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Diversificação favorece os ETFs
Aumento da taxa Selic nas últimas reuniões do Copom não deve prejudicar diversificação, diz a diretora da BlackRock, Paula Salamonde

Edição 342

O mercado de fundos de índices, mais conhecido como ETFs, caiu definitivamente no gosto do investidor brasileiro, apresentando um crescimento de 220% no volume médio diário negociado na B3 nos últimos dois anos. Segundo levantamento da empresa de informações financeiras Economática, o volume médio diário negociado passou de R$ 656 milhões no último trimestre de 2019 para R$ 2,1 bilhões no último trimestre deste ano, medido até 25 de novembro.
De acordo com a diretora de negócios institucionais e do mercado de capitais de ETF da BlackRock no Brasil, Paula Salamonde, os investidores brasileiros descobriram que os ETFs podem funcionar como instrumentos de diversificação para acessar mercados mais restritos ou mercados sobre os quais possuem menos informação, pagando taxas de administração relativamente baixos. Isso que foi descoberto pelos investidores americanos há trinta anos, apenas na última década começou a ganhar espaço por aqui, com a queda da taxa de juros que impulsionou os investimentos de risco.
Agora que a taxa de juros iniciou um movimento inverso ao que registrou nos últimos cinco anos, de quedas ininterruptas até chegar a 2% ao ano em meados do ano passado, passando a subir a partir da reunião do Copom de março deste ano, alguns temem que a atratividade dos títulos públicos possa afastar os investidores do caminho da diversificação. “Eu não acho, talvez possa afetar o ritmo de crescimento que vínhamos tendo, mas não muda a tendência”, diz Salamonde. “Os benefícios da diversificação internacional já foram incorporados por grande parte das fundações brasileiras, e continuarão a ser buscados”.
A BlackRock negocia hoje cinco ETFs na B3, que somam um patrimônio líquido de R$ 26 bilhões. O maior deles, que replica o Ibovespa, tem 18 bilhões de PL, seguido pelos fundos que replicam os índices S&P500 e Small Caps, com R$ 6,2 bilhões e R$ 1,4 bilhão de PL, respectivamente. Os outros dois fundos, que replicam o IBRX e um índice de carbono, dividem os R$ 400 milhões restantes.
Além disso, a gestora possui 74 BDRs de ETFs, negociados na B3 como recibos de índices estrangeiros. Eles somam cerca de R$ 5,5 bilhões em patrimônio líquido, sendo que seis deles refletem índices ESG (com 42% do PL total), um reflete o índice global ACWI (com 14% do PL) e o restante índices diversos (44%). Dos 74 BDRs de ETFs, 72 são de renda variável e apenas dois são de commodities (ouro e prata), voltados para investidores com necessidades específicas ligadas à esses metais.
A BlackRock estuda trazer para o mercado local também alguns BDRs de ETFs de renda fixa, tornando menos desequilibrada a balança do seu portfólio. “Ainda não há nada decidido, mas estão no nosso pipeline os BDRs de ETFs renda fixa crédito global”, diz Salamonde. “O objetivo é ficar com um cardápio completo”
De acordo com a executiva, uma tendência que tem se fortalecido globalmente e começa a ser seguida pelos gestores brasileiros é criar estratégias de gestão ativa através de fundos de BDRs de ETFs. “É como montar um lego”, diz Salamonde referindo ao jogo onde peças padronizadas são combinadas para formar um objeto diferente. “Você vai combinando peças para montar o projeto que você quer”.
Segundo ela, a estratégia é adequada principalmente para aqueles investidores que não atuam em bolsa, seja por opção ou por restrições legais, acessando os mercados apenas através dos fundos. “Várias assets, nos últimos dois ou três meses, têm lançado fundos de BDRs de ETFs, cada qual com sua própria estratégia”, diz ela. “A BlackRock é uma delas, tendo criado há dois meses um fundo com essa estratégia para institucionais”.

Outra tendência que também tem crescido nos mercados mais desenvolvidos, mas ainda não chegou no Brasil, é de transformar fundos mútuos em ETFs. Recentemente o JPMorgan anunciou a transformação de quatro fundos mútuos de administração ativa em ETFs, indicando que talvez esses produtos, que hoje empacotam as mais diferentes estratégias na forma de índices cobrando baixas taxas de administração, talvez sejam os novos motores do mercado. O sinal do JPMorgan foi captado por outras grandes casas, que começaram a se mover nessa direção. “Isso tem crescido bastante nos Estados Unidos, mas aqui ainda não se vê”, diz Salamonde.
De acordo com ela, uma outra tendência que se nota entre os investidores institucionais brasileiros é o uso dos BDRs de ETFs para ampliar sua exposição aos mercados externos além do limite de 10% estabelecido na Resolução 4.661. Isso porque os BDRs, embora tragam uma exposição ao exterior, contam como investimento local. “Muitos estão fazendo isso”, comenta.