Moody’s projeta crescimento da B3

O reaquecimento da economia e a manutenção da taxa Selic em níveis baixos tendem a injetar gás nos negócios da B3 em 2019. A previsão é da Moody’s, em relatório sobre a bolsa de valores brasileira apresentado nesta quarta-feira (09/01). Segundo o vice-presidente assistente da agência de classificação de risco, Farooq Kahn, “a B3 se beneficiará de volumes maiores de negociação de ações e derivativos relacionados, à medida que as empresas emitirem mais ações em 2019 e os fluxos para gestoras de fundos com foco em ações e multimercados continuem a aumentar”.

Na avaliação da Moody’s, o modelo de negócio diversificado da B3, fruto de uma fusão com a Cetip em 2017, lhe dá uma alavancagem operacional significativa. Essa estrutura viabilizou um desempenho acima da média global do setor em 2018, quando os volumes de negociação na bolsa brasileira atingiram picos históricos. “Com a permanência das taxas de juros em patamares baixos por mais tempo e a retomada da atividade corporativa, junto com uma recuperação da economia, esperamos que a demanda e a oferta de dívida corporativa continuem altas. A B3 registra, negocia e liquida bônus corporativos, ganhando receita”, comentou Kahn.

Anbima defende redução dos custos na indústria de fundos

A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) estabaleceu como uma de suas prioridades para 2019 trabalhar junto aos órgãos reguladores pela redução dos custos que incidem sobre os agentes do mercado que compõem a indústria de fundos de invetimento.

Na avaliação dos membros da associação, a modernização do segmento de fundos passa pela otimização dos chamados “fardos operacionais”, ou seja, as obrigações que as instituições e os prestadores de serviços têm no cumprimento das exigências da regulação e da autorregulação. Eles serão mapeados pela Anbima, com o objetivo de propor uma agenda de eficiência para os produtos regulados pela Instrução CVM 555 e também para os fundos estruturados.

“A Instrução CVM 555 levou a indústria a outro patamar, inovando e sofisticando uma série de aspectos como mais transparência e simplificação de processos. Passados quatro anos da sua publicação, e com um mercado tão dinâmico, é hora de olhar o que pode ser aprimorado para diminuir a carga da regulação e da autorregulação em cima das instituições”, afirmou o vice-presidente da Anbima, Carlos André, em nota.

Ele notou que esse trabalho abrange, por exemplo, a revisão de documentos comuns a administradores, gestores e custodiantes, além do fluxo de informações trocadas entre eles. Todas as sugestões de melhorias estarão reunidas em uma agenda, em um documento que está em elaboração e será lançado em abril.

Dentro do planejamento da Anbima para o ano consta ainda a criação de uma plataforma de cadastro único de informações dos fundos, que concentrará os dados em apenas um lugar e estará disponível para todos os players. A associação também pretende levantar a discussão quanto a criação de um novo veículo: a holding de investimento – produto com personalidade jurídica própria, semelhante a uma empresa, como já acontece em outros países. Segundo a associação, a intenção com o novo veículo não é substituir os fundos tradicionais, mas criar um novo veículo que contribuiria para dar mais clareza sobre a responsabilidade de cada um dos agentes da indústria de fundos.

Com relação à atividade de distribuição, a Anbima destaca que é inegável que a entrada de novos players no mercado vem democratizando o acesso aos
investimentos. “No entanto, há uma preocupação com o fato de que alguns intermediários atuam no aconselhamento e na distribuição de produtos. O objetivo não é inibir o movimento, mas aprimorar as regras dos profi ssionais, como os agentes autônomos”.

Captação da indústria de fundos cai 68% e soma R$ 84,7 bilhões em 2018

A indústria de fundos de investimento registrou em 2018 captação líquida positiva de R$ 84,7 bilhões, redução de 68% ante o resultado de 2017, segundo dados divulgados nesta terça-feira, 8 de janeiro, pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Os fundos de investimento atingiram R$ 4,6 trilhões de patrimônio líquido sob gestão em 2018.

“No início de 2018 sabíamos que o resultado do período anterior havia sido atípico para a indústria, refletindo o momento em que a economia dava sinais de retomada. Mantivemos captações positivas ao longo do ano, acompanhando o apetite dos investidores por produtos que agregam maiores riscos e retornos, como os fundos multimercados e de ações”, disse o vice-presidente da Anbima, Carlos André, em comunicado.

