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A Prevcom-MG recontrata serviços de custódia da Caixa

A Prevcom-MG, fundo de pensão dos servidores do Estado de Minas Gerais, recontratou os serviços de custódia e controladoria da Caixa. Segundo o presidente da entidade, Armando Quintão Bello, é o segundo mandato da Caixa na área e os serviços foram contratados através de licitação na modalidade concorrência pelo menor preço.

Cresce recuperação de crédito via canais digitais

A Recovery, empresa de recuperação de crédito, espera que mais de um quarto das suas negociações para recuperação de crédito em 2019 sejam realizadas por meio de canais digitais. Segundo a empresa, cerca de 30% dos acordos devem ser fechados por meio de dispositivos eletrônicos ou aplicativo.

De acordo com Mariana Francischelli, gerente de Marketing da Recovery, 20% dos acordos firmados em 2018 utilizaram canais eletrônicos, percentual que era de apenas 10% em 2017. "Estamos registrando um forte crescimento por tornarmos as negociações mais amigáveis e estarmos oferecendo aos clientes diversas plataformas", conta a executiva.

Eles vendem no automático | Profissionais experientes comandam as novas empresas de distribuição de fundos de gestores independentes junto aos investidores institucionais

As empresas de distribuição de fundos para o mercado de institucionais, que deram seus primeiros passos no mercado nacional há pouco mais de uma década, já contam com quase uma dezena de casas especializadas em oferecer produtos aos fundos de pensão e Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS). “É um caminho sem volta”, comenta o sócio-fundador da Venko Investimentos, Adolfo Daniel Alviço Junior.
Essas empresas operam no sistema de agentes autônomos de investimento, regulamentado pela Instrução 497 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), de junho de 2011. Entre as primeiras distribuidoras a marcar presença nesse mercado estão a Venko, que distribui entre outros produtos o fundo Verde, da Verde Asset, a Itajubá, do ex-Icatu Carlos Garcia, e a Fidus, dos ex-Itaú Pedro Vellardo e Ricardo Maggi. “As distribuidoras autônomas já têm seu lugar ao sol, como ocorre há tempos no exterior”, resume Alviço.
Além dessas distribuidoras mais antigas, uma leva de novos nomes têm surgido nos últimos tempos. A Gruppo Investimentos é uma delas, tendo alçado voo em agosto de 2017 pelas mãos de Roberto Pitta e seus sócios Marcos Oliveira e Heitor de Souza Lima. Com escritórios no Rio de Janeiro e em São Paulo, o negócio teve como origem o trabalho desenvolvido por Pitta, a partir de 2009, como agente autônomo exclusivo da asset GAP Prudential, que segundo ele teria gerado negócios da ordem de R$ 1,2 bilhão para a gestora. “Nosso foco de atuação são os fundos de pensão. No momento, trabalhamos com 17 fundações”, diz Pitta.
O cardápio da distribuidora é composto por fundos de quatro gestoras: renda variável, da paulista Constância Investimentos; multimercados de crédito, da goiana TG Core; fundos de investimento em direitos creditórios (FDICs), da Sul Brasil Asset; e multimercados diversificados, da Vista Capital. “Todos queriam ter acesso ou intensificar negócios com institucionais. Foram casamentos rápidos”, conta Pitta, que planeja reforçar a rede de gestores. “Estamos conversando com outras quatro gestoras independentes.”
Segundo Pitta, que antes de distribuir os fundos da GAP Prudential foi diretor comercial da Mellon, a Gruppo já trouxe cerca de R$ 200 milhões aos fundos que representa nesse primeiro ano de vida. Os próximos meses, acredita Pitta, prometem ser ainda melhores. “Estamos participando de cinco licitações de fundos de pensão, quatro relacionadas a fundos de renda variável, no valor de R$ 600 milhões. Modéstia à parte, temos chances em todas”, diz ele.

Vinda do varejo – Outra recém-chegada à praia dos distribuidores independentes é a carioca Way Investimentos, que surgiu em 2008, às vésperas da crise financeira internacional, mas só se lançou ao mercado, de fato, em 2015. A opção inicial foi pelo varejo, por meio de uma parceria com a XP, mas os investidores institucionais já estavam no radar dos sócios-fundadores, André Meireles e Marcus Moreira, desde a década passada. Afinal, a família de Marcus Moreira é controladora da CMCorp Soluções, empresa de software criada em 2005 para desenvolver sistemas de gestão para entidades fechadas de previdência complementar (EFPCs), entre outros clientes.
“Decidimos atuar como distribuidores junto aos fundos de pensão no segundo semestre de 2016, logo que retornamos do Congresso da Abrapp, em Florianópolis. A estreia oficial ocorreu em janeiro de 2017”, conta Meireles, que mantém relações com EFPCs desde o início da sua carreira no mercado de capitais, nos anos 1980.
Os resultados não tardaram a surgir. A Way realizou a sua transação inaugural em setembro de 2017 e já contabiliza a captação de cerca de R$ 600 milhões para os gestores atendidos. A relação começou a ser constituída com a Adam Capital e a Sparta e conta hoje com mais três nomes de gestores no portfólio: Leblon Equities, Moat Capital e a DLM Invista. A grade de produtos é igualmente enxuta, incluindo fundos multimercados, de renda fixa e duas opções de fundos de ações, uma de viés fundamentalista e outra mais arrojada. “Não pretendemos trabalhar com muitas gestoras. Estabelecemos critérios rigorosos de escolha, privilegiando assets independentes voltadas às demandas do nosso público-alvo”, diz Meireles.
Fiéis à sua expertise, ele e Moreira dão total prioridade ao segmento de previdência fechada em suas ações comerciais, estratégia que contempla participações constantes em eventos do setor. Além de cerca de 20 clientes fixos, outras 40 EFPCs são regularmente contatadas pelos sócios e seu time, que preparam uma expansão em um novo escritório na Barra da Tijuca, a quatro quilômetros da sede atual. “Os fundos de pensão também estão atentos à desbancarização. O potencial do mercado institucional para novos players, gestores e distribuidores, é grande”, observa Meireles.
Estreante no nicho, a Método Investimentos tem uma trajetória semelhante à da Way. Criada em 2005, ela sempre se dedicou à distribuição de fundos para pessoas físicas e, a exemplo da sua concorrente carioca, aderiu à XP. O ingresso na faixa institucional se deu por meio de uma parceria que começou a ser costurada há pouco mais de ano pelo seu sócio Daniley Rodrigues com a Kondor Invest para a distribuição dos produtos da gestora aos institucionais.
As negociações resultaram na nomeação da Método, em agosto último, como responsável pela distribuição de um dos três fundos da recém-criada Navi Capital, nova razão social da Kondor Equities, antigo braço de renda variável da Kondor Invest, que acaba de ganhar autonomia definitiva. Os outros dois fundos da parceira, um long&short e outro long only, continuam com distribuição própria. A Método segmentou suas operações de varejo, nicho no qual contabiliza negócios da ordem de R$ 400 milhões, das voltadas aos institucionais, que serão comandadas por José Ricardo Menezes, ex-executivo da Kondor. Com 28 anos de atuação no mercado de institucionais, Menezes acumula passagens anteriores pelo Bank Boston, Banco Votorantim e Sul América Investimentos.
“O trabalho está 100% concentrado em fundos de pensão privados e públicos. A ideia é apresentá-los e aproximá-los dos gestores da Navi Capital”, resume Menezes, que ostenta em seu currículo negócios de aproximadamente R$ 200 milhões ao mercado institucional. Além do corpo a corpo com as fundações de previdência, a Método espera ampliar o portfólio de gestores representado para oferecer também fundos multimercados, de crédito e de investimento no exterior. “Vamos buscar novas parcerias com opções de estratégias diferentes para investidores institucionais. Já estamos conversando com algumas assets”, revela Menezes.

