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Funcef investe R$ 40 mi em Fip de tecnologia

Edição 264

A Funcef comprometeu R$ 40 milh√Ķes para o fundo de investimento em participa√ß√Ķes (Fip) Capital Tech II, gerido pela Invest Tech. O fundo, com dura√ß√£o prevista para oito anos, possui um capital comprometido total de R$ 210 milh√Ķes e deve investir em empresas com faturamento de at√© R$ 150 milh√Ķes por ano.
Al√©m da Funcef, tamb√©m entraram no Capital Tech II o Bndes e a Finep, cotistas do Capital Tech I, e novos cotistas como a CAF e a Telefonica. A Funcef selecionou, no ano passado, outros tr√™s de private equity, com um capital total comprometido de R$ 380 milh√Ķes para os investimentos. S√£o eles o Capital 2 (Fipac), da DGF, tamb√©m de tecnologia; o P2, da P√°tria Investimentos, de infraestrutura; e mais um de infraestrutura da Caixa Econ√īmica Federal.

Votorantim disputa gest√£o de fundo do BNDES

Edição 262

A Votorantim Asset Management est√° participando da concorr√™ncia do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ√īmico e Social (BNDES) para ser a gestora do novo Fundo de Investimento em Participa√ß√Ķes (FIP), que tem o objetivo de fomentar a abertura de capital de empresas no Bovespa Mais. O FIP Mercado de Acesso prev√™ investimentos de R$ 250 milh√Ķes para companhias que pretendem abrir capital.
O BNDES dever√° aportar at√© 30% do patrim√īnio do fundo, sendo a gestora vencedora respons√°vel pela capta√ß√£o do valor restante ‚Äď inclusive, a asset poder√° apresentar participa√ß√£o como cotista.
Sem detalhar a proposta que foi enviada ao banco, como taxa de administração sugerida, rendimento estimado e estratégia de investimento, Reinaldo Lacerda, diretor da asset, afirma que o fundo representa um produto bastante atraente para os clientes, tanto por seu caráter diferenciado quanto pelas perspectivas de rentabilidade que o mercado de acesso, segmento relativamente novo, pode representar.
Segundo o BNDES informou à Revista Investidor Institucional (ed. 260), a asset selecionada deve ter experiência na gestão de ativos líquidos e de private equity. A formação de portfólio virá do gestor, mas o BNDES já identificou empresas de sua carteira como potenciais ativos.
O prazo para recebimento de propostas foi encerrado em 13 de junho e a data de divulgação do resultado ainda não foi divulgada pelo banco.

Caixa capta R$¬†250 milh√Ķes para Fidc

Edição 262

A Caixa Econ√īmica Federal captou R$ 250 milh√Ķes para o fundo de investimento em direitos credit√≥rios (Fidc) Casan Saneamento. Entre os investidores est√£o Regimes Pr√≥prios de Previd√™ncia Social (RPPS), fundos de pens√£o e assets. O fundo conta com 20 cotistas e a capta√ß√£o foi encerrada em agosto.
Segundo a Caixa, o Fidc irá adquirir recebíveis emitidos pela Companhia de Saneamento do Estado de Santa Catarina (Casan) referentes a prestação de serviços de captação, tratamento e distribuição de água bruta tratada, além da coleta, tratamento e disposição final de esgotos sanitários.
Já os recursos levantados pela Casan por meio da cessão de recebíveis para o fundo serão aplicados em saneamento do estado de Santa Catarina, além de serem utilizados como capital de giro pela companhia. O fundo terá um prazo de dez anos e a expectativa de retorno é IPCA+9%.
Entre os regimes próprios de previdência cotistas do fundo estão o Rio das Ostras Previdência (OstrasPrev) e os institutos de previdência dos servidores do estado do Espírito Santo (IPAJM), do município da Serra (IPS) e do município de Cachoeiro de Itapemirim (IPACI). Segundo a equipe da Caixa, a expectativa de rentabilidade e o baixo risco do produto atende as necessidades dos institutos de previdência em relação às metas atuariais de seus planos de benefícios.

Bozano registra FIP Educacional II

Daniel Borghi, da BozanoEdição 262

A Bozano Investimentos iniciou o processo de registro do fundo de investimento em participa√ß√Ķes (FIP) Bozano Educacional II, na Comiss√£o de Valores Mobili√°rios. O fundo pretende encerrar a primeira fase de capta√ß√£o com cerca de R$ 450 milh√Ķes. A meta √© que o fundo comece a operar no in√≠cio de setembro e que atinja R$ 800 milh√Ķes ao final do processo de capta√ß√£o. Os prazos previstos para o fundo s√£o de at√© quatro anos para investimentos e mais quatro anos para os desinvestimentos.


Esse é o segundo FIP voltado para área de educação que a Bozano lança no mercado. O primeiro, BR Educacional, está em fase de desinvestimento, que deve encerrar até o próximo ano, e recentemente vendeu sua participação na Abril Educação. A Bozano detinha, por meio do BR Educacional e do FIP Brasil de Governança Corporativa, 8,9% de participação na companhia.
De acordo com Daniel Borghi, chefe da área de educação da gestora, a maioria dos fundos de pensão que investiram no primeiro fundo educacional voltará a investir no novo fundo. Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil, e a Valia, da Vale, estão entre os cotistas do BR Educacional. O executivo ressalta que a captação para o novo fundo tem sido diversificada, com cerca de 40% de investidores institucionais, 40% de investidores privados internacionais e 20% de investidores privados nacionais.

Novos investimentos da Apax no Brasil

Edição 262

A Apax Partners, empresa de private equity baseada no Reino Unido, pretende investir pelo menos US$ 400 milh√Ķes no Brasil por meio de seu novo fundo, o Apax VIII, que encerrou a capta√ß√£o de US$ 7,5 bilh√Ķes em junho do ano passado. A estimativa √© que entre 5% e 10% desse valor seja direcionado a empresas brasileiras.

