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Rio Quente compra complexo de Sauípe | Empreendimento, que passou anos dando prejuízos à Previ, terá estratégia visando o lucro 

Edição 298

 

O Grupo Rio Quente, que controla um dos maiores complexos de turismo brasileiro localizado no munic√≠pio goiano de Rio Quente, comprou por R$ 140 milh√Ķes o empreendimento hoteleiro Costa do Sau√≠pe da Previ. Localizado no litoral baiano √† uma dist√Ęncia de 76 quil√īmetros da cidade de Salvador (BA), Sauipe foi inaugurado no ano 2000 e h√° anos apresenta preju√≠zos para a Previ, que em v√£o vinha tentando repass√°-lo a algum operador do ramo.
Projetado pelo grupo Odebrecht, Sauipe recebeu aportes da Previ que passou a deter 100% do empreendimento. Nunca se divulgou exatamente quanto foi investido na obra, mas analistas apontam que o custo foi superior ao valor de mercado da obra, que tem 1.564 apartamentos distribu√≠dos em cinco resorts numa √°rea de 170 hectares do litoral baiano. Os resorts eram operados por tr√™s operadoras: a americana Marriott, que assumiu dois hot√©is com as bandeiras Marriott e Renaissance; a Accor, com outros dois da marca Sofitel, e a jamaicana SuperClubs. Em 2007, uma empresa criada pelo pr√≥prio complexo hoteleiro, a Sauipe SA, assumiu as opera√ß√Ķes.
Segundo um relat√≥rio feito √† √©poca pela Angra Partners, foram dois os principais problemas de Sauipe: de um lado a entrega das opera√ß√Ķes a tr√™s bandeiras diferentes, que acabavam competindo entre si pelo mesmo cliente, ampliando gastos e oferecendo descontos em busca da prefer√™ncia do cliente mas inviabilizando o retorno para o investidor. Esse problema foi resolvido quando a Sauipe SA, na √©poca com o nome de Sauipe Hot√©is & Resort (SHR), assumiu as opera√ß√Ķes dos hot√©is. O segundo problema foi a constru√ß√£o da obra em uma tacada s√≥, ao inv√©s de construir por partes que faria com que a rentabilidade de uma opera√ß√£o sustentansse o investimento das etapas seguintes do empreendimento.
Com esse hist√≥rico, Sauipe manteve-se como um elefante branco no portf√≥lio de investimentos imobili√°rios da Previ, acumulando anos seguidos de preju√≠zos. Nos primeiros nove meses de 2017, para uma receita operacional de 150 milh√Ķes o empreendimento acumulava preju√≠zos de R$ 22 milh√Ķes. Na mesma √©poca, a d√≠vida da opera√ß√£o era de R$ 9,6 milh√Ķes, segundo o balan√ßo da empresa.
A opera√ß√£o de venda foi coordenada pela consultoria JLL, que montou uma disputa com vinte competidores. A oferta do Grupo Rio Quente foi a melhor e foi aceita pela funda√ß√£o dos funcion√°rios do Banco do Brasil. A negocia√ß√£o foi finalizada e encaminhada ao Cade, o √≥rg√£o que analisa transa√ß√Ķes desse tipo para evitar monop√≥lios e preju√≠zos √† concorr√™ncia. E a preocupa√ß√£o tem fundamento: juntas, as duas opera√ß√Ķes passam a representar o maior complexo hoteleiro de lazer do Brasil, com 2.700 apartamentos, 4 mil funcion√°rios e 1,9 milh√£o de visitantes por ano. ‚Äú√Č mais ou menos como a fus√£o da Brahma e da Antarctica, que criou a Ambev‚ÄĚ, diz o presidente do Grupo Rio Quente, Francisco Costa Neto.

Estrat√©gia ‚Äď O Rio Quente deve assumir as opera√ß√Ķes assim que o Cade se manifestar, o que deve acontecer no primeiro trimestre de 2018. Segundo Neto, a estrat√©gia de neg√≥cios √© explorar a sinergia entre os dois grupos para levar Sauipe ao lucro, al√©m de adotar no complexo baiano algumas f√≥rmulas que se provaram de sucesso no complexo goiano. Hoje Sau√≠pe fatura basicamente com sua hotelaria, sem receitas do parque aqu√°tico e com uma receita apenas marginal de time-share. A id√©ia √© mudar isso, adotando o modelo do Rio Quente, que tem receitas significativas provenientes dessas tr√™s √°reas, hotelaria, parque aqu√°tico e time-share. Isso, junto com as sinergias naturais da fus√£o de duas grandes opera√ß√Ķes, devem colocar Sauipe no lucro. ‚ÄúPara uma receita projetada de R$ 678 milh√Ķes em 2018, esperamos j√° a contribui√ß√£o de um pequeno lucro da Costa do Sau√≠pe‚ÄĚ, diz Neto.
Para montar a opera√ß√£o de compra de Sauipe o Rio Quente contou com a assessoria da Cypress, na estrutura financeira, e da Mapie, na √°rea de hospitality. A diretora da Mapie, Carolina Sass de Haro, acredita que a opera√ß√£o tem muitas sinergias, dando ao cliente fidelizado do Rio Quente que mora no interior uma alternativa de lazer no litoral, e dando ao cliente de Sauipe do litoral uma alternativa de lazer no interior. ‚ÄúS√£o opera√ß√Ķes complementares‚ÄĚ, diz.
Ela destaca que o turismo de lazer no Brasil voltou a crescer em 2017, sendo o primeiro ano da crise que os resultados s√£o superiores ao ano anterior. ‚ÄúOs resultados de 2014 foram piores do que 2013, os de 2015 foram piores que 2014 e os de 2016 foram piores do que 2015, mas no acumulado de 2017 os resultados s√£o ligeiramente superiores a 2016‚ÄĚ, diz. ‚ÄúA curva inverteu‚ÄĚ.
Ainda de acordo com Carolina, o complexo Rio Quente Sauipe vai se configurar como o 17¬ļ rede hoteleira do Pa√≠s, com 2.700 apartamentos. A rede hoteleira do Brasil conta com 537 mil apartamentos.

Novas emiss√Ķes no mercado | Gestores aproveitam a valoriza√ß√£o de ativos em estoque e queda da taxa de juros e fazem novas emiss√Ķes no mercado imobili√°rio

Edição 297

 

O mercado já começa a sentir um realinhamento dos portfólios por conta da queda das taxas de juros, que traz o investidor de volta ao risco, e nesse realinhamento os fundos imobiliários aparecem com destaque pela perspectiva de valorização dos ativos em estoque ou pelas oportunidades no mercado secundário. Os fundos imobiliários despontam com mais força junto ao investidor pessoa física, que está no começo da curva de diversificação e começa a buscar produtos mais sofisticados, mas começa a despertar o interesse também dos investidores institucionais.
Segundo a Aditus, consultoria de investimentos que acompanha o mercado de im√≥veis, embora o juro real seja ainda elevado no Brasil a perspectiva √© que caia ainda mais at√© o final do ano e isso gera um ‚Äúcusto de oportunidade‚ÄĚ para migrar do CDI para outros ativos. Adicionalmente, pessoas f√≠sicas com parte da carteira em Letra de Cr√©dito Imobili√°rio (LCI) j√° viram os investimentos vencerem sem lastro para renovar, ou com renova√ß√£o com base em um CDI mais baixo. A mesma realidade √© apresentada ao investidor institucional. ‚ÄúPrecisamos de produtos mais voltados para esse p√ļblico, que observe mais o prazo de investimento dos ativos-base‚ÄĚ, diz o consultor da Aditus, Nathan Batista. ‚ÄúPara lidar com os institucionais, o gestor tem que ter uma preocupa√ß√£o com o risco dos ativos. N√£o correr risco de cr√©dito, por exemplo, √© um fator importante‚ÄĚ. O consultor d√° destaque para fundos imobili√°rios de gera√ß√£o de renda e fundos de fundos, que geram liquidez.
O BTG Pactual √© uma das assets que est√° apostando na volta desse mercado e recentemente fez uma emiss√£o de R$ 120 milh√Ķes para um fundo de fundos. ‚ÄúA tese do fundo de fundos √© a valoriza√ß√£o da ind√ļstria‚ÄĚ, diz o diretor de real estate do BTG Pactual, Fernando Crestana. ‚ÄúJ√° alocamos mais de 50% do capital dessas emiss√Ķes, sendo a maior parte disso no mercado secund√°rio. Uma das ofertas foi um fundo de shopping, e uma segunda posi√ß√£o importante que fizemos foi em um fundo de Certificados de Receb√≠veis Imobili√°rios (CRI)‚ÄĚ, destaca o gestor.
A Riviera Investimentos tamb√©m est√° fazendo assessoria para a estrutura√ß√£o de um fundo de CRI. A gestora prepara ainda uma nova capta√ß√£o para o fundo imobili√°rio Rio Quente, que foi lan√ßado no in√≠cio do ano, mas teve sua oferta retirada pois a gestora achou que ainda n√£o estava na hora de uma capta√ß√£o mais agressiva. ‚ÄúVoltaremos com ele, com o mesmo ativo hoteleiro e um lastro puramente imobili√°rio, com contrato de loca√ß√£o‚ÄĚ, diz o s√≥cio da Riviera respons√°vel pela √°rea de real estate, Felipe von Zuben. ‚ÄúEsse √© um movimento macroecon√īmico puro‚ÄĚ, complementa.

