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Giant Steps abre o foco
Especializada em métodos quantitativos de gestão, a asset prepara o lançamento do seu primeiro fundo de ações

Edição 333

A Giant Steps Capital, gestora de fundos quantitativos, se prepara para lançar o seu primeiro fundo de ações. Atualmente a asset opera com quatro fundos multimercados e um quinto com viés previdenciário. Criada no início da década por quatro engenheiros, a casa passou a utilizar inteligência artificial nas suas teses de investimento praticamente desde sua formação, de maneira a obter retornos acima da média do mercado usando a seu favor a previsibilidade do comportamento humano.
O novo fundo de ações, segundo o sócio da casa Rodrigo Terni, seguirá na mesma linha, alicerçado sobre a inteligência artificial. “A ideia é colocá-lo em plataformas de investimento até o fim do primeiro trimestre. A carteira será composta por vários papéis, com estratégias diversas”, diz Terni sem dar detalhes. “A médio prazo, mas ainda sem um cronograma definido, também pretendemos abrir o leque de renda variável com a criação de um fundo de investimento no exterior”.
Para o segundo semestre também está previsto o lançamento de dois novos fundos e o ingresso da casa em novas classes de fundos. Com estas iniciativas a Giant Steps planeja fechar o exercício de 2021 com um volume sob gestão por volta de 14 bilhões, 130% acima do montante atual. Parte considerável desse volume, acredita Terni, será obtida com a reabertura da captação do carro-chefe da gestora, o fundo Zarathustra FIC FIM, que volta às plataformas a partir de abril.

O Zarathustra é o fundo mais conhecido da casa, acumulando uma rentabilidade de 280% em oito anos até dezembro de 2020, contra 110% do CDI. No ano passado o fundo rendeu 9,33%, contra 2,77% do CDI. Fechado há dois anos, após a reabertura em abril ele deve manter as captações até que seu patrimônio líquido, hoje na casa dos R$ 3,5 bilhões, alcance o patamar de R$ 6 bilhões.
“Nossa intenção é encerrar definitivamente o ciclo de captação no varejo desse produto assim que ele atingir o patamar de R$ 6 bilhões. Manteremos, no entanto, portas abertas para investidores de maior calibre que desejarem realizar aportes no Zarathustra”, observa o sócio da gestora.
Em operação desde março de 2012, o fundo toma decisões com base em análises quantitativas elaboradas em momentos de euforia e pânico do mercado, obtendo resultados descorrelacionados do restante do segmento. “O ano passado foi, de longe, o seu melhor ano”, diz o sócio da asset. “Até 2017 tivemos retornos superiores a 20%, com o CDI na casa de dois dígitos, mas os 9,33% do ano passado superaram o CDI em 236,82%”.
Com 60% de seus recursos alocados no mercado local e o restante distribuído por mais de 20 países, o Zarathustra está voltado a quatro classes de ativos: renda variável, incluindo mercados à vista e futuros de Estados Unidos, Europa e Ásia; juros e moedas; e cerca de 17 commodities. O amplo leque de opções no qual trafega é explorado de forma sistêmica por análises quantitativas que conseguem detectar tendências de alta e queda antecipadamente.
Foi o que ocorreu, por exemplo, em fevereiro de 2020, às vésperas da eclosão da pandemia da Covid-19. “O ajuste no portfólio do Zarathustra teve início logo nos primeiros dias daquele mês e ganhou intensidade durante o Carnaval. Zeramos a exposição em renda variável, e assumimos posições de compra em dólar e em commodities mais defensivas, como as metálicas”, conta Terni.

Além das plataformas de varejo, a Giant Steps começa a voltar as suas atenções para aplicadores de grande porte. A aposta começou a ganhar contornos mais definidos a partir de 2019, por intermédio de uma parceria firmada com a Itajubá Investimentos, que distribui fundos a investidores institucionais. Os primeiros frutos desse trabalho conjunto surgiram no último ano, quando a asset conquistou 16 mandatos como prestadora de serviços para entidades fechadas de previdência complementar (EFPCs).
“Em pouco tempo, os investidores institucionais se tornaram um público estratégico para a nossa operação. A meta traçada para 2021 é captar US$ 1 bilhão adicionais junto aos fundos de pensão que já injetaram cerca de R$ 400 milhões em nossos fundos”, diz Terni, que já planeja novos avanços no segmento previdenciário. “Depois dos fundos de pensão, pensamos em iniciar, de forma gradativa, a abordagem de regimes próprios de previdência de estados e municípios.”