O montante foi captado com fundos de pens√£o e fundos soberanos ao redor do mundo, e a companhia espera fechar o seu primeiro investimento por meio desse fundo ainda este ano. ‚ÄúO tamanho do fundo exige investimento em empresas maiores. Portanto nosso foco n√£o √© middle market‚ÄĚ, explica Walter Piacsek, respons√°vel pelas opera√ß√Ķes da Apax no Brasil.
O foco da empresa √© setorial, sendo que as principais √°reas de interesse s√£o business service (terceiriza√ß√Ķes, manuten√ß√£o, log√≠stica, entre outros); consumo e varejo, tecnologia da informa√ß√£o e telecomunica√ß√Ķes e sa√ļde. ‚ÄúNo Brasil, o nosso pipeline inclui empresas de servi√ßos e principalmente consumo e varejo‚ÄĚ, diz Piacsek.

Fidc do Trendbank: um fundo que virou p√≥ | Grande n√ļmero de t√≠tulos ‚Äúpodres‚ÄĚ obriga gestor e cotistas a recorrer √† Justi√ßa

Eudis Urbano, do IprejunEdição 262

 

Após receber da Brasil Plural um relatório informando a atual situação do fundo de direitos creditórios (Fidc) multissetorial do Trendbank, os investidores esperam medidas dos atuais responsáveis pela administração do fundo para reaver o dinheiro investido e apurar corretamente a responsabilidade pelas perdas. O volume de créditos vencidos atualmente representa cerca de 98% da carteira do fundo.
O relat√≥rio da Brasil Plural, atual gestora do Fidc, informou aos cotistas sobre a exist√™ncia do grande n√ļmero de t√≠tulos podres dentro da carteira, n√£o performados, com credores inexistentes, e que muitos n√£o estariam assinados. Segundo informou um dos cotistas, o relat√≥rio aponta que apenas 1,2% dos ativos da carteira s√£o recuper√°veis.
Com esse diagn√≥stico, o instituto de previd√™ncia municipal de Praia Grande (IPMPG) fez uma den√ļncia √† Comiss√£o de Valores Mobili√°rios (CVM) e ao Banco Central, al√©m de ter enviado uma representa√ß√£o ao Minist√©rio P√ļblico para apurar a responsabilidade por essas perdas. Regina Mainente, superintendente do instituto, diz que foi aplicado R$ 1 milh√£o no Fidc e j√° foram resgatados R$ 357 mil. ‚ÄúN√£o entendo que vamos perder muito, pois o fundo s√≥ acaba em 2017 e alguns devedores j√° est√£o fazendo acordos. Por hora, teve uma desvaloriza√ß√£o bastante grande do papel‚ÄĚ, reitera Regina. O Fidc, que no in√≠cio possu√≠a patrim√īnio l√≠quido de R$ 400 milh√Ķes, hoje opera com aproximadamente R$ 8 milh√Ķes.
Eudis Urbano, diretor-presidente do instituto de previd√™ncia de Jundia√≠ (Iprejun), relata que foram investidos R$ 5 milh√Ķes pelo instituto no Fidc em dezembro de 2011, e hoje a amortiza√ß√£o √© de apenas R$ 880 mil. ‚ÄúEstamos aguardando os procedimentos do atual gestor. S√≥ vamos decidir atitudes a serem tomadas quando o fundo estiver finalizado‚ÄĚ, explica. ‚ÄúAcredito que tenha havido uma m√° gest√£o do fundo em algum momento. Mas esperaremos um relat√≥rio exato do Brasil Plural, que est√° fazendo um bom trabalho, para emitir nossa opini√£o sobre o ocorrido‚ÄĚ.
Outro RPPS que investiu Fidc do Trendbank foi o SBCPrev, instituto de previd√™ncia de S√£o Bernardo do Campo. Antonio Gilmar Giraldini, administrador financeiro do instituto, explica que o pr√≥prio fundo, representando os cotistas, entrar√° com a√ß√£o judicial para apurar a responsabilidade pelas perdas do Fidc. ‚ÄúHoje, praticamente todo o valor √© considerado perdido. N√≥s enquanto cotistas queremos receber, e por isso um comit√™ de cr√©dito acionar√° os prestadores de servi√ßo para que os investimentos sejam devolvidos‚ÄĚ, diz Giraldini. O instituto de S√£o Bernardo tamb√©m investiu R$ 5 milh√Ķes no fundo.
Outros investidores ‚Äď Entre os investidores do Fidc est√£o os fundos de pens√£o Postalis e Petros, al√©m do banco coreano KDB e 12 regimes pr√≥prios. Em comunicado, a Petros informou que seu investimento na segunda s√©rie de cotas seniores do Fidc foi de R$ 23 milh√Ķes e que, desde a primeira integraliza√ß√£o, j√° recebeu cerca de R$ 8,8 milh√Ķes. Tamb√©m por meio de nota, o Postalis informou que foram investidos R$ 50 milh√Ķes, sendo recebidos R$ 23 milh√Ķes, e que foi contratado pelos cotistas um ‚Äúrenomado escrit√≥rio de advocacia para apurar as responsabilidades, com o prop√≥sito de embasar poss√≠vel a√ß√£o judicial‚ÄĚ.
Atualmente, o fundo conta com administração da Planner e ativos sob custódia do Santander. Contudo, o Fidc já passou por uma constante troca de gestores e administradores, o que tem atrasado o processo de recuperação dos ativos.
Administradora desde abril, a Planner informou que est√° fazendo uma avalia√ß√£o da carteira e trabalhando na tentativa de recuperar os cr√©ditos. ‚ÄúNesse momento, estamos verificando a carteira do fundo e se todos os demais prestadores de servi√ßos agiram no cumprimento dos deveres judiciais‚ÄĚ, disse Artur Figueiredo, diretor financeiro da administradora.
Por meio de nota, o Brasil Plural declarou que, a partir de um diagn√≥stico inicial, que j√° foi realizado, ser√£o efetivadas as medidas necess√°rias para minimizar e recuperar as perdas dos cotistas. A gestora assumiu o fundo recentemente, substituindo a Evocati. J√° o Santander esclareceu que assumiu o papel de custodiante em 2013, quando o patrim√īnio do fundo ainda somava R$ 330 milh√Ķes, e que todas as opera√ß√Ķes cedidas no fundo seguiram as disposi√ß√Ķes do regulamento e as boas pr√°ticas de mercado.