Contratos at√≠picos ‚Äď A GGR, por sua vez, apostou na reabertura para capta√ß√£o de um fundo de contratos at√≠picos lan√ßado em abril deste ano. Segundo Nathan Batista, da Aditus, esse fundo foge um pouco do padr√£o tradicional, pois trabalha com ativos de log√≠stica e com contratos longos, de dez anos, com possibilidade de ganhos maiores. De acordo com Batista, num contrato at√≠pico pode existir a vac√Ęncia f√≠sica (im√≥vel vazio) mas n√£o h√° a vac√Ęncia financeira, uma vez que a multa pela quebra de contrato √© o valor restante de todo o contrato. O fundo da GGR, que j√° tem entre seus cotistas a funda√ß√£o Metrus, j√° rende aproximadamente 25% e novas reaberturas para capta√ß√£o est√£o previstas ao longo de 2018. Por estar em per√≠odo de sil√™ncio por conta da oferta em andamento, a GGR n√£o se manifestou.
Segundo Felipe von Zuben, da Riviera Investimentos, a melhor estrat√©gia para os investidores √© aquela que d√° lastro aos investimentos, ou seja, traz uma garantia √† transa√ß√£o sem gerar uma sensa√ß√£o de euforia pelo reaquecimento do mercado. ‚ÄúLastro em contrato at√≠pico √© bom, pois √© um ativo que tem uma precifica√ß√£o diferente e din√Ęmica de rescis√£o diferenciada. Pensando como investidor, eu procuraria hoje um fundo com contratos at√≠picos e bons nomes‚ÄĚ, destaca.

Vac√Ęncia ‚Äď A vac√Ęncia do mercado ainda √© grande. Segundo a Aditus, no Rio de Janeiro a vac√Ęncia pode chegar a 40%. ‚ÄúO mercado ainda tem um estoque pra ser consumido, pois est√° mais ofertado do que demandado‚ÄĚ, diz Nathan Batista. Ainda assim, a leitura √© que est√° come√ßando a haver uma inflex√£o. ‚ÄúOs gestores est√£o apostando nisso e antecipando essa inflex√£o. O mercado est√° come√ßando a fazer um movimento de retomada, mesmo que ainda tenha mais oferta ou que os descontos sejam altos. Mas a tend√™ncia √© isso mudar‚ÄĚ, ressalta o consultor da Aditus.
Apesar do mercado apresentar um grande estoque de im√≥veis desocupados, os gestores acreditam que a oportunidade est√° justamente em reaproveitar esses ativos. Por conta disso, dificilmente ser√£o vistos no mercado fundos voltados para a constru√ß√£o de novos im√≥veis. ‚ÄúO retorno do mercado imobili√°rio se baseia na utiliza√ß√£o de im√≥veis existentes, e n√£o na constru√ß√£o de um novo im√≥vel. Os CRIs, por exemplo, compram shoppings e galp√Ķes que existem‚ÄĚ, diz o diretor-geral da FAR - Fator Administra√ß√£o de Recursos, Paulo Gala. ‚Äú√Č uma reciclagem propriet√°ria‚ÄĚ, complementa.
Segundo Gala, muitos propriet√°rios buscam se desfazer de im√≥veis gerando oportunidades de neg√≥cios para gestores. ‚ÄúN√£o temos uma onda de constru√ß√£o de im√≥veis, estamos num movimento de utiliza√ß√£o de im√≥veis que j√° foram constru√≠dos. E os gestores enxergam uma volta de valoriza√ß√£o e utiliza√ß√£o desses im√≥veis‚ÄĚ, destaca o diretor da FAR. Ele diz ainda que h√° no mercado ativos bons e bem remunerados, acima da infla√ß√£o. ‚ÄúAl√©m disso, na medida em que a economia come√ßa a retomar, ainda que a passos lentos e graduais, im√≥veis como galp√Ķes log√≠sticos ou comerciais, shopping center, condom√≠nios e loteamentos come√ßam a ser valorizados e utilizados‚ÄĚ, afirma.
Fernando Crestana, do BTG Pactual, tamb√©m diz que a vac√Ęncia j√° est√° razoavelmente estabilizada e, sem um novo choque de oferta, a absor√ß√£o desse mercado ser√° mantida em um patamar positivo. ‚ÄúPassamos por um momento de choque de ofertas, principalmente em S√£o Paulo, mas entendemos que √© uma quest√£o de tempo para vac√Ęncia reduzir. Assim, teremos o ajuste de loca√ß√£o, e por consequ√™ncia o ajuste de pre√ßo. E j√° estamos antecipando um momento de valoriza√ß√£o de ativos‚ÄĚ, ressalta Crestana.

Dessa vez vai? | Mercado lan√ßa FIDCs de infraestrutura para suprir d√©ficit de investimentos que existe nessa √°rea, que hoje alcan√ßa cerca de R$ 50 bilh√Ķes anuais

Estudo do Banco Mundial mostra que, em consequ√™ncia da falta de investimentos, a qualidade da infraestrutura brasileira degradou-se consideravelmente nos √ļltimos anos. H√° uma d√©cada apenas 80 pa√≠ses estavam √† frente do Brasil em termos de qualidade de infraestrutura, mas essa posi√ß√£o veio se deteriorando ano a ano e hoje mais de 110 pa√≠ses est√£o √† nossa frente. Para recuperar essa qualidade o Brasil precisaria investir cerca de R$ 150 bilh√Ķes anuais, cerca de 50% acima dos R$ 100 bilh√Ķes que s√£o investidos atualmente.

Como o estado n√£o tem recursos, em virtude de um d√©ficit fiscal que s√≥ este ano chega a R$ 159 bilh√Ķes, uma das sa√≠das √© repassar parte dessas atividades para a iniciativa privada. O BNDES lan√ßou no ano passado uma licita√ß√£o para constitui√ß√£o de um fundo, em parceria com gestores privados, para investir R$ 500 milh√Ķes em projetos de infraestrutura na √°rea de energia renov√°vel. Uma dezena de empresas se candidataram √† gest√£o desse fundo, e em meados de setembro o banco p√ļblico divulgou o escolhido, que foi a Vinci Partners.

A gestora far√° a gest√£o desse fundo de R$ 500 milh√Ķes, dos quais metade ser√£o aportados pelo BNDES e a outra metade ser√£o buscados no mercado junto a investidores institucionais. O fundo, um FIDC de deb√™ntures emitidas por SPEs (Sociedades de Prop√≥sitos espec√≠ficos), vai financiar projetos de infraestrutura na √°rea de energia renov√°vel como linhas de transmiss√£o, gera√ß√£o por usinas e√≥licas etc. Assim que soube da not√≠cia de que a gestora tinha ganho a concorr√™ncia, o s√≥cio da gestora, Marcelo Rabbat, preparou a mala e come√ßou a visitar os potenciais investidores, que s√£o os fundos de pens√£o, previd√™ncia aberta e seguradoras.

De acordo com ele, os investidores institucionais s√£o o p√ļblico apropriado para investimentos nesse tipo de projeto, uma vez que possuem recursos de longo prazo casados com compromissos tamb√©m de longo prazo. Com a queda da taxa de juros, grande parte das aplica√ß√Ķes que estavam em NTNBs v√£o ter que ser realocadas, pois o pr√™mio dessas aplica√ß√Ķes j√° n√£o paga o atuarial dos fundos. Segundo Rabbat, a tend√™ncia √© que as funda√ß√Ķes aloquem uma parte significativa de suas carteiras em ativos de mais risco, como acontece em fundos de pens√£o da maior parte do mundo.

 

Segundo momento ‚Äď Mas segundo a l√≠der da √°rea de clientes institucionais da Tag Investimentos, Francisca Brasileiro, embora seja correta a an√°lise de que os institucionais devem buscar mais risco com a queda da taxa de juros, os investimentos em infraestrutura n√£o devem ser inclu√≠dos nas principais op√ß√Ķes num primeiro momento. Segundo ela, h√° outras aloca√ß√Ķes que s√£o mais f√°ceis num primeiro momento. ‚ÄúOs institucionais v√£o olhar em primeiro lugar para a renda vari√°vel e talvez at√© para algumas classes de im√≥veis, acho que fundos de private equity e os FIDCs com SPE s√£o interessantes mas eles devem ficar para um segundo momento‚ÄĚ, diz. Ainda de acordo com Francisca, uma barreira que os investimentos em infraestrutura ter√£o que superar ser√° a das garantias a serem colocadas nos projetos, de forma a impedir a interfer√™ncia do governo na pol√≠tica das empresas investidas. Ela lembra que, no passado recente, a interfer√™ncia do governo em pre√ßos e tarifas de √°reas reguladas acabaram afetando empresas investidas por fundos e reduziram sua TIR (Taxa Interna de Retorno). ‚ÄúTudo isso vai ter que ser explicado ao investidor‚ÄĚ.