As mais antigas – A Venko tem como um de seus maiores trunfos o fundo Verde, da Verde Asset comandada por Luis Stuhlberger. Pilotada por Adolfo Daniel Alviço Junior e Oswaldo de Carvalho Vasconcelos, que se conheceram na Bradesco Asset Management (Bram), a distribuidora impõe algumas condições aos gestores parceiros – todos ele, diga-se de passagem, cumpridos também pela Verde. “Exigimos gestão ativa, experiência com institucionais e, sobretudo, aportes dos acionistas nos fundos da casa, condição que é muito valorizada no exterior e permite alinhamento de interesses entre investidores e gestores”, comenta Alviço. “Além disso, não trabalhamos com gestoras que oferecem bônus por performances, pois a tendência dessas equipes, tão logo atingem suas metas anuais, é relaxar. Queremos gente com o pé firme no acelerador o tempo todo.”
Totalmente dedicada a EFPCs, dos quais já obteve mandatos de R$ 550 milhões, a Venko soma 25 clientes espalhados por todo o território nacional. Por conta disso, mantém escritórios em São Paulo, com Adolfo e Vasconcelos, Rio de Janeiro, sob o comando de Antônio Jorge Vasconcelos, ex-diretor-superintendente da Previma, e Belo Horizonte, chefiado por Lauro Araújo, que acumula passagens por JP Morgan, Lloyd’s Asset Management, Luz Soluções Financeiras e Mercer. Hoje operando apenas com a Verde Asset e a Capitânia, a distribuidora está em negociações avançadas com outras duas gestoras, uma nova e outra mais conhecida, com o objetivo de reforçar o seu portfólio de produtos. “Somos bem criteriosos nas escolhas, pois nossos parceiros têm de desenvolver, por vezes, fundos sob medida para fundações de previdência. Foi exatamente dessa forma, a partir da demanda apresentada por um cliente, que a Capitânia criou, há dois anos, o REIT FIC FIM CP, que investe em cotas de fundos imobiliários”, conta Vasconcelos.
Já a Fidus Invest é comandada por Pedro Donizete Velardo e Ricardo Maggi, ambos egressos da Itaú Asset Management, que abriram a casa em 2009 para distribuir fundos geridos pela Credit Suisse Hedging-Griffo. “O cenário do Brasil era bem distinto do atual. A estabilidade e o crescimento econômicos faziam crer que o país caminhava a passos largos rumo ao primeiro mundo”, lembra Maggi. “A previsão, todos sabem, não se confirmou. Mas o objetivo ao qual nos propomos segue na ordem do dia, pois muitas das novas assets, em particular as independentes, não dispõem de estruturas próprias de distribuição.”
Com uma captação total ao redor de R$ 700 milhões, a Fidus opera com três gestoras: Indosuez Wealth Management, do grupo francês Credit Agricole, Perfin Investimentos e Indie Capital. Sua grade apresenta três opções de fundos de ações, incluindo um long and short, três de crédito e um de papéis públicos e privados. “Uma das novidades é o CA Indosuez Avant Garde, baseado em títulos de crédito privado e cotas de fundos de direitos creditórios”, diz Maggi. Além dos fundos de pensão a distribuidora atende também outros públicos. “Também atendemos seguradoras, resseguradoras, operadoras de saúde e RPPSs. Todas elas, afinal, perseguem o mesmo objetivo: rentabilizar ativos para fazer frente a passivos de médio e longo prazos.”

Pioneira – A Itajubá Investimentos é a mais antiga e a pioneira nesse mercado. Criada em 2007 por Carlos Garcia e Agnaldo Andrade, a empresa foi uma das primeiras a distribuir fundos de assets independentes junto aos institucionais. “Trouxemos para o Brasil um modelo consagrado no exterior”, conta Garcia, que deixou a vice-presidência comercial da Icatu Hartford Seguros, na qual militava desde 1986, para se lançar à empreitada. “Embora a proposta fosse nova para o mercado local, percebemos que havia boa abertura dos investidores institucionais aos distribuidores independentes, pois estes têm liberdade de escolha dos produtos e não têm de cumprir metas de vendas.”
Para a escolha dos gestores, a Itajubá toma por base os critérios estabelecidos por David F. Swensen, responsável pela carteira da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, que soma US$ 27 bilhões e cresce a uma taxa média de 13,5% ao ano desde 1985. O processo de seleção inclui um questionário com 300 perguntas sobre a gestão de ativos e entrevistas com todos os integrantes das equipes da asset. Hoje, os parceiros somam cerca de dez nomes, entre os quais Ibiuna, M Square Global, M Square Brasil, Jardim Botânico, HIX Capital, Brasil Capital e três pesos pesados norte-americanos: Neuberger Berman, Oak Tree Capital e Arcadian. “Nossa grade é bem diversificada, não necessita de grandes ajustes. Pensamos, no entanto, em agregar novos gestores de fundos imobiliários, área que começa a receber forte demanda em razão da Resolução 4.661 do Conselho Monetário Nacional”, comenta Garcia.
A parceria com gestores estrangeiros acabou por abrir as portas da América Latina à Itajubá. A expansão internacional começou há cinco anos e contempla operações em três países – Chile, Peru e Colômbia –, que respondem por pouco menos de dois terços dos R$ 30 bilhões já distribuídas pela empresa. Os próximos mercados a serem abordados serão Argentina e México. “A operação mexicana, que será baseada em fundos de private equity, tem grande potencial. A legislação local foi alterada recentemente, abrindo espaço para aplicações de desenho mais moderno”, observa Garcia.
No Brasil, acredita o distribuidor, gestores e distribuidores autônomos continuarão a ganhar espaço. Sua previsão toma por base a elevada dívida interna bruta, ao redor de 80% do PIB, que tende a contribuir para a manutenção da taxa básica de juros em patamares reduzidos. “Qualquer que seja o vencedor da eleição presidencial, ele terá pequena margem de manobra em relação à política monetária”, comenta o sócio-fundador da Itajubá. “O mercado tende a reduzir aplicações em renda fixa e a buscar outros ativos, o que abre ótimas perspectivas para instituições mais arrojadas, sem vínculos com o sistema tradicional.”

Magliano troca o varejo pelo atacado | Corretora dá adeus às pessoas físicas e aposta em administração, controladoria e custódia de fundos