O resultado de 2018 foi concentrado em três classes: Multimercados, Ações e Previdência, que juntas captaram R$ 94,9 bilhões. Por outro lado, a classe Renda Fixa registrou saída de R$ 12,3 bilhões no ano. Pelo segundo ano consecutivo a classe Multimercados obteve a maior captação líquida da indústria e encerrou 2018 com entrada líquida de R$ 42,9 bilhões; o tipo Macro apresentou a maior captação com R$ 28,5 bilhões.

 

Emissões crescem 3,2% e somam R$ 223,7 bilhões em 2018

As emissões domésticas no mercado de capitais totalizaram R$ 223,7 bilhões em 2018, o que corresponde a um aumento de 3,2% em relação ao ano anterior, segundo dados divulgados nesta terça-feira, 8 de janeiro, pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Os ativos de renda fixa elevaram a sua já expressiva participação no total emitido em relação à 2017 – 89% contra 77%, resultado decorrente da performance das debêntures (captação de R$ 140,0 bilhões no ano), cuja parcela avançou de 45% para 62% do total das emissões no período.

As captações no mercado de renda variável representaram apenas 5% das emissões contra 18,5% registradas em 2017, enquanto os Fundos de Investimentos Imobiliários responderam por 6% das emissões domésticas.

As emissões de debêntures em 2018 não se restringiram apenas ao aumento de volume como também em mudanças no seu perfil de colocação. A participação predominante dos investidores institucionais como subscritores das ofertas públicas se manteve, ainda que abaixo do registrado em 2017 (de 61,1% para 51,7%), indicando à disposição destes agentes em continuar alocando recursos em títulos corporativos.

O prazo médio de colocação elevou-se de 4,7 para 6,2 anos, com expressiva redução dos papéis de prazos de até três anos (44,6% em 2017 para 28,7% em 2018) e um correspondente aumento para as emissões de prazos mais longos.

“Estes números refletem a crescente parcela de debêntures emitidas através da Lei nº 12.431, que por serem direcionadas a projetos de infraestrutura e com isenção de IR para pessoas físicas, possuem maior prazo de vencimento e liquidez no mercado secundário”, informa a Anbima, em relatório. Em 2018, foram emitidos R$ 23,6 bilhões destes títulos contra R$ 9,1 bilhões em 2017, o que corresponde a um aumento de 160% no ano.

Na renda variável a performance em 2018 (emissões de R$ 11,3 bilhões entre IPOs e Follow ons) frustrou a recuperação sugerida em 2017 (R$ 40,1 bilhões) após o fraco resultado registrado em 2016 (R$ 10,7 bilhões). Foram apenas seis operações primárias e cinco de distribuição secundária. Na avaliação da associação do mercado, o crescimento econômico abaixo do esperado, o alto nível de alavancagem das empresas e as incertezas típicas de um ano eleitoral contribuíram para este resultado.

As captações externas totalizaram US$ 15,3 bilhões em 2018, sendo que 84% foram captados no primeiro semestre, indicando uma antecipação de recursos em função do calendário eleitoral. Esse resultado representa uma queda de mais de 50% do que foi emitido em 2017 (US$ 32,9 bilhões) e foi captado apenas através de ativos de renda fixa.

Aberturas no exterior | Pagseguro, Stone e Arco abrem caminho para outras companhias brasileiras em 2019

