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BNP Paribas lança fundo espelho de multimercado da Persevera

aquiles moscaA BNP Paribas Asset Management lançou um fundo espelho do Persevera Compass, um multimercado de alta volatilidade destinado a investidores institucionais, e também para clientes do wealth management.
A relação entre as duas gestoras, contudo, não é nova. Segundo Aquiles Mosca, responsável pela área comercial da BNP Paribas Asset Management, em 2019 a casa fez um investimento de encubação na Persevera de R$ 85 milhões, por meio da controlada Capital Partners, que faz investimentos de encubação de novos gestores em diferentes países e mercados.
Guilherme Abbud, sócio fundador e CIO da Persevera, lembra que foi a primeira operação “seed” no Brasil da Capital Partners, que já investiu em 10 hedge funds diferentes em várias regiões do mundo.
Segundo Mosca, o aporte teve como objetivo permitir o desenvolvimento da Persevera, além de promover sinergias no relacionamento com investidores institucionais no mercado global e local. “Com a taxa básica de juros no menor nível histórico, há uma tendência de investimentos em ativos com maior volatilidade”, afirma o executivo da gestora do BNP Paribas.
O Persevera Compass busca ganhos de capital nos mercados de juros, câmbio, ações, commodities e dívida. Em 2020, até setembro, o fundo sobe 2,02%, contra 2,29% do CDI. Desde o início, em novembro de 2018, a valorização é de 13,12%, ante 9,46% do benchmark.

Posições no portfólio – Segundo a carta do Persevera Compass referente ao mês de setembro, os investimentos em opções de juros curtos foram a principal contribuição positiva para a rentabilidade no acumulado de 2020. “O resultado acabou vindo da nossa principal visão não consensual, de que os juros no Brasil viriam para a casa de 3% ou abaixo”, diz a carta.
Já as posições em renda variável e em moedas foram as maiores detratoras de retorno para o fundo no intervalo.
A Persevera destaca ainda no documento que tem uma visão diferente para a situação fiscal no país, em comparação a maior parte do mercado. Na visão dos especialistas da gestora, apesar da piora ocorrida como consequência do estímulo fiscal, a manutenção dos juros em patamar reduzido por um longo período vai permitir a estabilização, e futura reversão, da trajetória da dívida. “Acreditamos que o Banco Central deverá manter uma política monetária estimulativa por bastante tempo para combater o cenário desinflacionário no qual nos encontramos.”
A gestora diz ainda que também não compartilha da percepção do mercado de que inflação no atacado se propagará para os preços ao consumidor. “Embora os preços de alguns bens comercializáveis tenham causado uma leve alta do IPCA nos últimos meses, em um momento em que os bens não comercializáveis têm sua demanda fortemente prejudicada pelas consequências do distanciamento social, a alta nos preços do atacado terá grande dificuldade em se propagar para o varejo, prevê a Persevera.
Por essa visão, a gestora avalia que a parte intermediária da curva de juros apresenta prêmios expressivos, e mantém posições aplicadas nessa região da curva nominal de juros. A casa também segue otimista com as perspectivas para o Real, que os gestores entendem que se deslocou demasiadamente das moedas de outros países emergentes.
Na renda variável, a avaliação é a de que o estímulo extraordinário dos bancos centrais globais seguirá sustentando os preços, o que faz a gestora manter posições compradas em Ibovespa e S&P 500.
No pedaço global da carteira, o fundo tem posições compradas em ETFs de títulos grau de investimento e alto rendimento, e posições relativas no mercado de renda fixa europeu – comprados em títulos italianos e vendidos em títulos da Alemanha. A gestora tem ainda uma posição vendida em euro contra o dólar.