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Ações e crédito fecham às novas aplicações
Antes concentrado em multimercados, o fechamento de fundos chega às ações e crédito

Investidores interessados em migrar da renda fixa para fundos de ações e de crédito, com perspectivas de retornos mais polpudos, já começam a se deparar, de forma crescente, com algumas barreiras de entrada. Embora o processo de diversificação ainda seja incipiente, alguns fundos de ações e FIDCs que entregaram bons retornos no último período estão fechando para captação. A tendência não é nova, teve início em 2018 com alguns fundos multimercados – e agora se expande para outras searas como ações e crédito.
“A forte demanda por fundos de renda variável e crédito é fruto direto da queda da Selic para a casa de um dígito e, também, do trabalho executado pelas plataformas de investimento, que estão atraindo novos aplicadores para o mercado”, comenta Walter Maciel, CEO da AZ Quest. “O crescimento dos patrimônios líquidos desses produtos específicos propicia chances de maior retorno, mas os gestores têm de zelar pelos recursos dos cotistas mais antigos.”
Com R$ 18,29 bilhões sob gestão, a asset paulista mantém cerrados cinco de seus 20 fundos – dois de renda variável, dois de crédito privado e um macro. O último a fechar as portas, em 28 de fevereiro, foi o Equity Hedge, fundo de ações que contabiliza patrimônio líquido de R$ 296,76 milhões. “Em compensação, reabrimos em março a captação do Legan Low, um multimercado de arbitragem, que estava fechado desde dezembro“, diz Maciel.
Gigantes do setor também vêm acompanhando atentamente os ingressos de recursos em carteiras de maior risco. Entre novembro e dezembro últimos, a Itaú Asset Management, a maior gestora privada do país, fechou as versões institucional e varejista do fundo de ações Phoenix, que captaram R$ 1,6 bilhão em 2018. Até o momento, a Bradesco Asset Management (Bram) não tomou decisões do gênero, mas, como observa o CIO de renda variável Marcelo Nantes, já começa a discutir a capacidade de manter algumas estratégias de investimento. “É um fenômeno recente e que diz respeito a fundos de ações e multimercados”, assinala.
Especializada em produtos multimercados e de renda fixa lastreados majoritariamente em títulos privados, a DLM Invista redobrou a cautela no último ano. Com ativos por volta de R$ 4 bilhões, a asset mineira interrompeu a captação de três de seus nove veículos de investimento: o multimercado Hedge Conservador e os fundos de renda fixa Hedge Conservador II e Debêntures Incentivadas, cujos patrimônios líquidos somam R$ 2,04 bilhões.
“O Conservador I, o maior fundo da casa, foi reaberto em janeiro, mas deve voltar a ser fechado em breve, tão logo a captação adicional atinja a meta de R$ 450 milhões”, diz o sócio e gestor Marcelo Castro Domingos. “Limitar a expansão é, por vezes, a única forma de garantir os interesses dos cotistas. No caso do fundo de debêntures, por exemplo, a oferta e a diversidade de ativos incentivados não garantem boas perspectivas para o crescimento do produto.”
Ainda mais radical, a Oceana Investimentos mantém fechados desde setembro de 2017 quatro de seus cinco fundos multimercados e de ações. Só o Selection 30, de renda variável, permanece à disposição dos investidores. E, mesmo assim, não se sabe até quando, pois a intenção da gestora carioca, com forte tradição em produtos lastreados em ações, é garantir apenas um reforço para o patrimônio líquido do fundo. “Decidimos pelo fechamento do portfólio para a captação em razão da forte valorização do mercado acionário em 2016 e 2017. O Brasil tem a bolsa de valores mais líquida da América Latina, mas, ainda assim, se você decide ampliar o leque do portfólio para além dos 15 papéis mais negociados em pregão, fica difícil manter a performance em patamares elevados”, comenta o sócio-fundador Alexandre Rezende.
Criada em 2006, a gestora, que contabiliza cerca de R$ 4,5 bilhões em carteira, interrompeu o acesso a seus produtos pela primeira vez já no ano seguinte à sua criação. A interdição inaugural contemplou o multimercado Long Short, à época com R$ 270 milhões em ativos. Desde então, a prática se tornou uma rotina na Oceana. “Quando temos de escolher entre um fundo maior ou mais rentável, vale sempre a segunda opção. É o nosso dever fiduciário”, assinala Rezende.