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Na rota da China
BB DTVM faz parceria com a coreana Mirae Asset para trazer para o Brasil fundo de ações com foco nos países da Ásia, excluindo Japão

Edição 333

O crescimento vigoroso projetado pelas economias asiáticas a partir deste ano, em particular a chinesa, é a mais recente aposta feita pela BB DTVM no universo de fundos de investimento no exterior para RPPS e fundações. De olho no aquecimento acelerado da região, a casa gestora decidiu trazer para os institucionais brasileiros uma estratégia de ações específica cujo alvo são companhias ligadas ao consumo e sediadas na Ásia, exceto Japão.
O novo fundo, o BB Ações Mirae Asset Asia Great Consumer Hedge IE, espelha a estratégia da Mirae Asset, gestora sediada na Coréia do Sul que tem US$ 160 bilhões sob gestão e atuação global especializada em investimentos na Ásia.
O portfólio busca gerar alfa por meio da alocação em papéis de empresas do setor de consumo que tenham presença global. “De início estamos oferecendo o novo fundo aos RPPS e EFPC, público estratégico para nós, mas já há conversas bem adiantadas para expandir essa oferta a outros investidores qualificados no Brasil”, conta o gerente executivo de produtos, comunicação e marketing da BB DTVM, Isaac Marcovistz.
Com esse movimento, a gestora brasileira complementa sua grade de produtos off-shore. “Só faltava a exposição ao mercado asiático, em especial à China. Dos dois polos principais, o dos EUA e o asiático, este é mais difícil de ser acessado pelo investidor brasileiro”, diz Marcovistz. A ofensiva da BB no exterior está fundamentada na expectativa de que, mesmo com a alta do juro prevista para este ano, a Selic vá orbitar próxima a 5% ao ano, o que exigirá cada vez mais diversificar em outras economias e outros setores produtivos.
Com gestão ativa, a carteira inclui hedge cambial e segue o benchmark MSCI All Country Asia ex-Japan, mas já está over-rated em relação a esse indice no que diz respeito à China. “Nosso portfólio dá um peso de 60% para os papéis de empresas chinesas, enquanto o benchmark tem 50% a 51% de China em sua carteira, explica a business development Latam da Mirae, Debora Cazotti.
Outros 20% estão na Índia, país que também tem reagido rapidamente na saída da crise e projeta alta superior a 8% para o seu PIB. Os demais recursos estão pulverizados entre Coréia do Sul, Filipinas, Indonésia e outros mercados da região. O alvo setorial inclui também os bancos, seguradoras, empresas dos setores de alimentos e bebidas, turismo e viagens, etc

A equipe de gestão da Mirae, baseada em Hong Kong, acompanha de perto um total entre 250 a 350 papéis e atualmente a carteira está alocada em 30 ativos. “Hoje parece óbvio falar em investir na China, frente ao crescimento de 6,5% do PIB do país este ano e da perspectiva do anúncio de números ainda mais expressivos no final de março, mas nós sempre acreditamos no mercado de ações chinês e montamos uma equipe dedicada a isso”, afirma Cazotti. No momento, ela lembra que há um viés robusto de crescimento do consumo asiático a médio e longo prazos. Para a Mirae, a parceria é também uma oportunidade estratégica para alavancar seu crescimento no Brasil.
O fundo, domiciliado em Luxemburgo, tem US$ 2,6 bilhões na estratégia global e US$ 1,6 bilhão na estratégia que será replicada aqui, ou R$ 8,5 bilhões. Em dez anos, gerou retorno absoluto próximo a 168,9% em dólar contra 89,12% do benchmark e recebeu cinco estrelas na escala da Morningstar. A estratégia já existe em outros países da América Latina, com destaque para os institucionais no Chile.
“Para colocar em pé a nossa exposição à Ásia, fomos buscar parceria com uma gestora que tivesse um forte conhecimento local. Ninguém melhor do que uma empresa tradicional, sediada na região, para explorar melhor as oportunidades naquele mercado e que além disso tem um produto com tracking record consistente ao longo do tempo”, observa Marcovistz.
A decisão de montar uma versão hedgeada da carteira foi tomada pela BB de modo a ampliar o leque de entidades dispostas a investir em ativos globais neste ano de incertezas quanto ao comportamento do dólar, pondera Marcovistz. “Há demanda para fundos com ou sem hedge cambial mas achamos importante, neste momento, oferecer essa proteção cambial pensando nas entidades de pequeno e médio porte, que estão dando os primeiros passos no exterior”. Com hedge para o câmbio logo na largada do fundo, a casa espera ampliar o máximo possível o leque de distribuição.