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Decisão adequada
Pressões inflacionárias ganharam força desde reunião anterior do Copom, justificando a alta

Edição 345

O economista-chefe da Santander Asset Management, Eduardo Jarra, considera que a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), tomada na reunião do último 4 de maio, de elevar a taxa Selic em um ponto percentual, para 12,75% ao ano, foi adequada. Segundo ele, o BC está lidando com um cenário inflacionário persistente, que o próprio comitê já sinalizava na reunião anterior ao reconhecer preocupação com pressões inflacionárias derivadas da guerra entre Rússia e Ucrânia e dos “impactos secundários” do choque de preços das commodities. De lá para cá, entretanto, as pressões inflacionárias ganharam relevância. “Houve uma clara deterioração do cenário de inflação entre a reunião anterior do Copom e essa última”, disse Jarra à Investidor Institucional um dia após o anúncio da nova Selic pelo Copom.
“A gente está rodando com uma inflação muito alta, via componente inercial, que facilita você ser pego por choques de curto prazo”, diz o economista. Segundo ele, existe uma pressão de custos represados, entre outros do setor de serviços, e novas pressões que vão surgindo por conta do fechamento de cidades chinesas que seguem uma política de Covid-zero, além de choque de preços de commodities por conta da guerra da Rússia contra a Ucrânia e da desorganização das cadeias produtivas globais. “Colocando tudo isso na conta, eu acho que conviver com mais juros é condizente com esse ambiente inflacionário que a gente está tendo”, diz.
Na opinião do economista, o Copom deve elevar os juros em mais 0,5 ponto percentual na reunião de junho, para 13,25%, e então mantê-la estabilizada até o final do primeiro trimestre do ano que vem. “Acho que o ciclo de afrouxamento monetário começará apenas no segundo trimestre do ano que vem”, analisa Jarra.
Segundo ele, a Santander Asset projeta um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,8% para este ano, mais concentrado no primeiro semestre e com algum desaquecimento no segundo, em virtude principalmente do cenário eleitoral que a partir de agosto/setembro deve tirar algum dinamismo da economia. “Como todo período eleitoral você entra num período em que dá uma desacelerada na atividade econômica, os agentes econômicos se questionam quem será o próximo governo e o que fará, então isso acaba travando decisões”, diz Jarra.