Segundo Rabbat, essa √© a vantagem de investir em infraestrutura atrav√©s de um fundo, j√° que geralmente esse tem equipes especializadas para olhar todos os aspectos regulat√≥rios da √°rea e das empresas investidas. Ele lembra que a Vinci tem como s√≥cios Gilberto Say√£o e Alessandro Horta, que quando ainda faziam parte do BTG Pactual coordenaram os investimentos do banco na Equatorial Energia, que opera distribuidoras de eletricidade no Maranh√£o e Par√°. Ao criarem a Vinci, trouxeram com eles os fundos da Equatorial Energia. ‚ÄúEles conhecem muito bem essa √°rea‚ÄĚ, diz Rabbat.

De acordo com ele, a equipe da Vinci j√° est√° conversando com uma dezena de SPEs com vistas a fazer investimentos nessas empresas. A expectativa de retorno do fundo, que possui rating duplo A dado pela Fitch, √© de 150 a 250 basis point acima da NTNB. ‚ÄúAcredito que haja demanda para produtos como o nosso fundo, com a queda da taxa de juros os institucionais ter√£o que buscar alternativas de investimento de mais longo prazo‚ÄĚ, diz. Segundo ele, ‚Äúou o investidor alonga o prazo e mant√©m o rating da entidade ou se mant√©m no curto prazo e aceita colocar um risco maior na carteira‚ÄĚ.

 

Rating e pr√™mios ‚Äď Na opini√£o de Luiz Eug√™nio Figueiredo, respons√°vel pela √°rea de private equity da BNP Paribas Asset Management, a combina√ß√£o de um bom rating com bons pr√™mios na rentabilidade ser√° fundamental para definir a aceita√ß√£o dos projetos de infraestrutura junto aos institucional. O BNP tamb√©m est√° lan√ßando, at√© o final do ano, um FIDC de deb√™ntures de infraestrutura. A meta √© captar R$ 500 milh√Ķes, sendo que R$ 25 milh√Ķes de recursos pr√≥prios e R$ 25 milh√Ķes do Banco de Desenvolvimento da Am√©rica Latina, o CAF, j√° est√£o acertados. A gestora tamb√©m est√° conversando com o BNDES para um poss√≠vel aporte da institui√ß√£o.
Assim como o fundo da Vinci, o FIDC da BNP ser√° direcionado a projetos de infraestrutura desenvolvidos por SPEs, incluindo as √°reas de parques e√≥licos, transmiss√£o de energia, saneamento b√°sico, tratamento de √°gua, aeroportos, rodovias etc. ‚ÄúH√° muita demanda por investimentos nesses segmentos e hoje o governo n√£o consegue atender, o que abre espa√ßo para a iniciativa privada‚ÄĚ, explica Figueiredo. ‚ÄúPor serem projetos de longo prazo, de oito, dez, doze anos, eles podem proporcionar uma rentabilidade bastante superior √† das NTNBs‚ÄĚ.

Um dos fantasmas que assustavam os institucionais era a isen√ß√£o tribut√°ria oferecida aos investidores pessoas f√≠sicas nas negocia√ß√Ķes com deb√™ntures incentivadas. Havia o temor de que a entrada desses investidores no mercado pudesse achatar os pr√™mios dos pap√©is, que desceriam ao n√≠vel zero em rela√ß√£o √†s NTNBs ou at√© negativo em alguns casos. Entretanto, a regulamenta√ß√£o da Comiss√£o de Valores Mobili√°rios estabeleceu uma diferencia√ß√£o entre debentures incentivadas emitidas por empresas de capital aberto, que podem ser compradas por pessoas f√≠sicas, e deb√™ntures incentivadas de SPE, vedadas a pessoas f√≠sicas e direcionadas exclusivamente √† investidores qualificados atrav√©s de FIDCs. As corporativas s√£o regidas pela instru√ß√£o CVM n¬ļ 400 e as SPE pela instru√ß√£o CVM n¬ļ 476.

Com isso, afasta-se o risco de uma deteriora√ß√£o dos pr√™mios das deb√™ntures incentivadas voltadas aos institucionais, explica Figueiredo. Segundo ele, a car√™ncia de projetos de infraestrutura no Brasil deve abrir muitas oportunidades para os institucionais nos pr√≥ximos anos. Ele lembra que, no passado recente, quando as taxas de juros ca√≠ram para menos de um d√≠gito os fundos de pens√£o demoraram para se posicionar em ativos estrat√©gicos e quando finalmente entenderam que teriam que fazer isso j√° n√£o encontraram dispon√≠veis os de melhor qualidade. Na sua opini√£o, dessa vez os fundos de pens√£o n√£o cometer√£o esse erro. ‚ÄúAcho que esse tipo de ativo mais estrat√©gico, de longo prazo, vai ter demanda logo de in√≠cio‚ÄĚ, diz. ‚ÄúOs institucionais n√£o v√£o ter a mesma hesita√ß√£o nesse novo ciclo da queda de juros‚ÄĚ.

 

Planos maduros ‚Äď Mas para o presidente da Funda√ß√£o Fibra, Sylvio Rangel, o mantra de que os institucionais s√£o os investidores de longo prazo por excel√™ncia precisa ser requalificado. Em primeiro lugar porque os planos mais adequados a esses investimentos de longo prazo s√£o os de Benef√≠cio Definido (BD), e esses hoje s√£o desinvestidores l√≠quidos e n√£o mais investidores. Segundo Rangel, quase todos os BDs est√£o maduros, numa fase em que pagam mais benef√≠cios do que recebem contribui√ß√Ķes. S√£o cerca de R$ 35 bilh√Ķes saindo anualmente desses planos.

J√° os planos de Contribui√ß√£o Definida possuem um horizonte mais curto de investimento, sendo dif√≠cil pensar neles alocando por um prazo de oito, dez, doze anos. Al√©m disso, a pol√≠tica de investimento de grande parte deles n√£o permite esse tipo de aloca√ß√£o, tendo que ser modificadas para viabilizar os investimentos. Segundo Rangel, o ideal seria criar uma vers√£o incrementada das deb√™ntures incentivadas, que oferecessem condi√ß√Ķes mais adequadas √†s necessidades dos fundos de pens√£o, por exemplo come√ßando a pagar j√° no in√≠cio de funcionamento da opera√ß√£o e enquanto esse momento n√£o chegasse as empresas pagariam cupons semestrais. Segundo ele, uma discuss√£o nesse sentido chegou a ser levantada junto ao BNDES e Banco Mundial, mas n√£o evoluiu.

Para Rangel, o mantra de que os institucionais s√£o investidores de longo prazo as vezes acaba mascarando a realidade de que eles devem, fundamentalmente, buscar as aplica√ß√Ķes mais rent√°veis e mais seguras para suas carteiras. ‚ÄúN√£o temos que fazer o papel do BNDES‚ÄĚ, diz. De acordo com ele, ‚Äúcada opera√ß√£o de infraestrutura √© diferente da outra, assim como cada FIDC √© diferente do outro, temos que olhar um a um‚ÄĚ.

√Ä exemplo de Francisca Brasileiro, da Tag Investimentos, Rangel tamb√©m lembra da quest√£o regulat√≥ria, que tem que ser trazida para o risco do neg√≥cio. ‚ÄúIsso √© uma coisa que deve ser bem analisada, pois pode afetar a rentabilidade dos projetos e das arteiras das funda√ß√Ķes‚ÄĚ, avalia. Al√©m disso, ele lembra os insucessos dos fundos envolvidos na opera√ß√£o Greenfield, da Pol√≠cia Federal, como Sete Brasil e FIP Florestal. Na sua opini√£o, ‚Äúesses insucessos tamb√©m podem comprometer os novos lan√ßamentos‚ÄĚ.
De acordo com ele, embora seja correto avaliar que a queda da taxa de juros deve levar os institucionais a tomar mais risco nas carteiras, as aloca√ß√Ķes de mais risco podem ir para diversos setores. ‚ÄúTenho minhas d√ļvidas com rela√ß√£o √† demanda para essa √°rea de infraestrutura‚ÄĚ, afirma. ‚ÄúN√£o √© que n√£o haver√° nenhuma demanda, acho que tem, mas acho que ela est√° sendo superestimanda‚ÄĚ.

