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O avanço da globalização
Com a maior exposição das carteiras de investimentos à ativos globais aumenta a demanda por custódia de players internacionais

Edição 337

A ampliação dos investimentos em renda variável global, por conta da queda da taxa de juros, têm contribuído para elevar os volumes da custódia internacional. “Houve um crescimento de 84,5% no nosso volume de custódia para investimentos no exterior, uma parte sendo feita por clientes não residentes que saíram do mercado de títulos públicos e voltam agora”, diz o superintendente executivo de operações internacionais do Bradesco, Francisco Borges Neto.
Os programas de ADRs ( American Depositary Receipts) também registraram aumento expressivo, por conta da mudança da regulação para os ADRs não patrocinados. “Isso impactou os nossos resultados e no mês abril de 2021 havia R$ 349 bilhões sob custódia no mercado externo (entre não residentes e ADRs), dos quais R$ 290 bilhões em ADRs. Em 2020 haviam sido R$ 190 bilhões no mercado externo, sendo R$ 120 bilhões em ADRs”, lembra Borges.
A custódia internacional pode ser feita de duas formas, explica ele. Pelo caminho off shore, na base do banco em Cayman, em que o gestor usa o operador de lá e coloca os ativos no fundo que será refletido no fundo local aqui no Brasil, ou então o gestor pode comprar os ativos diretamente. Nesse caso, será usado o operador dele ou o banco faz a custódia em sua base de Cayman, mas o banco estuda outras bases também no exterior. “Uma delas é usar a presença do BAC – Bradesco Florida Bank - na Flórida, que tem a parte de corretora. Ela não entra aqui mas irá trazer sinergia para os clientes”, conta Borges.
Já no Santander, o segmento off shore de custódia e administração explora a capilaridade da rede e seu acesso ao mercado internacional, somando um volume de BRL 8,2 bilhões. “Investimos muito nisso e triplicamos o time dedicado, hoje são oito pessoas só para atender a demanda crescente neste último ano. Os gestores de recursos precisaram gerar alfa e diversificar, então tivemos que oferecer serviços específicos para dar suporte à interação com eles”, conta o CEO de Securities Services Joaquin Alfaro.

No relacionamento com investidores brasileiros que alocam no exterior, o Citi quer ser um player relevante da área de custódia e aposta no fato de ser um dos líderes globais, com U$ 28 trilhões em ativos distribuídos por uma rede espalhada por 104 países, em 63 dos quais é proprietária. “É a maior rede proprietária de custódia do mundo e, nos demais países, podemos contratar terceiros mas os 63 em que somos proprietários são justamente os mais desenvolvidos e representam cerca de 95% da capitalização do mercado global”, detalha o diretor de custódia do Citi, Roberto Paolino. A gama de serviços, centralizada em Nova York, inclui todas as classes de ativos, sejam títulos públicos, ações ou fundos e o objetivo é capturar um mercado que ainda está em desenvolvimento e que vai crescer cada vez mais daqui para a frente. Já há sete clientes que utilizam esses serviços, um deles ainda em fase de implantação, e outros dois em conversas adiantadas, diz o diretor.
“A rede agrega valor para o cliente brasileiro no momento em que os volumes de alocação internacional têm aumentado, inclusive por parte das EFPC”, observa o diretor. As relações contratuais variam mas tipicamente, explica Paolino, o brasileiro contrata o Citi para serviços de custódia, liquidação e clearing. Colocamos à disposição as plataformas de fundos para que eles possam liquidar operações de forma simples e seguras e pode incluir câmbio e precificação de títulos. O objetivo da casa é trazer clientes que representem um potencial relevante a médio e longo prazos e para isso é fundamental ter sistemas eletrônicos e ferramentas específicas para securities servicese que englobem todas as operações e reports. “O cliente pode customizar isso, embora seja uma plataforma global, porque o gestor vai precisar de informações diferenciadas para o seu portfolio”, diz Paulino. Ele acrescenta que o “crescimento notável” desse filão pode ser percebido tanto na demanda por serviços quanto nos volumes de ativos dos clientes que a casa já tinha, com destaque para a exposição a empresas de tecnologia.
O “empacotamento” de ativos globais pode ser feito via fundos locais ou no mercado de BDRs e acaba sendo benéfico para o mercado local ao evitar que a indústria de intermediação – seja na negociação em bolsa, seja nos fundos locais – seja exportada do País, avalia o diretor do Citi. Até porque isso vem em linha também com o objetivo dos reguladores locais que é o de estimular investimentos em veículos sujeitos à proteção da regulação brasileira. Ao todo, são US$ 9 bilhões em ativos desses clientes lá fora, dos quais US$ 4 bilhões estão em custódia de BDRs (ativos listados fora do país), segmento no qual o Citi também é líder, informa Paolino.

Os serviços de custódia oferecidos pelo BNP Paribas Brasil ganharam tração desde o ano passado por conta do aumento de operações de alocação desses investidores no exterior. Na área de clientes locais esse avanço reflete bem o apetite pelos mercados internacionais. “Nossa posição global nos permite oferecer a estrutura necessária para assegurar o fluxo operacional nesse segmento e a tendência é de continuar a crescer. Os serviços para investimentos no exterior já compõem atualmente de 20% a 22% do nosso total sob custódia”, informa o diretor de Securities Services do banco no Brasil, Antonio Nascimento. A casa mantém essa estrutura desde 2018 mas o grande aumento na demanda ocorreu entre 2020 e este ano.
A seletividade na escolha de contrapartes, fundamental tanto para a custódia dos investidores locais como no exterior, é uma das características essenciais. “As parcerias com grandes clientes e grandes nomes são um diferencial importante, assim como a nossa plataforma global 100% switch que dá mais segurança ao fluxo de entrada e saída de recursos, operações de câmbio e relatórios, por exemplo”, diz Nascimento.
O investimento em tecnologia do banco já está sacramentado, diz Nascimento, mas o objetivo é reforçar a estrutura operacional dos fundos, que usa as áreas de tecnologia no Brasil e também em Nova York para atender a demanda relativa às plataformas digitais e sistemas. “Temos entregas importantes a fazer este ano em tecnologia pensando nos investimentos em fundos no exterior e no movimento mais intenso associado às plataformas de distribuição e à maior demanda por diversificação internacional”. O fluxo tende a ser cada vez maior tanto nas parcerias de fundos locais com fundos lá fora ou na compra direta de ativos no exterior e a perspectiva do banco é ampliar o volume sob custódia em investimentos no exterior este ano e em 2022.
No BNY Mellon, a expectativa também é de crescimento nos negócios com fundos que aplicam no exterior e o head de operações no Brasil, Peterson Paz, enfatiza o potencial das operações com derivativos do setor de energia, um dos caminhos mais promissores para esses fundos. “O movimento tem crescido pela diversificação e por conta do juro doméstico, em patamares ainda historicamente baixos.