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Pesquisa do PRI definirá temas de engajamento de empresas em 2021

Marcelo Seraphim PRIO programa Principles for Responsible Investment (PRI) começa a enviar nesta segunda-feira, dia 14, um questionário de pesquisa aos seus 75 signatários brasileiros para saber quais são os temas de investimentos ESG (princípios ambientais, sociais e de governança) que mais os interessam. O quadro brasileiro inclui 53 gestores, sete provedores de serviços e 15 asset owners -- dos quais 12 são fundos de pensão e três family offices.
Segundo o gerente de relacionamento do PRI no Brasil, Marcelo Seraphim, a partir das respostas a esse questionário a entidade pretende montar uma agenda de engajamento junto às empresas investidas, que será implementada em 2021. O S de Social deverá ganhar maior protagonismo este ano, ao lado das questões ligadas às mudanças climáticas, em alinhamento com os temas definidos pelo PRI no cenário global, diz Seraphim.
“Em 2020 coordenamos o programa de engajamento liderado pela Previ junto às companhias e que tem como foco os temas da integridade e da corrupção. No início de janeiro do ano que vem, já com os resultados da pesquisa, definiremos o novo investidor-líder e os sub-temas da ação de engajamento para 2021”, explica Seraphim.
A pesquisa vai direcionar os investidores e gestores para o uso de ferramentas que permitam engajar as empresas em sub-temas da área social, como as questões de gênero, a diversidade, os direitos humanos e o trabalho escravo, entre outros. “São guias para orientar os questionários enviados às empresas; é uma maneira de capacitar o investidor para que ele possa promover o engajamento nesses assuntos”, diz Seraphim. Ele lembra que o PRI já lançou um programa global voltado ao trabalho escravo.
Além de lançar frameworks específicos para os critérios sociais, continuarão a crescer em 2021 as ações na área ambiental já que a questão do clima entra em ritmo acelerado daqui para a frente devido aos prazos para redução de emissões de gases de efeito estufa no mundo todo. “Se não acelerarmos esse processo, seremos atropelados pelas mudanças climáticas”. Ele cita o projeto global de engajamento ambiental, do qual o PRI é co-líder, e que busca obter o compromisso de redução da emissão de gases de efeito estufa de empresas poluidoras, entre elas as brasileiras Petrobras e Vale.

Regulação - Há uma forte demanda pela ferramenta Inevitable Police Response, que estabelece o cenário global de regulação muito restritiva que virá dentro de aproximadamente cinco anos para limitar as emissões. “Como a indústria não está reduzindo isso dentro do que era esperado, os governos terão que impor medidas muito mais restritivas. O investidor usa esse framework para saber como se posicionar diante do inevitável aperto regulatório sobre as companhias, que terá impacto sobre a economia e o valor dos ativos”, observa Seraphim.
Em 2020, o PRI assumiu ainda compromisso com o engajamento dos investidores junto ao governo brasileiro. Liderado pelas gestoras Storebrand (norueguesa) e Bluebay (britânica), o projeto nasceu do movimento que enviou cartas às embaixadas do Brasil na Europa em junho passado, alertando para os riscos que o desmatamento no Brasil representa para os investimentos. O PRI integra o comitê consultivo do projeto, que é secretariado pelo movimento Tropical Forest Alliance (TFA) ligado ao World Economic Forum (WEF).
Este ano, entraram duas novas fundações no quadro brasileiro do PRI, a – Fundação Atlântico e a Inovar Previdência -, conta Seraphim. “A pandemia acabou fazendo com que algumas outras entidades adiassem sua adesão, até por uma questão de custos, mas em 2021 já temos a sinalização de pelo menos mais dois fundos de pensão que deverão ser signatários”.