Pente fino nos FIPs | Com v√°rios casos de investimentos mal sucedidos recentemente, gestores devem ter dificuldades para captar junto aos institucionais no curto prazo

Edição 294

 

Em raz√£o de algumas experi√™ncias ruins com investimentos mal sucedidos em fundos de participa√ß√Ķes nos √ļltimos anos, principalmente aqueles que alocaram em empreendimentos do setor de √≥leo e g√°s, al√©m de perdas em fundos de gestores sem experi√™ncia ou mal intencionados, os fundos de pens√£o est√£o pouco propensos a alocar no setor no curto prazo.
Segundo o vice-presidente da Abvcap e s√≥cio-diretor da Warburg Pincus, Piero Minardi, novas capta√ß√Ķes de recursos de investidores institucionais para fundos de private equity devem ser prejudicadas pelo desempenho ruim do setor no passado recente. Enquanto o investidor local sofreu bastante com o baixo retorno dos investimentos via a vis a taxa de juros interna, do lado do estrangeiro a volatilidade da moeda prejudicou o retorno dos fundos captados em d√≥lar. ‚ÄúN√£o foi um per√≠odo brilhante para a ind√ļstria de private equity no Brasil. Pouca gente que captou em d√≥lar vai poder contar boas hist√≥rias‚ÄĚ, diz o especialista.
Por√©m, os fundos j√° captados e com recursos em caixa seguem em busca de oportunidades no mercado brasileiro, ainda que uma dose maior de cautela seja necess√°ria diante da atual crise pol√≠tica e do impacto que essa possa trazer ao horizonte de investimento de longo prazo. Minardi ressalta que a pr√≥pria Warburg Pincus segue ativa no mercado, tendo negociado no in√≠cio de junho um aporte da G√°vea na GPS, permitindo que essa √ļltima comprasse a empresa de seguran√ßa Graber. Com isso a GPS, uma empresa de servi√ßos e limpeza que j√° tinha a Warburg Pincus como s√≥cia, passou a ter dois fundos de investimento como s√≥cios.
Já para os fundos de private equity que precisam fazer captação para realizar novos investimentos, o vice-presidente da Abvcap prevê uma dificuldade maior. Segundo Minardi, será difícil convencer os investidores a aportar recursos em projetos de longo prazo em um ambiente com elevado nível de incertezas.
Mas apesar do progn√≥stico n√£o t√£o animador para o segmento, o profissional da Warburg Pincus estima que existem hoje aproximadamente US$ 10 bilh√Ķes em recursos, principalmente de estrangeiros, em busca de oportunidades para alocar em private equity no Brasil. As estimativas oficiais da Abvcap d√£o conta de que o mercado brasileiro de private equity gira algo em torno de R$ 150 bilh√Ķes, montante que considera o capital captado e investido e tamb√©m o comprometido mas ainda n√£o captado.

Crise econ√īmica ‚Äď Para Pedro Guimar√£es, s√≥cio do Brasil Plural respons√°vel pela √°rea de ativos il√≠quidos do grupo, n√£o s√£o apenas os problemas econ√īmicos que explicam as dificuldades de muitos FIPs. Segundo ele, embora uma parte dos problemas tenha rela√ß√£o com a crise econ√īmica que o pa√≠s ainda atravessa, uma outra parte tamb√©m relevante se deve ao trabalho que n√£o foi bem feito pelos profissionais de mercado contratados para esse fim. ‚ÄúEsse movimento de os investidores ganharem confian√ßa de novo nesse mercado, na capacidade de gest√£o das casas, √© fundamental. Isso √© um processo de sele√ß√£o natural, alguns gestores t√™m a confian√ßa no mercado mas outros perderam, e inclusive tem v√°rios gestores que tiveram de deixar o mercado‚ÄĚ.
Os 12 FIPs que o Brasil Plural tem sob gest√£o, somando R$ 15 bilh√Ķes em valor de face, foram absorvidos a cerca de um ano e meio de outras assets que tiveram problemas no passado recente. Segundo Guimar√£es, uma grande parte desses fundos tem funda√ß√Ķes como cotistas. ‚ÄúNo entanto, apesar da crise, podemos dizer que o cen√°rio macro n√£o foi fator determinante nos resultados dos fundos que assumimos, uma vez que a situa√ß√£o deles j√° era complexa‚ÄĚ, explica.
Para Bruno Zaremba, s√≥cio da Vinci Partners, o cen√°rio macro dos √ļltimos meses at√© contribuiu para desempenho da √°rea de private equity da asset, √† medida que os controladores das empresas investidas se mostraram mais receptivos √†s sugest√Ķes de implementa√ß√£o de melhorias sugeridas pelos s√≥cios da gestora. ‚ÄúO ambiente econ√īmico brasileiro recente refor√ßou a convic√ß√£o que temos em nosso modelo de atua√ß√£o, bastante participativo, entrando nas empresas e ajudando a equipe de gest√£o a promover mudan√ßas‚ÄĚ. Com esse tipo de trabalho, mesmo durante o per√≠odo de recess√£o prolongado, as companhias investidas pela Vinci entregaram retornos satisfat√≥rios, afirma Zaremba.
‚ÄúComo estamos entrando agora em um cen√°rio aparente de recupera√ß√£o da economia, junto com nossa estrat√©gia no mercado de private equity que se mostrou bastante resiliente na crise, acredito que teremos oportunidades interessantes √† frente para investir em novas empresas brasileiras, que √© onde focamos nossa estrat√©gia‚ÄĚ, pontua o s√≥cio da Vinci.

Florestal ‚Äď Um dos fundos de participa√ß√Ķes mais lembrados pelo mercado, pelo seu aspecto negativo, √© o FIP Florestal, criado pela gestora Vit√≥ria (do falido BVA) e que tornou-se piv√ī da Opera√ß√£o Greenfield, da Pol√≠cia Federal. Estima-se que ele represente bilh√Ķes de reais em preju√≠zos aos fundos de pens√£o, notadamente Petros e Funcef que investiram nele. Por√©m, nesse mesmo segmento florestal h√° FIPs com bom desempenho, como por exemplo os da Lacan. ‚ÄúNossos FIPs est√£o muito bem em termos de potencial de valoriza√ß√£o‚ÄĚ, afirma Guilherme Ferreira, s√≥cio respons√°vel pela √°rea de investimentos alternativos da Lacan.
A gestora tem dois FIPs na √°rea florestal, o primeiro foi estruturado em 2012 e est√° finalizando seu per√≠odo de investimento, projetando entregar os primeiros rendimentos aos cotistas no segundo semestre do ano que vem, e o segundo, que √© uma continuidade do primeiro fundo, ainda deve ter de dois a tr√™s anos de investimentos a serem realizados. Os dois fundos florestais da Lacan somam um patrim√īnio de aproximadamente R$ 500 milh√Ķes. ‚ÄúA curva J dos dois fundos florestais foi extremamente suave, e teve um impacto praticamente nulo para as funda√ß√Ķes‚ÄĚ, pondera o especialista. A Lacan avalia abrir uma nova fase de capta√ß√£o do segundo fundo nos pr√≥ximos meses.

Gestoras aquecem os motores | Estrangeiros aproveitam mudanças nos aspectos regulatórios de infraestrutura enquanto institucionais locais esperam queda da taxa de juros

Edição 287

 

Quem se prepara antecipadamente para uma corrida tem grandes chances de ter uma performance acima da média em relação aos competidores. Esse tem sido o princípio de gestores que têm atuação no segmento de infraestrutura. Eles estão reforçando equipes e aproveitando a boa oferta de capital humano no mercado para estruturar novos fundos de investimentos de infraestrutura.
O setor passou a ser visto como uma promessa no atual cen√°rio de redu√ß√£o da taxa b√°sica de juros, por tamb√©m ter sido alvo de um programa de concess√Ķes sob novas regras regulat√≥rias, dentre as quais um modelo de financiamento mais dependente do mercado de capitais e menos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econ√īmico e Social).
Apesar da expectativa positiva, que j√° elevou o n√ļmero de consultas de investidores internacionais, a corrida do institucional local para ativos de infraestrutura deve ocorrer em m√©dio e longo prazos - passado os leil√Ķes e estabelecida a trajet√≥ria de redu√ß√£o da Selic. Em um cen√°rio como esse, as funda√ß√Ķes precisar√£o garantir retorno para bater a meta atuarial com novos recursos arrecadados.
Os fundos de pens√£o, apesar dos problemas que possam ter tidos com o risco de Fips (Fundos de Participa√ß√£o em Investimentos) de infraestrutura, devem seguir em dire√ß√£o a eles quando o momento chegar, segundo os consultores Everaldo Fran√ßa e Andr√© Aloi, s√≥cios da PPS. Os consultores t√™m recebido consulta de funda√ß√Ķes que j√° buscam investimentos que gerem fluxo de caixa e n√£o apenas valoriza√ß√£o de capital, pensando no momento seguinte √† queda dos retornos atrelados √† taxa de juros.
‚ÄúNo m√©dio e longo prazos, as grandes voltar√£o a olhar ativos em infraestrutura, ap√≥s fazer uma limpeza nas carteiras com Fips que causaram problemas. √Č o que sempre digo: a culpa nunca √© do ve√≠culo de investimento, seja Fip ou Fidc (Fundo de Investimento em Direitos Credit√≥rios). √Č preciso ter bons projetos e bons gestores‚ÄĚ, afirma Fran√ßa.
Com investimentos em dois Fips de infraestrutura na carteira desde 2013 e 2014, a Fundação Copel é uma das entidades que continua estudando esse mercado, atenta ao fechamento da taxa de juros.
Hoje, dos R$ 9 bilh√Ķes de patrim√īnio, 2% est√£o alocados nesses ve√≠culos e o objetivo √© que essa propor√ß√£o alcance 3,5% da carteira, segundo Jos√© Carlos Lakoski, diretor financeiro da Funda√ß√£o Copel.
‚ÄúDeterminamos uma pol√≠tica de investimentos e temos executado de forma gradual. Escolhemos gestores que diversificam nossa atua√ß√£o em infraestrutura, com todos os cuidados e gerenciamento de riscos que essa classe de ativo demanda‚ÄĚ, afirma.
Segundo Lakoski, hoje a funda√ß√£o trabalha com sete gestores para cuidar do segmento de private equity, sendo dois deles apenas no setor de infraestrutura. ‚ÄúDevemos continuar esse processo de forma cautelosa, qualificando a equipe para buscar um pr√™mio extra que a taxa de juros n√£o vai proporcionar em um momento pr√≥ximo‚ÄĚ, diz.

