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Mudando de passo na hora certo
Perfin aproveitou a forte queda da bolsa, em março, para investir quase 30% da carteira de renda variável em ações de empresas sólidas

Em dezembro último, a Perfin Asset Management, especializada em fundos de ações e de participações, decidiu reforçar a liquidez de seus portfólios de renda variável, que hoje somam algo ao redor de R$ 900 milhões. A medida tomou por base projeções da equipe de analistas da casa de um movimento de realização de lucros no mercado acionário – à época com valorização acumulada no ano já próxima a 30% –, que criaria condições para a aquisição de papéis a preços vantajosos nos primeiros meses de 2020. “Elevamos o caixa para cerca de 30% do patrimônio dos fundos de ações, o dobro do padrão normal, e ficamos à espera do recuo das cotações. Aproveitamos, também, para realizar hedges de nossas carteiras, que superaram o Ibovespa em mais de sete pontos percentuais em 2019”, conta o sócio e gestor Alexandre Sabanai.
O ajuste de preços começou na segunda quinzena de fevereiro e ganhou intensidade nas semanas seguintes, com a crise gerada pela pandemia da Covid-19. Melhor para a Perfin, que só se lançou às compras no pregão da B3 em março, período em que o Ibovespa apresentou queda de 29,90%. “Entre a primeira e a segunda semanas de março, investimos 28% das nossas reservas de liquidez em ações”, diz Sabanai. “Com o mercado em pânico, aproveitamos ofertas maciças de papéis por parte, sobretudo, de investidores estrangeiros e fundos multimercados.”
As escolhas recaíram, em sua maioria, sobre ações com as quais a gestora já operava, casos de Natura, Totvs, Cesp, Alupar, B3 e, num segundo movimento, a partir de abril, Hypera Pharma. Uma das investidas mais ousadas foi o reforço da posição na Iguatemi, nome de destaque em um dos segmentos mais afetados pelo surto do novo coronavírus, o de shopping centers. A opção por uma ação que acumulou desvalorização de 31,75% entre 1º de janeiro e 17 de junho, explica Sabanai, foi baseada em critérios fundamentalistas de análise, seguidos à risca pela gestora.
“A Iguatemi, de fato, só deverá recuperar a rentabilidade em dois anos, mas, por outro lado, é de longe a melhor companhia do seu ramo de atuação, com baixos índices de alavancagem. Como compramos suas ações por preços reduzidos e pretendemos mantê-las por um longo período, acreditamos em retornos expressivos a partir de 2023”, argumenta ele.

As regulagens executadas nos long only Foresight e Foresight Institucional, carros-chefes de renda variável da casa, que perderam ao redor de 34% em março, surtiram efeito e permitiram retornos de 23,82% e 23,89% entre abril e maio. Embora ainda acusem retrações de 19,4% no período de janeiro e maio, os dois fundos praticamente zeraram suas perdas no acumulado de 12 meses. A gestora espera ampliar a participação dos investidores institucionais, que já respondem por aproximadamente 15% do patrimônio líquido, nesses fundos.
“A grande maioria dos fundos de pensão ainda permanece à espera de uma melhor definição dos cenários sanitário e econômico antes de se decidir por reforços em suas aplicações em renda variável”, comenta o gestor. “Acreditamos que isso só deverá ocorrer no último trimestre do ano.”
Outro segmento que ainda encontra bastante resistência do público institucional são os Fundos de Investimento em Participações (FIPs). Baseado na boa aceitação do Apollo, Fip de R$ 1,5 bilhão que é ancorado em seis projetos de transmissão de energia elétrica distribuídos por cinco estados, a Perfin lançou entre o fim de 2017 e o início do ano passado dois novos Fips, o Ares 1 e o Ares 2. O primeiro é voltado à geração de energia eólica, enquanto o segundo, lançado em parceria com a Mori Energia, é lastreado em parques de geração de energia solar no norte de Minas Gerais. “Já a partir do último ano, com a melhoria da imagem dos FIPs junto ao mercado e a progressiva queda da Selic, fomos procurados por vários investidores institucionais interessados em fundos de participação, alguns dos quais até tiveram problemas no passado com essas aplicações no passado”, conta Sabanai.
“Até agora, não houve nada de concreto, mas acreditamos que é só questão de tempo. O apetite dos fundos de pensão por FIPs só tende a crescer em um cenário de juros em patamares muito baixos.” A Perfin tem R$ 3,5 bilhões sob gestão no segmento.