SIX Group e Euronext disputam controle da bolsa espanhola

 Dois gigantes do mercado acionário, a holandesa Euronext e o suíço SIX Group, estão decididos a assumir o controle da Bolsas y Mercados Españoles (BME), de Madri, que contabiliza cerca de 3,1 mil empresas listadas. Presente em seis cidades europeias, a primeira, que ocupa o quinto posto no ranking global de bolsas de valores, largou na frente, há algumas semanas, iniciando conversações com a BSE. Mais objetivo, o SIX Group, titular da bolsa de Zurique, acaba de formalizar uma proposta de compra da totalidade das ações da instituição espanhola por 2,84 bilhões de euros.

 Os holandeses, que levaram a melhor sobre a norte-americana Nasdaq na queda de braço pela bolsa de valores de Oslo, em maio último, seguem na briga. Em comunicado divulgado nesta segunda-feira (18/11), confirmaram que estão “em negociações com o conselho de administração da BSE, o que pode ou não levar a uma oferta”.

Porto Seguro vê Fed mais conservador em relação a futuros cortes de juros

O economista-chefe do Porto Seguro Investimentos, José Pena, avalia que o Fed deve cortar a taxa de juros em 0,25 ponto percentual na reunião desta quarta-feira (30/10) mas se tornar mais conservador em relação a futuros cortes. Segundo ele, os mercados precificam uma chance de cerca de 90% de que a autoridade monetária americana reduza os chamados Fed Funds em 0,25 ponto percentual na reunião de amanhã.

Para Pena, se de um lado os dados de atividade nos EUA recomendam esse corte na reunião de amanhã, a perspectiva de um acordo entre EUA e China, assim como a redução dos riscos do chamado "hard Brexit" sugerem um grau de incerteza menor nos próximos meses. Aliada a isso, os dois cortes de 0,25pp já realizados até agora (com mais um esperado para amanhã), podem justificar uma postura mais cautelosa do Fed em relação a novos cortes.

Nas palavras de Pena, “não esperamos que o Fed assuma um compromisso desde já com cortes futuros, à espera de novas informações quanto ao ritmo de atividade da economia local (e global) depois destes estímulos fornecidos nos últimos meses”.

Eleição de peronista na Argentina não impede Ibovespa de bater novo recorde

A eleição do peronista Alberto Fernández nas eleições do último final de semana na Argentina, derrotando o presidente neoliberal Mauricio Macri, não impediu que o Ibovespa batesse um novo recorde no Brasil. O índice da B3 fechou a 108.187 pontos, com alta de 0,77%. Já o dólar fechou o dia a R$ 3,9924, com queda de 0,39%.

Apesar disso, o mercado vê com apreensão a eleição de Fernándes. "A vitória da chapa que une kirchnerismo e peronismo causa certa apreensão pela perspectiva de algumas reformas da Argentina não irem para a frente ou diminuírem de intensidade", afirmou André Alírio, economista da Nova Futura Investimentos.

Para a equipe da Levante Investimentos, a notícia deve ter impacto negativo para os mercados emergentes, especialmente o Brasil. Além de poder afetar as empresas brasileiras que investem ou possuem operações no Argentina.

Ao mesmo tempo em que acompanhavam os desdobramentos da eleição argentina, os investidores globais acompanhavam com atenção as notícias sobre a guerra comercial entre Estados Unidos e China. O presidente, Donald Trump, disse nesta segunda-feira que espera assinar uma parte significativa do acordo comercial com a China antes do previsto, mas não deu detalhes sobre o cronograma.

Expectativa de aprovação da reforma da previdência impulsiona Ibovespa

O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, fechou em alta hoje (22/10), com a expectativa positiva do mercado em relação à aprovação final da reforma da Previdência no Congresso. O Ibovespa subiu 1,28%, fechando em 107.381 pontos. Na máxima da sessão, o Ibovespa chegou a alcançar 107.421 pontos. A moeda norte-americana caiu 1,33% no dia, para R$ 4,0755.

No final da manhã, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, em votação simbólica, o relatório do senador Tasso Jereissati sobre as emendas de redação apresentadas durante a discussão do segundo turno da PEC da Reforma da Previdência ( PEC 6/2019).  O texto seguiu para ser votado no plenário e, se aprovado, seguirá para promulgação.

Das 11 emendas apresentadas à CCJ apenas três foram acatadas. Como deve ser nessa fase, todas as emendas acatadas são de redação, sem impacto à economia estimada de cerca de R$ 800 bilhões, em dez anos.

As emendas tratam de temas variados, como a aposentadoria especial, pensão por morte, o cálculo para aposentadoria de servidoras públicas, alíquotas especiais para trabalhadores em jornadas inferiores a 44 horas semanais, regra de transição no regime próprio dos servidores e a cláusula de vigência da proposta.