Term√īmetro ‚Äď O term√īmetro das assets para a aposta em ve√≠culos de investimento de infraestrutura, por enquanto, √© o apetite do investidor internacional ‚Äď principalmente os Family Offices e Hedge Funds que n√£o t√™m travas para investir em pa√≠ses sem grau de investimento.
Ainda assim, trata-se de um processo decis√≥rio de longo prazo, que deve se concretizar entre o primeiro e o segundo trimestre de 2017, segundo Jos√© Guilherme Souza, s√≥cio da Vinci Partners, que j√° captou cerca de R$ 2 bilh√Ķes em dois fundos de equity e um de cr√©dito privado, ambos com ativos de infraestrutura. Em abril, a gestora abriu um quarto fundo de investimento em participa√ß√Ķes de infraestrutura para capta√ß√£o, cuja maior demanda tem vindo do investidor internacional.
Esse movimento, segundo ele, n√£o resulta apenas de expectativas otimistas em rela√ß√£o ao Brasil, mas tamb√©m √† busca de retornos. A estimativa de uma pesquisa realizada pelo F√≥rum Econ√īmico Mundial √© que US$ 16 trilh√Ķes de recursos de investidores internacionais estejam alocados em aplica√ß√Ķes que remuneram com taxa zero ou negativa. ‚Äú√Č um dinheiro que est√° queimando na m√£o de institui√ß√Ķes financeiras. Quem n√£o depende de grau de investimento para voltar a investir no Brasil est√° analisando oportunidades‚ÄĚ, diz.
Souza conta que tamb√©m est√° investindo na equipe para executar os projetos. Hoje, s√£o sete profissionais dedicados ao setor de infraestrutura, private equity, cr√©dito e regula√ß√£o. ‚ÄúTrouxemos dois do ano passado para c√°. Quando fecharmos a capta√ß√£o do fundo devemos agregar mais um ou dois profissionais‚ÄĚ. O s√≥cio da Vinci conta que o novo produto ter√°, em maior propor√ß√£o, ativos que j√° est√£o em opera√ß√£o, com a menor parcela investida em projetos em desenvolvimento no setor de transmiss√£o de energia.
Outra gestora que est√° refor√ßando equipes e estruturando um fundo de participa√ß√Ķes de infraestrutura √© a TRX, que tem cerca de R$ 100 milh√Ķes investidos em quatro ativos nas √°reas de log√≠stica e energia solar. Al√©m de trazer para a sociedade Carlos Massaru Takahashi (ex-BB DTVM), a gestora dobrou a equipe desde 2015. ‚ÄúA aposta em pessoas √© importante porque oportunidade de investimento e de capital n√£o faltar√£o. O que vai faltar √© capacidade de execu√ß√£o porque h√° poucas gestoras especializadas em infraestrutura. Estamos esquentando os motores antes de come√ßar a corrida‚ÄĚ, afirma J√ļlio Zogbi, s√≥cio e respons√°vel pela TRX Infraestrutura.
Segundo Zogbi, a gestora est√° levantando mais R$ 200 milh√Ķes de capital para 2017 e analisa ativos em opera√ß√£o e em est√°gio inicial de desenvolvimento dos setores de energia renov√°vel e saneamento.
Apesar de institucionais terem ficado de certa forma traumatizados com Fips, o s√≥cio da TRX lembra que o desempenho desse tipo de investimento depende de bons projetos, profissionais e de uma gest√£o ativa. ‚ÄúColocamos capital do investidor no risco apenas quando o projeto tem licen√ßas e est√° pronto para ser constru√≠do. Os fundos t√™m oferecido taxas de retorno acima de 25% ao ano, com prazo m√©dio de cinco anos de matura√ß√£o e expectativa de m√ļltiplo de tr√™s do capital investido‚ÄĚ, afirma.
A expectativa de mudan√ßas no setor de infraestrutura j√° √© sentida no lado do empreendedor e do investidor. Na ponta dos empreendedores, interessados nas concess√Ķes, aumentou o n√ļmero de consultas na √°rea de Project Finance do BNP Paribas, segundo Ga√©tan Quintard, gerente executivo da √°rea no banco. ‚ÄúAs consultas aumentaram e investidor internacional quer entender melhor o modelo proposto pelo governo. Nossa √°rea ajuda a levantar recursos para a execu√ß√£o do projeto, apoiando garantias‚ÄĚ, afirma.
Segundo Quintard, quando o BNDES financiava todo o projeto, esse perfil de investidor ficava fora das rodadas. Agora, com banco de desenvolvimento financiando uma parte do projeto ou à uma proporção menor de TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), será inevitável a emissão de debêntures para financiar os novos projetos que serão leiloados.
Atenta √† necessidade do capital privado para o investimento em infraestrutura e nos pr√≥ximos movimentos dos investidores, a BNP Asset Management est√° estruturando um fundo de cr√©dito privado e deb√™ntures de longo prazo com foco exclusivo nesse setor. Hoje a gestora tem um total de R$ 45 bilh√Ķes de ativos sob gest√£o. Destes, R$ 9 bilh√Ķes est√£o em cr√©dito privado ‚Äď que tem uma propor√ß√£o de 65% em ativos de infraestrutura.
O ve√≠culo do novo fundo ainda n√£o foi determinado, e poder√° ser um Fip, Fidc ou de categoria da instru√ß√£o 555 CVM, segundo Luiz Eug√™nio Figueiredo, respons√°vel pela √°rea de investimentos alternativos da BNP Paribas Asset Management. Ele avalia que ap√≥s um per√≠odo de desacelera√ß√£o no mercado de deb√™ntures, h√° um cen√°rio prop√≠cio para a retomada. ‚ÄúEm conversas com investidores, notamos que a busca pela diversifica√ß√£o em investimentos estruturados e retornos diferenciados est√° voltando. Quando a Selic baixar, eles precisar√£o buscar um retorno maior e a conta vai fechar. As deb√™ntures de infraestrutura n√£o precisar√£o pagar uma taxa t√£o elevada para atra√≠-los, o que ser√° interessante para o financiamento do projeto. Vai ficar interessante para as duas pontas‚ÄĚ, conclui.

Balizas para as melhores pr√°ticas | Abrapp lan√ßa guia para nortear funda√ß√Ķes em seus pr√≥ximos investimentos no segmento

Edição 287

 

A Abrapp (Associa√ß√£o Brasileira das Entidades Fechadas de Previd√™ncia Complementar) lan√ßou um guia de melhores pr√°ticas de avalia√ß√£o imobili√°ria para nortear os fundos de pens√£o nos pr√≥ximos investimentos que forem realizar no segmento. Guilherme Velloso, diretor da Abrapp, explica que o projeto nasceu da constata√ß√£o de que era necess√°rio estabelecer padr√Ķes de melhores pr√°ticas no √Ęmbito da avalia√ß√£o em ativos imobili√°rios por parte dos fundos de pens√£o, seja na compra, venda, loca√ß√£o dos im√≥veis, ou no momento da reavalia√ß√£o patrimonial dos ativos imobili√°rios de suas carteiras.
Um dos atores envolvidos no processo a quem os preceitos estabelecidos pelo guia se destina, ressalta Velloso, al√©m obviamente das pr√≥prias funda√ß√Ķes, s√£o os agentes terceirizados que fazem o trabalho de avalia√ß√£o para as entidades. ‚ÄúA partir de agora os avaliadores ter√£o de seguir uma metodologia determinada pelo guia, com um completo processo de transpar√™ncia, independ√™ncia e √©tica‚ÄĚ. O objetivo com o trabalho, explica Velloso, √© proteger o patrim√īnio dos participantes.
Al√©m de padronizar as pr√°ticas de avalia√ß√£o imobili√°ria, o guia, na vis√£o do diretor da Abrapp, tamb√©m contribui para o aprimoramento da autorregula√ß√£o em governan√ßa de investimento, que teve seu c√≥digo recentemente aprovado pela associa√ß√£o. ‚ÄúEmbora o c√≥digo n√£o trate especificamente de um determinado investimento, o guia vem para contribuir exatamente na eleva√ß√£o dos n√≠veis de governan√ßa do investimento imobili√°rio, e portanto dar uma seguran√ßa maior para os participantes em rela√ß√£o √†s opera√ß√Ķes que est√£o sendo feitas nesse mercado‚ÄĚ.
Velloso destaca que o investimento em im√≥veis representa em m√©dia 5% da carteira de ativos dos fundos de pens√£o. Ele lembra, contudo, que n√£o √© desprez√≠vel a quantidade de funda√ß√Ķes que est√° com a aloca√ß√£o no segmento superior ao limite estabelecido pela regula√ß√£o de 8%, o que denota a import√Ęncia de estabelecer crit√©rios uniformes para a atua√ß√£o das entidades no nicho.

