Ações do Itaú-Unibanco ainda não refletem o impacto positivo do IPO da XP

O mercado pode estar sub-avaliando o impacto da abertura do capital da XP Investimentos no valuation das ações do Itaú-Unibanco, que detém 49,9% do capital social dessa distribuidora. A participação da XP pelo Itaú foi comprada dois anos atrás, por R$ 6,3 bilhões. Segundo uma fonte, o IPO da XP nos Estados Unidos, que pode ocorrer ainda este ano, estaria sendo avaliado por bancos de investimento numa faixa que varia entre R$ 60 bilhões e R$ 90 bilhões, valor que se concretizado poderia impactar as ações do seu principal acionista, o Itaú-Unibanco, além daquilo que os mercados já precifiaram. De acordo com essa fonte, o mercado ainda não superou completamente suas frustrações com as restrições impostas no ano passado pelo Cade à assunção do controle da XP pelo Itaú, o que estaria prejudicando uma análise mais objetiva sobre os impactos do IPO da XP no valuation das ações do Itaú.

Delação de Palocci deflagra operação contra BTG Pactual

O BTG Pactual foi alvo de uma operação deflagrada nesta quinta-feira (3/10) pelo Ministério Público Federal (MPF) e Polícia Federal (PF) para investigar supostos vazamentos de informações do Banco Central ao BTG no mercado de juros Selic. A operação levou o nome de Estrela Cadente. Baseda em delação do ex-ministro da Fazenda do governo de Dilma Roussef, Antonio Palocci, a operação investiga se um fundo do banco teria recebido informações privilegiadas do BC sobre as reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) entre 2010 e 2012.

Segundo o MPF, o beneficiado seria um fundo de investimento administrado pelo BTG Pactual, que teria obtido lucros de dezenas de milhões de reais a partir do recebimento dessas informações privilegiadas. As reuniões do Copom, que definem a taxa básica de juros da economia, ocorrem a cada 45 dias.

O BTG Pactual informou, em nota à imprensa, que o fundo investigado é o Bintang FIM. Segundo o banco, "o fundo possuía um único cotista pessoa física, profissional do mercado financeiro que também era o gestor credenciado junto à CVM, que nunca foi funcionário do BTG Pactual ou teve qualquer vínculo profissional com o Banco ou qualquer de seus sócios. O Banco BTG Pactual exerceu apenas o papel de administrador do referido fundo, não tendo qualquer poder de gestão ou participação no mesmo".

O Banco Central informou não ter tido acesso às informações da investigação. "A respeito das informações divulgadas hoje pelo Ministério Público Federal em São Paulo e a Polícia Federal, o Banco Central esclarece que não foi comunicado sobre o conteúdo da Operação Estrela Cadente, que corre sob segredo de Justiça", esclarece a nota do Banco Central.

Quase 15 milhões de pessoas trocam cheque especial rotativo pelo parcelado

Levantamento realizado pela Federação Brasileira de Bancos (febraban) indica que 14,88 milhões de pessoas trocaram o cheque especial rotativo pelo parcelado entre julho de 2018 e agosto deste ano. Segundo o levantamento, apenas em agosto deste ano foram 1,37 milhão de clientes que optaram pela mudança. A opção pela linha de crédito alternativa permitiu a redução dos juros pagos em 76%, uma vez que a taxa média do rotativo em agosto foi de 12,21% a.m., enquanto a do parcelado foi de 2,92% a.m.

A criação do cheque especial parcelado é resultado do normativo da autorregulação bancária sobre o assunto, que passou a valer em 1º de julho do ano passado. De acordo com o documento, os bancos devem sempre manter em oferta linhas de crédito com taxas mais atrativas para os clientes com saldo negativo, e enviar propostas com oferta dessas linhas aos clientes que utilizam mais de 15% do limite do cheque durante 30 dias consecutivos.

