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Disciplina é crucial em private equity
Projetos de longo prazo não devem ser sacrificados por conjunturas de curto prazo

Programas de investimento em Private Equity voltam a ser discutidos pelos fundos de pensão como uma alternativa para diversificar suas carteiras, ainda que de modo preliminar. Experiências bem sucedidas das fundações que já apostam em fundos de PE/FIPs há algum tempo podem ser referenciais importantes.
Na Fundação Copel, que tem um programa de alternativos desde 2012/2013, os investimentos continuam em alta. Adotar uma visão de gestão de portfolio e ter disciplina na hora de seguir premissas estabelecidas – ciclos econômicos, estágios dos projetos, setores, etc – são fundamentais para obter bons resultados, comenta o diretor financeiro da fundação, José Carlos Lakoski. “Desde o início, à exceção de 2014 investimos todos os anos e não quebramos os ciclos de investimento e desinvestimento”, comemora Lakoski.
A dinâmica das taxas de juros deve ser referencial e não um fator determinante, ou seja, os projetos de longo prazo de PE não podem ser abandonados nos momentos de alta dos juros. “Se o investidor fizer isso e voltar depois, estará criando buracos nos ciclos e vai penalizar uma geração de participantes de maneira quase irreparável porque isso prejudica o alinhamento da estratégia”, observa Lakoski. Na Copel, o investimento em fundos de PE equivale a recursos de R$ 120 milhões por ano. São 12 fundos com desenhos distintos para zerar o efeito da curva J, o que significa que a combinação de características permite beneficiar de imediato os participantes.
Há fundos com desenho de investimento florestal, fundos de infraestrutura, fundos de fundos de PE, estratégias com diferentes níveis de risco na operação dos projetos e na saída do investimento. Ao todo, são R$ 390 milhões já comprometidos e cerca de R$ 200 milhões aportados. Neste ano já foram aprovados dois fundos, um deles com safra de 2018. E a fundação está analisando outro, de infraestrutura.
Um dos fundos PE tem estratégia fundo de fundos nos mercados primário, secundário e de coinvestimentos, tudo na mesma carteira, o que ajuda no equilíbrio na curva J sem penalizar a atual geração de participantes”, informa Lakoski.

Questão fiscal – A atratividade do PE para os investidores institucionais brasileiros deve crescer a partir do momento em que houver definição mais clara sobre a questão fiscal e o cenário macroeconômico, avalia o sócio da Vision Brazil Investments, Amaury Fonseca Jr. “A expectativa de um arcabouço de maior liberalidade econômica pode ampliar o interesse dos investidores nacionais e estrangeiros. Voltada a uma base composta hoje por institucionais estrangeiros, a Vision identifica interesse principalmente em setores como o de energia, rodovias, ferrovias, portos e saneamento. “O interesse é amplo, inclusive na área agrícola, mas ainda há preocupação com o marco jurídico-regulatório dos projetos, tema que preocupa mais do que a taxa de retorno dos investimentos. “O risco de eventuais mudanças nos contratos acaba freando interesse por investimentos de médio e longo prazo no país”, diz Amaury.
Na Fachesf, que mantém atualmente dez FIPs, os investimentos regulares são feitos desde 2007 e de forma contínua, e devem crescer novamente. “É importante ter diversas safras e estratégias não concentradas para minimizar o impacto da curva J”, explica o gerente de Investimentos da entidade, Clidenor Lima Jr. A carteira atual, que equivale a 1,5% do patrimônio total, inclui dois FIPs na região NE do país, com projetos florestais e de alimentos, alguns fundos de fundos, projetos que investem no setor sucroalcooleiro, em energias renováveis, tecnologia e outros. A alocação estratégica da fundação aponta para um percentual maior de FIPs, entre 6% e 15% dos ativos a depender do plano e da qualidade dos produtos analisados. Mas a expectativa é chegar ao final do ano com 4% a 5% dos ativos alocados em FIPs. Em relação aos retornos, Lima Jr. observa que quanto mais recente a janela de tempo observada, melhores e mais consistentes são os resultados.

Liberdade econômica – De acordo com Alexandre Pierantoni, diretor da assessoria Duff & Phelps no Brasil, as definições contidas na MP nº 881, editada em abril deste ano e conhecida como a “MP da liberdade econômica”, dão mais atratividade aos fundos de PE. Entre outras coisas, a MP limita a responsabilidade dos cotistas, segrega responsabilidades entre prestadores de serviços fiduciários, eliminando a solidariedade entre eles, e desconsidera a personalidade jurídica, o que está alinhado à regulação internacional. “Esse alinhamento à regulação global ajuda muito”, avalia Pierantoni.