Opção de longo prazo | Gestores preparam lançamento de novos fundos florestais e fecham parcerias com BB DTVM e Caixa para distribuição para institucionais

Luiz Brasizza, da AbrappMarcelo Flora, do BTG PactualEdição 262

 

Mesmo com o novo ciclo de abertura das taxas de juros verificado a partir do ano passado, as assets n√£o deixaram de se movimentar para desenhar fundos estruturados com perfil de longo prazo para funda√ß√Ķes e regimes pr√≥prios de previd√™ncia (RPPS). Um dos exemplos de novos produtos com este perfil s√£o os fundos florestais, que alguns gestores como o BTG Pactual e a Claritas come√ßam a oferecer para os investidores institucionais.
No caso do fundo do BTG Pactual, a meta √© captar aproximadamente US$ 700 milh√Ķes, sendo US$ 200 milh√Ķes do pr√≥prio banco, em um novo fundo florestal. Para isso a asset do BTG Pactual ir√° contar com a ajuda da Caixa, que fechou contrato de exclusividade para fazer a distribui√ß√£o do produto junto aos RPPS. A estrat√©gia de fechar parcerias com grandes institui√ß√Ķes financeiras para aproveitar sua capilaridade e chegar a institucionais pouco acess√≠veis tamb√©m deve ser outro ponto recorrente entre os novos fundos florestais que vir√£o ao mercado.
A Claritas também está estruturando um novo fundo florestal para colocar no mercado. A asset já conta com experiência anterior de ter feito a estruturação e distribuição de um produto da categoria. O primeiro fundo florestal da Claritas teve sua distribuição encerrada no final de 2008, e o período de investimento, de cinco anos, já acabou, com os próximos 15 anos voltados para a plantação e colheita. A cultura de plantio adotada é a do eucalipto, e 70% da produção tem contrato futuro pré-fixado com agentes do mercado de celulose. São três fazendas com 45 mil hectares de área plantada, no Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Bahia.
O patrim√īnio l√≠quido do fundo, que foi distribu√≠do pela pr√≥pria Claritas e pelo ent√£o ABN Amro Real, somava R$ 141 milh√Ķes ao final do processo de distribui√ß√£o, com uma ‚Äúbase relevante de institucionais‚ÄĚ, e ao final do ano passado era de R$ 216 milh√Ķes, resultado da reavalia√ß√£o dos ativos. ‚ÄúUm ponto importante √© que a taxa de performance s√≥ √© paga depois que 100% dos recursos aplicados pelo investidor forem devolvidos corrigidos pelo benchmark‚ÄĚ, afirma Cassiano Morelli, s√≥cio executivo da √°rea de produtos estruturados da Claritas. O benchmark adotado √© IPCA mais 8%. Pelos c√°lculos do executivo, at√© 2013, o rendimento do fundo florestal da casa √© de aproximadamente 18,3%, o que corresponde a cerca de IPCA mais 11%. Sobre o novo fundo que a Claritas est√° estruturando, por quest√Ķes legais Morelli ainda n√£o p√īde passar novas informa√ß√Ķes.
Segundo apura√ß√£o da reportagem, a Claritas j√° teria acordos de parcerias para a distribui√ß√£o do novo fundo. Para os fundos de pens√£o, a Claritas teria um acordo de distribui√ß√£o com a Vinci Partners. Para o p√ļblico RPPS, a asset deve contar com a distribui√ß√£o do Banco do Brasil e de sua gestora, a BB DTVM, que tamb√©m deve realizar a administra√ß√£o do fundo. A Claritas tem rela√ß√£o pr√≥xima com o Banco do Brasil devido a um s√≥cio em comum, que √© o Principal Group. O gigante americano √© s√≥cio minorit√°rio da Brasilprev, que √© a empresa de previd√™ncia aberta do Banco do Brasil, ao mesmo tempo que √© controladora da Claritas.
A asset da Claritas est√° aproveitando a proximidade com o BB para buscar parcerias. J√° o BTG Pactual tem optado pelas parcerias com a Caixa Econ√īmica, como ocorreu nos anos anteriores, com um fundo de dividendos voltado para os regimes pr√≥prios.
BTG Pactual ‚Äď Para adquirir experi√™ncia na √°rea florestal, o BTG Pactual foi √†s compras, e em 2012 e 2013 trouxe para dentro de casa a TTG e a RTG, que juntas fazem a gest√£o de US$ 3 bilh√Ķes em ativos florestais ‚Äď os ativos sob gest√£o das duas companhias n√£o estar√£o dentro do Florestas do Brasil. ‚ÄúCom isso conseguimos construir a confian√ßa necess√°ria para alocar US$ 200 milh√Ķes pr√≥prios do banco para fazer o investimento nesse tipo de ativo‚ÄĚ, afirma Flora.