YDUQS compra por R$ 1,92 bilhão as operações educacionais da Adtalem Br

A YDUQS, empresa nacional que atua no ramo educacional, fechou a compra das operações locais do grupo norte-americano Adtalem, que incluem as dez instituições de ensino superior reunidas sob a bandeira Wyden, a escola de negócios IBMEC, a rede Damásio Educacional (referência no setor jurídico) e a SJT MED (cursos preparatórios na área de medicina e saúde). A operação foi fechada pelo valor de R$ 1,92 bilhão, sendo a maior aquisição da história da YDUQS.

“Esse é um momento empolgante na nossa história, pois estamos nos associando a pessoas de altíssimo nível e, juntos, vamos embarcar em um projeto que é muito maior que a soma das partes”, diz o presidente da YDUQS, Eduardo Parente. “Essa união vai transformar o ensino superior no Brasil”.

A YDUQS é pioneira no ensino digital e líder em segmentos como Medicina e Direito. Possui uma base de 576 mil alunos, que será ampliada com os 102 mil alunos vindos da Adtalem, formando um grupo educacional com 680 mil alunos.

A transação deve ser concluída no primeiro semestre de 2020, com recursos vindos do caixa da YDUQS e financiamentos. Em 2018, a YDUQS teve uma receita operacional líquida de R$ 3,6 bilhões, com margem de 32%. Entre 2014 e 2016, a margem EBITDA da companhia foi de 20,4%.

Das operações adquiridas, apenas o IBMEC terá um tratamento diferenciado. A escola formará, juntamente com os cursos premium da YDUQS, uma nova unidade de negócio sob o comando de Thiago Sayão, atual presidente da Adtalem Brasil. “A YDUQS tem a visão estratégica e fôlego financeiro para, preservando o que nos faz únicos no mercado, levar nossas operações para outro patamar”, diz Sayão.

CVM multa em R$ 82 milhões envolvidos em irregularidades com Cruzeiro do Sul Corretora

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) condenou e multou em R$ 82 milhões mais de 50 pessoas e instituições envolvidas em irregularidades com a Cruzeiro do Sul Corretora de Mercadorias. As irregularidades envolvem operações no mercado futuro de índice Ibovespa (IND) e dólar (DOL), no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2005, caracterizadas pelo uso de prática não equitativa e criação de condições artificiais de demanda, oferta ou preço no mercado de valores mobiliários. O valor da multa é a soma dos valores aplicados a cada um dos condenados na sessão realizada pela autarquia em 15/10.

Foram multados as seguintes pessoas e instituições por criação de condições artificiais de demanda, oferta e preço de valores mobiliários:

  • Abramo Douek: à multa no valor de R$ 450.000,00.
  • Banco Rendimento S.A.: à multa no valor de R$ 450.000,00.
  • Alphastar Investment Fund LLC: à multa no valor de R$ 350.000,00.
  • Fenel Serviços S/C Ltda.: à multa no valor de R$ 400.000,00.
  • Felipe Neira Lauand: à multa no valor de R$ 1.000.000,00, sendo R$ 500.000,00 pelos negócios realizados em nome da Fenel Serviços e R$ 500.000,00 pelos negócios realizados em nome da Alphastar.
  • Francisco Alarcon Coelho Filho: à multa no valor de R$ 350.000,00.
  • BCS Asset Management S.A.: à multa no valor de R$ 450.000,00.
  • Flávio Nunes Ferreira Rietmann: à multa no valor de R$ 450.000,00.
  • Luís Octávio Azeredo Lopes Índio da Costa: à multa no valor de R$ 500.000,00.
  • Belmeq Engenharia, Indústria e Comércio Ltda.: à multa no valor de R$ 250.000,00.
  • Luiz Mezavilla Filho: à multa no valor de R$ 250.000,00.
  • Edalbrás Indústria e Comércio Ltda.: à multa no valor de R$ 250.000,00.
  • Ezra Harari: à multa no valor de R$ 250.000,00.
  • Estre Ambiental S.A.: à multa no valor de R$ 200.000,00.
  • Gisele Mara de Moraes: à multa no valor de R$ 200.000,00.
  • Global Trend Investment LLC: à multa no valor de R$ 300.000,00.
  • Sérgio Guaraciaba Martins Reinas: à multa no valor de R$ 300.000,00.
  • Hélio Renato Laniado: à multa no valor de R$ 200.000,00.
  • Lúcio Bolonha Funaro: à multa no valor de R$ 200.000,00.
  • Patrícia Matalon: à multa no valor de R$ 200.000,00.
  • Teletrust de Recebíveis S.A.: à multa no valor de R$ 300.000,00.
  • Jorge Gurgel Fernandes Neto: à multa no valor de R$ 300.000,00

Foram multados as seguintes pessoas e instituições por prática não equitativa no mercado de valores mobiliários:

  • Alphastar Investment Fund LLC: à multa no valor de R$ 18.274.898,21, correspondente a duas vezes o valor dos ganhos obtidos, atualizados pelo IPC-A.
  • Felipe Neira Lauand: à multa no valor de R$ 3.654.979,64, correspondente a 40% do valor das operações irregulares realizadas em nome da Alphastar, atualizado pelo IPC-A.
  • Francisco Alarcon Coelho Filho: à multa no valor de R$ 2.741.234,73, correspondente a 30% do valor das operações irregulares realizadas em nome da Alphastar, atualizado pelo IPC-A.
  • BCS Asset Management S.A.: à multa no valor de R$ 15.069.124,94, correspondente a duas vezes o valor dos ganhos obtidos, atualizados pelo IPC-A.
  • Flávio Nunes Ferreira Rietmann: à multa no valor de R$ 2.260.368,74, correspondente a 30% do montante das operações irregulares realizadas em nome da BCS Asset, atualizado pelo IPC-A.
  • Luís Octávio Azeredo Lopes Índio da Costa: à multa no valor de R$ 3.013.824,99, correspondente a 40% do montante das operações irregulares realizadas em nome da BCS Asset, atualizado pelo IPC-A.
  • Celso da Costa Teixeira: à multa no valor de R$ 732.471,48, correspondente a duas vezes o valor dos ganhos obtidos, atualizado pelo IPC-A.
  • Emílio Klarnet: à multa no valor de R$ 800.472,13, correspondente a duas vezes o valor dos ganhos obtidos, atualizado pelo IPC-A.
  • Global Trend Investment LLC.: à multa no valor de R$ 10.627.287,26, correspondente a duas vezes o valor dos ganhos obtidos, atualizado pelo IPC-A.
  • Sérgio Guaraciaba Martins Reinas: à multa no valor de R$ 1.594.093,09, correspondente a 30% do montante das operações irregulares realizadas em nome da Global Trend, atualizado pelo IPC-A.
  • Global Equity Administradora de Recursos S.A.: à multa no valor de R$ 2.486.995,81, correspondente a 30% do valor dos prejuízos suportados pelos fundos exclusivos da Copel, Latinvest FC FIA e Latinvest FC FIF, atualizado pelo IPC-A.
  • Patrícia Araújo Branco: à multa no valor de R$ 2.486.995,81, correspondente a 30% do valor dos prejuízos suportados pelos fundos exclusivos da Copel, Latinvest FC FIA e Latinvest FC FIF, atualizado pelo IPC-A.
  • Horácio Pires Adão: à multa no valor de R$740.937,07, correspondente a duas vezes o valor dos ganhos obtidos, atualizado pelo IPC-A.
  • Marco Antônio Souza Alho: à multa no valor de R$2.175.272,54, correspondente a duas vezes o valor dos ganhos obtidos, atualizado pelo IPC-A.
  • Márcio Rogério Teixeira Francisco: à multa no valor de R$695.757,15, correspondente a duas vezes o valor dos ganhos obtidos, atualizados pelo IPC-A.
  • Paulo Alves Martins: à multa no valor de R$ 3.414.980,92, correspondente a 30% do montante dos prejuízos suportados pelos fundos Stuttgart FITVM e Hamburg FITVM, atualizado pelo IPC-A. 

Foram multados as seguintes pessoas e instituições por falta de diligência na administração de carteira de valores mobiliários:

  • Banco Mizuho do Brasil S.A.: à multa no valor de R$ 350.000,00.
  • Aristides Campos Jannini, na qualidade de diretor responsável junto ao Banco Mizuho: à multa no valor de R$ 175.000,00.
  • BMC Asset Management DTVM Ltda.: à multa no valor de R$ 350.000,00.
  • Norival Wedekin, na qualidade de diretor responsável junto à BMC Asset: à multa no valor de R$ 175.000,00.
  • BNY Mellon Serviços Financeiros DTVM S.A.: à multa no valor de R$ 500.000,00.
  • José Carlos Lopes Xavier de Oliveira, na qualidade de diretor responsável junto ao BNY Mellon: à multa no valor de R$ 250.000,00.
  • Mercatto Gestão de Recursos S/C Ltda.: à multa no valor de R$ 350.000,00.
  • Paulo Roberto da Veiga Cardozo Monteiro, na qualidade de diretor responsável junto à Mercatto: à multa no valor de R$ 175.000,00,
  • Infinity CCTVM S.A.: à multa no valor de R$ 400.000,00.
  • Marcos Cesar de Cassio Lima, na qualidade de diretor responsável junto à Infinity: à multa no valor de R$ 250.000,00.

Também foram multados as seguintes pessoas e instituições:

  • Luis Felippe Indio da Costa, com multa no valor de R$ 300.000,00por infração ao disposto no art. 4º, parágrafo único, da Instrução CVM 387.
  • Marco Antônio Souza Alho e Spread Consultoria Ltda., individualmente, à multa no valor de R$ 200.000,00 pelo exercício da atividade de agente autônomo de investimentos sem prévio registro junto à CVM.