A Corretora Magliano, um dos nomes mais tradicionais dos pregões brasileiros, acaba de dar um passo ousado em sua estratégia de tentar garantir seu espaço em um mercado dominado, cada vez mais, por grandes grupos. No final de julho, a Magliano deu adeus aos seus 2 mil clientes pessoas físicas, detentores de R$ 2 bilhões em ativos, que passam a ser atendidos a partir de setembro pela Guide Investimentos, e concentra suas atividade na área administração, controladoria e custódia de fundos, frente de negócios na qual vem obtendo bom desempenho.A Corretora Magliano, um dos nomes mais tradicionais dos pregões brasileiros, acaba de dar um passo ousado em sua estratégia de tentar garantir seu espaço em um mercado dominado, cada vez mais, por grandes grupos. No final de julho, a Magliano deu adeus aos seus 2 mil clientes pessoas físicas, detentores de R$ 2 bilhões em ativos, que passam a ser atendidos a partir de setembro pela Guide Investimentos, e concentra suas atividade na área administração, controladoria e custódia de fundos, frente de negócios na qual vem obtendo bom desempenho.
“Começamos a atuar no segmento há 12 anos, de forma algo tímida, mas fomos ganhando escala a partir de 2011. Ao longo dos últimos sete anos, saltamos de dez para 40 fundos e de R$ 600 milhões para R$ 4,4 bilhões na soma das carteiras”, conta o presidente da corretora, Raymundo Magliano Neto, membro de uma ilustre linhagem da qual fazem parte dois ex-presidentes da bolsa paulistana. “Agora que vamos nos dedicar exclusivamente à administração de fundos, a ideia é crescer de forma intensa e rápida nesse mercado. A meta traçada é atingir, ao fim do próximo ano, um volume ao redor de R$ 9 bilhões.”
Fundada em 1927 e detentora da carta patente nº 1 da Bolsa de Valores de São Paulo, a corretora já vinha num processo de ajustamento de foco há alguns anos. Em fevereiro de 2013 tinha vendido sua carteira de câmbio para a Advanced, depois substituída pela BR Brokers, e agora desfaz-se da área de corretagem de ordens de pessoas físicas para focar na administração e custódia.
Segundo Magliano Neto, a corretora passa a dar prioridade a um nicho de mercado que não desperta tanto interesse em bancos e assets mais robustas, que são as carteiras na faixa entre R$ 50 milhões e R$ 300 milhões. O menu inclui, entre outras carteiras, pequenas gestoras, portfólios familiares, portfólios de participações (área na qual a corretora atua em conjunto com a Paraty Capital), de renda fixa e imobiliários, alguns inclusive geridos pela casa.
Entre os fundos com gestão da própria corretora, Magliano Neto cita um fundo de renda fixa tocado em parceria com a Ourinvest e um FIC de debêntures incentivadas tocado exclusivamente pela casa. “Nesse caso do FIC de debêntures incentivadas, ele é 100% concebido e gerido por nós, sendo a única carteira do mercado com cotas de fundos de debêntures incentivadas”, diz o presidente da casa.
De acordo com ele, no início não há a intenção da corretora em fazer a administração de fundos de direitos creditórios. A corretora também disputará os mercados de fundos de pensão de empresas públicas nem as entidades do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS). Por outro lado, fundos de pensão de patrocinadoras privadas, com os quais a corretora se relaciona desde o início da década, e outras assets estão na alça de mira. “Trabalhamos atualmente com apenas três assets, que nos procuraram por recomendações de terceiros, e pretendemos reforçar esse contingente por meio de uma prospecção ativa de mercado. Estamos otimistas a respeito, pois já recebemos várias consultas depois do anúncio da concentração das nossas operações na administração de fundos”, observa Magliano Neto. 
Agora já na fase final dos ajustes, ele lembra de quão doloroso foi o processo de reposicionamento da instituição. A partir de 2012, antecipando os tempos difíceis que seriam vividos, o quadro de pessoal da corretora sofreu uma drástica e rápida redução de 110 para 35 funcionários. As contratações, dez no total, só foram retomadas nos últimos anos. “Também reforçamos a nossa equipe de compliance e risco. Hoje, contamos com quatro profissionais nessas áreas, três a mais do que há seis anos”, informa o presidente.
Feito o dever de casa, a expectativa de Magliano Neto é de uma rápida e sensível resposta do mercado ao novo foco da corretora, que opera no vermelho há tempos. Entre 2014 e o primeiro trimestre deste ano, as perdas acumuladas somaram R$ 9,7 milhões, contabiliza ele. “Temos perspectivas de estancar os prejuízos já a partir de setembro deste ano e de voltar a crescer de forma consistente e sustentável a partir do ano que vem”.

A filosofia da Mirae | Corretora coreana entra no mercado de administração de recursos com equipe inicial de sete profissionais e filosofia de serviços bons e baratos

A corretora de origem coreana Mirae Asset Wealth Management iniciou em abril a oferta do serviço de administração de fundos para terceiros. “O que nos motivou a entrar nesse mercado é a possibilidade de alcançar uma boa escala que torne o negócio lucrativo”, diz o diretor da Mirae, Pablo Spyer.
Assim como nas operações em bolsa, a Mirae também vai adotar uma estratégia agressiva de preços para conquistar espaço no mercado de administração, conta Spyer. “Seguimos com a filosofia coreana de oferecer um produto bom e barato”, pondera o executivo. “Esse é um nicho do nosso mercado muito carente, que precisa de serviços de qualidade com preço competitivo”. A estratégia de atuar nesse mercado começou a ser trabalhada no ano passado por uma diretriz estabelecida pela matriz, e desde então a filial brasileira tem buscado as aprovações dos órgãos reguladores, que foram obtidas há pouco tempo. A Mirae globalmente administra cerca de R$ 1,4 trilhão em ativos.
Segundo o executivo, o investimento em equipe e tecnologia para iniciar a operação deve somar cerca de R$ 2,5 milhões até o final do ano, com a meta de alcançar a marca de R$ 2 bilhões em ativos sob administração até o final do ano. “Queremos nos posicionar como um player importante no mercado para disputar com as grandes casas que atuam no segmento”.A Mirae está montando a equipe que ficará responsável pela área de administração que deve ter sete profissionais. Um dos recém contratados é Eduardo David Aucca, que estava na Magliano desde 2007.
O foco inicial da Mirae no segmento de administração será voltado para fundos líquidos regidos pela ICVM 555 e multimercados. “Estamos recebendo uma demanda bastante forte para fazer a administração de fundos desse tipo”, pondera o diretor. Ele nota que a migração de recursos da poupança para fundos de investimento tende a contribuir para o incremento dos volumes sob administração nos próximos meses. Sobre o perfil dos investidores, Spyer fala que não haverá nenhuma restrição, até porque os cotistas dos fundos 555 e multimercados são das mais variadas naturezas.
O executivo acrescenta que o evento envolvendo a Gradual Investimentos, que atuava no mercado de administração de recursos de terceiros e foi liquidada pelo Banco Central (BC) em maio após uma série de irregularidades, vai impulsionar o crescimento do negócio da Mirae. Além da recém iniciada oferta do serviço de administração, a corretora já atua há alguns anos como custodiante de fundos, onde tem cerca de R$ 10 bilhões. Spyer conta que clientes que estavam na Gradual e estão em busca de novas casas representam oportunidade de adicionar cerca de R$ 3 bilhões à área de custódia da Mirae nos próximos meses.

Wealth – A corretora também tem investido no segmento de wealth management, tendo contratado no início de junho a executiva Ruth Walter para chefiar a área. Ruth acumula passagens pelo BTG Pactual, Pragma Gestão e F3, e chega para ocupar cargo que estava vago há cerca de três meses após a saída de Carolina Neumann.
“A Ruth chega para fortalecer nossa atuação junto aos investidores com patrimônio entre R$ 50 milhões a R$ 100 milhões do segmento private”, afirma o diretor da corretora. Dentro de seus planos de expansão a Mirae deve lançar ainda em 2018 uma plataforma de investimentos online para facilitar as operações de aplicação e resgate de fundos por parte dos clientes da área de wealth management.
Outro nicho de mercado no qual a corretora também está expandido seu escopo de atuação é o de análise fundamentalista de empresas negociadas em bolsa. Em março a Mirae contratou Pedro Galdi, com passagens pelas corretoras SLW e Magliano, e em junho trouxe Fernando Bresciani, que já trabalhou no Itaú, BNP Paribas e Banco Votorantim. “Vamos cobrir cerca de cem empresas da Bovespa”, diz Spyer.

Bradesco retoma liderança na custódia | Com incorporação dos ativos do HSBC, banco da Cidade de Deus fica ligeiramente à frente do Itaú

Edição 293

 

Ranking Geral (em pdf)