A rentabilidade esperada para o fundo do BTG Pactual, o Florestas do Brasil, √© de IPCA mais 10% a 12%, com prazo de dura√ß√£o m√≠nimo de 12 anos, e m√°ximo de 16 anos, uma vez que podem ocorrer at√© duas prorroga√ß√Ķes de dois anos cada. ‚ÄúDesde 2010 v√≠nhamos buscando uma forma de ter exposi√ß√£o a ativos florestais no Brasil. A taxa de crescimento biol√≥gica √© tr√™s vezes maior que em outros pa√≠ses do hemisf√©rio norte, realmente h√° uma vantagem competitiva muito grande‚ÄĚ, diz Marcelo Flora, um dos s√≥cios do BTG.
A primeira chamada de capital do fundo deve ocorrer j√° no m√™s de setembro. Segundo Flora, o banco tem analisado uma √°rea total de 500 mil hectares de florestas avalida em US$ 1,5 bilh√£o, com lotes que v√£o de oito mil a 36 mil hectares, e que podem ser tanto arrendados como tamb√©m comprados. A concentra√ß√£o das terras fica em Minas Gerais e Paran√°, mas outras localidades como Bahia, Maranh√£o e S√£o Paulo tamb√©m s√£o estudadas. As culturas a serem implementadas devem ser de eucalipto e de pinus, e a demanda ainda n√£o est√° definida, mas deve focar nos mercados de pain√©is de madeira, celulose, serraria, energia e carv√£o gusa.
O investimento m√≠nimo no fundo ser√° de R$ 5 milh√Ķes, com uma taxa de administra√ß√£o de 2%, e uma de performance de 20%, a partir do momento que o fundo exceder um retorno de IPCA mais 8%.
Diversifica√ß√£o ‚Äď A op√ß√£o do investimento em florestais, apesar de incipiente, n√£o √© in√©dito entre os fundos de pens√£o. A Volkswagen Previd√™ncia Privada (VWPP), entidade com patrim√īnio de R$ 2,1 bilh√Ķes, por exemplo, j√° investiu em um fundo florestal, da Lacan, no segundo semestre de 2013. ‚Äú√Č uma op√ß√£o de diversifica√ß√£o proporcionada pelo produto ao portf√≥lio da casa‚ÄĚ, pondera Luiz Paulo Brasizza, diretor de investimentos da funda√ß√£o. ‚ÄúA pr√≥pria origem do patrocinador alem√£o, que sempre passou uma preocupa√ß√£o com o meio ambiente, nos deu um conforto de poder participar desse fundo‚ÄĚ, acrescenta.
Com R$ 2,3 milh√Ķes aplicados no fundo florestal, o total comprometido pela VWPP no projeto chega a R$ 7 milh√Ķes. O patrim√īnio total no fundo deve chegar a R$ 240 milh√Ķes, e conta com a ades√£o de mais de vinte fundos de pens√£o. ‚ÄúVai depender da pr√≥pria necessidade de recursos do fundo para chegar at√© os R$ 7 milh√Ķes‚ÄĚ, diz o diretor da VWPP.
A rentabilidade atual do fundo encontra-se em campo negativo, pelo fato de o FIP ainda estar na curva J, mas na primeira reavalia√ß√£o dos ativos, prevista para dezembro pr√≥ximo, Brasizza espera auferir os primeiros ganhos com a aplica√ß√£o. Quando se aplica em florestas, o investidor deve ter uma atitude diferenciada, que inclui inclusive visitas aos locais de plantio. ‚ÄúNeste per√≠odo da curva J, visitamos os locais para olhar as mudas para ver se est√£o atingindo o tamanho esperado‚ÄĚ, afirma o diretor.
Ao término de seu prazo de dez anos, prorrogável por mais cinco, sendo os sete primeiros para integralização de capital, a expectativa do fundo florestal da Lacan é entregar um retorno de 11% ao ano mais a inflação do período. As 14 fazendas investem na plantação de eucalipto, e boa parte da produção já está vendida para a Fibria. Todas elas são arrendadas, o que mitiga o risco de desvalorização da terra, com a maior parte localizada em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul.
Com dois FIPs em carteira, que n√£o preenchem os 5% que a VWPP tem permitido em sua pol√≠tica para investimentos estruturados, Brasizza segue em busca de novos produtos, e outros fundos florestais n√£o est√£o descartados. ‚ÄúA ideia √© diversificar, n√£o ficar exclusivamente na linha do eucalipto, num tipo de floresta, ou apenas no Mato Grosso do Sul‚ÄĚ. J√° chegaram √† mesa do diretor fundos que t√™m como tese de investimento a manuten√ß√£o e o manejo diferenciado de florestas que j√° est√£o plantadas. Brasizza lembra ainda que florestas de pinus s√£o outra oportunidade a ser avaliada pela VWPP, por se tratar de uma cultura de ciclo mais longo que o eucalipto, e que tem utiliza√ß√£o diversa, como a fabrica√ß√£o de m√≥veis.

