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Fator_01.12.21

Dança das cadeiras nas assets
Busca de executivos experientes e com carteiras de clientes consolidadas promove uma verdadeira dança das cadeiras entre as assets

Edição 340

Nos últimos meses, em meio aos frequentes anúncios de mudanças de executivos indo de uma gestora para outra, seduzidos por propostas mais atraentes, nenhum chamou mais a atenção, pela sua abrangência, do que as contratações feitas pela Somma Investimentos. A gestora levou de uma vez só três executivos da Constância Investimentos – o gestor de renda variável Maurício Gallego e os executivos da área comercial Rogério Zico e Daniel Abramovay – e ainda reforçou o time com Eduardo Lobo, ex-gestor de fundos de crédito privado da Butiá.
“Agregamos talentos à equipe e, de quebra, passamos a contar com mais um fundo, o Somma Brasil FIA, conduzido por Gallego, Zico e Abramovay desde os tempos em que atuavam na Azimut”, comenta o gerente de relacionamento com investidores institucionais da gestora, Felipe Faraco.
O trio de ex-parceiros da Constância terá como base de operações o escritório da Somma em São Paulo, que divide com a coligada JPP Capital, asset voltada a crédito privado e fundos imobiliários. Os planos traçados para os novos contratados incluem a abertura de uma nova frente de negócios no segmento de investidores institucionais, que respondem atualmente por cerca de 72% do volume de R$ 10 bilhões administrado pela casa.
“A meta é conquistar espaço junto aos regimes próprios de previdência social, os RPPSs, ampliando o escopo de clientes institucionais, hoje formado basicamente por entidades fechadas de previdência complementar e algumas operadoras de planos de saúde”, diz Faraco.
Segundo Rogério Zico, o trio que foi para a Somma trabalha junto há 12 anos, desde a época em que eram da Azimuth, a asset italiana que no Brasil distribui fundos de várias casas, inclusive da AZ Quest, sua controlada. Eles foram da Azimuth para a Constância e dessa vieram para a Somma. “Atuamos principalmente no segmento de RPPS, segmento bastante peculiar, onde construímos uma carteira bastante diversificada por quase todos os estados do Brasil”, diz.
Ainda de acordo com Zico, um dos principais motivos para o grande número de troca de posições de executivos em assets é o aumento da competição no setor. “O número de assets cresceu muito nos últimos cinco anos, o que tem levado muitas casas a buscar profissionais ou equipes qualificadas e com carteira de clientes já consolidadas”, explica.

Outras casas que tiveram contratações relevantes nos cinco últimos meses, todas na área comercial, são a Patria Investments que trouxe Luiz Fernando Pedrinha vindo da Franklin Templeton, a BlackRock que trouxe Carlos Basso vindo do BNP Paribas, a Rio Bravo que trouxe Daniel Sandoval vindo da Caixa, a Trígono que trouxe Vinicius Bueno Lima vindo da Schroders, e a JP Morgan que trouxe Dyana Oliveira vinda da BlackRock. Já a Inter Asset trouxe Fernando Pairol vindo da Itaú Asset para comandar a sua diretoria de relações com investidores e a BlackRock trouxe Paula Salamonde para comandar a sua área comercial.
Fora da área comercial, o Safra contratou o economista Eduardo Yuki, que estava na Panamby, para assumir a vaga de superintendente de macroeconomia. A Panamby, por sua vez, convidou Tatiana Pinheiro, que estava no BNP Paribas, para ser sua economista-chefe. Maria Klein deixou o JP Morgan para se juntar ao time que montou a Clave Investimentos e Rachel Melki deixou a ASA Investmentos para se juntar à equipe que montou a Kinitro Capital, ambas também na área comercial. E Telemaco Genovesi, que vendeu a GGR para a Horus, em 2018, aceitou convite da asset do Fator, a FAR, para atuar na estruturação de fundos imobiliários.

Quando a FAR me procurou, o projeto que me apresentaram, focado na retenção dos principais profissionais com um plano muito interessante, além do projeto de investimento na gestora como core business do grupo (ver matéria na página 60), foi sem dúvida o que mais me chamou atenção. Isso me fez decidir a voltar ao dia a dia como executivo da area de fundos imobiliários”, diz Genovesi.
Segundo o executivo contratado pela asset do Fator, “mesmo atuando como executivo da gestora, continuo uma atividade de empreendedor em uma empresa de tecnologia voltada ao mundo de games”. Além disso, ele mantém participações “em alguns outros projetos voltados a economia real aqui e nos Estados Unidos”.