O mercado brasileiro de custódia de ativos de terceiros passou por mudanças importantes nos últimos doze meses encerrados em março de 2017, com o Bradesco retomando a liderança das mãos do Itaú após a compra do HSBC, e com players globais, como Citi e Deutsche, reduzindo suas operações locais. De acordo com o ranking da Anbima, a primeira colocação no segmento voltou novamente para o Bradesco, que havia perdido o posto no ano passado para o Itaú. O Bradesco assumiu a liderança do ranking com um crescimento de 29,28% nos doze meses até março de 2017, para R$ 1,397 trilhão, seguido de perto pelo Itaú, que registrou evolução de 19,80% em seus ativos sob custódia, para R$ 1,348 trilhão. Nas posições seguintes, até a sétima colocação, não houve alterações em relação ao ranking anterior.
O salto do Bradesco é resultado da compra da operação brasileira do HSBC – em março de 2016 os ativos sob custódia do HSBC somavam R$ 115,94 bilhões, o que colocava o banco estrangeiro como o oitavo maior player do mercado brasileiro de custódia, enquanto os do Bradesco alcançavam R$ 1,080 trilhão na época. Para o diretor de custódia do Bradesco, André Bernardino, a incorporação dos ativos do HSBC foi o principal fator que contribuiu para o crescimento dos ativos custodiados do banco no período analisado. “Tivemos entradas próximas de R$ 93 bilhões de investidores não residentes que vieram com a compra do HSBC. Esse volume se concentrou principalmente na área de administração de fundos, mas acaba tendo um efeito na parte de custódia também”, pondera Bernardino.
Além disso, o diretor do banco reconhece que a decisão de players importantes de reduzirem sua atuação no mercado doméstico, como foi o caso de casas como Citi e Deutsche, além do próprio HSBC, teve peso importante para o avanço do Bradesco no segmento de custódia. O Citi apresentou queda de 9,37% na custódia de ativos no mercado local, para R$ 123,55 bilhões (embora tenha crescido 13,09%, para R$ 760,89 bilhões, no ranking geral), enquanto o Deutsche teve uma baixa de 79,70%, para R$ 2,09 bilhões.
O bom desempenho do Bradesco deve prosseguir nos próximos meses, prevê Bernardino. Segundo o executivo, até o final de julho, a expectativa é que entrem R$ 30 bilhões adicionais na área de custódia da instituição financeira. “Esse crescimento previsto será orgânico, uma vez que os ativos do HSBC já foram todos incorporados à base do Bradesco”, diz o profissional. Ele ressalta que prossegue a busca por novos prestadores de serviços por parte de investidores que eram atendidos por casas globais que têm reduzido as operações no Brasil. “O mercado de custódia no Brasil tem se consolidado em poucos players, com algumas casas recebendo as posições de instituições que estão deixando a atividade”.
Em relação aos fundos de pensão, que tiveram aumento de 14,96% nos ativos custodiados junto ao Bradesco, para R$ 248,65 bilhões, o diretor da área explica que esse incremento se deve essencialmente à boa performance tanto do mercado de renda fixa como do de renda variável no período analisado. “Nossos mercados se recuperaram bem nos últimos meses, e esse crescimento nos ativos custodiados das fundações veio da base que já era atendida pelo banco”, afirma Bernardino.

Segmentação – No Itaú, o diretor de ‘security services’, Roberto Teixeira de Camargo, credita o crescimento próximo de 20% na custódia à atuação segmentada em diferentes nichos – fundações, gestores, bancos e private. “Adotamos essas estratégias bem focadas em cada um dos públicos desde agosto do ano passado, para conseguir obter os melhores resultados dessas operações, com equipes comerciais específicas”, pontua Teixeira. Antes da adoção do modelo por nicho, o banco trabalhava com o conceito monoproduto, com uma equipe responsável por todas as operações da custódia local, outra que cuidava da custódia internacional, e com essa mesma distribuição entre as classes de ativos, com uma equipe voltada para a custódia de ativos de renda fixa, com outra à cargo das ações. O diretor conta também ter notado nos últimos meses um aumento da procura de clientes que eram atendidos pelo Citi em busca de novos prestadores de serviços diante da redução na atuação do banco global localmente.
O executivo do Itaú diz ainda que o ambiente mais positivo para o mercado de capitais nos últimos meses favoreceu a área de ‘security services’ do banco. O profissional fala que, conforme a Selic recua, os investidores deixam os instrumentos mais básicos do mercado, como títulos públicos e fundos DI, e partem em busca de fundos mais complexos, como os multimercados, que geram mais receita para a custódia do banco. Para o segundo semestre, como o mercado acredita que a taxa básica de juros seguirá sendo cortada pelo Banco Central (BC), o diretor do Itaú espera que a tendência observada durante o primeiro semestre, de migração para instrumentos mais sofisticados, também prossiga ao longo dos próximos meses de 2017.
Apesar de notar um aumento da procura dos investidores por produto mais complexos, o executivo diz que o Itaú tem sido bastante seletivo para assumir a custódia e administração de fundos estruturados, como FIPs, FIIs e FIDCs. “Essa nossa postura está muito vinculada com a assimetria entre o risco que o administrador assume versus a receita recebida pelo serviço prestado”, pontua Teixeira.

Exterior – Ainda na linha da busca dos investidores por produtos mais complexos, Teixeira destaca a conclusão da implantação durante o ano passado de uma plataforma de serviços de custódia com o foco nos clientes locais que querem alocar parte de seus recursos em fundos offshore. “Era uma demanda crescente que recebíamos dos investidores; observamos cada vez mais o investidor local buscando opções de ativos no exterior”. Essa internacionalização do portfólio de parte dos investidores brasileiros, principalmente de gestores de recursos em busca de alpha para suas carteiras, ainda não se nota de maneira relevante entre os fundos de pensão atendidos pelo banco, conta o executivo do Itaú. “Observamos que no Brasil os gestores enfrentam certa limitação nos ativos disponíveis para gerar alpha para seus multimercados, e por isso eles vão atrás de estratégias via fundos offshore”, avalia Teixeira.
Sobre o tema custódia internacional, o diretor afirma também que nos últimos meses o Itaú procurou reforçar sua atuação regional, com a oferta dos serviços de custódia e administração fiduciária em países vizinhos ao Brasil, como Chile, Colômbia, Paraguai e Uruguai. “Até em função da aquisição do CorpBanca reforçamos bastante a atuação no Chile e na Colômbia”. Teixeira revela que o banco está avaliando começar a oferecer os serviços de custódia também na Argentina, por conta da demanda crescente dos investidores do país vizinho para seus ativos offshore.

Citi – Roberto Paolino, diretor responsável pela administração dos fundos no Citi, afirma que a queda de 9,37% do banco no mercado doméstico nos doze meses encerrados em março de 2017, para R$ 123,55 bilhões, se deve à “diminuição dos esforços no segmento”. Essa diminuição dos esforços em relação ao mercado local decorre das obrigações que o regulador impõe ao administrador e custodiante de fundos no âmbito doméstico, que tem muitos riscos para a remuneração oriunda dessa atividade na percepção do banco, comenta seu diretor.
Em sintonia com a maior seletividade do Itaú para os fundos estruturados, Paolino também cita esses fundos mais sofisticados da indústria brasileira, e a forma como o regulador delega as responsabilidades, como uma das razões para que o banco tenha se afastado da custódia e administração de ativos no mercado doméstico. As tomadas de decisões de um gestor de um fundo estruturado podem levar, no Brasil, a questionamentos sobre o porquê de o administrador ter permitido tais operações, o que na visão do Citi foge do arcabouço no qual está o prestador de tais serviços, avalia o executivo do banco global.
“Atuamos com custódia em 63 países, mas sempre como prestadores de serviço. Claro que temos a responsabilidade fiduciária sobre os ativos, mas é importante diferenciar a responsabilidade fiduciária da tomada de decisões”, ressalta Paolino. “Entendemos que essa responsabilidade sobre a tomada de decisões não se justifica dentro do contrato do prestador de serviços”.
Em outubro do ano passado o Citi vendeu suas operações de varejo no país ao Itaú, por R$ 710 milhões. Paolino ressalta que a operação, ainda no aguardo de aprovação do regulador, envolve a parte de distribuição dos fundos para pessoas físicas, realizada pelo Citibank SA, e não considera a área de administração e custódia, que permanece sob a responsabilidade da DTVM do banco.

Outras posições – Em relação ao ranking anterior, a BB DTVM apresentou crescimento de 12,06%, para R$ 882,60 bilhões, mantendo a terceira posição, seguida pelo Citi na quarta colocação, com incremento de 13,09%, para R$ 760,89 bilhões. O Santander continuou em quinto, com evolução de 17,66%, para R$ 337,44 bilhões; o JP Morgan em sexto, com alta de 11,31%, para R$ 208,91 bilhões; e a Caixa, na sétima posição, com avanço de 23,63%, para R$ 192,84 bilhões.
Já na oitava colocação, com a saída do HSBC do ranking, aparece o Safra, que subiu uma posição em relação ao levantamento de 2016, com aumento de 27,45% em seus ativos sob custódia, para R$ 76,88 bilhões.
O BNY Mellon, que em 2016 estava na décima primeira posição, subiu para a nona colocação em 2017, após apresentar forte crescimento de 78,53%, para R$ 62,31 bilhões. Completa os dez primeiros colocados o BNP Paribas, que galgou duas posições em relação ao ranking anterior após registrar aumento de 60,68% nos ativos custodiados, para R$ 50,92 bilhões.

