos resultados do estudo de ALM, que apontará se não há estratégias conflitantes ou gestores entregando menos do que o esperado. Essa reavaliação dos gestores, contudo, não é consequência da mudança da diretoria da fundação, pois as regras da entidade estipulam avaliações periódicas de estratégias e gestores assim como suas substituições quando necessário.
Além do possível ajuste no número de gestores e estratégias, a fundação também prepara uma política de vendas imobiliárias, se desfazendo de parte dos ativos dessa área. Atualmente o PS-I tem R$ 74 milhões em ativos imobiliários, enquanto o PS-II tem outros R$ 33 milhões, num total de R$ 107 milhões. Segundo Dias, a entidade já está fazendo contato com casas especializadas que atuam na comercialização de imóveis de alto padrão. Segundo ele, a fundação possui imóveis desse nível em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
Outro segmento no qual a entidade estuda a possibilidade de implementar algumas mudanças é em ativos estressados, formado basicamente por ativos de fundos multimercados e estruturados. Sem citar o tamanho dessa carteira, Dias conta que a maioria dos ativos já possui provisionamento e o monitoramento é feito quase que diariamente pelo departamento jurídico da entidade. “Minha opinião pessoal é que não faz sentido vender por quase nada. Já vi entidades oferecendo desconto de 70%, de 80%, para se livrar desses ativos, mas no nosso caso, onde tudo já está provisionado, isso não faz sentido”.

Otimização dos gastos - Além de buscar a melhoria da rentabilidade dos planos, seja reorganizando o número de gestores ou se desfazendo de imóveis e ativos estressados, a fundação também vai investir bastante, a partir do ano que vem, na otimização dos seus gastos, para entregar ao participantes serviços de melhor qualidade a um custo mais baixo. Exemplo disso são alguns projetos definidos nos últimos três dias antes de dar essa entrevista à Investidor Institucional, quando estabeleceu metas de digitalização de serviços e de automatização de processos que poderão reduzir consideravelmente a taxa de administração dos planos. “A otimização dos gastos é outra forma de aumentar a rentabilidade dos planos”, avalia Edilene Araújo.
Animada com o patrimônio de R$ 12,9 milhões alcançado pelo Ser+ em menos de um ano de funcionamento, ela avalia que esse plano família, aprovado no ano passado mas lançado de fato apenas neste ano, pode tornar-se uma importante fonte de contribuições para a entidade nos próximos anos. “Nosso foco é previdenciário, acho que faz todo o sentido nossos participantes indicarem esse plano para parentes“, diz Araújo.
Além de ter sido alcançado em menos de um ano de funcionamento, o patrimônio do Ser+ é formado por apenas 150 participantes, o que indicaria, na opinião do diretor de administração e seguridade da entidade, Alexandre Jordão, um viés patrimonialista. Ou seja, seriam pessoas que se aposentam da fundação e usam a renda para investir no plano família, que por não visar lucro poderia entregar uma rentabilidade mais elevada. Ou, numa situação parecida, pessoas que usam parte da renda para fazer um plano de previdência para os filhos.
Com cerca de 13 mil participantes, dos quais cerca de 7,6 mil são ativos (1,5 mil no PS-I e 6,1 mil no PS-II) e 5,4 mil são assistidos, o Serpros é um grande mercado para o Ser+. De acordo com Jordão, todo esse público já possui um vínculo com a fundação, então fica mais fácil trazê-lo para o plano família. “Se entrar gente de outros mercados melhor, é um plus”, diz.