Invepar sai da vitrine | Empresas controladas pelos fundos de pensão Previ, Petros e Funcef desiste de encontrar um comprador e diz que vai participar dos leilões de concessão

Participantes dos fundos de pensão Petros (Petrobras), Previ (Banco do Brasil) e Funcef (Caixa Federal) têm acompanhado com interesse redobrado as notícias sobre a Invepar (Investimentos e Participações em Infraestrutura S/A.), investida por essas três fundações e que controla as operações do aeroporto de Guarulhos (SP) e do Metrô do Rio de Janeiro, além de outras como o VLT carioca.
Além dessas três fundações, cada uma com participação de 25% no capital da empresa, ela também tem a participação do recém chegado Fundo de Investimentos em Participação Yosemite – que entrou na sociedade ao comprar a participação da empreiteira OAS, após os problemas que esta última teve por conta da Lava-Jato.
Endividada e com problemas nas suas duas principais operações, o aeroporto de Guarulhos e o Metrô do Rio de Janeiro, a empresa passou os últimos tempos em busca de compradores. Sem conseguir esse objetivo, a Invepar teria então mudado de estratégia e segundo declarações dadas pelo presidente da Funcef, Renato Villela, à imprensa, ela não só não estaria mais à venda mas, ao contrário, estaria agora na posição compradora. Ele explicou que a companhia poderia participar dos próximos leilões anunciados pelo governo, mas essa intenção dependeria, para ser viabilizada, de obter sucesso em seus esforços de encontrar financiamento para suas dívidas, em especial as de curto prazo. Procurado por Investidor Institucional, nem Villela nem os dirigentes das outras fundações quiseram dar entrevista.

Propostas de compra – Entre os interessados na compra da empresa, dois se destacam. O primeiro é um velho conhecido da Invepar, o fundo soberano Mubadala (Abi Dhabi), credor da maior dívida da empresa, no valor de R$ 1,2 bilhão, em mais uma nova tentativa de obter o controle da holding e de suas 11 subsidiárias espalhadas por cinco estados diferentes (São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco e Minas Gerais).
O outro pretendente, o fundo brasileiro IG4, embora tenha tido sua suposta oferta de R$ 1,7 bilhão amplamente divulgada “em off” pela mídia, não foi confirmada pelos fundos, negação reforçada por um Comunicado ao Mercado divulgado pela Invepar em 20 de agosto. No passado a empresa, criada em 2000, já esteve também no alvo do fundo canadense Brookfield e da empreiteira CCR.
Insatisfeitos com a proposta do fundo de Abi Dhabi, considerada abaixo do preço de mercado da companhia (valor não revelado), os sócios-controladores anunciaram que o foco agora era buscar saídas para resolver os problemas de caixa. Segundo uma fonte a par das negociações, a saúde do empreendimento é considerada pelos controladores como fundamental, em especial para a segurança dos mais de 350 mil participantes das fundações e suas famílias.
O maior e mais urgente dos problemas da empresa é a dívida de R$ 1,2 bilhão com o Mubadala, a juros IPCA+12% ao ano, agravado por prejuízos acumulados ao longo do tempo e outras questões como renegociações de dívidas, venda de ativos e busca de novas parcerias.
Previ e Funcef já colocaram R$ 680 milhões na holding para pagar parte da dívida com esse fundo, assim como para viabilizar as operações das concessionárias ao longo de dois anos. Esse valor entrou como empréstimo no balanço da empresa, contribuindo para fechar o 1º semestre do ano com uma dívida líquida de R$ 7.995,9 milhões e um prejuízo no valor de R$ 537,8 milhões.