Laboratório de blockchain

O diretor da área de ‘security services’ do Itaú ressalta que as novas tecnologias estão cada vez mais presentes no mercado de custódia, com as grandes casas em busca de simplificação de processos e redução de custos em um segmento que envolve a transação de altos volumes financeiros. O Itaú já conta em suas estruturas internas desde o final de 2016 com um laboratório de ‘blockchain’, o conceito tecnológico que dá sustentação ao negócio das ‘bitcoins’, as moedas virtuais que vem ganhando cada vez mais espaço nos mercados. Teixeira explica que o laboratório criado visa justamente o estudo das novas tecnologias para entender como elas podem ser utilizadas nos negócios do dia a dia da instituição financeira.
O laboratório de ‘blockchain’ do Itaú tem concentrado seus trabalhos no conceito ‘peer-to-peer’, (ponto a ponto, em tradução livre), ou P2P, que se trata de uma arquitetura aberta e descentralizada de uma rede de computadores, onde cada máquina pode realizar tanto a função de um servidor como também a de um cliente ao mesmo tempo. “Começamos a fazer algumas iniciativas com esses conceitos do ‘blockchain’ no mercado de garantias, e pretendemos expandir para a área de custódia e administração”, afirma Teixeira.

Desafios à vista | Bancos trabalham na melhoria de suas próprias estruturas para otimizar eficiência dos serviços prestados e com isso conquistar novos mandatos

Edição 293

 

Mercado Doméstico (em pdf)

Fundos de Pensão (em pdf)

O mercado interno de custódia não registrou alterações entre as primeiras colocações, com Bradesco e Itaú mantendo com certa folga o topo do ranking da Anbima – o primeiro teve crescimento de 24,78% em seus ativos sob custódia localmente, para R$ 1,252 trilhão, enquanto no segundo o aumento foi de 20,63%, para R$ 1,175 trilhão. A distância dos dois maiores bancos privados do país em relação aos concorrentes segue significativa; a BB DTVM, terceira colocada, registrou evolução de 11,99% nos ativos sob custódia no mercado interno, para R$ 880,99 bilhões, e o Santander, na quarta posição, apresentou incremento de 17,01%, para R$ 263,31 bilhões.
“O mercado brasileiro é muito desafiador e complexo, mas ao mesmo tempo está repleto de oportunidades”, afirma Joaquin Alfaro, diretor da área de securities services do Santander no Brasil. A complexidade do mercado brasileiro, segundo ele, se deve principalmente à regulação que rege o negócio de custódia localmente, com uma quantidade maior de regras e detalhes a serem seguidos na comparação com mercados mais desenvolvidos. “A regulação fiscal dos produtos é mais complexa do que em outros mercados”, afirma. “Nesse ambiente, o cliente tem uma necessidade muito grande de estruturas bem desenhadas para acomodar seus processos”.
Por outro lado, o diretor do Santander lembra que algumas grandes casas globais estão reduzindo suas operações no país, o que abre oportunidades para as demais. Esse movimento, segundo o profissional, beneficia principalmente aquelas que estão agora consolidando sua presença, como é o caso do Santander, que tem atuado com mais foco no negócio no Brasil desde 2014, quando segregou a área de securities services da estrutura interna do banco. “Qualquer debilidade dos concorrentes sempre beneficia o restante dos players do mercado”.
Alfaro explica que a estratégia do banco de ser visto pelos investidores como uma casa ‘one stop shop’ – expressão em inglês que se refere a uma prestadora de serviços onde o cliente pode encontrar todas as soluções que busca no mercado – tem dado bons resultados nos últimos meses. “A capacidade de ter um time dedicado e especializado no negócio, e ao mesmo tempo o gerenciamento de risco do banco são algumas das razões do nosso bom desempenho recente”, afirma Alfaro, que destaca também os investimentos em tecnologia realizados pelo Santander para aprimorar a eficiência dos processos internos na área de custódia e administração de recursos de terceiros.

Estratégia – Foco na prestação do serviço de custódia aos clientes locais foi a estratégia do BNY Mellon no ano passado, assumindo além da administração fiduciária também a custódia de ativos que terceirizava para outras casas, como o Bradesco. O BNY Mellon conseguiu, por conta dessa estratégia, um incremento de 87,56% nos doze meses até março último, para R$ 59,57 bilhões.
“Víamos há cerca de um ano uma oportunidade para crescer de forma bastante expressiva no negócio de custódia”, afirma Carlos Augusto Salamonde, CEO da área de ‘asset servicing’ do BNY Mellon para Brasil e América Latina. Os ganhos de sinergia ao manter a custódia e administração dos ativos no mesmo banco pesaram para que alguns clientes, que mantinham até então apenas a administração com o BNY Mellon, também passassem a fazer a custódia com o banco, afirma o executivo. Um dos pilares que sustentou o crescimento da custódia no período, destaca o profissional, foi a disponibilização da plataforma do banco para que os fundos locais pudessem acessar ativos no exterior.
Salamonde diz também que quando o banco decidiu atuar de maneira mais forte no segmento de custódia no Brasil, um dos objetivos era crescer de maneira robusta junto aos institucionais. E, de fato, os fundos de pensão foram um dos investidores que mais aumentaram sua custódia junto ao BNY Mellon nos últimos doze meses até março – o volume custodiado de fundações com o banco cresceu 306,9%, ainda que pese nesse ponto a base relativamente pequena, de R$ 4,11 bilhões. “Investimos em profissionais com larga experiência na área e na eficiência dos processos para ganhar os mandatos no segmento institucional”, comenta o executivo.
Para o segundo semestre, Salamonde entende que o banco seguirá aumentando os ativos sob custódia, embora sem o mesmo crescimento percentual, uma vez que os recursos administrados pelo banco e que estavam custodiados com terceiros já foram, em sua grande maioria, transferidos para sua custódia. “O que ainda não veio possivelmente não virá, por decisões próprias dos clientes de manter a custódia separada da administração”.

Período conturbado – O BTG Pactual, que atravessou um período bastante conturbado na virada de 2015 para 2016, quando seu então CEO, André Esteves, foi preso no âmbito da operação Lava Jato da Polícia Federal, conseguiu estabilizar sua área de custódia de ativos do mercado interno, encerrando março de 2017 com R$ 41,62 bilhões. Isso representa uma variação positiva de 1,36% em relação aos R$ 41,06 bilhões de um ano antes. “Tivemos movimentos de saída de alguns investidores, mas conseguimos mostrar resiliência nos serviços prestados, o que interrompeu os resgates”, reconhece o sócio e COO (chief operations officer) da área de global asset management do BTG Pactual, Allan Hadid.
Segundo Hadid, o trabalho da área de serviços financeiros para reconquistar os clientes que deixaram o banco, e também para ganhar novos mandatos, deve incrementar os números do BTG Pactual no próximo levantamento da Anbima. “Os investidores viram como o banco atuou durante o ano passado, temos mostrado resultados importantes e bastante consistentes, os balanços financeiros trimestrais também tem sido bons, e esse conjunto de informações nos ajuda a dar conforto para os clientes na área de custódia e administração”, diz.

Fundações – Os fundos de pensão foram um dos investidores que reduziram de maneira significativa suas posições custodiadas junto ao BTG Pactual quando o banco se viu envolto no noticiário político policial – as fundações tinham R$ 2,26 bilhões em ativos sob custódia no BTG Pactual em março de 2016, volume que caiu para R$ 614,47 milhões em março de 2017.
“Alguns institucionais transferiram a custódia de seus ativos para outro bancos, e agora estamos em um processo para reconquistar esses clientes”, afirma Hadid, que revela que o BTG Pactual tem participado de várias concorrências. De acordo com ele, vários players novos estão tentando ampliar sua fatia de mercado através de preços baixos. “Entendemos que isso não é bom para os clientes e nem para a indústria no longo prazo”.

