Com juros baixos, busca de ativos de maior risco é inevitável

RJ net1O ciclo de eventos “Perspectivas de Investimento 2019 para o 2º Semestre”, organizado pela revista Investidor Institucional, contou com a participação de cerca de 400 pessoas na somatória das três cidades onde ocorreu – Brasília em 9/7, Rio de Janeiro em 10/7 e São Paulo em 11/7. Segundo o superintendente da Previc, Fábio Coelho, que palestrou nas três cidades, um dos principais desafios dos fundos de pensão nos próximos anos será encontrar ativos adequados para proporcionar a rentabilidade necessárias aos planos para pagar seus compromissos atuariais. Ele disse que, embora não caiba à autarquia induzir as fundações em direção à ativos de maior risco, isso será inevitável nos próximos anos, uma vez que a rentabilidade dos títulos públicos estão cada vez mais distantes das metas atuariais das fundações.

Segundo Coelho, a média das metas atuarais das fundações encontra-se na casa dos 5,3%. Para ele, o ideal seria um movimento conjunto de busca de ativos de maior rentabilidade com uma redução das metas.

De acordo com o diretor da Aditus Consultoria, Guilherme Benites, os investidores institucionais vão ter que adequar suas carteiras de investimentos à nova realidade de NTN-Bs pagando abaixo das metas atuariais. Benites citou ações, títulos de crédito privado e inclusive private equite como ativos a serem mais demandados pelos fundos de pensão daqui para a frente. “Quando as NTN-Bs pagavam acima da meta os fundos de pensão podiam torcer o nariz para ativos de risco como os FIPs, mas quando essa rentabilidade não existe mais os FIPs começam a ser vistos com outros olhos”, diz. “A necessidade é a mãe de todas as mudanças”.

Segundo o diretor da área de investimentos da Willis Towers Watson, Arthur Lencastre, o País começa a viver uma realidade de juros mais baixos. A taxa de juros nominal de 10 anos caiu de 11,57% em julho de 2018 para 7,69% em junho de 2019, enquanto em termos nominais caíram de pouco menos de 6% em julho de 2018 para menos de 3,5% em junho de 2019. Segundo Lencastre, daqui para a frente “os resultados da renda fixa serão mais baixos e insuficientes para assegurar o cumprimento das metas atuariais e a renda variável e os investimentos alternativos terão importância crescente para o atingimento dos objetivos dos planos”. Ainda de acordo com o executivo, “as decisões de investimentos evoluirão, deixando de buscar beta para buscar alfa”.

Participaram ainda como palestrantes da 20ª edição do fórum “Perspectivas de Investimento 2019 para o 2º Semestre”, o diretor geral da Fator Administração de Recursos, Paulo Gala, a economista-chefe da BNP Paribas Asset, Tatiana Pinheiro, o head de renda variável da BNP Paribas Asset, Frederico Tralli, o portfolio manager de renda variável da Novus Capital, Rodrigo Galindo, o portfolio manager internacional da Novus Capital, Ricardo Kazan, e o CIO da TAG Investimentos, Dan Kawa.

Moderaram os debates o presidente do Sindapp, Jarbas De Biagi, o diretor de administração, finanças e investimentos da Fundação Sistel, Mário Amigo, e o diretor de investimentos da Fundação Valia, Maurício Wanderley.


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