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Panamby vem a mercado com dois fundos
A nova asset, comandada pelo ex–BC Reinaldo Le Grazie, começa as atividades com um multimercado e um FII de CRIs

Quando Reinaldo Le Grazie decidiu abandonar seu cargo de diretor de Política Monetária do Banco Central, em dezembro de 2018, a quarentena imposta para que retomasse o trabalho na vida privada lhe deu o tempo necessário para pensar. E descansar. “Ciclos da vida que se encerravam”, nas palavras do executivo, agora instalado em um belo escritório às margens da Marginal Pinheiros, diante de uma visão privilegiada da cidade de São Paulo.
Ladeado com um time de peso, entre os quais o seu braço direito, Pedro Mollo, ex-Votorantim, eles decidiram há pouco mais de um ano fundar a Panamby Capital. Juntaram-se a um time de de sete velhos companheiros de mercado, profissionais do Votorantim, do BNP Paribas, Santander, Bradesco Asset Management e um desejo comum: empreender.
“Fazia parte da vida voltar para o setor privado, onde trabalhei a vida toda. Trabalhar no governo é algo intenso, penso que no setor privado você tem mais controle sobre a situação que administra”, afirma Le Grazie. A química para juntar o grupo foi a amizade e o profissionalismo, “uma estrutura de pessoas de altíssimo gabarito técnico que montamos”. A amálgama, a conjuntura econômica no Brasil e no mundo. “Vamos ter taxas de juros baixa por um longo período aqui e nos outros continentes. E este juro baixo e negativo no planeta cria uma influência de inflação baixa e a busca por ativos de risco”, explica Le Grazie.
De janeiro a março de 2020 tanto ele quanto seu parceiro Mollo resolveram fazer a lição de casa, pesquisa de campo, bater de porta em porta e conversar com as áreas de fundos de investimentos, gestores de family offices, entender as plataformas de distribuição. Depois de muitas visitas e cafés entenderam que o mercado demandava produtos financeiros com volatilidade mais alta, isto é, com risco maior. Mas também com retorno mais alto. E era este o nicho que a Panamby iria atuar.
A estrutura montada foi de uma organização com três empresas completamente independentes, com caixas diferenciados, lideranças próprias, embora sob o chapéu da Panamby Capital e da Panamby Gestora. O guarda-chuva ficava assim distribuído: Wealth Management para fundos de fundos, Par Capital para multimercado e ações, e Panamby Asset para fundos estruturados.
“Na perna do segmento Wealth Management, nosso cliente é o ultra high. Famílias que possuem patrimônio entre R$ 40 milhões a R$ 50 milhões. Foi a primeira atividade que decidimos implementar na Panamby por termos especialistas mais tarimbados neste segmento”, afirma Pedro Mollo, diretor geral. A ideia, diz o executivo, é avançar neste trabalho que ainda é bastante incipiente no País, com soluções inovadoras de investimentos quando comparado ao que se faz em outras nações.

Multimercado – Para abocanhar uma fatia do promissor mercado de fundos multimercados, a Par Capital acaba de lançar o Panamby INNO, um multimercados bastante agressivo que promete pagar CDI mais 6% ao ano e uma taxa de performance de 20% sobre o que exceder o CDI. A aplicação mínima será de R$ 5 mil.
Voltado à alta renda, o Panamby INNO permitirá à nova gestora colocar seus pés numa seara que conhece bem, a dos investidores institucionais. A estratégia da Panamby é estabelecer uma parceria com essa classe de investidores, garantindo àqueles investirem um pequeno valor no início do fundo uma janela para boletos maiores no futuro. Por serem mais lentos na tomada das decisões, que devem passar antes por Conselhos e Comitês, esses investidores acabaram chegando quase sempre tarde aos multimercados de sucesso, geralmente quando esses já fecharam para captação.
Foi o que aconteceu com alguns multimercados de sucesso no ano passado, como os da Adam, Kapitalo, Mauá e Garde, cujas captações rápidas e volumosas os levaram a fechar em pouco tempo, recusando boletos dos institucionais que chegaram mais tarde. A Panamby vai garantir a esses investidores do início do fundo, que ajudaram a impulsioná-lo para um patamar de equilíbrio mais rapidamente, boletos maiores quando o fundo começar a mostrar bons resultados. “Eles nos ajudam no início e nós ficamos abertos a eles depois”, explica Le Grazie.
A Panambi quer alcançar a casa do R$ 1 bilhão de patrimônio líquido nesse fundo ao final de 2020, afirma Ricardo Magalhães, gestor de renda fixa do fundo que divide com Frederico Tralli (ex-BNP Paribas), responsável pela fatia de renda variável, a pilotagem do INNO Multimercado.
Ricardo Magalhães explica que, para pagar 6% a 8% ao ano mais CDI, o fundo aplicará pelo menos 40% do seu patrimônio em renda variável, uma cifra incomum entre os multimercados, que geralmente aplicam até 20% em renda variável. Ele ressalta, entretanto, que isso está mudando.