BRB – A BRB DTVM teve crescimento de 22,33% nos ativos custodiados no mercado interno nos doze meses encerrados em março, para R$ 3,56 bilhões, o que fez a instituição saltar quatro posições no ranking da Anbima, alcançado a 21ª colocação. A diretora da asset, Andrea Lopes, credita boa parte dessa performance à implantação durante o ano passado de um novo software que visa aprimorar os sistemas tecnológicos responsáveis pelos processos internos das áreas de custódia e administração da gestora. “A qualidade do serviço melhorou, e o boca-a-boca do mercado acaba atraindo novos clientes”, diz a diretora da BRB DTVM.
Nos últimos meses, a maior parcela dos recursos que passaram a ser custodiados pela instituição é proveniente de veículos estruturados, como fundos de participação e fundos imobiliários. Para os próximos meses a profissional espera que também comecem a chegar para a custódia da instituição fundos de direitos creditórios. Inclusive a diretora não descarta estruturar alguns FIDCs dentro da própria asset, eventualmente como parte de algum processo de securitização de dívida ativa que tem sido avaliado por estados e municípios com dificuldades na área fiscal.
Segundo Andrea, embora investidores pessoas física também estejam aumentando a demanda pelos serviços financeiros prestados, os institucionais são os que mais têm buscado a casa para aumentar o volume de ativos sob sua custódia. A BRB DTVM prepara para o segundo semestre o lançamento de um módulo dentro do novo software voltado especificamente para os fundos de pensão, que terá algumas facilidades para desburocratizar a rotina das entidades, como o preenchimento automatizado de planilhas que precisam ser enviadas à Previc.

A volta dos estrangeiros | Mudanças políticas e econômicas atraíram fluxo de recursos de investidores internacionais ao país nos últimos meses

Edição 293

 

Mercado externo (em pdf)

O Citi manteve com folga a primeira colocação no ranking da Anbima do mercado externo de custódia, com crescimento de 18,53% nos doze meses encerrados em março de 2017, para R$ 637,34 bilhões. No período, o banco reduziu sua atuação no mercado doméstico e reforçou sua estratégia na área internacional, que tradicionalmente já era o ‘core business’ do banco no país. Na segunda colocação no ranking de custódia de mercado externo da Anbima vem o JP Morgan, que teve evolução de 11,32%, para R$ 208,91 bilhões, mas nesse caso o banco faz somente a custódia de seus próprios ativos, sem a oferta do serviço para terceiros no país. O Itaú segue na terceira posição, com R$ 172,17 bilhões, após crescimento de 14,37%, o Bradesco mantem-se em quarto, com evolução de 87,55%, para R$ 145,13 bilhões, beneficiado pelos ativos do HSBC; o Santander segue em quinto, com R$ 74,12 bilhões, alta de 20,05%, e o BNP Paribas vem em sexto, com R$ 29,77 bilhões, após apresentar crescimento de 96,24%.
Roberto Paolino, diretor responsável pela administração dos fundos do Citi, explica que parte do crescimento do banco no mercado externo de custódia no Brasil decorreu de um movimento mais amplo observado ao longo do ano passado, que não se restringiu somente ao banco, de estrangeiros aportando novos recursos no país em busca de oportunidades após as mudanças políticas e na equipe econômica observadas ao longo do ano passado. “O investidor internacional se sentiu mais confortável em aumentar sua exposição ao Brasil no ano passado, após o país apresentar uma melhora sensível de seus fundamentos econômicos”, afirma Paolino. A valorização da Bovespa diante das mudanças no quadro doméstico, e os juros locais em patamares ainda elevados junto à percepção de redução do risco país, formaram uma combinação que teve força para atrair o capital estrangeiro para a região no período, explica o diretor do Citi.
A atual crise política que o país atravessa no momento tem sido acompanhada com atenção pelos estrangeiros, comenta o executivo. Ele ressalta, no entanto, que até por se tratar do maior mercado da América Latina, os ativos brasileiros são sempre considerados e avaliados nas discussões sobre investimentos em mercados emergentes por parte de grandes investidores. “Qualquer fundo que tenha posição em mercados emergentes obrigatoriamente tem alguma exposição, seja ‘under’ (abaixo da média) ou ‘over’ (acima da média), em Brasil. Obviamente se tivermos uma elevação muito grande das incertezas políticas e econômicas ninguém vai querer ficar comprado em um mercado assim, mas com uma estabilidade maior enxergamos um potencial de crescimento significativo para o país”, afirma Paolino.

Oportunidades – Para o diretor da área de ‘security services’ do BNP Paribas no Brasil, Andrea Cattaneo, as decisões de alguns grandes bancos internacionais de reduzirem sua atuação no país nos últimos meses, como HSBC, Deutsche Bank e o próprio Citi, contribuíram para o forte avanço de 96,24% em relação ao ranking anterior. Apesar desse crescimento expressivo, a casa de origem francesa fechou março de 2017 com R$ 29,77 bilhões de custódia de investidores externos, até por ter iniciado a atividade no país há “apenas” sete anos. “Esses movimentos dos concorrentes claramente nos abriram novas oportunidades. Participamos de diversos processos de concorrência e ganhamos alguns mandatos significativos, principalmente de bancos que aportaram novos recursos”.
De acordo com Cattaneo, o forte crescimento do banco no mercado externo reflete o sucesso da estratégia comercial adotada nos últimos anos, voltada para conquistar mandatos de estrangeiros com interesse no mercado brasileiro. Nos últimos doze meses a casa contratou dez novos profissionais para sua área comercial de ‘security services’ para atender a demanda crescente de investidores não residentes por ativos do mercado brasileiro. “Essas contratações deixam claro o nosso foco comercial e a proximidade da equipe com os clientes no Brasil, suportada pela estrutura global do banco, que muitas vezes trabalham em conjunto”, diz o diretor do banco.
Até por conta dessas decisões dos concorrentes globais de reduzirem a atuação no Brasil, que tornou o mercado de custódia bastante dinâmico, o diretor do BNP Paribas no país acredita que 2017 poderá ser, assim como já foi 2016, um novo ano recorde em termos de crescimento da área de ‘security services’ do banco na região. “Ainda não tenho como afirmar isso com certeza, mas temos uma boa percepção sobre o que pode acontecer nos próximos meses”, afirma Cattaneo, que ainda espera por novas entradas de recursos de clientes oriundos dessas outras casas globais.
Por se tratar de uma área dentro do banco que não consome grande monta de capital, e que não corre o risco de crédito como outros segmentos, o executivo entende que o ritmo acelerado de crescimento dos últimos meses desse nicho do mercado pode prosseguir no segundo semestre e também em 2018. “A área de ‘security services’ vai ajudar no crescimento do BNP Paribas no país”, afirma Cattaneo. Ele lembra que o mercado de custódia no país é muito concentrado na mão de poucos bancos, o que pode ser visto como uma oportunidade para casas que ainda estão sendo conhecidas pelos investidores no segmento. O BNP Paribas atua na área de custódia para terceiros há relativamente pouco tempo; o banco iniciou as atividades no país em 2010.
Ainda de acordo com o profissional, o ambiente do mercado de custódia no Brasil, que passou por mudanças significativas nos últimos meses, com a movimentação de players importantes, deve fazer com que nos próximos meses tenhamos um período de consolidação do setor, prevê o especialista. Inclusive o diretor do BNP Paribas não descarta acelerar o crescimento da casa por meio inorgânico, com a aquisição de outra casa. “A palavra que vejo para o futuro nesse mercado é consolidação”, diz o profissional. “Até agora crescemos de maneira orgânica, mas estamos abertos para avaliar a possibilidade de apostar na estratégia inorgânica também”.
Cattaneo diz também que o banco ainda não trabalha no mercado local com a custódia de ativos de fundos de pensão para o mercado externo, mas ressalta que esse seria um nicho com forte potencial de crescimento, por isso não descarta no futuro iniciar a oferta do serviço no país. “Esse é um segmento importante para o banco a nível global, e também poderia ser interessante para o BNP Paribas no Brasil”, pontua o executivo.