Liquidez – Um primeiro passo importante no rumo do saneamento foi dado no ano passado. O sucesso das negociações com os fundos Farallon (EUA) e Mubadala para rolar a dívida conseguiu amenizar a falta de liquidez no curto prazo e trouxe outros reflexos positivos, como mostra o mais recente relatório de risco elaborado pela S&P, de junho último.
Segundo relatório, a prorrogação para 2021 de dívidas que venciam em dezembro de 2018, evitou a necessidade de antecipação do pagamento da dívida e contribuiu para manter a classificação de rating da agência em CCC+, que corria sério risco de rebaixamento. Para se ter uma ideia, em 2014 a nota da empresa estava em BB, cinco pontos acima da atual.
A prorrogação do vencimento das dívidas para 2021, entretanto, não foi suficiente para evitar o viés negativo apontado pelo relatório: “Continuamos avaliando a estrutura do capital da empresa como insustentável, uma vez que os dividendos que recebe não são suficientes para honrar o expressivo serviço da dívida”. Álvaro Landi, analista responsável pelo diagnóstico, destaca que, apesar do acordo ter sido fechado, não se pode desconsiderar a necessidade de um refinanciamento em 2021, quando acaba o prazo da renegociação. “O grupo precisa de resultados positivos em eventos cujo sucesso não depende apenas da empresa, incluindo a redução da dívida com recursos provenientes de injeções de capital ou venda de ativos”.

Caixa – Entre as medidas tomadas ou em estudo pela Invepar para equilibrar o caixa estão, além da renegociação da dívida com o Mubadala, a venda de ativos como a concessão Auto Raposo Tavares. Responsável por um trecho total de 834 quilômetros entre as cidades paulistas de Bauru e Presidente Epitácio, sendo 444 quilômetros no eixo principal e 390 quilômetros de vicinais, o complexo passa por 27 municípios e faz conexão com o Mato Grosso do Sul e o Norte do Paraná. É importante principalmente para o transporte de cargas entre as regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste. Com a venda da concessão, a empresa espera conseguir pagar total, ou quase totalmente, a dívida com o fundo de Abu Dhabi.
Uma outra concessionária rodoviária também deverá deixar o portfólio do grupo, mas por outras vias. A empresa já anunciou a intenção de devolver a Via 040 para o governo, no recém aprovado processo de relicitação, que aguarda só mais um passo para entrar em vigor: uma resolução das agências reguladoras sobre a indenização a ser paga pelos novos administradores aos atuais concessionários, para compensar investimentos feitos. O decreto da relicitação foi publicado em agosto, regulamentando a Lei 13.448, de 2017.

Endividamento da Invepar
(em R$ milhões)
Perfil 2ºTri/19 2ºTri/18 Variação
Dívida Bruta 9,726.40 9,669.20 0.60%
Curto Prazo 1,599.30 2,666.00 -40.00%
Longo Prazo 8,127.10 7,003.30 16.00%
Disponibilidades 1,730.60 1,490.90 16.10%
Caixa, equival. e aplic.s financ. 703.6 978.8 -28.10%
Aplicações Financeiras 1,026.90 512.1 100.60%
Dívida Líquida 7,995.90 8,178.30 -2.20%
Fonte: RI da Invepar

 

A Via 040 é responsável pela gestão do trecho de 936,8 quilômetros da BR-040 entre Brasília (DF) e Juiz de Fora (MG). A concessão tem prazo contratual de 30 anos e está no grupo Invepar desde 2014. A principal crítica que a empresa vem recebendo desde que anunciou a intenção de participar da relicitação, é que já arrecadou cerca de R$ 1,3 bilhão em pedágio e não cumpriu compromissos, como a conclusão da duplicação da via.
A concessionária diz que a duplicação não foi concluída porque aguarda os processos de licençamento ambiental. Admite o valor arrecadado mas diz que, no mesmo período, investiu mais de R$ 1,7 bilhão em melhorias do sistema e teve que recorrer a aportes extras dos acionistas no valor de R$ 874 milhões para manter a operação da via. “Como as despesas são maiores que as receitas, há um evidente desequilíbrio econômico-financeiro do contrato”, justifica a Via 040 em nota.

Novas aquisições – Colocar as contas em dia é fundamental para corroborar a intenção manifestada pelos sócios-controladores de fortalecer o consórcio: participar das próximas rodadas de leilões com o objetivo de aumentar e requalificar o seu portfólio de aquisições. Segundo analistas do setor, espera-se que as próximas concessões a vencer apresentem uma geração de caixa mais consolidada, tornando-as ainda mais atraentes.
Para Landi, no entanto, “a posição da empresa hoje ainda não é confiável, não vemos espaço para ela participar dos próximos leilões, ela precisa de liquidez”, diz, reforçando a ideia de que “é melhor vender ativos ou fazer captações para garantir a liquidez”.
Ainda segundo Landi, outro ponto a ser levado em consideração é o ambiente externo, a economia e as perspectivas para os próximos anos, uma vez que as concessões de infraestrutura são longas, numa média de 20 a 30 anos. “Muitas vezes a expectativa quando da compra não se realiza no futuro e isso pode ser um problema”. Uma experiência que a Invepar já conhece com os prejuízos da Via 040.