Oportunidades de private equity no exterior | Gestora prepara fundo para entidades locais 

Gonzalo Fernández Castro, do Partners GroupUrs Wietlisbach, do Partners GroupEdição 261

 

Com mais de US$ 44 bilh√Ķes sob gest√£o no mundo, o Partners Group mira captar investimentos de fundos de pens√£o no Brasil. A gestora de investimentos privados baseada na Su√≠√ßa possui escrit√≥rio no Brasil h√° tr√™s anos e atua na Am√©rica Latina desde 2001, regi√£o onde possui mais de US$ 500 milh√Ķes sob gest√£o. Na regi√£o, a gestora tem recursos captados de fundos de pens√£o do Chile, Col√īmbia e Peru. No mundo, cerca de 85% dos recursos sob gest√£o da empresa s√£o provenientes de fundos de pens√£o de diversos pa√≠ses. Para come√ßar a capta√ß√£o no Brasil, o grupo pretende lan√ßar um feeder local para atrair investimentos dos fundos de pens√£o dom√©sticos.


A estrutura consiste em lan√ßar esse fundo no pa√≠s, j√° no segundo semestre, que investir√° em um fundo master em Luxemburgo. Para esse fundo master j√° foram captados 200 milh√Ķes de euros, e a expectativa √© chegar a 1 bilh√£o de euros. J√° para o feeder, ainda n√£o √© poss√≠vel estimar quanto ser√° captado, pois depender√° da demanda por parte das funda√ß√Ķes locais. ‚ÄúOs fundos de pens√£o da Am√©rica Latina t√™m aumentado o investimento em private equity ultimamente, mas n√£o os brasileiros‚ÄĚ, afirma Urs Wietlisbach, cofundador do Partners Group.
Para atrair as funda√ß√Ķes brasileiras, o grupo atua com um processo educacional sobre investimentos em mercado privado. ‚ÄúCriamos uma s√©rie educacional sobre os mercados privados que consiste em mostrar como fundos ao redor do mundo investem nesse mercado‚ÄĚ, diz Gonzalo Fern√°ndez Castro, respons√°vel pelos investimentos na Am√©rica Latina. Segundo o executivo, 20 diferentes funda√ß√Ķes participam desse programa educacional no Brasil.
Para os executivos do Partners Group, o essencial para quem come√ßa a investir no mercado privado √© diversificar os investimentos. ‚ÄúDiversificando voc√™ tem os mesmos retornos, mas com certeza o risco √© menor. Claro que h√° alguns anos o Brasil estava indo muito bem, ent√£o ningu√©m considerava investir no exterior, mas isso mudou nos √ļltimos dois anos, a economia n√£o est√° t√£o forte‚ÄĚ, opina Urs.
Gonzalo Castro d√° o exemplo de um grande cliente da empresa. ‚ÄúUm de nossos clientes, o fundo de pens√£o canadense CPP Investment Board (CPPIB), investe diretamente em infraestrutura nos mercados emergentes, por exemplo. Isso faz menos sentido para os fundos de pens√£o brasileiros, pois eles est√£o come√ßando‚ÄĚ, explica Castro.
Para os fundos de pens√£o, que t√™m compromissos de longo prazo, a liquidez n√£o deveria ser a maior preocupa√ß√£o, e sim o retorno mais alto. ‚Äú√Č por isso que os grandes fundos de pens√£o est√£o aumentando suas aloca√ß√Ķes no mercado privado, incluindo real estate, infraestrutura e private equity. E a principal raz√£o s√£o os retornos mais altos‚ÄĚ, diz.
Estrat√©gia ‚Äď A estrat√©gia de diversifica√ß√£o do grupo consiste em oferecer para as funda√ß√Ķes tr√™s tipos de investimento. O investimento direto na empresa, o investimento prim√°rio, tamb√©m conhecido como fundo de fundos, e o secund√°rio, que consiste em um investimento realizado em um portf√≥lio j√° existente. Esse √ļltimo √© o investimento mais adequado aos investidores institucionais, pois al√©m de entrar no fundo quando ele j√° est√° em opera√ß√£o, ele consegue mitigar a curva J e reduzir os riscos do investimento.
O investimento secundário ocorre quando outro investidor, que já possui um comprometimento de captação com o fundo, decide sair do veículo antes dele fechar. Com isso o novo investidor compra a cota do fundo com seu valor de mercado atual e se compromete com as próximas chamadas de capital.
Quando se trata de investimentos diretos, a estrat√©gia adotada √© em aloca√ß√Ķes em middle market. Isso porque as empresas grandes est√£o muito caras. ‚ÄúOs pre√ßos est√£o ainda mais caros que a pr√©-crise. Principalmente nos Estados Unidos‚ÄĚ, explica Urs. J√° para empresas menores, o mercado de cr√©dito n√£o est√° aberto. Para crescer, elas precisam ir para o mercado privado. A estrat√©gia tamb√©m vale pra o Brasil.
Do total de recursos geridos pelo Partners Group, metade est√° concentrada em private equity, 25% em investimentos imobili√°rios e os outros 25% em infraestrutura. No Brasil, a empresa investiu em algumas companhias, sendo a mais recente o Grupo SBF, detentor das marcas Centauro, By Tennis, Almax e operador da rede Nike Store no pa√≠s. ‚ÄúO Brasil √© um pa√≠s muito grande, n√£o tem como n√£o investir aqui se quisermos ser globais‚ÄĚ, diz Gonzalo Castro.

Classes de ativos se misturam | Termo ‚Äúinvestimento alternativo‚ÄĚ est√° se tornando inadequado devido √† mescla de classes de ativos tradicionais e n√£o convencionais em fundos

Edição 261

 

As classes de ativos est√£o se misturando e a linha que separa os tipos de ativos alternativos est√£o cada vez menos n√≠tidas. A vasta oferta de investimentos anteriormente alocados em classes de ativos separadas, dentro de portf√≥lios chamados multiasset, agora come√ßa a se tornar uma classe √ļnica e a tend√™ncia √© que o termo ‚Äúinvestimentos alternativos‚ÄĚ deixe de existir. De acordo com a Pension and Investiments (P&A), investidores agora recebem ofertas de uma variedade de classes de ativos de forma combinada, unindo a√ß√Ķes de empresas capital aberto com private equity, investimentos l√≠quidos com il√≠quidos, tudo dentro do mesmo portf√≥lio de um √ļnico gestor.