O ano de 2018 vai ficar marcado como aquele em que os IPOs de empresas brasileiras nos Estados Unidos superaram as ofertas de ações no próprio mercado brasileiro. Pagseguro, com seu IPO de US$ 2,3 bilhões na New York Stock Exchange (NYSE), e Stone e Arco Educação, que levantaram US$ 1,5 bilhão e US$ 220 milhões, respectivamente, na Nasdaq, somaram cerca de US$ 4 bilhões captados por companhias nacionais nos EUA, ou cerca de R$ 15,6 bilhões, considerado o fechamento do câmbio em 14 de dezembro. No mesmo período, no Brasil, os IPOs da Hapvida (R$ 3,4 bilhões), da Intermédica (R$ 2,7 bilhões) e do Banco Inter (R$ 656,3 milhões) chegaram a R$ 6,7 bilhões.
A tendência é que novas companhias brasileiras façam o mesmo caminho e optem por abrir seu capital nas bolsas americanas ao longo de 2019, a julgar pela frequência de viagens que o head de mercados de capitais internacionais da NYSE, Alex Ibrahim, tem feito ao Brasil. Desde agosto já foram três visitas, sendo a mais recente em dezembro, para conversas com empresas interessadas em se listar na bolsa de Nova York, seja via IPO ou por meio do programa de ADRs, como foi o caso mais recente da Suzano Papel e Celulose em dezembro.
Ibrahim ressalta que as empresas brasileiras com quem tem conversado não se restringem ao setor tecnológico, como foram os três IPOs ocorridos em 2018 de empresas brasileiras nos Estados Unidos. “Companhias dos setores financeiro e de energia são alguns exemplos de brasileiras que provavelmente vão fazer o IPO na NYSE”, afirma o executivo, brasileiro radicado há 30 anos nos Estados Unidos, com 18 anos na NYSE, e que por questões de compliance e governança não pode divulgar uma projeção de quantas companhias brasileiras devem passar a ter ações negociadas na bolsa americana nos próximos meses. Ibrahim tira proveito de sua familiaridade com a região para tratar diretamente com as companhias locais, mas tem equipes espalhadas por todos os cantos do globo em busca de potenciais novos entrantes na NYSE.
Atualmente são 31 empresas brasileiras com ações negociadas na NYSE, em sua grande maioria via ADRs – apenas a Pagseguro e a NetShoes, que abriu seu capital por lá em abril de 2017, tem ações listadas diretamente. “Espero que tudo ocorra bem com o Brasil, que os investidores fiquem confortáveis sobre o que vai acontecer nos próximos meses, para que a janela de oportunidades cresça mais e as empresas que acham que o mercado americano faz parte das suas estratégias listem na bolsa de Nova York”, diz Ibrahim.
Entre as razões que, no entendimento do executivo, contribuem para a atratividade da NYSE aos olhos das empresas, independentemente do setor ou nacionalidade, ele cita a maior liquidez e diversificação. A NYSE possui uma ampla e atuante base de investidores, que em muitos casos não estão presentes em mercados emergentes. Somente em 2018 foram 70 os IPOs registrados na NYSE, que somaram captação da ordem de US$ 29 bilhões. “Nos últimos cinco anos, dos 48 IPOs que ocorreram acima de US$ 700 milhões, 45 foram na NYSE, e somente três na Nasdaq”, afirma Ibrahim, sobre a maior atratividade na comparação com sua rival.
Embora haja uma percepção relativamente comum de que na Nasdaq se concentram as empresas do ramo tecnológico, Ibrahim ressalta que essa é uma falsa impressão de investidores não tão acostumados com a operação das bolsas americanas. Ele cita como exemplo ilustrativo o maior IPO da história do mercado global de capitais, da gigante chinesa AliBaba, que levantou cerca de US$ 25 bilhões na NYSE em 2014. “Nos últimos dez anos, nosso market share em IPOs de empresas de tecnologia foi de 58%, sendo que em 2017, 86% dos IPOs de empresas de tecnologia foram na NYSE”, pontua o head da NYSE para mercados de capitais internacionais. “Stone e Arco infelizmente foram dois outliers, mas não é possível ganhar sempre”.

Arbitragem – Ibrahim rechaça também a tese de que a listagem de ações de empresas brasileiras em outras bolsas, via ADRs, gera risco de canibalismo da liquidez no mercado local. A tese é corroborada pelo diretor de relacionamento com clientes da B3, Felipe Paiva.
Segundo Paiva, estudos realizados pela B3 indicam que a dupla listagem pode aumentar em até 40% o volume de negociação do papel, pela possibilidade de arbitragem entre os ativos nos dois mercados, o que pode beneficiar tanto a empresa, que terá maior liquidez em suas ações, como os investidores locais, que teriam mais uma opção para suas carteiras.
Após a listagem das empresas brasileiras na NYSE e na Nasdaq a B3 iniciou conversas com as próprias companhias, e com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), com o objetivo de fazer uma dupla listagem dos papéis, que passariam a ser negociados no mercado americano e também no brasileiro por meio de BDRs.
Paiva explica que Stone, Pagseguro e Arco Educação são empresas constituídas sob formas de holding sediadas 100% no exterior, em um modelo comum às companhias que recebem investimentos de fundos de private equity, modelo esse que até o momento não tem permissão do órgão regulador brasileiro para a dupla listagem. “Pleiteamos junto à CVM a alteração na regra para listagem dos BDRs, ou a elaboração de uma instrução específica que permita a listagem direta de empresas constituídas fora do Brasil”, comenta o diretor de relacionamento comn clientes da B3. No momento a bolsa brasileira aguarda parecer da autarquia sobre o tema.
“O grupo de trabalho do Projeto Estratégico Custo de Observância vem recebendo diversas sugestões de aperfeiçoamento da regulamentação emitida pela CVM encaminhadas por participantes do mercado, incluindo o tema objeto de sua demanda [sobre permissão para dupla listagem]. Todas as sugestões recebidas serão devidamente e oportunamente analisadas pela CVM”, diz o comunicado da autarquia enviado à publicação. Procuradas pela Investidor Institucional, Pagseguro, Stone e Arco preferiram não comentar.