Voto à distância nas assembleias de companhias abertas

O diretor responsável pela administração dos fundos do Citi, Roberto Paolino, explica que a partir deste ano o Citi começou a oferecer aos seus clientes estrangeiros da área de custódia a possibilidade de realizar o voto à distância nas assembléias promovidas pelas companhias abertas com ações listadas na Bovespa. Segundo ele, o Citi é hoje o único custodiante internacional que oferece esse serviço aos clientes internacionais, que na sua avaliação é um diferencial importante para atração de novos mandatos e aumento dos volumes custodiados dos investidores já atendidos. “Tivemos mais de 90% das assembléias com esse serviço, o que permite uma eficiência muito maior para o cliente e para a empresa”.
Paolino diz ainda que o Citi também tem trabalhado junto à Receita Federal, Anbima e outros bancos para tentar tornar mais clara as regras tributárias que incidem sobre os investimentos de investidores não residentes no país, tema que costuma gerar desconforto entre os players internacionais com alguma exposição à região. “Sempre recebemos questionamentos sobre esse assunto”, pontua o diretor do Citi.
Além dos estrangeiros que visam o investimento no Brasil, o executivo da instituição financeira tem notado também um movimento crescente de investidores locais que começam a avaliar investimentos em outros países. O especialista acredita que essa tendência deve aumentar nos próximos meses, conforme a taxa básica de juros local seja reduzida pelo Banco Central. “Temos dado bastante atenção aos clientes locais que querem investir no exterior”.

O risco aumentou | Administradores de fundos notam aumento do risco na prestação do serviço com avanço da regulação, com recuo de alguns players e entrada de outros

Edição 293

 

Administração Fiduciária (em pdf)

A Instrução 558 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), de março de 2015, aumentou as obrigações e exigências que os prestadores de serviços precisam assumir enquanto administradores fiduciários de fundos de investimento, seja nas áreas internas de controles, compliance ou de gestão de risco. Esse aumento do sarrafo fez com que players importantes do mercado, como o Citi e o Deutsche, optassem por reduzir sua atuação no segmento localmente. Por outro lado, outras casas, como o BNP Paribas, que passou a atuar nesse nicho no país em 2014, já entraram no mercado com uma postura mais seletiva na hora de aceitar o papel de administrador de determinados fundos, principalmente quando se tratam dos veículos estruturados.
Na visão de Roberto Paolino, diretor responsável pela administração dos fundos do Citi, o papel do administrador enseja atualmente maiores obrigações e controles do que o de custodiante no mercado brasileiro, o que implica consequentemente também em mais risco para o prestador de serviço que realiza tal atividade. Até por conta desse aumento das exigências que o administrador tem de assumir, o Citi tem reduzido sua atuação local no segmento. Paolino afirma que algumas decisões de investimento que cabem ao gestor do fundo, pela legislação atual, podem ser cobradas do administrador caso o veículo apresente problemas no futuro, papel que o executivo não considera adequado. “Temos a percepção de que o administrador assume riscos que não fazem sentido no papel de prestador de serviço, que são menores no caso do custodiante”, diz o executivo.
Paolino explica que o Citi pode ser o custodiante de determinado fundo e não ser o administrador do mesmo; no entanto, o banco só assume a administração de um ativo se também for seu custodiante. “Dessa forma temos um controle melhor dos ativos sob nossa responsabilidade”, explica Paolino.
No BNP Paribas Brasil, o diretor da área de ‘security services’, Andrea Cattaneo, em linha com o colega do Citi, concorda que o mercado de administração fiduciária está hoje mais arriscado para o prestador de serviços do que era alguns anos atrás. “Considerando as responsabilidades que são delegadas atualmente ao prestador do serviço, a atividade do administrador mudou completamente no Brasil. Hoje o risco que o administrador assume sobre as decisões do fundo é muito grande”, comenta Cattaneo. No entanto, como o banco de origem francesa iniciou sua atuação no nicho há pouco tempo, ele já adotou desde então uma postura mais seletiva e conservadora para assumir determinados mandatos de fundos estruturados, justamente para mitigar os riscos no papel de prestador do serviço.
“Temos uma carteira bem selecionada de contra partes, tivemos uma atenção forte na seleção da tipologia dos fundos e nos clientes que assumimos”, conta o diretor. A maior parte da base de clientes em que o BNP Paribas é o administrador dos fundos é formada por gestoras e seguradoras bem estabelecidas no mercado, que geralmente deixam sob a responsabilidade do banco seus fundos multimercados. “Fundos estruturados selecionamos com bastante cuidado”, ressalta Cattaneo.
João Vagnes, diretor executivo de administração de fundos e gestão da BB DTVM, afirma que as mudanças trazidas pela norma da CVM criaram uma nova realidade operacional para os administradores de carteiras, com a necessidade de modernização de suas atividades, com investimento em tecnologia e automação.
Nessa linha, o diretor da BB DTVM explica que, após a ICVM 558, a gestora do Banco do Brasil criou dentro do segmento de administração três subáreas diferentes para fazer frente às novas exigências normativas; uma faz o gerenciamento dos controles internos, outra fica responsável pela estruturação dos fundos de investimento, enquanto a terceira cuida do suporte operacional tanto da parte de gestão como também da distribuição. “Essas mudanças trouxeram impactos para a produtividade e eficiência dos processos internos da asset, com a modernização e integração dos sistemas”, afirma Vagnes.

Itaú lidera custódia | Em disputa acirrada com Bradesco, o Itaú retoma liderança geral da custódia e aposta na oferta de serviços financeiros globais para manter crescimento

Edição 282

 

Na disputa pela liderança geral do mercado de custódia, os dois principais concorrentes do mercado financeiro nacional têm se alternado na primeira posição. No final de 2014, o Bradesco era o líder, seguido de perto pelo Itaú. Agora, o Itaú retomou a liderança ao atingir R$ 1,125 trilhão, segundo dados da Anbima referentes a março de 2016. O Bradesco não ficou muito distante, com R$ 1,080 trilhão e promete retomar a posição perdida, sobretudo após a incorporação do HSBC, prevista iniciar nos próximos meses. Na terceira posição aparece o Banco do Brasil, seguido pelo Citibank, que se destaca na custódia para o mercado externo.
Assim como seu concorrente direto, o Itaú teve uma ligeira queda no mercado externo de custódia, fechando com R$ 150,53 bilhões – em novembro de 2014 tinha R$ 170,52 bilhões. Porém, compensou a queda com o avanço no mercado doméstico, tendo atingido R$ 974,68 bilhões. Na soma dos dois mercados, o Itaú ficou a frente do Bradesco, apesar que este continua liderando o mercado doméstico (ver matéria pág 22). Já o Bradesco tem posição menor no mercado externo, com R$ 77,39 bilhões - situação que pode melhorar com a incorporação do HSBC.
As quedas tanto do Itaú quanto do Bradesco no mercado externo se devem principalmente à desvalorização das ADRs (recibos de empresas brasileiras listadas nas bolsas dos EUA) nos últimos dois anos. Não houve grandes movimentações neste mercado, porém, os investimentos sofreram desvalorização de mercado devido à crise da economia brasileira nos últimos meses. Além dos ADRs, outro segmento que movimenta o mercado externo são os investimentos realizados através da Resolução 4373, que são provenientes de estrangeiros que investem em ativos no Brasil. Neste segmento, as instituições brasileiras não são tão fortes quanto outros concorrentes globais, como por exemplo, o Citibank e o JP Morgan (ver matéria pág. 27).
O Santander aparece na quinta posição e, apesar de ainda continuar distante dos dois principais líderes do mercado de custódia, o banco vem fortalecendo sua atuação neste mercado. Após a venda do controle da empresa de securities services que atua na Espanha, México e Brasil para os fundos de private equity Warburg Pincus e Temasek, a área de serviços financeiros do Santander, que ainda ficou com 50% do negócio, ganhou voo próprio. Com novo comando no Brasil, do espanhol Joaquin Alfaro, o Santander pretende disputar uma fatia maior desse mercado com os concorrentes (ver matéria na pag. 22).