Foram absolvidas as seguintes pessoas e instituições:

  • BNY Mellon Serviços Financeiros DTVM S.A. e José Carlos Lopes Xavier de Oliveira, na qualidade de administradores fiduciários do Brasil Sovereign FIDE, da acusação de violação ao disposto no art. 65, IX e XV, da Instrução CVM 409.
  • Eric Davy Bello, Martônio Eurípedes Avelar, Perimeter Administração de Recursos Ltda. e Luís Roberto Aché Maia Fragali da acusação de uso de prática não equitativa no mercado de valores mobiliários.
  • Luis Felippe índio da Costa da acusação de criação e condições artificiais de demanda, oferta ou preço de valores mobiliários.

 

Mais mulheres no comando | Cresce a presença feminina no topo do mercado financeiro. Trajetórias de sucesso de executivas são fontes de inspiração para colegas

Ainda um meio majoritariamente masculino, o mercado financeiro começa a registrar em escala crescente a presença de mão de obra feminina em seus quadros diretivos. De acordo com indicadores do Fórum Econômico Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), as mulheres ocupam cerca de 46% dos empregos do setor ao redor do planeta e sua participação em cargos de comando tem crescido ano a ano. Segundo o estudo “Woman in Finance Services”, realizado pela consultoria Oliver Wyman com base em dados de 381 grandes empresas de serviços financeiros de 32 países, a presença das mulheres nos conselhos de administração e comitês executivos do setor saltou, respectivamente, de 12% para 20% e de 11% para 16%, entre os anos de 2003 e 2016. Essa participação feminina em postos de direção do setor financeiro foi ressaltada na edição inaugural do Woman in Finance Summit Brazil, evento organizado pela Franklin Templeton no Museu de Arte de São Paulo (Masp) no dia 1º de outubro.
As mulheres estão participando, cada vez mais, de atividades que discutem o tema em busca de um maior equilíbrio entre a participação delas e dos homens na direção dos projetos e das empresas do setor financeiro. “Quando começamos a organizar o evento, projetávamos algo em torno de 80 inscrições. Erramos feio, pois chegaram quase 800 pedidos”, contou a gerente de marketing da gestora, Carolina Cavenaghi. “Para atender a procura, tivemos de optar por um auditório maior do Masp. Mesmo assim, conseguimos receber ‘apenas’ 400 pessoas, das quais 95% mulheres.”
A executiva, que acumula no currículo passagens por Citibank e Banco Modal, tomou como referência para o projeto eventos similares promovidas pela Franklin Templeton em sua matriz, nos Estados Unidos, e na subsidiária do Canadá. Obteve apoio integral do chefe da operação local, Marcus Vinicius Gonçalves, e também da economista Jenny Johnson, a presidente do grupo norte-americano, com US$ 690 bilhões sob gestão e escritórios em 33 países.
“Ela não pôde vir a São Paulo por falta de datas disponíveis em sua agenda, mas fez questão de gravar uma mensagem em vídeo que apresentamos na abertura do nosso evento”, assinalou Carolina, que convidou um time formado por 14 empresárias, executivas e comunicadoras de destaque para apresentar relatos de suas trajetórias pessoais e profissionais. “O formato foi muito oportuno, pois a plateia, majoritariamente feminina, se sentiu inspirada e representada.”

Mercado – O primeiro painel, intitulado “Mulheres do mercado”, contou com dois nomes em ascensão no segmento, Luciana Barreto, sócia e diretora da M Square Investimentos, e Tatiana Grecco, diretora de risco de mercado e liquidez do Itaú Unibanco. Graduada na Escola de Relações Públicas e Internacionais Woodrow Wilson da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, Luciana transitou, no início da carreira, entre o mercado de capitais e o mundo da moda. Atuou, na década passada, como analista de investimentos internacionais no Banco Pactual e como diretora financeira da Luminosidade Marketing & Produções à época em que a empresa, proprietária da São Paulo Fashion Week, compunha o portfólio de private equity da Vinci Partners.
A experiência no Pactual, que se estendeu por seis anos, acabou por falar mais alto. Em 2010, ela ingressou na M Square, asset especializada em investimentos no exterior. Luciana, que conta com uma congênere no time de seis sócios do negócio, integra o comitê de investimentos da gestora, fato raro até mesmo no exterior. “Trabalhamos com cerca de 40 assets estrangeiras e só uma delas conta com uma mulher em posto de destaque na equipe de gestão”, disse. “A maioria das executivas trabalha na área operacional e em marketing. As mulheres, contudo, têm grandes contribuições a dar à área de gestão, pois são muito cuidadosas na tomada de riscos”.
Expert no assunto, como a nomenclatura de seu cargo indica, Tatiana desembarcou nos mercados financeiro e de capitais por acaso. Como não conseguiu exercer o diploma de tecnóloga em construção civil, obtido em 1995 na Universidade Estadual Paulista (Unesp), optou por um emprego no Itaú há 25 anos. Depois de quatro anos atuando na retaguarda do banco, começou a ganhar espaço e a desenvolver expertise em fundos de investimento. Trabalhou na criação de produtos, lidou com fundações de previdência e seguradoras e participou, na Itaú Asset Management, da implantação da mesa de operações de fundos indexados. Lá executou um de seus trabalhos de maior fôlego, o desenho do ETF de renda fixa do Itaú Unibanco, que começou a ser negociado na B3 em maio último com o código IMAB11.
“O projeto teve início no fim da década passada. Achei fantástica a ideia de colocar um fundo de renda fixa na bolsa de valores, mas sabia que a sua execução não seria fácil, pois não havia um marco legal para o produto”, contou. “A proposta, contudo, ganhou o apoio de parceiros importantes, especialmente da Secretaria do Tesouro Nacional, que garantiu as normativas legais para uma emissão exclusiva de títulos públicos para o ETF.
Há dois anos, Tatiana ganhou um assento na diretoria do Itaú Unibanco, na qual as mulheres somam três dos 21 integrantes. Em sua longa trajetória no banco, ela relatou que só se sentiu vítima de discriminação pela juventude e não em razão de gênero. “Antes, era difícil para qualquer um ocupar cargos de chefia antes dos 30 anos”, observou a executiva, que se disse contrária à criação de cotas para mulheres nas cúpulas das empresas. “Sou favorável, isto sim, à meritocracia”, assinalou, sendo efusivamente aplaudida pela plateia.