Ações estrangeiras mais negociadas nos EUA
  Nome Bolsa / Fonte Pais Em moeda orig. em milhares
1 Alibaba Group Holding Ltd NYSE Hong Kong 2.980.792
2 Broadcom Ltd NASDAQ Singapura 934.543
3 Baidu, Inc. NASDAQ China 505.393
4 Jd.Com, Inc. NASDAQ China 440.709
5 Accenture Plc NYSE Outros 426.450
6 Lululemon Athletica Inc. NASDAQ Canadá 390.127
7 Taiwan Semiconductor
Manufacturing Co Ltd
NYSE Taiwan 342.113
8 Nxp Semiconductors N.V. NASDAQ Holanda 338.231
9 Vale NYSE Brasil 317.136
10 Bp Plc NYSE Inglaterra 308.657
11 Petrobras NYSE Brasil 306.450
Fonte: Economatica

IPOs na B3 em 2019 – O investidor local não precisa, no entanto, ficar preocupado com uma eventual ‘fuga de talentos’ do nosso mercado. A tendência de companhias tupiniquins abrindo seu capital além mar, embora deva ter alguns novos casos nos próximos meses, não deve ocorrer de maneira maciça, com a maior parte provavelmente ainda optando pela bolsa local.
A B3 trabalha com a estimativa de 20 a 30 IPOs durante 2019 por conta das conversas em andamento com empresas interessadas. Paiva recorda que em 2017, quando houve uma retomada no nível de confiança dos empresários e do mercado, cenário que espera-se que volte a ocorrer em 2019, foram cerca de R$ 41 bilhões obtidos por empresas brasileiras no mercado acionário por meio de 26 IPOs e follow-ons.
Com a expectativa de 20 a 30 IPOs e follow-ons em 2019, o executivo não descarta um montante de recursos a ser levantado pelas empresas no mercado até maior do que o observado em 2017. “Temos visto o BNDES cada vez menos participativo em grandes operações, deixando o mercado de capitais florescer. Soma-se a isso a taxa de juros reduzida e o potencial aumento do PIB, uma ótima combinação para que possamos ter um número recorde de IPOs no Brasil”, prevê o especialista.

Reforma – Com o objetivo de fomentar o mercado acionário local como um importante financiador das empresas brasileiras, a B3 trabalha na reforma do mercado de acesso, o Bovespa Mais, na tentativa de tornar menos complexo e burocrático o seu nicho voltado para empresas de menor porte interessadas em abrir seu capital. “As ofertas recentes tem sido de valores acima de R$ 500 milhões, e gostaríamos de ver captações com valores menores”.
Paiva diz ainda que dentro desse trabalho a B3 vai criar uma figura, ainda sem um nome definido, que vai ser uma espécie de assessor, que terá como missão ajudar as empresas a trilhar o caminho rumo ao mercado de capitais, em um trabalho que toma como exemplo o desenvolvido de maneira bem sucedida na bolsa de Londres.

