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Assets brasileiras escolhem a Nasdaq
P√°tria Investimentos e Vinci Partners, dois peso-pesados do mercado de investimentos alternativos no Brasil, buscam a Nasdap para IPO

Edição 335

Com IPOs (ofertas p√ļblicas iniciais de a√ß√Ķes, na sigla em ingl√™s) bombando na B3 nos primeiros meses do ano, duas gestoras brasileiras de investimentos alternativos resolveram trilhar um caminho diferente e abrir o capital na Nasdaq. Juntas, P√°tria Investimentos e Vinci Partners levantaram cerca de R$ 4,7 bilh√Ķes naquela bolsa.
A P√°tria Investimentos estreou na Nasdaq em 21 de janeiro levantando cerca de R$ 3,3 bilh√Ķes, ou US$ 588 milh√Ķes. Segundo o economista-chefe da asset, Luiz Fernando Lopes, os recursos ser√£o utilizados para tr√™s finalidades principais: amplia√ß√£o da base de opera√ß√Ķes, eventuais aquisi√ß√Ķes de neg√≥cios complementares e dilui√ß√£o da participa√ß√£o da s√≥cia Blackstone na opera√ß√£o.
A P√°tria possui hoje escrit√≥rios em S√£o Paulo, Bogot√° (Col√īmbia) e Santiago (Chile), que apoiam suas opera√ß√Ķes na Am√©rica Latina. A decis√£o de abrir um novo escrit√≥rio em Montevid√©o (Uruguai) j√° foi tomada e a de abrir uma unidade no M√©xico est√° sendo estudada, ambas com o objetivo de dar maior escala √†s opera√ß√Ķes na Am√©rica Latina. ‚ÄúQuando falamos de abrir escrit√≥rio n√£o falamos apenas da base material, mas da contrata√ß√£o de equipes de analistas e gestores‚ÄĚ, afirma Lopes. ‚ÄúO dinheiro do IPO ser√° importante nesse sentido‚ÄĚ.
Al√©m disso, embora a gestora goste do modelo de crescimento org√Ęnico, o inorg√Ęnico n√£o est√° exclu√≠do. Ao contr√°rio, o crescimento por consolida√ß√£o, juntando for√ßas com empresas com as quais possa eventualmente ter complementaridade, fica mais f√°cil com alguns bilh√Ķes em caixa e a√ß√Ķes negociadas na Nasdaq para oferecer em trocas cruzadas. ‚ÄúA√ß√Ķes negociadas na Nasdaq podem facilitar muitas opera√ß√Ķes‚ÄĚ, diz o economista. ‚ÄúTemos algumas conversas em andamento, elas v√™m de antes do IPO mas claro que ganharam for√ßa com ele‚ÄĚ.
A terceira utiliza√ß√£o dos recursos ser√° a dilui√ß√£o da participa√ß√£o da Blackstone, s√≥cia que antes do IPO detinha 40% da P√°tria. √Č a √ļnica sociedade na qual a gestora americana n√£o √© controladora, o que a levou a propor, antes do IPO, a compra de parte das a√ß√Ķes dos s√≥cios brasileiros para tornar-se majorit√°ria na opera√ß√£o. Os brasileiros recusaram e ela mesmo sugeriu, baseada na experi√™ncia de abertura de seu pr√≥prio capital na Nasdaq em 2007, o IPO da gestora brasileira nos Estados Unidos onde ela venderia uma parte de suas a√ß√Ķes. ‚ÄúPara eles, sem ser controladores, 40% era muito‚ÄĚ, explica Lopes.

Com o IPO, a Blackstone embolsou U$ 263 milh√Ķes e ficou com 14,4% das a√ß√Ķes da companhia aberta, os s√≥cios brasileiros mantiveram os 60,2% e o mercado ficou com 25,4%. A gestora n√£o tem planos, no momento, de lan√ßar BDR (Brazilian Depositary Receipts) na B3 para tornar-se acess√≠vel √† brasileiros sem conta no exterior.
O IPO da Vinci Partners ocorreu uma semana ap√≥s o da P√°tria, levantando R$ 1,4 bilh√£o, ou cerca de US$ 250 milh√Ķes. Para o s√≥cio e head da √°rea de private equity, Bruno Zaremba, o principal motivo da op√ß√£o pela bolsa americana ao inv√©s da B3 foi que l√° j√° havia familiaridade por parte dos investidores com opera√ß√Ķes semelhantes, facilitando a analise e precifica√ß√£o do lan√ßamento.
V√°rios outros gestores de investimentos alternativos de grande porte j√° haviam feito IPO l√°, a come√ßar pela Blackstone, s√≥cia da P√°tria, assim como KKR, Carlile e v√°rias outras gestores globais. ‚ÄúNa B3 isso nunca foi feito, n√£o haveria nada para comparar, seria mais dif√≠cil‚ÄĚ, explica Zaremba.
Al√©m disso, junto com a abertura de capital na Nasdaq vinha a chancela indireta da Securities and Exchange Commission (SEC), o √≥rg√£o governamental que fiscaliza as empresas de capital aberto nos Estados Unidos, que somada aos padr√Ķes de contabilidade e de auditoria americanas ampliavam o n√≠vel de governan√ßa para os investidores globais.
Segundo Zaremba, n√£o pesou na decis√£o o t√£o falado alto custo de abertura do capital no Brasil, at√© porque o custo nos Estados Unidos n√£o √© mais baixo. ‚ÄúTanto as taxas cobradas pelos bancos quanto a manuten√ß√£o das opera√ß√Ķes √© mais cara l√° fora‚ÄĚ, diz. ‚ÄúEsse n√£o foi um aspecto que pesou na decis√£o‚ÄĚ.
Ao contr√°rio do P√°tria, a Vinci analisa a possibilidade de lan√ßar BRDs de suas opera√ß√Ķes no Brasil. ‚ÄúJ√° come√ßamos a estudar isso, em algum momento a m√©dio prazo poderemos fazer‚ÄĚ, diz o executivo.
Ele comenta que os recursos obtidos no IPO ser√£o utilizados para investimentos, parte nos fundos da casa junto com os cotistas. Em dois fundos isso j√° ocorreu. No VILG, um fundo imobili√°rio do setor de galp√Ķes log√≠sticos, dos R$ 380 milh√Ķes j√° captados R$ 70 milh√Ķes vieram dos recursos da gestora, e no VIAS, um fundo de infraestrutura no setor de saneamento, dos R$ 270 milh√Ķes captados R$ 50 milh√Ķes tamb√©m vieram da gestora. ‚ÄúOs investidores v√™m que nossos interesses est√£o alinhados, colocamos nossos pr√≥prios recursos no fundo‚ÄĚ, diz Zaremba.
No IPO, os pap√©is da P√°tria foram colocados a US$ 17 e os da Vinci a US$ 18, e em 23 de abril estavam cotados a US$ 16 e US$ 12,50, respectivamente.