Novidades para o mercado externo – O Itaú não pretende ficar quieto quando o assunto é mercado externo. “Estamos reforçando nossa atuação através de uma plataforma regional, agora com cinco países da América Latina”, diz Ricardo Soares, diretor de securities services do Itaú. Com a incorporação do banco Corp­banca, o Itaú reforçou sua atuação no Chile, além de incluir um novo país na região, a Colômbia – completam os países de atuação na região o Peru e a Argentina.
Além disso, o Itaú está reforçando a atuação no mercado externo a partir de uma parceria com um custodiante global. “Estamos com uma nova parceria com um dos três maiores players de custódia global, cujo nome ainda não podemos revelar, para oferecer serviços financeiros nos mercados externos”, comenta Soares. Com a parceria, o Itaú passa a oferecer uma gama mais completa de serviços de custódia e controladoria para os clientes locais que pretendem abrir fundos offshore.
“O cliente local pode acessar com mais facilidade o mercado externo para abrir fundos offshore com todos os serviços necessários, como custódia e controladoria de passivos, compra de ativos, entre outros”, explica Lai Yen Ling, chefe comercial da área de securities services do Itaú e responsável pela custódia internacional. A executiva assumiu recentemente o comando de toda a área comercial de securities services do Itaú, que inclui custódia, controladoria e administração fiduciária, além de gestão de garantias e escrituração de ativos.
Com o fortalecimento da atuação no mercado externo, o Itaú pretende acompanhar o movimento de aumento de investimento no exterior. “O investidor brasileiro está começando a investir cada vez mais no exterior, mas ainda é um movimento tímido. Os fundos de pensão começaram esse movimento, mas em geral, os investidores locais devem acessar com maiores volumes os mercados internacionais quando ocorrer um novo ciclo de corte dos juros do mercado doméstico”, prevê Soares.

Crise na concorrência – No mercado doméstico, o Itaú conseguiu se beneficiar de problemas enfrentados por alguns de seus concorrentes locais. A crise que atingiu o BTG Pactual no final de 2015, devido ao envolvimento nas investigações da operação Lava Jato, provocou uma queda dos ativos custodiados e administrados pela instituição. A instituição comandada anteriormente por André Esteves chegou a contar com mais de R$ 100 bilhões em ativos custodiados no final de 2014. Em março de 2015, esse volume tinha caído para menos da metade - R$ 46,58 bilhões.
Outro concorrente direto do Itaú, o HSBC não passou por uma crise no Brasil, porém, sua operação foi afetada pela venda do controle para o Bradesco. Se não se pode dizer que o volume de ativos custodiados sofreu forte queda no HSBC, porém, é possível verificar que não houve crescimento no ano passado e início de 2016. Com isso, o Itaú buscou capturar uma parte dos clientes que anteriormente iriam para a carteira destes concorrentes. “Percebemos oportunidades importantes no final do ano passado e início de 2016 devido a problemas enfrentados pela concorrência. Nos últimos doze meses capturamos cerca de 34% do crescimento de todo o mercado de custódia”, diz o diretor do Itaú.
O executivo mostra que dos R$ 624 bilhões que entraram no mercado como um todo, R$ 210 bilhões foram capturados pelo Itaú. Soares se refere tanto aos novos recursos quanto à migração de carteiras de fundos que foram parar nas mãos do Itaú. Outra instituição que tem perdido algumas carteiras para os concorrentes é o BNY Mellon, que tinha enfrentado uma crise um pouco mais antigo, entre 2013 e 2014, envolvendo o conflito com o fundo de pensão dos Correios, o Postalis. Depois de mudar seu comando no Brasil, o BNY Mellon tem atuado com maior seletividade na prestação de serviços financeiros para assets independentes. Em todo o caso, os grandes bancos tem aproveitado o espaço para crescer e concentrar ainda mais a fatia do mercado não só de custódia, mas também de administração fiduciária.
O Itaú tem atuado no segmento de administração através de um empresa do grupo, a Intrag, voltada para oferecer esse serviço para gestoras independentes. A empresa já acumula R$ 108,76 bilhões em ativos sob administração, ocupando a sétima posição do mercado, um posto acima do BTG Pactual. No final de 2014, a Intrag ocupava apenas a décima posição deste mercado. Um fato importante é que o Itaú tem oferecido os serviços de administração junto com custódia e controladoria. Por isso, o crescimento em administração fiduciária também reflete no crescimento da custódia para o banco.

Seletividade – Apesar do crescimento do Itaú com migração de carteiras dos concorrentes, o banco tem atuado com seletividade tanto para receber tanto fundos já existentes quanto novos clientes. A postura é mais seletiva ainda quando se trata de produtos estruturados como FIDCs (direitos creditórios), FIPs (participações) e FIIs (imobiliários). O Itaú continua atuando com produtos estruturados, porém, tem utilizado um severo filtro de risco para analisar os clientes terceiros. “Olhamos para o cliente para verificar se estamos dispostos a aceitar o risco. Não capturamos todas as oportunidades”, diz Soares.
O Itaú realiza uma análise de risco mais criteriosa antes de aceitar um novo cliente de fora. “Verificamos quem é o gestor, se tem segregação de funções e áreas, se tem todas as qualificações necessárias. Somos bem seletivos no mercado de estruturados”, diz Stephan Krajcer, chefe da área de administração fiduciária do Itaú.

Investimentos em TI – Uma das prioridades do Itaú no ano passado foi aumentar os investimentos e aperfeiçoar a plataforma tecnológica das áreas de custódia e controladoria. Os investimentos foram necessários devido ao intenso processo de mudanças na regulação do mercado de fundos de investimentos e custódia produzidas pelos órgãos reguladores. Desde 2014, uma série de instruções da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) trouxe um conjunto de novas regras que mudaram o funcionamento da indústria de fundos no país.
“Começou com a instrução 542, que definiu um papel mais claro para o custodiante, depois veio a 555 que tratou do funcionamento dos fundos de investimento e dos investidores e finalmente, a 558, que regulou a participação de gestores e administradores, apenas para citar as principais regulamentações”, diz Krajcer. As novas instruções provocaram uma necessidade de adaptação dos serviços de cutódia e controladoria por parte das instituições que atuam nesse mercado. Atualmente os prestadores de serviços de custódia correm para se adaptar às mudanças definidas pela instrução 558, que redefinem os papeis do gestor, administrador e distribuidor de fundos de investimentos.

Atuação regional – Assim como tem feito o Itaú, o BNY Mellon tem fortalecido sua atuação regional na América Latina. O escritório no Brasil é o centro das operações do banco para a América do Sul, México e Caribe. A instituição aumentou o volume de ativos custodiados em comparação com o final de 2014. Agora, o BNY Mellon fechou com R$ 34,90 bilhões, na décima primeira posição. “Temos oferecido dois serviços principais ao mercado, a custódia qualificada e a carteira administrada”, diz Carlos Augusto Salamonde, CEO da área de asset servicing do BNY Mellon. O executivo explica que tem aumentado a demanda pelo serviço de custódia também para carteiras administradas a partir da entrada em vigência da instrução 555, que alterou o limite mínimo para R$ 10 milhões para os fundos exclusivos. Com isso, diversos investidores private e famílias decidiram migrar as aplicações para o veículo das carteiras.
O BNY Mellon continua com o foco também no segmento de custódia para fundos de pensão. Para isso, contratou Marcus Moraes (ex-Itaú) no início do ano para o relacionamento com clientes institucionais e fundações. “Temos procurado novas oportunidades no segmento de fundos de pensão tanto de empresas privadas quanto públicas. Temos também aumentado o relacionamento com clientes que já fazem parte de nossa carteira”, diz Carlos Salamonde.
Outro nicho explorado pelo BNY Mellon é o serviço de suporte para a distribuição realizada pelas assets independentes. O banco tem oferecido apoio na parte operacional para as gestoras que pretendem realizar a distribuição de seus produtos. “É um serviço novo que estamos oferecendo a partir das novidades da instrução 558, para as gestoras que querem se tornar distribuidoras, mas que preferem terceirizar a parte operacional”, diz Salamonde. O executivo acredita que é um nicho que deve crescer bastante nos próximos meses.