Se at√© poucos anos atr√°s os investimentos alternativos indicavam uma refer√™ncia mais precisa, relacionada com os fundos de private equity, venture capital, real estate e infraestrutura, a situa√ß√£o tem apresentado mudan√ßas rapidamente. Os fundos de investimento est√£o mesclando cada vez mais os ativos tradicionais de renda fixa e vari√°vel, com os chamados investimentos alternativos, tamb√©m denominados de estruturados, no mercado brasileiro. Entre os novos produtos aparecem portf√≥lios de alternativos l√≠quidos, que combinam classes de ativos incluindo t√≠tulos de alto rendimento, ativos imobili√°rios listados, private equity e t√≠tulos e a√ß√Ķes de mercados emergentes. Tamb√©m √© oferecida uma estrat√©gia de cr√©dito privado, incluindo empr√©stimos banc√°rios e deb√™ntures convers√≠veis combinados com renda fixa de capital aberto.
Atualmente, os chamados hedge funds est√£o aplicando cada vez mais em cotas de venture capital, private equity e investimentos imobili√°rios. √Č cada vez mais comum os gestores tradicionais combinarem um fundo de hedge com investimentos longos. Os fundos de hedge tamb√©m est√£o negociando a√ß√Ķes de infraestrutura e parcerias limitadas que oferecem op√ß√Ķes l√≠quidas para aloca√ß√Ķes em ativos reais.
Estrat√©gias de private equity tamb√©m incluem a√ß√Ķes e cr√©dito, bem como investimentos l√≠quidos e il√≠quidos. Outro tipo de mistura de ativos ocorre com os receb√≠veis imobili√°rios, que est√° sendo inclu√≠dos em fundos de private equity.
Converg√™ncia ‚Äď Com tantas ofertas de investimentos no mercado, a pr√≥pria ind√ļstria acredita que a defini√ß√£o ‚Äúgestores de investimentos alternativos‚ÄĚ ir√° desaparecer, j√° que o portf√≥lio dos gestores n√£o √© mais o mesmo. Uma delas, a Principal Global Investors, come√ßou a trabalhar com estrat√©gias de investimento mais focadas, combinando investimentos l√≠quidos e il√≠quidos, com mandatos ativos e passivos. No setor imobili√°rio, a gestora faz a converg√™ncia entre investimentos imobi-
liários em portfólios multiestratégicos com estratégias coletivas. São fundos do tipo multiasset com gestão de valor. A classe de real estate está sendo cada vez mais usada em outras estratégias, reforçando a convergências das classes de ativos.
Para Nicholas Tsafos, auditor da empresa de contabilidade de Nova York Eisner-
Amper, essa convergência é impulsionada pelas oportunidades observadas pelos gestores no mercado. Um exemplo dado pelo executivo à P&I é quando empresas de médio e pequeno porte foram impedidas de obter financiamento de bancos após a crise financeira. Com isso, os gestores de investimentos alternativos se viram diante da oportunidades de preencher essa lacuna e começaram, assim, a fornecer os empréstimos.
J√° para o Carlyle Group, essa converg√™ncia √© decorrente das a√ß√Ķes dos pr√≥prios investidores. O diretor e chefe das solu√ß√Ķes da gestora em Nova York, Jacques P. Chappius, acredita que o movimento do mercado √© menos direcionado pelos gestores e mais definido pelas necessidades dos investidores atualmente. ‚ÄúAlguns gestores de ativos n√£o s√£o capazes de oferecer essa personaliza√ß√£o sofisticada por meio de m√ļltiplas classes de ativos‚ÄĚ. O executivo complementa ainda que os propriet√°rios de ativos procuram ver as classes de ativos como pacotes de risco. Sendo assim, o ato de rotular esses ativos est√° cada vez menos bem visto no mercado.
Amadurecimento ‚Äď Na opini√£o de Peter Martenson, da ag√™ncia de coloca√ß√£o Eaton Partners, os investimentos alternativos est√£o amadurecendo como classe de ativos. Uma ag√™ncia de coloca√ß√£o visa dar assist√™ncia aos gestores de fundos sobre investimentos alternativos, e para a Eaton, essa classe de investimentos est√° sendo empurrada para os fundos de pens√£o, com private equity se movendo para aloca√ß√Ķes em a√ß√Ķes globais enquanto os t√≠tulos est√£o se movendo para aloca√ß√Ķes em cr√©dito que t√™m tanto d√≠vidas p√ļblicas quanto privadas no mesmo portf√≥lio.
A convergência é impulsionada pelo consumidor e também pelos consultores, segundo Martenson. O executivo destaca ainda que até o período de investimento está mudando. Tradicionalmente, os fundos de private equity podem durar 10 anos ou mais, enquanto os fundos de hedge têm duração de médio prazo. Mas Martenson diz que os períodos são estabelecidos de forma que corresponda melhor com a duração do investimento em si, em vez de se ajustar à estrutura tradicional do fundo.
Consolida√ß√£o ‚Äď O bom desempenho de determinadas empresas faz com que os investidores queiram simplesmente ampliar suas aloca√ß√Ķes na mesma companhia, consolidando relacionamentos e solidificando tamb√©m os investimentos, em vez de apenas diversificar. Os gestores de private equity, por exemplo, devem investir em private equity e d√≠vida corporativa. No mesmo ve√≠culo √© poss√≠vel investir na d√≠vida da empresa e obter o controle da mesma.
Segundo Mark Attanasio, da empresa de cr√©dito de Los Angeles Crescent Capital Group, quase todas as empresas de private equity procuram investir na d√≠vida das empresas para ter a valoriza√ß√£o que querem. Mas os gestores tamb√©m come√ßaram a desenvolver ve√≠culos combinados para aloca√ß√Ķes em ativos reais, o que pode incluir desde infraestrutura at√© t√≠tulos indexados √† infla√ß√£o. Esse trabalho, antigamente, exigia que o investidor contratasse diferentes gestores para cada modalidade de ativos.
Os investidores t√™m procurado pela Morgan Stanley para criar portf√≥lios l√≠quidos de ativos reais, segundo declarou Ted Bigman, gerente do banco em Nova York, √† P&I. Bigman destaca que no primeiro trimestre o banco captou para um mix de ativos imobili√°rios listados e ativos de infraestrutura listados. O executivo diz que o portf√≥lio de ativos reais √© atraente, pois ainda n√£o h√° ‚Äúrios de dinheiro‚ÄĚ perseguindo as oportunidades, ou seja, com menos demanda, os investidores conseguem mais retornos.
Sendo uma classe de ativos que ainda possui capital limitado, os ativos reais abrangem estrat√©gias com uma ampla variedade de op√ß√Ķes de investimento. Peter Martenson, da Eaton Partners, exemplifica dizendo que alguns gestores do setor de √≥leo e g√°s est√£o desenvolvendo estrat√©gias h√≠bridas de a√ß√Ķes e d√≠vidas, incluindo contratos ‚Äúofftake‚ÄĚ de compra e venda para produ√ß√£o futura, que ocorre quando um produtor vende partes da produ√ß√£o a ser feita a um comprador.
Com essas novas demandas por parte de investidores, os ativos acabam se misturando e reescrevendo as regras, fugindo de r√≥tulos e colocando todas as ofertas em um √ļnico portf√≥lio.
Brasil ‚Äď No mercado brasileiro, o termo ‚Äúinvestimento alternativo‚ÄĚ ainda continua em uso pelos gestores. Por√©m, a legisla√ß√£o dos fundos de pens√£o, especialmente a Resolu√ß√£o 3792 do Conselho Monet√°rio Nacional, faz refer√™ncia ao termo ‚Äúinvestimento estruturado‚ÄĚ. Essa modalidade de ativos inclui os fundos de investimentos em participa√ß√Ķes, os fundos imobili√°rios e uma parte dos multimercados.
No caso dos fundos multimercados, s√£o aqueles que n√£o est√£o justamente enquadrados √† resolu√ß√£o, que entram no limite da carteira de investimentos estruturados. J√° a mistura de ativos tradicionais com os chamados alternativos ainda n√£o √© t√£o comum no mercado brasileiro quanto no americano, mas j√° h√° gestores e fundos que utilizam o recurso. Com o amadurecimento do mercado dom√©stico, √© prov√°vel que o fen√īmeno da combina√ß√£o de investimentos estruturados com renda fixa e vari√°vel se torne cada vez mais comum, como nos EUA nos √ļltimos anos.