Critérios ASG – O encontro também destacou a forte contribuição feminina nas áreas de investimentos sustentáveis e de impacto social. Os temas foram abordados no último painel por Eliane Lustosa, responsável pela introdução da sustentabilidade na agenda do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e por Luciana Antonini Ribeiro e Fernanda de Arruda Camargo, sócias-fundadoras das assets EB Capital e Wright Capital Wealth Management.
Criada no início de 2017 por profissionais egressos do Grupo RBS, do Rio Grande do Sul, a EB Capital investe em negócios de menor porte, de preferência fora dos grandes centros urbanos do país, com potencial de apresentar soluções para carências estruturais do país. “Um exemplo é a Sumicity, empresa que oferece serviços de banda larga com tecnologia de fibra ótica a preços muito acessíveis no interior do Rio de Janeiro”, disse Luciana. “Desde que nos tornamos investidores, em 2018, a carteira de clientes da empresa saltou de 45 mil para quase 200 mil assinantes.”
Doutora em Direito Privado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ela se dedicou durante 19 anos ao departamento jurídico da RBS, tendo alcançado, inclusive, um posto no board do conglomerado. Quem a convenceu a abraçar a área de investimentos foi um craque renomado, o ex-CEO da Petrobras e da BRF Pedro Parente, que ela conheceu no Grupo RBS e hoje lhe faz companhia na EB Capital como sócio e presidente do conselho de administração. A asset pilota dois fundos de investimentos em participações (FIPs), com um volume total de cerca de R$ 700 milhões, e planeja captar mais R$ 600 milhões com um terceiro, que seguirá o mesmo padrão “revolucionário” adotado pela casa. “As mulheres vêm cumprindo papel fundamental na introdução de conceitos de sustentabilidade no universo masculino do mercado de capitais. É algo natural, pois acredito que temos muito mais apego às transformações”, observou Luciana.

Investimentos de impacto – Em atividade há pouco mais de cinco anos, a Wright Capital é uma prova dessa vocação feminina. Com quatro mulheres na operação, o equivalente à metade de sua equipe, a asset é voltada inteiramente a investimentos de impacto. A opção foi consequência da apresentação, antes da criação formal da empresa, de uma encomenda pouco usual no Brasil em meados da década: um FIP exclusivo que não propiciaria retorno ao investidor. Ainda sem recursos e estrutura suficientes para estruturar o veículo por conta própria, Fernanda se viu, logo de cara, diante de um obstáculo: o patrimônio líquido do fundo era inferior aos custos de montagem.
“O investidor não me deu ouvidos e disse que eu teria de me virar para viabilizar o FIP. E foi exatamente o que eu fiz: convenci uma asset a executar o trabalho de graça”, disse ela. “O fundo acabou virando uma referência no mercado e acabou por dar origem à Wright Capital. Fui picada pelos investimentos de impacto, só toco projetos de transformação com viés social.”
Graduada em economia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), ela tomou contato com o universo masculino do mercado de capitais ainda na adolescência, aos 16 anos. No final das manhãs, saía do colégio e seguia rumo a uma corretora de valores instalada na rua Líbero Badaró, região do antigo polo financeiro de São Paulo, onde aprendeu os primeiros conceitos do mercado. “Éramos apenas duas garotas em meio a um grupo de cerca de 60 homens”, recordou.
Depois de uma escala nos Estados Unidos, onde trabalhou na Merrill Lynch e como baby sitter, Fernanda retomou a sua carreira no mercado brasileiro, tornando-se, na década passada, sócia da Gávea Arsenal Gestão de Patrimônio e, na sequência, da Vinci Partners. Antes dessa ascensão, viveu uma experiência marcante na área de tesouraria do Deutsche Bank, o território mais masculino no qual ela já atuou. “Lá, quase virei homem”, conta bem-humorada. “Comecei a abusar dos palavrões, como meus colegas, e deleguei a terceiros a tarefa de comprar minhas roupas”, diz. “Passado algum tempo, aceitei os conselhos de uma amiga e dei uma virada radical: voltei a escovar demorada e cuidadosamente os meus cabelos e ia de rosa para o trabalho.”
Talvez por cautela, em alguns casos, ou timidez, em outros, a grande maioria das convidadas não fez referência a episódios de discriminação de gênero. As duas únicas exceções, ambas entre as mais jovens da turma, foram a especialista em fundos de investimentos Luciana Seabra e a influenciadora digital Ana Laura Magalhães, essa última ligada ao grupo XP. A única depoente a colocar o dedo, de fato, nas feridas do preconceito e da misoginia, no entanto, foi Denise Hills, diretora global de sustentabilidade da Natura, que militou, de 1988 a junho último, no Citibank, no Bank Boston e no Itaú Unibanco. Ela lembrou que as brasileiras só puderam abrir contas bancárias e trabalhar fora de casa sem autorizações por escrito de pais ou maridos a partir da década de 1960 e fez uma provocação que deixou a plateia em silêncio: “Se você tem mais de 30 anos de mercado financeiro e nunca percebeu preconceito, deve ser muito distraída”.
Embora ainda seja elevada a crença na meritocracia, por mais que os números e indicadores do mercado de trabalho desmintam essa prática, muitas mulheres já começam a somar forças em seus ambientes profissionais. Como observa Carolina Cavenaghi, é crescente o número de grupos femininos em instituições financeiras organizados de forma autônoma ou até mesmo por incentivos diretos dos empregadores. “É um fenômeno recente, mas que já é realidade em praticamente todas as grandes corporações do setor financeiro”, comentou a executiva.