Conflito de interesses ‚Äď Ivan Luiz Modesto Schara, coordenador da comiss√£o respons√°vel pelo guia e gerente executivo de administra√ß√£o de participa√ß√Ķes imobili√°rias da Previ, fala que um dos pontos mais importantes do guia trata da quest√£o dos poss√≠veis conflitos de interesses do avaliador. ‚ÄúEntendemos ser importante deixar claro que n√£o √© aceit√°vel nenhum tipo de conflito de interesse. Se por qualquer motivo o avaliador est√° fazendo algum trabalho relacionado ao ativo avaliado, ele n√£o tem a independ√™ncia necess√°ria para fazer a avalia√ß√£o‚ÄĚ, pontua Schara.
No guia tamb√©m est√° previsto que o avaliador deve apontar o uso mais adequado de uma propriedade considerando o que √© fisicamente poss√≠vel, legalmente permitido e financeiramente vi√°vel, e que resulte no valor mais elevado poss√≠vel e no melhor uso do im√≥vel a ser avaliado. ‚ÄúFatores sociais, econ√īmicos, governamentais, e ambientais que possam influenciar o valor de mercado devem ser examinados e analisados para melhor entender o empreendimento‚ÄĚ, aponta o documento da Abrapp.
Sobre as perspectivas para esse nicho de mercado, o gerente da Previ lembra que trata-se de um segmento com uma forte correla√ß√£o com o PIB, que pelas proje√ß√Ķes do mercado deve apresentar um crescimento da ordem de 1% em 2017 ap√≥s dois anos de recess√£o. Apesar disso, o especialista ressalta que o mercado imobili√°rio demora um pouco para refletir a melhora do ambiente, uma vez que as ofertas em excesso precisam ser preenchidas para que as empreiteiras voltem a trabalhar em novos lan√ßamentos. ‚ÄúNo ano que vem as coisas devem melhorar, mas de maneira muito suave. Minha expectativa √© mais para 2018 e principalmente para 2019, quando devemos realmente ter uma melhoria do mercado imobili√°rio‚ÄĚ.

Nova gestora aposta no longo prazo | Porto Seguro contrata gestores e lança asset com foco em growth e venture capital

Edição 285

 

Lan√ßada h√° cerca de dois meses, a Porto Capital busca capta√ß√£o para seu primeiro e √ļnico fundo com foco em investimentos de growth capital e venture capital. O objetivo do fundo ser√° investir em empresas do middle-market, com faturamento entre R$ 50 milh√Ķes e R$ 150 milh√Ķes. O tipo de investimento parece n√£o entrar ainda no radar dos investidores institucionais, especialmente fundos de pens√£o, que enfrentam dificuldades em bater metas atuariais e t√™m apostado muito mais em t√≠tulos p√ļblicos indexados √† infla√ß√£o para conseguir superar as altas metas. Ainda assim, os executivos da empresa rec√©m-lan√ßada e bra√ßo de investimentos alternativos da Porto Seguro acreditam que esse seja um bom momento para voltar a pensar em investimentos de longo prazo.
Para o diretor geral de investimentos da Porto Seguro e respons√°vel pela Porto Capital, Marcelo Pican√ßo, dentro de um contexto microecon√īmico, a abertura de uma empresa de growth capital faz todo sentido, pois o investimento ser√° focado em setores que continuam crescendo independente da retra√ß√£o que o pa√≠s vem enfrentando. ‚ÄúSempre haver√° demanda por tecnologia ou servi√ßos financeiros e educa√ß√£o, que s√£o os nossos focos. N√£o olhamos para ind√ļstrias, e sim para servi√ßos‚ÄĚ, destaca Pican√ßo.
Para complementar o time ao lado de Pican√ßo, foram contratados dois executivos do mercado: An√≠bal Messa, que foi respons√°vel por investimentos no Buscap√©, Netshoes e Scup; e Frederico Mesnik, que atuou como gestor de renda vari√°vel da Humait√° Investimentos. Para Mesnik, a situa√ß√£o econ√īmica do pa√≠s √© passageira, portanto, faz sentido olhar para esse segmento, principalmente em um momento em que os pre√ßos est√£o atrativos. ‚Äú√Č um bom momento em rela√ß√£o ao valor dos ativos. Vemos tamb√©m que, normalizando a situa√ß√£o econ√īmica do pa√≠s e as taxas de juros caindo, os fundos de pens√£o se interessar√£o ainda mais por ativos que gerar√£o um bom retorno no longo prazo‚ÄĚ, destaca.
O executivo salienta que existe uma cultura que faz com que os fundos de pensão busquem bater meta atuarial todo ano, mas que isso é contraditório com real propósito e natureza de um fundo de previdência, que é o pagamento de benefícios no longo prazo.
Mesnik destaca ainda que h√° fundos de pens√£o de multinacionais interessados em investir no fundo da Porto Capital. ‚ÄúEstamos em negocia√ß√£o com cinco fundos de pens√£o. Tamb√©m conversamos com family office e investidores estrangeiros‚ÄĚ, complementa.
Marcelo Pican√ßo salienta que os fundos de pens√£o t√™m uma tend√™ncia a olhar para os investimentos de longo prazo como aplica√ß√Ķes de mais risco, mas que ainda assim, a previd√™ncia complementar permite mais risco que gerem ganhos no longo prazo. ‚ÄúVemos que a volatilidade do mercado brasileiro no longo prazo atrapalha, pois √© oscilante. A nossa curva de juros, em vez de subir ao longo do tempo, vem caindo. Mas acreditamos que os juros caindo daqui um ano, vai aumentar o interesse de fundos de pens√£o pelo setor‚ÄĚ, explica.
Frederico Mesnik destaca, contudo, que as funda√ß√Ķes devem come√ßar a olhar para ativos de mais risco agora, pois quando a taxa de juros normalizar, o pre√ßo do ativo j√° estar√° mais alto.

Estrutura ‚Äď A Porto Capital pretende ampliar sua equipe ao longo do tempo, contratando cerca de oito funcion√°rios inicialmente. An√≠bal Messa destaca que a empresa est√° sendo estruturada em um momento em que h√° uma segunda gera√ß√£o de empreendedores aprendendo a investir na pr√°tica. ‚ÄúSa√≠mos de uma cultura de pegar capital em banco para uma cultura de investidores que participam das empresas‚ÄĚ, diz o executivo.
A Porto Capital espera fazer o primeiro fechamento do fundo em janeiro de 2017. O foco ser√° investir em entre cinco e oito empresas, sendo uma empresa por ano.

 

Novo fundo florestal com gestora independente | Com uma equipe vinda da Claritas, Copa Investimentos capta com fundos de pens√£o

Edição 279

 

A gestora Copa Investimentos abriu para capta√ß√£o um novo fundo de investimento em ativos florestais. Com o Copa Florestal III, a gestora tem expectativa de captar R$ 400 milh√Ķes at√© o final do ano. At√© o momento, o fundo j√° captou R$ 140 milh√Ķes, inclusive junto a fundos de pens√£o, realizando assim seu primeiro fechamento.
Uma das funda√ß√Ķes que j√° aplicou no Copa Florestal III foi o fundo de pens√£o da Basf. A entidade investiu um total de R$ 5 milh√Ķes no fundo florestal com o objetivo de buscar maior diversifica√ß√£o. Segundo o gerente de investimentos da entidade, Antonio Jos√© D‚ÄôAguiar, em 2014, a funda√ß√£o iniciou essa estrat√©gia junto com outra novidade na √©poca que eram os investimentos no exterior.
O investimento do fundo de pens√£o da Basf no segmento florestal parte de uma estrat√©gia de aprendizado agora em outra classe de ativos. ‚ÄúO fundo florestal era o mais diferenciado entre os ativos alternativos que olhamos no momento. Posteriormente, estamos estudando investir em private equity e em fundos imobili√°rios, caso o mercado aponte melhora nesses segmentos‚ÄĚ, diz D‚ÄôAguiar.