BC decreta liquidação na Um Investimentos

“Em liquidação extrajudicial”. Esse é o aviso que aparece no site da Um Investimentos, cuja liquidação foi decretada pelo Banco Central na sexta-feira passada (20/09). A liquidação foi anunciada devido “as graves violações às normas legais e regulamentares que disciplinam a atividade da instituição financeira, o comprometimento da situação econômico-financeira, bem como a existência de prejuízos que sujeitam a risco anormal seus credores, conforme consta do Processo Eletrônico nº 154288”.

A Um Investimentos pertencia ao ex-presidente da Bolsa do Rio, Fernando Opitz. Segundo um analista da corretora, a empresa não prestou informações aos funcionários e o celular dos principais executivos estavam desligados desde a data da intervenção. “Estamos totalmente sem informação. Está marcada uma reunião para amanhã na corretora mas não temos certeza se realmente aparecerá alguém da direção da corretora para dar explicações”, comentou essa fonte.

Procurada por esta publicação, a assessoria de imprensa da Um informou que “também fomos pegos de surpresa pela liquidação feita pelo Banco Central na sexta-feira e até agora não recebemos nenhuma informação da corretora para passar aos jornalistas”.

Paraná Banco lança plataforma digital de investimentos

O Paraná Banco faz a sua estreia no concorrido segmento das plataformas digitais de investimentos. O sistema desenvolvido pela instituição do sul do país oferece aplicações em CDBs e fundos de renda fixa e renda variável, com perfis conservador, moderado e agressivo. Os investidores, que tem de realizar aportes a partir de mil reais, receberão relatórios personalizados com análises do desempenho das opções escolhidas e comparações com diversos indicadores de mercado.

Controlada da Luz atinge 5 mil ativos precificados

A Pop BR, provedora de preços para o mercado secundário brasileiro, alcançou a marca de cinco mil ativos precificados diariamente, entre debêntures, certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) e do Agronegócio (CRAs), cédulas de crédito bancário (CCBs) e títulos públicos não tradicionais. Criada em 2015 pela Luz Soluções Financeiras, a Pop BR é voltada especificamente para produtos ilíquidos e sem referência de valor na praça. “Com uma precificação de mercado justa, damos mais transparência e liquidez ao mercado de ativos de crédito, o que é importantíssimo, especialmente num momento, como o atual, em que os investidores estão precisando buscar alternativas para obter maior rentabilidade”, observa o CEO da Luz, Edivar Queiroz. 

 

 

Novatos começam a mostrar serviço | Viabilizados pela CVM há 12 meses, os CRAs ganham espaço no mercado e em plataformas