Brasil na mira dos estrangeiros | Juros negativos nos países desenvolvidos torna Brasil atrativo ao capital externo

Juros negativos na Europa e no Japão costumam ser sinônimo de euforia para investimentos em países emergentes. E com o Brasil não é diferente. Apesar da perda do selo de grau de investimento e da atividade econômica fraca, o país pode capturar parte dos US$ 17 trilhões que hoje estão alocados em títulos de dívida pública de países com juros negativos e que buscam melhor ambiente para rentabilizar seus recursos. O fato é que só na Europa há um total de US$ 10 trilhões aplicados em títulos públicos que vencem até 2049 e que devem entregar menos ao investidor do que ele inicialmente aplicou. Efeito direto do juro negativo desses países.
Apesar de alguns fundos institucionais estrangeiros por regras de governança não poderem aplicar recursos em países que não sejam classificados como investment grade, o Brasil ainda apresenta possibilidades de ganhos expressivos tanto na renda fixa quanto na variável, se comparado ao resto do mundo. Por mais que a taxa básica nacional, a Selic, esteja em seu menor patamar histórico, 5,5% ao ano, é a quinta maior do mundo, perdendo apenas para Turquia, México, Rússia e Indonésia, onde as instabilidades políticas e econômicas são ainda maiores do que as brasileiras. Com isso, títulos pré e pós- fixados do governo brasileiro têm conseguido entregar rentabilidade acima da de outros países. As NTN-Bs mais longas, com vencimentos em 2023, 2035 e 2050, estão pagando IPCA mais 2,17% ao ano, 3,29% e 3,54%, respectivamente. Já os pré-fixados com vencimentos em janeiro de 2023, 2025 e 2027, pagam 5,97% ao ano, 6,58% e 6,92%.
“As NTN-Bs continuam oferecendo rentabilidade atraente. Olhando a curva das NTN-Bs e também dos pré-fixados ainda há atratividade. Mais baixa do que no passado, mas ainda assim atraente”, afirma Marcelo Cirne de Toledo, economista-chefe do Bradesco Asset Management (Bram). Tanto que ao final de agosto, os estrangeiros detinham R$ 475 bilhões em títulos públicos federais, ante os R$ 434,7 bilhões no mesmo período de 2018. Para Toledo, o que os investidores estão olhando neste momento é para a expectativa de aceleração de crescimento da economia nacional. E que ainda não apareceu. “Se houver aceleração razoável de crescimento, aí sim, veremos um fluxo relevante de investidores estrangeiros vindos para o Brasil. Especialmente para compra de ações”, diz o economista.

