Mainnav

Institucionais apostam em mercados globais
A demanda institucional por fundos de investimentos no exterior motiva gestoras a reforçar as grades de produtos no segmento

A queda da taxa de juros para o seu piso histórico, aliada à necessidade de diversificar os portfólios, tem levado as entidades fechadas de previdência complementar (EFPCs) a ampliar ou a experimentar, no caso das novatas nesse segmento, alocações em fundos de investimento no exterior. Segundo o sócio da consultoria Aditus, Guilherme Benites, “o movimento é puxado pelas grandes entidades mas já encontra boa receptividade nas demais”. Na sua opinião, “o câmbio ainda emperra alguns projetos de alocações externas, mas as negociações com assets ganharam escala.”
Na Legg Mason, a demanda dos regimes próprios de previdência de servidores públicos estão em alta. Embora só tenham recebido autorização para investir no exterior em 2018, essas entidades vêm demonstrando grande apetite pela opção. “Depois da eclosão da crise, em março, os fundos de pensão frearam um pouco as aplicações no exterior, mas os RPPSs seguiram em frente. Como ainda detêm pouca expertise na área, eles dão preferência a gestoras estrangeiras”, diz o head comercial da gestora, Roberto Teperman.
Segundo o executivo, não fosse a Covid-19 várias EFPCs já estariam próximas do limite de 10% permitido pela Resolução 4.661. Algumas, por sinal, não atingiram o teto por terem postergado investimentos programados para janeiro, apostando num recuo do dólar, que fechou aquele mês com valorização de 6,17% e seguiu em alta até maio. A pandemia também obrigou a Legg Mason a cancelar uma nova excursão ao exterior para a apresentação da matriz à dez fundações. “Seria a terceira viagem consecutiva desde 2018”, diz Teperman.
A britânica Schroders, que também vem promovendo visitas de EFPCs a suas operações no exterior durante 2018 e 2019, vem recorrendo a produtos de prateleira e soluções sob medida para atender a procura de institucionais por FIEs. Dos quatro fundos abertos que comercializa, o destaque fica por conta do BB Multimercado IE, distribuído pela BB DTVM, que fechou os primeiros sete meses do ano com crescimento de 34,85%, 5,09 pontos percentuais acima da variação do índice MSCI World. “O bom desempenho se traduziu em uma captação líquida de R$ 141 milhões entre janeiro e junho, que, somada à valorização, elevou o patrimônio líquido do produto para R$ 391 milhões” assinala o country head Daniel Celano.
Desde o segundo semestre do último ano, a gestora tem percebido um maior interesse de entidades com portfólios a partir de R$ 100 milhões por FIEs exclusivos. A predileção vem se refletindo também por veículos customizados lastreados não apenas em renda variável. “Uma fundação selecionou alguns fundos externos de renda fixa, dos quais dois da Schroders, e nos solicitou a constituição de um exclusivo. O projeto foi adiado por três meses, devido à pandemia, mas será retomado em breve”, diz Celano. “Além deste, estamos envolvidos em outros cinco processos, três em estágios avançados, envolvendo um montante ao redor de R$ 700 milhões.”
A Santander Asset tem conseguido crescimento expressivo com o seu Global Equities Multimercado. Lançado em 2013, o produto contabiliza um patrimônio líquido por volta de R$ 490 milhões, dos quais R$ 140 milhões foram captados no período de janeiro a julho. Nesse período, o fundo registrou uma rentabilidade da ordem de 37,67%. “É uma estratégia sem mecanismos de hedge ancorada em cerca de 15 a 20 fundos de ações de gestores internacionais, inclusive o Santander, que vem despertando muito interesse entre o público institucional”, diz o head de soluções de investimento da casa, Renato Santaniello.

Outra que tem surfado na onda dos investimentos no exterior é a Franklin Templeton. Segundo o presidente da gestora, Marcus Vinícius, a demanda das EFPC está centrada em FIEs exclusivos. “Nos últimos meses, montamos propostas sob medida para algumas fundações e atualmente estamos participando de sete processos de seleção de gestores”, diz Vinícius.
Segundo ele, com a recuperação dos mercados externos a oferta desses produtos deve crescer nas plataformas de investimentos. “É um nicho da indústria que está começando. Basta dizer que ainda não há fundos externos muito robustos, na faixa do bilhão de reais”, observa Vinicius.
Com quatro FIEs das séries Global Total Return e K2 Alternative Estrategies na prateleira, a gestora prepara lançamento de dois novos FIEs abertos. “Temos conversado muito com a previdência aberta”, diz Gonçalves. “É um mercado bem mais concentrado, e que valoriza muito a gestão proprietária. Mas já há sinais de alguma abertura para outros gestores.”