Ainda em processo de estruturação, o mercado de certificados de recebíveis do agronegócio (CRAs) já exibe sinais de vigor. Viabilizado há exatos 12 meses pela Instrução 600 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), primeira norma a tratar especificamente de CRAs, o segmento contabilizou um volume de emissões da ordem de R$ 6,69 bilhões nos sete primeiros meses do ano, 11,81% a mais do que nos 12 meses de 2018.
“É uma movimentação expressiva e até certo ponto surpreendente”, comenta Flávia Palácios, coordenadora do grupo de trabalho de certificados de recebíveis de imóveis (CRIs) e CRAs da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). “Nada disso seria possível, entretanto, sem a Instrução 600, que estabeleceu regras claras a respeito do lastro desses títulos e sobre a divulgação de informes mensais pelas securitizadoras.”
O passo seguinte, na avaliação de Flávia, será viabilizar a criação de veículos de investimento baseados em CRAs, proposta que já começa a ser discutida em conjunto pela CVM e a Anbima. A ideia tem como referência os fundos imobiliários (FIIs), que contam em escala crescente com CRIs em seus portfólios, e de infraestrutura (FIs-Infra). “A execução, entretanto, não será fácil. Isto porque a legislação só garante isenção na tributação de rendimentos para os portadores de CRAs e não para cotistas de fundos lastreados nesses papéis, ao contrário do que ocorre com os produtos ancorados em CRIs e em debêntures de infraestrutura”, explica a executiva.
Criada em 2016 pelas irmãs Martha e Vitória de Sá em parceria com a amiga Fernanda Mello, a Vert-Capital é uma das estrelas em ascensão nesse novo nicho do mercado de capitais nativo. De janeiro a julho últimos, o negócio estruturou 12 operações de CRAs no valor total de R$ 3,82 bilhões, 70,60% a mais do que o volume registrado em 2018. “As perspectivas são animadoras, pois os produtores agrícolas, que demandam R$ 280 bilhões a cada ano, terão de buscar opções de financiamento para fazer frente à limitação do crédito rural”, diz Martha.
Os CRAs contam também, na ponta compradora do mercado, com o apoio das plataformas de investimentos, que começam a ofertar esses títulos a preços convidativos para aplicadores de menor porte, a exemplo do que já ocorre com os CRIs. Ao contrário destes, no entanto, os certificados de origem rural ainda são solenemente ignorados pelas fundações de previdência. “As entidades de mercado têm pela frente o desafio de apresentar os CRAs aos investidores institucionais, que cumprirão papel decisivo na consolidação desse nicho”, observa Flávia.
Uma experiência que pode servir de referência na abordagem de aplicadores de maior porte começou a ser desenvolvida há cerca de um mês pela RB Investimentos. A asset paulista criou, em sua mesa de operações de renda fixa, um serviço de call de CRAs e CRIs com foco no mercado secundário que vem atraindo de forma crescente o interesse de outras gestoras.
“Até há pouco, as assets compravam CRAs e CRIs e entesouravam os títulos”, comenta o estrategista Daniel Linger. “Agora as próprias gestoras estão interessadas no call para fazer movimentações no mercado secundário. É uma liquidez que, assim que ganhar escala, tende a tornar esses papéis muito mais interessantes aos olhos dos investidores nas emissões.”

Novata passa a dar as cartas | Em atividade há apenas sete anos, a ISEC adquire o controle da Cibrasec e assume, por tabela, o comando do mercado global

A liderança do mercado securitizador nacional acaba de mudar de mãos. A nova líder é a Isec, que assumiu, no fim de julho último, o controle de 100% do capital da ex-número 1, a Companhia Brasileira de Securitização (Cibrasec), numa transação estimada em cerca de R$ 80 milhões. Foi o ponto culminante de uma arrojada expansão que começou a ser delineada no segundo semestre de 2015, exatos três anos após o início das atividades da Isec. “Para se tornar um player de relevo em securitização, é preciso operar, necessariamente, com grandes volumes. Como levaria muito tempo para adquirimos massa por meio de crescimento orgânico, decidimos partir para aquisições e fusões”, comenta o diretor de relações com investidores da Isec, Fernando Pinilha Cruz, que traz no curriculum a participação em uma das primeiras referências do ramo no cenário local, a Brazilian Securities, em 2000.
A arrancada da Isec teve início no terceiro trimestre de 2016. Em 20 de setembro daquele ano, a empresa arrematou 100% das ações da NovaSec e voltou à carga três meses depois, tornando-se controladora integral da Securitizadora de Créditos Imobiliários (SCCI). As duas transações serviram como ensaios para as investidas seguintes, que tiveram como alvos negócios de porte bem maior. O primeiro foi a Brasil Plural Securitizadora, adquirida em dezembro de 2017, que garantiu um salto de 91% na carteira de ativos da Isec, para R$ 3,5 bilhões distribuídos em 74 operações. “A Brasil Plural e a SCCI já foram totalmente absorvidas por nossa estrutura. Já a NovaSec e a sua controlada Beta Securitizadora, anexada em fevereiro de 2018, ainda seguem atuando com seus CNPJs originais”, informa o executivo.
Em paralelo às tratativas com a Brasil Plural, a Isec estabeleceu contatos com uma velha conhecida de Cruz, a Brazilian Securities, controlada desde 2012 pelo BTG Pactual. A abordagem contou até com os serviços de assessoria de um grande banco, encarregado de fazer o meio de campo entre as duas partes, mas as conversações não prosperaram. Diante da negativa, a candidata a compradora pensou grande e voltou suas atenções ao topo do ranking, ocupado pela Cibrasec. Criada em 1997, a companhia contava com 19 acionistas, incluindo a International Finance Corporation (IFC), braço do Banco Mundial voltado ao financiamento do setor privado, e a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). “As negociações deram trabalho, duraram mais de ano e meio. Desde o início, entretanto, percebemos o claro interesse dos sócios da Cibrasec de chegar a um acordo”, observa Cruz.