Estrangeiros – Diante do potencial que poderia ter, o fluxo atual de recursos estrangeiros entrando no mercado de capitais no país ainda é considerado menos relevante do que no passado. A movimentação maior tem sido em torno de fusões, aquisições ou mesmo participação em leilões e concessões dos governos federal e estaduais. “Isso porque não temos mais a mesma força que tínhamos até 2012 e 2013, quando havia crescimento importante pautado pelas commodities. Receberemos algum fluxo, mas acho que vai ser diferente dos anos 2000 ou mesmo pós 2009, onde teve fluxo grande de recursos – entrando no país”, avalia Toledo.
Este ano, na renda variável o fluxo de entrada e saída de capital estrangeiro no Brasil foi negativo em R$ 2,8 bilhões, segundo dados do Banco Central (BC). Os investidores estrangeiros têm adquirido as novas operações de IPOs (oferta inicial de ações, na sigla em inglês) e follow ons (oferta secundárias), mas também têm vendido suas posições em operações anteriores. Já o fluxo de investidores estrangeiros no balanço de pagamentos acumulados no ano em 2019 foi positivo em R$ 8 bilhões na renda fixa.
Com o juro caindo no mundo, economistas lembram que o mais desejável é que se empreste o mais rápido possível. “Afinal, assim você vai comprar um título “barato” e toda vez que a taxa de juros cair o preço do título nas suas mãos sobe. Isto implica dizer que a queda dos juros força os investidores à ter títulos que rendam um valor fixo no seu vencimento”, diz André Perfeito, economista-chefe da Necton Investimentos. Ou seja, no curto prazo, o mercado financeiro ganha dinheiro com a queda dos juros porque na medida em que o juros caem os títulos já comprados sobem. O problema é que os títulos públicos sofrem com operações de longo prazo. “Comprometendo as aposentadorias de alguns países, principalmente nos planos de contribuição definida. Porque os pensionistas que entraram lá atrás, ganharam dinheiro. Mas os novos não vão ter a mesma sorte”, explica Perfeito.

Economias desaceleradas – O economista alerta que além dos indicadores domésticos, o próprio movimento de queda de juros no mundo pressiona por um juro menor também no Brasil. A política de juros baixos ou negativa busca dar incentivo econômico para economias desaceleradas, mas no caso da Zona do Euro e do Brasil não tem sido suficiente para retomada de seu crescimento. “O que tem levado muitos investidores para o conforto dos títulos norte-americanos”, explica.
Em perspectiva de curto prazo, os juros devem continuar caindo no Brasil. Tanto que o último relatório Focus, do BC, indica que a Selic deve encolher para 4,75% até o final de 2019. Considerando um juro médio a 5% este ano, nas contas de André Perfeito, o CDI vai pagar, em média, 0,41% ao mês, reduzindo ainda mais os ganhos com ativos financeiros de renda fixa daqui para frente. “Vale salientar que a NTN-B 2045 subiu 70% em 12 meses por conta da queda da Selic. Mas agora não vai continuar a subir neste patamar”, explica. Apesar de não ter sido suficiente para animar a economia, a queda dos juros tem beneficiado as empresas listadas em Bolsa, aumentando a demanda por esses papéis e elevando os preços das ações.
Para a Western Asset, o Brasil deve apresentar situação mais favorável do que outros emergentes porque vem implementando uma agenda macroeconômica positiva para o mercado com as reformas da previdência e tributária e com a lei da liberdade econômica. “O que mostra que o país busca ser mais amigável aos investimentos em portfolio e produção”, avalia Marc Forster, responsável pela Western Asset Brasil. Para ele, o que mais importa para o estrangeiro é ter nível de segurança de que vai receber o dinheiro que aplicou de volta. “Uma coisa é risco de crédito. Outra é risco de câmbio, que não pode oscilar demais. As reformas devem melhorar as condições de fazer negócios no Brasil e diminuir a volatilidade elevada do câmbio”, explica Forster. Dado este cenário, na sua opinião, o Brasil tem tudo para se destacar dentre os países emergentes.
O gestor lembra que se comparar com Rússia, México e Argentina, o Brasil está em melhor situação aos olhos dos investidores externos. E se a agenda positiva do governo emplacar, o crescimento do país voltar e a economia global não entrar em recessão, o Western vê novas oportunidades para o Brasil. “Com menor intervenção do estado e com BNDES menos participativo, IPO e emissão de dívidas serão mais frequentes”, conclui Forster.
Já para Luiz Fernando Figueiredo, sócio-fundador e CEO da Mauá Capital, o Brasil está mais dependente de situação interna do que da externa e do ponto de vista fiscal está insustentável. Além das reformas macro, cita ainda as mudanças microeconômicas em curso, que entende serem tão importantes como as outras. Ele lembra que a participação estrangeira nos títulos públicos já foi de 20% quando o Brasil tinha o grau de investimentos e hoje está em pouco mais de 11%. “Mesmo a dívida externa privada que era de US$ 330 bilhões há três anos, hoje está em US$ 250 bilhões. Não está acontecendo fluxo de dinheiro relevante para se apropriar do nosso juro. E daqui para frente, os ativos financeiros relacionados à economia real tendem a ganhar relevância”, explica Figueiredo, que salienta que esta migração dos portfolios de ativos de baixo risco para os de maior risco é um processo muito importante e novo no Brasil. “E veio para ficar”.
O BNP Paribas concorda que é preciso trabalhar em um cenário novo daqui para frente. “Diferente do passado, aparentemente, essa queda de juro é estrutural e deve ser o novo normal. E quando o BC subir os juros, subirá bem menos”, avalia Gilberto Kfouri, responsável pela área de renda fixa da BNP Paribas Asset Management. Em função disso, ele explica que os ativos têm que ter maior “duration” nas carteiras e o gestor deve antecipar movimentos. “Mas não dá para ficar fora no mercado. Se acreditar que esse é o novo normal, as curvas de juros trazem prêmios. E os investidores também têm que mudar o mindset para os investimentos com maior exposição a risco e volatilidade”, avalia Kfouri. Especialmente o investidor institucional que também deve olhar para fora em busca de diversificação, na sua opinião. “Os prêmios no mercado doméstico estão menores. Lá fora tem que olhar para equities, ativos estruturados, ativos não líquidos, moedas e ir gradualmente colocando”, conclui.