Hist√≥rico ‚Äď A Copa Investimentos nasceu em 2012, quando a equipe florestal da Claritas composta por Marcelo Sales e Fernando Abucham deixou a gestora e decidiu abrir uma nova casa com foco exclusivo em investimentos florestais. O time trabalha em conjunto no setor florestal desde 2006. Em 2007, a equipe foi respons√°vel pela estrutura√ß√£o da √°rea de investimentos florestais conjuntamente com a √°rea de produtos estruturados da Claritas, com a abertura de um primeiro fundo, o Angophora e, posteriormente, do Florestas do Brasil, sendo este segundo j√° com um contrato de cogest√£o entre a Copa Investimentos e Claritas ap√≥s a sa√≠da da equipe da gestora. Agora, a Copa abre seu primeiro fundo com gest√£o independente.
Ap√≥s a venda do controle da Claritas para a Principal Financial Group em 2012, a equipe de gestores dos fundos florestais decidiu sair da gestora para fundar a Copa Investimentos. ‚ÄúFizemos um acordo com a equipe da Claritas de cogest√£o dos fundos existentes. Ou seja, concordamos em tocar os fundos em conjunto para continuar envolvidos e conduzindo os projetos que iniciamos l√°. N√£o teve ruptura, pois as mesmas pessoas continuar√£o a frente dos projetos‚ÄĚ, explica um dos s√≥cios da gestora, Marcelo Sales.
De acordo com fonte que possui conhecimento sobre o assunto e preferiu n√£o ser identificada, quando a Principal Financial Group comprou a Claritas, a equipe da √°rea de florestas da gestora achou que n√£o fazia sentido ficar l√°, pois havia um receio da Principal n√£o continuar o neg√≥cio florestal, j√° que esse segmento n√£o fazia parte da sua linha de produtos. ‚ÄúO acordo de cogest√£o foi uma forma da equipe sair sem diminuir os ativos sob gest√£o da Claritas‚ÄĚ, diz a fonte.

Fundos antigos ‚Äď Marcelo Sales destaca que o primeiro fundo florestal que foi lan√ßado pela equipe ainda n√£o possui o contrato de cogest√£o formalizado com a Claritas. J√° o segundo fundo, Florestas do Brasil, possui patrim√īnio de R$ 281 milh√Ķes e rendimento atualizado desde o in√≠cio do fundo, em 2009, de 19% ao ano, considerando os dividendos j√° distribu√≠dos aos cotistas, com 40 mil hectares de florestas plantadas.
No Florestas do Brasil, aproximadamente 65% do capital pertencem a fundos de pensão brasileiros, 16% a investidores institucionais estrangeiros e o restante a pessoas físicas brasileiras, incluindo os sócios da Copa Investimentos. No Angophora não há participação de fundos de pensão brasileiros.

Foco em florestas ‚Äď Segundo Marcelo Sales, o diferencial de ficar focado em ativos florestais √© importante, pois esse √© um investimento de nicho. ‚ÄúA experi√™ncia que temos de fora do Brasil, de maiores gestores florestais, apenas dois ou tr√™s n√£o s√£o focados em florestas exclusivamente, mas a maioria √©, por ser um ativo de muito longo prazo, uma classe de ativos muito diferente. Como tem um perspectiva de longo prazo, a ind√ļstria entende que faz sentido ter um grupo focado e alinhado com esses projetos‚ÄĚ, complementa Sales.
O valor total sob gest√£o da Copa Investimentos √© de aproximadamente R$ 410 milh√Ķes de reais, incluindo R$ 281 milh√Ķes do Florestas do Brasil FIP e o co-investimento na Caravelas Florestal, companhia investida do Florestas do Brasil.

 

Cai volume de transa√ß√Ķes de private equity

Edição 278

As transa√ß√Ķes de private equity no Brasil movimentaram, em 2015, um total de R$ 17,9 bilh√Ķes, 14% a menos que os R$ 20,9 bilh√Ķes registrados em 2014. Segundo dados da TTR - Transactional Track Record, ainda assim, o n√ļmero de transa√ß√Ķes no ano passado foi um pouco maior que o computado em 2014, com 100 transa√ß√Ķes contra 97. Apenas no quarto trimestre, foram computadas 29 transa√ß√Ķes de private equity no Brasil.

No total, o mercado transacional brasileiro acumulou 1017 transa√ß√Ķes de fus√Ķes e aquisi√ß√Ķes em 2015, movimentando R$ 241,6 bilh√Ķes. O n√ļmero de transa√ß√Ķes √© superior ao de 2014, quando foram computadas 976 transa√ß√Ķes, bem como o volume movimentado, que foi 53% maior que os R$ 157,9 bilh√Ķes registrados em 2014.

Pol√™mica duradoura | Gestores defendem a ado√ß√£o do modelo de marca√ß√£o a mercado, mas ind√ļstria de fundos de pens√£o ainda mostra resist√™ncia para sua ado√ß√£o

Edição 276

Qual a tendência para a próxima década: mostrar a foto ou o filme do desempenho das ativos nas carteiras dos fundos de pensão? A polêmica da marcação dos ativos a mercado ou na curva dura mais de uma década e pelo visto, não deve terminar tão cedo.
Defensor da marca√ß√£o a mercado do ponto de vista t√©cnico, Jorge Simino, diretor de Investimentos e Patrim√īnio da Funcesp, diz que o grande problema para sua aplica√ß√£o exclusiva √© a regra que obriga o equacionamento quando o d√©ficit acumulado ultrapassa 10% por tr√™s anos consecutivos. ‚ÄúA legisla√ß√£o precisa evoluir porque a marca√ß√£o a mercado, que √© um ajuste cont√°bil, gera uma consequ√™ncia pr√°tica importante para as funda√ß√Ķes. Nos Estados Unidos, por exemplo, o d√©ficit n√£o equacionado chega a 35% a 40% nos fundos de pens√£o. N√£o √© necess√°rio fazer corre√ß√£o, aumentar contribui√ß√Ķes e nem reduzir benef√≠cios, por isso todos marcam a mercado‚ÄĚ, afirma.
Para Jos√© Ribeiro Pena Neto, presidente da Abrapp (Associa√ß√£o Brasileira das Entidades Fechadas de Previd√™ncia Complementar), a regula√ß√£o caminha para flexibilizar tanto o equacionamento do d√©ficit das funda√ß√Ķes quanto j√° avan√ßou nas regras de marca√ß√£o de ativos. A proposta de precificar ativos e passivos de acordo com o duration dos planos, ou seja, com uma toler√Ęncia maior ao d√©ficit e ao super√°vit para vencimentos mais longos de planos BDs ou CDs com BDs, ser√° discutida em uma reuni√£o em novembro com os reguladores. A regra de equacionamento de d√©ficits, portanto, tamb√©m teria um prazo maior a partir desse racioc√≠nio.
No entanto, Pena Neto não vê isso como uma questão que direcione a escolha da marcação dos ativos na carteira dos fundos de pensão. Sobre esse tema, ele avalia que houve um avanço com as normas de precificação aprovadas no ano passado, que permitiu às entidades passar a marcar mais a mercado.
‚ÄúEles podem deixar o t√≠tulo marcado na curva e, na hora de calcular o d√©ficit, compensar com os t√≠tulos p√ļblicos adquiridos a taxas altas. Com essa mudan√ßa, as funda√ß√Ķes n√£o dependem tanto mais da regra de solv√™ncia para decidir a marca√ß√£o‚ÄĚ, explica.
Na opinião do presidente da Abrapp, ambas as normas contábeis devem coexistir na hora de avaliar as carteiras, de acordo com os títulos que serão levados a vencimento e com os que precisam ser vendidos.
‚ÄúNos planos BDs, por exemplo, n√£o h√° necessidade de marcar a mercado se a compra √© casada com o benef√≠cio. O que existia era uma marca√ß√£o a mercado para atender a regra da escada entre passivos e ativos, criada h√° tr√™s anos, que causou distor√ß√Ķes. Mas isso desapareceu no ano passado‚ÄĚ, avalia.
Na opini√£o de Simino, a tend√™ncia √© que as funda√ß√Ķes marquem na curva e a mercado, de acordo com a legisla√ß√£o, at√© mesmo pelas suas particularidades. ‚ÄúA marca√ß√£o a mercado reflete melhor a realidade de cada momento, apesar da volatilidade que traz aos resultados. Mas √© um registro cont√°bil, n√£o significa que h√° necessidade de efetivar a venda de pap√©is porque existe capacidade financeira de carregar as posi√ß√Ķes ao longo do tempo. √Č uma maneira fidedigna com a realidade econ√īmica de contabilizar os pre√ßos dos ativos financeiros‚ÄĚ, diz. A marca√ß√£o na curva, nesse contexto, reflete a vontade do gestor de n√£o ver seu portf√≥lio √† merc√™ da volatilidade dos pre√ßos dos ativos. ‚Äú√Č como querer viajar de avi√£o, mas sem sentir nenhuma chacoalhada‚ÄĚ, critica Simino.
Um paralelo pode ser tra√ßado com os fundos de investimentos de renda fixa e seus investidores, que j√° se adaptaram √†s oscila√ß√Ķes da marca√ß√£o a mercado, que foi adotada como regra desde 2002. ‚ÄúTodos se acostumaram com isso e foi feito um esfor√ßo pedag√≥gico. Com uma mudan√ßa na legisla√ß√£o de equacionamento do d√©ficit n√£o vejo por que outro conjunto de pessoas n√£o possam se adaptar a isso‚ÄĚ, afirma.