BNDES lança programa para incentivar IPOs | Para fomentar abertura de capital no Bovespa Mais, banco cria pacote de R$ 3 bi para Fips e PMEs

Leonardo Pereira e Bruno Aranha, do BNDESCristiana Pereira, da BM&FBOVESPAEdição 260

 

Para fortalecer o mercado de capitas, o BNDES anunciou um pacote de iniciativas que estimular√° pequenas e m√©dias empresas (PMEs) a se listar no mercado de acesso da bolsa. As iniciativas preveem investimentos de R$ 2 bilh√Ķes em fundos de investimento em participa√ß√Ķes (Fips) e mais R$ 1 bilh√£o diretamente em ofertas p√ļblicas iniciais (IPOs) de empresas no Bovespa Mais. Al√©m disso, o BNDES est√° selecionando um gestor para seu Fip, de R$ 250 milh√Ķes, voltado especificamente para empresas que queiram abrir capital na bolsa.

Para a primeira iniciativa, denominada Programa Multissetorial de Fundos, o BNDES est√° selecionando gestores de private equity e venture capital com propostas de Fips de diversos setores e naturezas. O programa contar√° com quatro chamadas p√ļblicas semestrais durante os pr√≥ximos dois anos. Ao todo, 12 Fips ser√£o selecionados. ‚ÄúO objetivo √© realizar uma chamada multissetorial para selecionar gestores de private equity e venture capital que tragam ao BNDES propostas de diversos setores e conceitos para o banco avaliar e assim, indicar a inten√ß√£o de investir nos fundos‚ÄĚ, destaca Leonardo Pereira, chefe do departamento de investimento em fundos do BNDES. O banco possui R$ 2 bilh√Ķes para investir, por meio do BNDESPar, nos fundos selecionados pelo programa.
O executivo destaca que o interesse do BNDES √© inicialmente investir em produtos com gestores capacitados e com hist√≥rico de atua√ß√£o na ind√ļstria de fus√Ķes e aquisi√ß√Ķes. ‚ÄúOutro crit√©rio relevante √© a pol√≠tica de investimento do fundo. Queremos entender qual o pipeline, as oportunidades de investimento do fundo, conceito de investimento, o tipo, porte, setor e a maturidade da empresa. Ou seja, como o fundo ser√° gerenciado‚ÄĚ. O banco tamb√©m selecionar√° gestores analisando o curr√≠culo, capacita√ß√£o, a forma√ß√£o e a experi√™ncia profissional das equipes. ‚ÄúTamb√©m olhamos para a proposta de governan√ßa e de custos de valor, como taxa de administra√ß√£o e performance‚ÄĚ.
Capta√ß√£o e setores ‚Äď Cada fundo dever√° ter uma estrat√©gia de capta√ß√£o espec√≠fica, mas quando o BNDES tomar a decis√£o de investir no fundo, poder√° auxiliar o gestor na capta√ß√£o, articulando com outros investidores. ‚ÄúN√£o vou previamente ajudar nenhum gestor na capta√ß√£o, mas depois da entrada do banco no fundo, isso pode ser feito‚ÄĚ, diz Leonardo Pereira. Quanto √† participa√ß√£o nos fundos, o BNDES poder√° ter at√© 20% de participa√ß√£o em private equity e at√© 40% em venture capital. ‚ÄúEsses R$ 2 bilh√Ķes ser√£o alocados dentro dessas participa√ß√Ķes‚ÄĚ.
Al√©m de alinhar suas propostas com o objetivo central do BNDES, de investir em pequenas e m√©dias empresas, o gestor deve considerar empresas de base tecnol√≥gica ou projetos ligados a infraestrutura ‚Äď energia, log√≠stica e servi√ßos. ‚ÄúA ideia √© n√£o restringir nenhum tipo de setor. Mas esses s√£o nossa prefer√™ncia. Especificamente para primeira chamada, um segmento interessante que achamos que podemos ajudar √© um fundo de fundos‚ÄĚ, explica Pereira. ‚ÄúInvestidores de menor porte podem diversificar o investimento. O fundo pode investir em um fundo a cada ano e diversificar o setor. Assim, n√£o fica exposto a nenhum fundo espec√≠fico‚ÄĚ.
Na primeira chamada p√ļblica, o BNDES estabeleceu prioridade para Fips nas √°reas de infraestrutura, base tecnol√≥gica, educa√ß√£o, sa√ļde, economia criativa e fundo de fundos. Contudo, propostas de fundos em outros setores ou sem foco setorial espec√≠fico n√£o ser√£o descartadas.
Mercado de acesso ‚Äď Al√©m do Programa Multissetorial de Fundos, o BNDES est√° selecionando o gestor de seu Fip para o mercado de acesso. J√° previamente anunciado como um fundo com um patrim√īnio de aproximadamente R$ 250 milh√Ķes, o Fip deve investir em entre oito e dez empresas. ‚ÄúO objetivo √© que invista em empresas que sejam listadas no Bovespa Mais que estejam se preparando para o IPO‚ÄĚ, salienta Pereira. O fundo tamb√©m poder√° investir em empresas que tenham compromisso de se listar no mercado de acesso. ‚ÄúAl√©m disso, por conta de reformula√ß√£o em normas da Comiss√£o de Valores Mobili√°rios, o fundo pode investir em empresas que j√° est√£o no Bovespa Mais, mas em um percentual de 30% e sem gest√£o direta nesses ativos‚ÄĚ, diz Pereira.