Musculatura – O negócio garantiu a consolidação da musculatura da Isec. O empreendimento contabiliza hoje 210 operações ativas e R$ 27 bilhões em ativos sob gestão, representando crescimento de pouco mais de 2.200% e 7.000%, respectivamente, em relação a meados de 2016 quando começaram efetivamente as compras. De quebra, multiplicou por cinco o seu quadro de pessoal, para 40 profissionais, e ganhou reforços de peso, casos de Ivo Kos (ex-JP Morgan e NovaSec), Jefferson Pavarin (ex-Brazilian Securities) e do próprio Cruz, que se juntou à equipe no início de 2016. Otimista, a cúpula da casa prevê um forte aquecimento da demanda por Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e do Agronegócio (CRAs) com o avanço das reformas estruturais na economia. “A retomada do crescimento passará pelo mercado de capitais”, prevê Cruz.
O plano de voo da ISEC prevê um trabalho de aproximação gradual dos investidores institucionais, que começam a descobrir os CRIs, graças aos fundos de investimentos imobiliários (FIIs), mas ainda ignoram quase que por completo os CRAs. No momento, contudo, a aposta da securitizadora está centrada nas pessoas físicas, que vêm garantindo forte crescimento às aplicações lastreadas em imóveis, por intermédio de uma nova plataforma de investimento, a Expeer. “Já estamos captando recursos em operações de crowdfunding para o financiamento de projetos imobiliários na zonal sul de São Paulo. A intenção é criar uma linha de produtos para atender aplicadores e incorporadoras”, assinala o diretor de relações com investidores.”

Cresce ritmo de investimentos em venture capital

O ritmo dos investimentos dos fundos de venture capital neste ano supera o do ano passado, quando foram registrados aportes de R$ 6 bilhões, numa média de R$ 500 milhões mensais. Neste ano, apenas no primeiro semestre, os investimentos dos fundos de venture capital já atingem $ 3,4 bilhões, numa média de R$ 566 milhões por mês.

Os números fazem parte de levantamento feitos pela Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP) e da KPMG e divulgado durante a 6ª Conferência de Venture Capital da ABVCAP, realizada em 12 e 13 de agosto em Florianópolis (SC). A se manter esse ritmo, os investimentos no segmento podem alcançar R$ 6,8 bilhões até o final do ano.

Os fundos de venture capital investiram em 98 empresas nestes primeiros seis meses do ano, sendo 21 FinTechs e InsurTechs, as startups das áreas financeira e de seguros. O segundo setor que mais obteve investimentos de fundos de venture capital foi o de softwares, com 13 startups recebendo aportes. Já 7 startups de transporte e mobilidade receberam recursos.

"O ecossistema de venture capital está atingindo sua maturidade no Brasil e tem atraído cada vez mais investidores estrangeiros, liderando os principais rounds de investimento nas startups brasileiras", afirmou Piero Minardi, Presidente da ABVCAP, na abertura da Conferência. "Os avanços na regulamentação, como o marco legal das startups e a MP da Liberdade Econômica, darão mais segurança jurídica para empreendedores e investidores."