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Pastore projeta segundo semestre fraco e PIB de 1,5% no ano

Afonso Celso PastoreO economista e ex-presidente do Banco Central, Afonso Celso Pastore, projeta um crescimento de 1,5% para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, baseado principalmente no desempenho do primeiro semestre do ano. “O crescimento de 1% do PIB no primeiro trimestre foi uma ótima notícia”, disse Pastore em seminário realizado pelo BNP Paribas Asset Management na semana passada. Ele acredita que o segundo trimestre deverá ter um desempenho semelhante, baseado no aumento das exportações de commodities, na construção civil “que não está ruim” e em medidas de estímulo econômico adotadas pelo governo, como o Auxílio Brasil e a antecipação do 13º salário.
Se o primeiro semestre deve ter um resultado positivo, baseado nos fatores apresentados acima, a trajetória do segundo semestre deve ser bem diferente. Para o economista, a alta da taxa de juros imposta pelo Comitê de Política Monetária (Copom) para fazer frente a uma “inflação generalizada”, vai derrubar a atividade econômica nos seis meses finais do ano. De acordo com Pastore, a Selic deve subir até 13,50% e “ficar lá em cima durante o ano de 2022 e um pedaço de 2023”. Ele acha que a taxa de juros real, atualmente em cerca de 7% ao ano, vai derrubar a economia no segundo semestre.
Além da elevada taxa de juros interna, que vai frear a atividade econômica do País no segundo semestre, ele também aponta para a alta dos juros nos Estados Unidos e a desaceleração econômica da China como fatores que gerarão impactos negativos na atividade econômica brasileira. “A inflação nos Estados Unidos está alta, o Fed (Banco Central norte-americano) terá que elevar a taxa de juros lá para produzir uma economia mais restritiva”, diz. “E já está fazendo isso, com impactos sobre o Brasil”.
Além disso, segundo Pastores, a China deve desacelerar ainda mais a atividade econômica neste ano o que levará seu Produto Interno Bruto (PIB) a ficar em níveis ainda menores que os 4,8% projetados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Com isso, sua demanda por commodities deve cair, o que irá afetar o principal vetor do crescimento brasileiro, que são as exportações de minério.

Oportunidades - Para Pastore, entretanto, há oportunidades globais que devem se abrir nos próximos anos com o fim da guerra entre Rússia e Ucrânia. A primeira está na reconstrução da própria Ucrânia, que sairá destruída da guerra. “Isso vai demandar um novo plano Marshall”, diz Pastore. Além disso, a invasão russa está desencadeando uma onda de investimentos bélicos por parte de vários países da região, sendo a Alemanha quem tem falado mais abertamente isso, o que deve movimentar vultuosos recursos. E finalmente, ainda em decorrência da guerra, vários países europeus já começam a implementar mudanças em suas matrizes energéticas, com o objetivo de ficarem menos dependentes do gás e do petróleo russo, o que também movimentará muitos recursos econômicos. Segundo Pastore, essas mudanças vão abrir enormes oportunidades de negócios para o mundo nos próximos anos.