Persevera defende que BC zere, temporariamente, a taxa Selic

Gilherme AbbudEm carta aos investidores a gestora Persevera, comandada por Guilherme Abbud, defendeu que o Banco Central (BC) zere temporariamente a Selic como forma de criar estímulos à economia. “Certamente baixar juros não vai impedir a contração abrupta da atividade, muito menos ajudar no combate direto à pandemia”, escrevem os gestores. “Trata-se, porém de uma atitude necessária ainda que não suficiente para dar algum fôlego à economia”, diz a carta da gestora.

Na carta, os especialistas da asset reconhecem que a queda dos juros não é suficiente para sustentar a economia durante a crise do coronavirus, mas é “o ponto de partida indispensável, sobre o qual vêm todas as outras atitudes financeiras”. Os gestores da Persevera defendem também a utilização vigorosa das reservas cambiais – “não faz sentido não utilizar o seguro no meio da calamidade” – e uma atuação de “forma rápida e resoluta, única maneira eficiente em tempos de crise de confiança e empoçamento de liquidez”.

Na carta, os especialistas avaliam ainda que a autoridade monetária deve sinalizar aos agentes do mercado a total ausência de pressões inflacionárias, o que levará à manutenção da taxa de juros em patamares baixos por um longo período, de forma a reduzir a inclinação da curva de longo prazo.

“Acreditamos que o Banco Central já está no caminho de ter essa percepção e, quanto antes utilizar seu arsenal para cumprir a enorme responsabilidade que lhe recai sobre os ombros, mais contribuirá para evitar que a pandemia do coronavírus jogue o país em uma rota de estagnação crônica”, defende a Persevera. “Não há tempo a perder e não há munição a preservar. É hora de o Banco Central liderar o movimento, trazendo a taxa Selic temporariamente para zero, permitindo uma taxa nominal longa ao redor de 3% e, aí sim, uma taxa real de juros de longo prazo próxima a zero. Como no caso de Ben Bernanke em 2008 e Mario Draghi em 2012, é preciso “Coragem de Agir””.