Conjuntura favorável – Frederico Tralli acredita que a conjuntura econômica favorável ajudou a fomentar a criação da Panamby Capital. “O mercado hoje está muito mais aberto para empresas como a nossa. E o momento são dos fundos multimercados, para a renda variável, por um motivo simples: juros baixos por um longo período acentua uma migração do investidor para o risco, migração aliás que já está atrasada, já deveria ter começado. Este apetite ao risco virá inevitavelmente porque o cliente quer um maior retorno para a sua aplicação”, afirma.
“Vai ficar mais difícil a partir de hoje ter ganhos consistentes em juros e moedas, e aparecerá mais oportunidades na renda variável”, raciocina Magalhães. O otimismo é tamanho que a aposta é gerir nos próximos dois ou três anos um patrimônio de R$ 5 bilhões só em multimercados na Par Capital.
A estratégia para se diferenciar dos demais multimercados, relata Magalhães, é manter no fundo ativos com liquidez de até 30 dias. “Vamos alocar recursos em empresas listadas de média capitalização para cima, ações de grandes companhias de capital aberto. Não entraremos em crédito privado como debêntures, por exemplo, FIDCs, não é o nosso foco”, afirma.
Para a Par Capital, lembra Magalhães, até pela cultura dos seus dirigentes, o trabalho é de um estudo fundamentalista das empresas antes de ações pontuais. No QG da Panamby, às segunda-feiras a equipe de renda fixa se reúne para traçar cenários. Na terça é a vez do time de renda variável. São nesses encontros, onde Le Grazie e Mollo conduzem a orquestra, que são traçadas as estratégias.
Perguntado quais seriam os próximos passos depois do fundo multimercado, Magalhães diz que no primeiro ano tudo será focado neste produto, mas depois pode-se pensar em fundos previdenciários. “Estamos estudando”, diz.
A expectativa com as ações na bolsa de valores, aliás, é de otimismo em 2020 seguindo o excelente desempenho dos últimos doze meses. Para Pedro Mollo, a crença é de uma valorização média entre 10 a 15% nominal dos papéis que compõem o Ibovespa. “Há setores promissores e que precisam ser olhados com especial atenção, como infraestrutura, mercado imobiliário, utilities (energia elétrica e saneamento básico), mercado imobiliário, educação, saúde”, afirma.

Fundos Imobiliários – No terceiro braço da Panamby, a Panamby Asset, está a executiva Silvia Gomes Benvenuti, parceira de Pedro Mollo do banco Votorantim e com grande experiência no mercado em crédito imobiliário. Sua primeira tarefa foi o lançamento de um fundo de Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI), o Panamby Renda Master FII, com alguns diferenciais em relação à concorrência.
“Pareceu-nos bem claro que a construção civil terá um papel fundamental na retomada da economia no ano que vem. E não há demanda para financiamento de média renda, para um mercado mais pulverizado, que é onde iremos atuar”, explica Silvia Gomes.
O fundo imobiliário conduzido por ela deve captar na sua primeira fase, assim que for liberado o processo legal, R$ 150 milhões e pagar ao investidor CDI mais 3% ao ano. “Ja sentimos que há demanda, acreditamos que até abril do ano que vem possamos ter uma oferta de R$ 500 milhões, podendo chegar a R$ 1 bilhão até o final do ano que vem”.
A executiva explica que o nicho de mercado no qual vai atuar permite uma diferenciação em relação aos produtos oferecidos pelos grandes bancos. “Este segmento que estamos entrando, de CRIs, é muito pulverizado, enorme. Se você for a uma cidade de dez mil habitantes há dez incorporadores. Decidimos focar na média renda para cessão de crédito porque a inadimplência é menor, com imóveis mais bem localizados e de melhor qualidade, que podem garantir a rentabilidade ao quotista”. A diferença com os CRIs dos grandes bancos, explica, é que “trabalho com volumes menores, consigo capturar coisas com baixo risco e obter spreads maiores”.
Ela explica que a distribuição do fundo imobiliário será feita, no primeiro momento, somente aos investidores profissionais e family offices, “investidores que possuem mais de R$ 10 milhões de liquidez em ativos financeiros”. Somente num segundo momento vamos atuar junto ao varejo, através das plataformas.