Características necessárias – O volume projetado a ser captado, necessariamente elevado, e o alto potencial de crescimento de lucros para os próximos anos, que eventualmente pode ser melhor precificado em mercados desenvolvidos em comparação com o de origem, são citados pelo responsável por mercado de capitais no Citi, Marcelo Millen, como motivos importantes que guiam as empresas no momento de decidir se optam por abrir seu capital no Brasil ou em outros países. Pares comparáveis em maior quantidade e qualidade, que podem facilitar a compreensão e mesmo o acesso dos agentes de mercado é outro ponto que pesa na decisão das empresas em abrir seu capital fora de seu país, lembra o executivo do Citi, banco que foi um dos coordenadores da oferta de US$ 1,5 bilhão da Stone na Nasdaq.
“A Stone tem um potencial de crescimento superior ao da Cielo, atualmente a única empresa com ações na B3 do mesmo setor de adquirência, e a opção foi por tentar capturar investidores dispostos a pagar mais por ela, que encontra na Nasdaq pares comparáveis mais alinhados ao seu perfil”, afirma Millen. “O receio da Stone era de que ao se listar no Brasil o nível de avaliação que os investidores fariam seria mais comparável com o da Cielo”. Pelo nível de demanda e volume captado, o executivo do Citi diz que a Stone ficou satisfeita com sua abertura na Nasdaq.

Títulos corporativos de renda fixa crescem 34% em 2018

Os títulos de renda fixa corporativos (Debênture, CRA, CRI e Nota Comercial), mais os FIDC, apresentaram crescimento de 34% no volume de emissões em 2018 na comparação com o mesmo período do ano passado, somando R$ 200 bilhões em novos registros, segundo levantamento da Unidade de Títulos e Valores Mobiliários da B3.

Os títulos mais emitidos foram as debêntures, com R$ 147 bilhões, 62% a mais do que no ano de 2017. O estoque fechou o ano em R$ 354 bilhões. Já o CRI apresentou aumento de 16% em relação ao ano anterior, com R$ 9,5 bilhões emitidos, contra R$ 8,2 bilhões em 2017.

“Nossa expectativa era a de termos um primeiro semestre mais forte e depois uma estabilização, por conta do período pré-eleitoral, mas o ritmo de emissões continuou intenso até outubro, contribuindo para o volume recorde desse mercado”, analisou o diretor de Produtos de Balcão, Commodities e Novos Negócios da B3, Fábio Zenaro, em nota.

Os investidores institucionais, segmento onde estão incluídos os fundos de investimento, foram o destaque, representando 44% do total distribuído em 2018.

Captação bancária - O segmento de captação bancária também teve bom desempenho em 2018. Além das opções já consolidadas como CDB, LF, LCI e LCA, instituições como bancos e sociedades de crédito passaram a contar com uma nova opção de produto para captar recursos: a Letra Imobiliária Garantida (LIG).

Entre 21 de novembro, data do primeiro registro de LIG na B3, e 28 de dezembro, foram emitidas 36 LIGs, totalizando um volume de R$ 2 bilhões, que também corresponde ao estoque do produto.

Já o estoque de CDBs bateu sucessivos recordes no ano, chegando ao final de dezembro com R$ 875 bilhões. O volume de emissões no ano chegou bem perto de 5 trilhões.

Amec envia manifestação ao Ministério Público sobre caso Qualicorp

A Associação de Investidores no Mercado de Capitais (Amec) em carta endereçada ao Ministério Público (MP), assinada por seu presidente, Mauro Cunha, critica a Qualicorp pelo caso envolvendo seu presidente, José Seripieri Filho, em que a companhia aceitou pagar R$ 150 milhões para que o executivo não deixasse a empresa para abrir um negócio potencialmente concorrente.

Na carta Cunha também pede ao MP que “adote em casos dessa natureza imediatas e temporâneas medidas, com o intuito de coibir a prática de atos de liberalidade às custas de companhias abertas, que nas palavras de Modesto Carvalhosa “... constituem fraude à lei...”, e necessárias para obter o ressarcimento de danos causados aos titulares de valores mobiliários e aos investidores do mercado de capitais, sem prejuízo de eventuais outras medidas que entender cabíveis, inclusive na esfera criminal”.

Cunha escreve ainda que o Conselho de Administração da Qualicorp deixou de proteger a sociedade contra a investida de seu acionista e Diretor Presidente, atendendo ao interesse pessoal deste em detrimento do interesse social e, ao assim agir, causou grave prejuízo à companhia e seus acionistas.

Sobre o acordo estabelecido entre Qualicorp e o acionista minoritário XP, que obrigou Seripieri a utilizar os R$ 150 milhões em compra de ações da própria empresa, o presidente da Amec avalia que tal acordo não teve por objeto o desfazimento ou revogação da liberalidade cometida, “logo os prejuízos causados, direta e indiretamente aos acionistas da companhia e ao mercado acionário brasileiro continuam hígidos e presentes”.