Queda da Selic alavanca retomada do PIB, diz Guardia

Desde fevereiro à frente da asset do BTG Pactual, com R$ 123 bilhões sob gestão, o ex-ministro da Fazenda Eduardo Guardia projeta um crescimento de 2% do produto interno bruto (PIB) brasileiro em 2020. A estimativa tem por base, única e tão somente, as perspectivas de novos cortes na taxa Selic, ainda em 2019, por decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. “Os investimentos estão em patamares muito reduzidos, até porque a ociosidade da capacidade instalada é elevada. Mas, de qualquer forma, a economia pode crescer 2% no próximo ano com a redução da Selic para 4,5% ou 4% ao ano”, diz Guardia, que chefiou a equipe econômica federal nos últimos nove meses da gestão de Michel Temer.

Ainda estão longe de serem atendidas, no entanto, as condições para uma retomada mais consistente da atividade econômica. Isso só será possível, na análise do CEO da asset do BTG Pactual, com a sequência dos ajustes estruturais da economia pautados pelo novo Executivo federal, casos das reformas tributária e administrativa. “A reforma da Previdência, a meu ver, já está provada e já foi, inclusive, precificada pelo mercado” assinala Guardia. “Ela, por sinal, é mais robusta do que a reforma proposta pelo governo anterior, já que pretende abranger estados e municípios.”

A queda dos juros vem servindo de estímulo para o reforço do cardápio de opções da gestora do grupo BTG Pactual. Além de ter apresentado, nos últimos meses, novidades em fundos multimercados e de ações, a casa prepara o lançamento de veículos de investimentos nas áreas de private equity e infraestrutura lastreados em ativos latino-americanos. “A diversificação também está em alta na grade de produtos imobiliários, que saltou de R$ 3 bilhões para R$ 5 bilhões neste ano”, diz Guardia, que, escorado nessa variedade, vem intensificando os contatos com investidores institucionais. “Os fundos de pensão terão de migrar da renda fixa para aplicações de risco, como ações e fundos imobiliários, para cumprir as suas metas atuariais.”

Estrela Cadente - Na avaliação do CEO da gestora, a recente busca e apreensão de documentos na sede do BTG Pactual, no bojo da operação “Estrela Cadente”, tocada pelo Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF), não causou qualquer impacto na operação e na condução dos negócios. O episódio em questão tem relação com as investigações sobre o fundo de investimentos Bintang, antes administrado pela instituição, cujo gestor é suspeito de ter se aproveitado do vazamento de informações sigilosas sobre variações da Selic na primeira metade da década para obter lucros.

 “Como administradores, não tínhamos nada a ver com a gestão do fundo sob investigação. Só poderíamos intervir caso o gestor não respeitasse a política de investimento”, observa Guardia, que fez referência, ainda, à prisão, em 2015, de André Esteves, sócio do BTG Pactual, por suposta obstrução das investigações da Operação Lava Jato. “Com o passar do tempo, ficou evidente que as acusações contra ele não tinham qualquer fundamento. Os clientes entenderam isso.”

Perspectiva de queda no volume de fusões e aquisições e IPO em 2020

Pesquisa global realizada pelo escritório Baker McKenzie e Oxford Economics, em cooperação com Trench Rossi Watanabe, prevê queda no volume de fusões e aquisições (M&A) e ofertas públicas iniciais de ações (IPO) no Brasil em 2020 comparado a 2019.

Segundo a pesquisa, a previsão é de uma redução de aproximadamente 9% no valor das M&A, de US$ 40,4 bilhões em 2019 para R$ 37 bilhões em 2020. No que se refere a IPOs, o estudo indica redução de 32% nos valores negociados, de US$ 1,46 bilhão para US$ 1 bilhão, na comparação dos dois anos.

De acordo com Lara Schwartzmann, sócia do Trench Rossi Watanabe, "a expectativa de aprovação de importantes reformas para endereçar o déficit fiscal e propiciar um ambiente de negócios mais favorável no país vem impactando positivamente as transações no Brasil. Contudo, as turbulências políticas e econômicas pelas quais os países da América Latina passam afetaram a decisão de investidores estrangeiros que buscavam evitar os riscos de investir no mercado nacional", comenta.