Assim, o fundo atuar√° tanto na fase pr√©-IPO como ap√≥s a abertura de capital da empresa, auxiliando na liquidez dos pap√©is negociados. Para isso, o gestor deve ter perfil misto, com experi√™ncia na gest√£o de ativos l√≠quidos e de private equity. A sele√ß√£o √© dirigida para um gestor espec√≠fico e a forma√ß√£o de portf√≥lio vir√° do gestor, mas o BNDES j√° identificou empresas de sua carteira como potenciais ativos. ‚ÄúO gestor tem obriga√ß√£o de trazer proposta de forma√ß√£o de portf√≥lio. Como falamos de PMEs, n√£o falamos da base mais rasteira da pir√Ęmide, mas de uma grande faixa de empresas no Brasil‚ÄĚ, destaca Pereira.
Apoio a ofertas p√ļblicas ‚Äď Uma terceira iniciativa do BNDES √© aplicar at√© R$ 1 bilh√£o em ofertas p√ļblicas de empresas no mercado de acesso. O BNDESPar poder√° atuar como investidor-√Ęncora, concedendo garantia firme de subscri√ß√£o em at√© 20% da oferta. ‚ÄúUm dos objetivos do BNDESPar √© desenvolver o mercado de capitais, que hoje √© concentrado em poucas opera√ß√Ķes e t√≠quete elevado‚ÄĚ, diz Bruno Aranha, gerente do departamento de investimento em fundos do banco. O executivo explica que o mercado acion√°rio conta com empresas com faturamento muito elevado e valor de mercado muito alto. ‚ÄúBuscamos suprir essa lacuna para PMEs. Na oferta p√ļblica, a empresa sair√° com o compromisso do IPO e do BNDESPar de realizar investimento de at√© 20% da oferta, como um √Ęncora formal, garantindo o IPO‚ÄĚ.
O investimento deve ser calcado em alguns crit√©rios como valuation. A oferta p√ļblica deve ser prim√°ria, em bolsa, e ter um esfor√ßo m√≠nimo de 10% para capta√ß√£o de varejo. ‚ÄúO programa √© complementar ao fundo de mercado de acesso, que pode trazer opera√ß√Ķes para a bolsa e, a partir do IPO da empresa, vamos participar como investidores. Existe uma complementaridade entre o fundo e o programa‚ÄĚ, ressalta Bruno Aranha.
Maior espaço para a atuação dos PEs
Em semin√°rio realizado na C√Ęmara dos Deputados no final de maio para debater os impactos econ√īmicos e desafios legislativos do capital empreendedor, foram discutidos dados e pontos de propostas que visam expandir os investimentos de risco no pa√≠s. Cristiana Pereira, diretora comercial e de desenvolvimento de empresas da BM&FBOVESPA, esteve presente e destacou que a ind√ļstria ainda tem muito potencial de desenvolvimento, com grande espa√ßo para a atua√ß√£o dos private equity. A especialista disse que a bolsa ainda absorve grandes ofertas, sendo necess√°rio estimular a entrada de empresas com ofertas menores. Para isso, foi criado em 2012 o Comit√™ T√©cnico de Ofertas Menores. ‚ÄúMais de 50% das opera√ß√Ķes da bolsa s√£o acima de US$ 500 milh√Ķes. Em outros pa√≠ses, os t√≠quetes s√£o mais baixos. Nesse esfor√ßo de oferta menores queremos viabilizar que empresas menores cheguem na bolsa para alimentar toda a cadeia‚ÄĚ, salientou Cristiana.
A executiva refor√ßou ainda a necessidade da cria√ß√£o de medidas que visam incentivar investidores que queiram aplicar em pequenas e m√©dias empresas, assegurando um ambiente seguro e garantindo que existam ve√≠culos. Cristiana mencionou que o comit√™ estudou e debateu esse assunto e elaborou um conjunto de 12 propostas, sendo que v√°rias est√£o em andamento. ‚Äú√Č importante que em cada uma das etapas o investidor tenha condi√ß√Ķes adequadas e seguran√ßa jur√≠dica para fazer o investimento, e que os Fips tamb√©m possam investir em empresas abertas‚ÄĚ.
Cristiana tamb√©m destacou a cria√ß√£o do fundo de investimento para investir em PMEs pelo BNDES. ‚ÄúAs pequenas e m√©dias empresa possuem liquidez menor, ent√£o o fundo n√£o pode ter necessidade de resgate imediato. O investidor precisa entender essa l√≥gica e ter mecanismos para girar esse fundo de maneira diferenciada‚ÄĚ. Ao longo da discuss√£o do semin√°rio se falou ainda sobre a obrigatoriedade das empresas de capital aberto publicar v√°rios temas em jornal, o que gera altos custos.