Novos associados – A Amec fechará o ano de 2018 com 60 associados, após o ingresso da Garde e da Prisma Capital. A Garde Asset Management é uma gestora independente, focada em fundos multimercados e fundada em 2013. Atualmente, tem cerca de R$ 6 bilhões de ativos sob gestão e atende cerca de 15 mil cotistas. Já a Prisma Capital é uma gestora independente de investimentos alternativos com foco em private equity e special situations no Brasil.

Anbima e BNDES renovam convênio para troca de informações

A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) renovaram nesta terça-feira, 18 de dezembro, o convênio de cooperação técnica que visa troca de informações para melhor desenvolvimento do mercado de capitais. A parceria já existe desde 2013, mas com a renovação, a ideia é ampliar os canais de interlocução entre as duas entidades, de acordo com comunicado enviado pela Anbima.

Além da troca de informações, o convênio possibilita a atuação conjunta das entidades em grupos para debater e propor melhorias de mercado, além de facilitar a participação da equipe do BNDES em atividades educacionais da Anbima e o acesso à plataforma online da associação com dados de debêntures negociadas no mercado secundário.

Anbima revisa projeção para crescimento do PIB em 2019 de 2,5% para 2,8%

O comitê de acompanhamento macroeconômico da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) revisou para cima a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) de 2019, de 2,50% para 2,80%. Para 2018, a estimativa do grupo se reduziu pela sexta vez consecutiva, de 1,35% para 1,30%.

“O aumento da confiança do mercado deve ditar um ritmo mais forte de recuperação econômica no próximo ano, principalmente se a agenda de reformas do novo governo avançar, o que deve estimular os investimentos”, diz o presidente do comitê da Anbima, Fernando Honorato, em comunicado.

A queda na expectativa do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) para 2018, que foi de 4,4%, na reunião do grupo em outubro, para 3,8%, em dezembro, impactou as projeções de inflação para 2019 – houve redução nas estimativas para o índice no ano que vem: a projeção do IPCA de 4,2% foi revista para 4,0% no último encontro.

Em relação à taxa básica de juros, houve mudança nas expectativas do comitê para 2019. A projeção do grupo é que o Copom (Comitê de Política Macroeconômica) mantenha a Selic em 6,5% em 2018 e encerre 2019 em 7,5%. Para os economistas, o primeiro aumento da taxa deve ocorrer em outubro, de 6,5% para 7,0%, e outro acréscimo de meio ponto percentual em dezembro. De acordo com o comitê, a manutenção da taxa por um período maior está relacionada à melhora no balanço de riscos inflacionários, o que também fez crescer a expectativa, entre os economistas, de que os juros continuem estáveis em 6,5% até o final de 2019.

O ambiente internacional mais volátil em um contexto de juros mais baixos no Brasil deve contribuir para a desvalorização do real, de acordo com o comitê da Anbima. Em relação à reunião anterior, o grupo revisou a projeção do dólar de R$ 3,70 para R$ 3,75 no fim de 2018, o que corresponde a uma queda de 13,4%. Para dezembro de 2019, foi mantida a expectativa de R$ 3,80.

Próximo fundo de infraestrutura do BNDES será voltado para saneamento

A diretora do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Eliane Lustosa, afirmou que o próximo fundo de investimento de infraestrutura a ser lançado com apoio do banco, em parceria com gestoras do mercado, terá como foco o segmento de saneamento. Em março de 2017 o BNDES escolheu a Vinci Partners para ser a gestora de um fundo de energia sustentável com patrimônio de R$ 500 milhões, que terá participação máxima de 50% da BNDESPAR.

Segundo Eliane, o banco de fomento tem se deparado com dificuldades para encontrar projetos na área de saneamento que possam ser financiados pelo fundo a ser lançado. A especialista disse que o setor de saneamento pode ser mais atrativo aos investidores por conta dos menores riscos de conclusão dos projetos. “O segmento de saneamento é interessante porque permite a estrutura de recebíveis, e com isso é possível vencer a má governança de algumas empresas, blindando até mesmo com rating bonds”, afirmou a diretora do BNDES, durante evento em São Paulo na terça-feira, 27 de novembro. Eliane revelou ainda que no dia anterior à sua apresentanção, em evento promovido pelo consulado britânico sobre títulos verdes, uma gestora havia lhe apresentado alguns projetos na área de saneamento passíveis de serem financiados pelo fundo.