Transfer√™ncia de riqueza ‚Äď O diretor da Funcesp lembra que a marca√ß√£o na curva, apesar do conforto psicol√≥gico que gera, ao neutralizar a carteira de oscila√ß√Ķes, traz riscos de transfer√™ncia de riqueza quando h√° um fluxo de entrada e sa√≠da de participantes, e mesmo de vencimentos.
‚ÄúVivemos hoje um momento de estresse e o fato de marcar na curva pode precificar um t√≠tulo a um valor maior do que na realidade ele vale. E os planos podem ter entradas e sa√≠das de pessoas por diversas raz√Ķes, e uma delas √© o desemprego. Quem marca na curva se arrisca a fazer essa transfer√™ncia‚ÄĚ, diz.
Roberto Teixeira da Costa, conselheiro da Sul Am√©rica e que durante sete anos foi membro do Iasb (International Accounting Standards Board, √≥rg√£o internacional que emite as normas cont√°beis), lembra que a marca√ß√£o a mercado ganhou relev√Ęncia e escala por causa da grande volatilidade no mercado. ‚Äú√Č um dilema porque a atualiza√ß√£o di√°ria dos ativos em um fundo fechado prejudica ou ajuda os investidores. De certa maneira exacerba uma situa√ß√£o totalmente transit√≥ria para um prazo longo‚ÄĚ, explica.
A resist√™ncia √† marca√ß√£o a mercado n√£o √© exclusividade de gestores de fundos de pens√£o brasileiros. Durante a crise de 2008, lembra Costa, os bancos europeus protestaram muito por causa das varia√ß√Ķes que essa norma cont√°bil aplica √†s carteiras. ‚ÄúEles diziam que aquilo depreciaria a carteira deles de tal maneira que colocaria em risco a solv√™ncia da institui√ß√£o financeira. Se o momento fosse de tranquilidade, dentro de um beta aceit√°vel, n√£o seria t√£o s√©rio‚ÄĚ, recorda.
No Brasil de hoje, Costa avalia que a polêmica da marcação a mercado é forte porque a renda fixa está muito volátil, principalmente por causa das incertezas na economia.
Um sinal de que essa volatilidade deve continuar veio com a perda do grau de investimento do Brasil. O cen√°rio de desajuste na pol√≠tica fiscal e o pouco efeito da pol√≠tica monet√°ria devem manter essas oscila√ß√Ķes nos pre√ßos dos t√≠tulos p√ļblicos por mais algum tempo.
H√° indefini√ß√Ķes sobre como o governo cobrir√° o d√©ficit das contas p√ļblicas e para onde vai a d√≠vida p√ļblica. ‚ÄúNunca tivemos tanta volatilidade e olha que tenho 50 anos de mercado. Outro ponto √© a infla√ß√£o, que encurta o horizonte temporal das pessoas e isso torna tamb√©m as carteiras muito dif√≠ceis. Neste contexto, a marca√ß√£o a mercado acaba exacerbando o curto prazismo brasileiro‚ÄĚ, afirma.
O conselheiro diz que, nesse ambiente, optaria pelas duas formas, mas deixando na curva as carteiras curtas e a mercado as longas. Dessa forma, o gestor consegue observar uma foto instant√Ęnea e um filme da carteira. ‚ÄúQuando a diferen√ßa entre um e outro for muito grande, acaba acendendo algum tipo de sinal e cada um sabe o quanto est√° disposto a correr o risco. O importante, para tomar qualquer decis√£o √© ter a informa√ß√£o. Quem compra qualquer tipo de ativo tem de estar preparado para a flutua√ß√£o e oscila√ß√£o de pre√ßos. O que n√£o pode √© s√≥ olhar para a curva, sob o risco de derrapar nela‚ÄĚ, afirma.
Ainda assim, n√£o √© poss√≠vel fugir desses solavancos apenas marcando os ativos na curva, na opini√£o do s√≥cio da Aditus Consultoria Financeira, Nathan Batista, que diz que boa parte dos planos fechados das funda√ß√Ķes sempre tiveram um percentual razo√°vel de marca√ß√£o na curva, sem mencionar valores. ‚ÄúO n√≠vel j√° foi maior, mas acredito que essa decis√£o deve continuar vindo das pr√≥prias entidades, que t√™m diferentes caracter√≠sticas‚ÄĚ, afirma.
De um lado, a marcação a mercado protege a carteira de um fundo de pensão, ao mostrar o valor real dos ativos em um dado momento, principalmente se nessa janela ocorrerem resgates. Por outro, traz uma visão de curto prazo muitas vezes desnecessária para carteiras de prazos longos. A marcação na curva, por outro lado, mostra a realidade da carteira no prazo dela, mas pode deixá-la exposta a perdas diante de movimentação ou, mesmo, retirada de recursos no momento presente, causando o efeito de transferência de riqueza.

Hist√≥rico ‚Äď Jos√© Roberto Savoia, professor da Faculdade de Economia, Administra√ß√£o e Contabilidade da Universidade de S√£o Paulo (FEA-USP) e ex-secret√°rio da Previd√™ncia Complementar do Minist√©rio da Previd√™ncia Social (2001-2003­), lembra que a marca√ß√£o a mercado come√ßou a ser institu√≠da nas carteiras das funda√ß√Ķes para melhor mensurar o risco da carteira de longo prazo em 2002.
‚ÄúHavia um interesse comum do governo de alongar a d√≠vida e das entidades de aproveitar as taxas de juros interessantes no longo prazo. Ambos se beneficiaram com uma carteira levada a vencimento e uma levada a mercado at√© 2005. Os resultados foram vultosos‚ÄĚ, diz.
Observando esse período, o professor diz que houve um erro do governo de forçar os fundos a alongar as carteiras por meio dos IMAs, sem oferecer às entidades a possibilidade de fazer um ajuste do resultado financeiro dessas carteiras numa base mais longa.
‚ÄúEm algum momento, o governo acreditou que as taxas reais de juros no Brasil poderiam ser de 4% a 5% acima da infla√ß√£o e, que os fundos deveriam comprar os t√≠tulos longos por essa taxa. O outro erro foi obrigar o investidor institucional a comprar algo‚ÄĚ, afirma.
Para Savoia, o alongamento das carteiras tem que depender de avalia√ß√£o criteriosa do gestor e do conselho em rela√ß√£o √†s expectativas e seguran√ßa dos ativos e n√£o de inger√™ncias desse tipo. ‚ÄúAcredito que √© preciso ter uma carteira de mercado e outra levada a vencimento, para que os gestores consigam ter flexibilidade para fazer um posicionamento estrat√©gico‚ÄĚ, afirma.
Segundo ele, essa necessidade √© amparada no fato de o Brasil n√£o ter ativos de qualidade de longo prazo em abund√Ęncia ‚Äď dos quais destacam-se as a√ß√Ķes e t√≠tulos p√ļblicos ‚Äď e isso n√£o permite aos gestores escolher fazer trocas a qualquer momento.
A marca√ß√£o a mercado traz uma volatilidade para a carteira que, se for muito grande, traz consequ√™ncias para o gestor como a decis√£o da patrocinadora de n√£o manter os recursos aplicados nos fundos de pens√£o ‚Äď mesmo que na curva a situa√ß√£o financeira seja boa.
‚ÄúAs empresas j√° est√£o fr√°geis e observamos d√©ficits porque as taxas de juros subiram. Consequentemente as patrocinadoras, em momento de dificuldade, s√£o chamadas a encarar esse momento, em uma fase em que est√£o exauridas de recursos. N√£o criamos um movimento antic√≠clico para minorar os efeitos negativos. S√≥ exacerbamos o problema‚ÄĚ, explica.
Por isso, em um cen√°rio como esse n√£o √© poss√≠vel ter uma √ļnica solu√ß√£o. ‚ÄúH√° uma pluralidade de fundos, alguns maduros, outros novos, com modalidades de planos diversas. N√£o √© poss√≠vel querer engessar e criar uma pol√≠tica √ļnica. √Č diferente dos fundos de previd√™ncia abertos, que t√™m outro tempo de perman√™ncia do participante, com resgates r√°pidos‚ÄĚ, analisa.
Ele avalia que, se todos os fundos de pensão decidissem marcar a mercado, os papéis de longo prazo teriam uma demanda muito baixa por parte dos institucionais.
‚ÄúPor outro lado, a tend√™ncia √© que essas carteiras se internacionalizem e os gestores ter√£o que ter outro perfil para fugir do curto prazismo do mercado brasileiro, que penaliza quem vai para o longo prazo. Ao buscar alternativas fora do pa√≠s, vir√£o outros dilemas, como a varia√ß√£o cambial. O fato √© que o conjunto de ativos √© muito mais amplo para fazer um planejamento de 20 e 30 anos‚ÄĚ, avalia.