Ex-diretor do BC projeta queda de 1% no PIB deste ano e 4% em 2021

Reinaldo LeGrazieCompleta incerteza e uma enorme falta de liquidez, no Brasil e no mundo, são os principais motivos pelos quais as bolsas de valores desabaram nos últimos dois meses, desde que a pandemia do coronavirus começou a ganhar corpo na China. Ao final de janeiro o Ibovespa estava em 119 mil pontos, levando os investidores mais otimistas a falarem que a barreira dos 120 mil pontos seria rompida facilmente e que o mercado iria testar então a barreira os 130 mil.

A realidade mostrou-se bem diferente, com o Ibovespa mergulhando desde então e atingindo a marca de 63,5 mil pontos em 23/03, ganhando alguma tração a partir dai (fechou em 69,7 mil pontos em 24/4/03) mas ainda longe de sinalizar uma tendência clara de recuperação. Segundo o ex-diretor de política monetária do Banco Central e sócio da gestora Panambi, Reinaldo Le Grazie, os dois elementos que fizeram as bolsas caírem, que são a incerteza e a absoluta falta de liquidez, se mantém em cena.

O ex-diretor do BC projeta um Produto Interno Bruto (PIB) negativo para este ano, na faixa de menos 1%, que deverá ser compensado com um crescimento de 4% a 5% em 2021. Segundo le Grazie, o crescimento do ano que vem é meramente estatístico, explicando que o que deixa de ser entregue neste ano por conta da crise será entregue no ano que vem. Ele avalia que os segmentos mais afetados pela queda do PIB neste ano serão, principalmente, o comércio e a atividade imobiliária. Mas esses dois segmentos serão, também, os primeiros a se recuperarem em 2021.

A falta de liquidez que prejudica as bolsas também está afetando o mercado de títulos, que passa a oferecer taxas mais interessantes tanto em títulos privados quanto públicos. O problema é que poucos investidores possuem hoje liquidez para aproveitar essas oportunidades. “Tem alguns fundos de crédito comprando, mas não muito pois eles também foram pressionados por movimentos de resgate”, explica o ex-diretor do BC.

Em relação ao câmbio, que bateu em R$ 5,10 por dólar em 24/03 e operava em baixa na manhã de hoje (25/03), le Grazie avalia que acima de R$ 5,00 por dólar o câmbio está barato e haverá demanda. Segundo ele, aversão ao risco e conta corrente ruim são os dois motivos que explicam a escalada do câmbio e a ultrapassagem da barreira dos R$ 5,00.